Mag-log inA reunião havia sido um sucesso.
Os parceiros deixaram a Zanobi Corporation satisfeitos, e os resultados começaram a aparecer antes mesmo do esperado. No final da tarde, Umberto permanecia em sua sala revisando alguns contratos quando ouviu duas batidas na porta. — Entre. Vito entrou sorrindo, como fazia quase todos os dias. — Ainda trabalhando? Umberto nem levantou os olhos dos documentos. — Alguém precisa manter esta empresa funcionando. Vito soltou uma risada. — E alguém precisa lembrar que você também é ser humano. Umberto fechou a pasta. — E o que você quer? — Tirar você daqui. — Disse com um tom de persuasão. — Impossível. — Nada é impossível. — Insistiu. Vito puxou uma cadeira e sentou-se à frente da mesa. — Faz semanas que você não faz outra coisa além de trabalhar. — Exagero seu. — Retrucou Umberto — É mesmo? — Respondeu Vito com sarcasmo. Ele começou a contar nos dedos. — Você cancelou dois jantares, desmarcou uma pescaria, não foi ao passeio de lancha e ainda recusou um churrasco no último domingo. Umberto sorriu de canto. — Você anda controlando minha agenda? — Alguém precisa. — Disse alfinetando o amigo. Os dois riram, depois de alguns segundos, Vito voltou a falar. — Vamos fazer alguma coisa neste fim de semana. — Como o quê?— Perguntou Umberto sem entusiasmo. — Praia! — Exclamou Vito com euforia. — Não. — Umberto negou. — Passeio de barco. —Insistiu Vito. — Também não. — Disse Umberto recusando. — Então vamos praticar algum esporte radical.— Vito sugeriu já sem ânimo. Umberto arqueou uma sobrancelha. — Você quer me matar?— Disse incrédulo. — Quero fazer você viver um pouco. — Rebateu sem esperanças. O silêncio foi quebrado por uma breve risada de Umberto. Era raro vê-lo rir daquela forma. — Está bem. — Disse finalmente concordando. Vito abriu um sorriso vitorioso. — Sério? — Desde que você organize tudo. — Fechado. Ele levantou-se satisfeito. — Pode deixar. Eu cuido de tudo. Enquanto Vito deixava a sala, Humberto balançou a cabeça, sorrindo discretamente. Ter um amigo como ele tornava os dias menos pesados. O sábado amanheceu com um céu limpo e uma brisa agradável. Depois de semanas mergulhado no trabalho, Humberto finalmente havia cumprido a promessa feita ao amigo. Ainda nas primeiras horas da manhã, Vito passou para buscá-lo. Como sempre, estava animado. — Espero que você não desista no meio do caminho. Humberto fechou a porta da mansão e sorriu discretamente. — Eu deveria ser o único preocupado com isso. Os dois entraram no veículo e seguiram viagem. O destino era uma região cercada por montanhas e cachoeiras, conhecida pela prática de rapel. Vito havia organizado praticamente toda a aventura. Reservou o horário com a equipe responsável. Providenciou os equipamentos de segurança. Separou água, alimentos, um pequeno kit de primeiros socorros e até um kit de sobrevivência para uma eventual emergência. Humberto, fiel ao seu jeito metódico, ainda fez questão de conferir cada item antes de saírem. — Você acha mesmo que vamos precisar de tudo isso? — perguntou, observando a mochila. Vito deu uma gargalhada. — Espero que não. — Então por que trouxe? — Porque prevenção nunca é demais. Humberto assentiu. — Finalmente concordamos em alguma coisa. Os dois riram. Durante o percurso, conversaram sobre assuntos diversos. Relembraram histórias da juventude, os primeiros anos da empresa e as dificuldades que enfrentaram para transformar a Zanobi Corporation no império que era hoje. O restante da tarde transcorreu entre descidas, risadas e alguns desafios que Vito fazia questão de transformar em competição. — Aposto que você não consegue descer mais rápido do que eu. Umberto apenas sorriu. — Eu não tenho mais vinte anos para entrar nessas disputas. — Está com medo de perder? — Estou com preguiça de discutir com você. Você parece criança. Os dois caíram na risada. Quando o sol começou a se esconder atrás das montanhas, decidiram encerrar o passeio. Sentaram-se sobre uma grande pedra, de onde era possível contemplar a cachoeira e ouvir o som constante da água batendo nas rochas. Por alguns minutos, nenhum dos dois disse uma palavra. Aquele silêncio era confortável. Vito quebrou o silêncio primeiro. — Precisávamos fazer isso mais vezes. Umberto concordou com um leve movimento de cabeça. — Fazia tempo que eu não desligava da empresa. São tantas coisas que vão surgindo em efeito dominó. — E conseguiu? Ele olhou para a paisagem antes de responder. — Por algumas horas... sim. Vito sorriu, satisfeito. — Então já valeu a pena. Umberto respirou profundamente, deixando o vento fresco tocar seu rosto. — Obrigado por insistir. Vito levantou uma sobrancelha, brincando: — Pode repetir? Acho que não ouvi direito. Umberto riu. — Não exagera. Os dois se levantaram. Recolheram os equipamentos e seguiram em direção ao veículo. Enquanto caminhava lentamente pela trilha, Umberto observava a imensidão da paisagem ao seu redor. O vento soprava suavemente entre as árvores, e o som da água correndo pela cachoeira parecia silenciar qualquer preocupação. — É curioso... — disse ele, pensativo. — A gente passa tanto tempo correndo atrás dos objetivos que esquece de admirar as pequenas coisas da vida. Vito caminhava logo atrás, ouvindo o amigo filosofar. — Às vezes, basta parar por alguns minutos para perceber que a natureza ensina mais do que muitos livros. Nesse instante, uma pequena abelha surgiu voando delicadamente ao redor deles. Umberto sorriu. — Olha que inseto lindo... Sem pensar duas vezes, aproximou a mão e a trouxe para bem perto do rosto, admirando suas pequenas asas. Vito arregalou os olhos. — Umberto... não... Era tarde demais. — AAAAAI! Umberto levou a mão ao nariz no mesmo instante. A pequena abelha havia defendido seu espaço da única maneira que sabia. Vito levou alguns segundos tentando manter a postura. Não conseguiu. Caiu na gargalhada. — Ah, não, meu amigo! — disse entre uma risada e outra. — Você é o único homem que eu conheço capaz de ser derrotado por uma abelhinha! Umberto fez uma careta, esfregando o nariz já avermelhado. — Pode rir... eu deixo. Vito respirou fundo, ainda segurando o riso. — Depois dessa, acho melhor a gente voltar para casa antes que você resolva fazer amizade com um marimbondo.Os primeiros dias na casa de Ludovica foram diferentes de tudo o que Umberto estava acostumado. No início, ele não sabia muito bem como agir. Estava acostumado com uma casa grande, funcionários disponíveis, silêncio e uma rotina organizada de acordo com seus horários. Ali, porém, as coisas funcionavam de outra maneira. Logo na primeira manhã, Umberto acordou mais cedo do que pretendia. Ainda estava se recuperando, mas já se sentia melhor. Ao sair do quarto, ouviu vozes vindas da cozinha. Constantine estava preparando o café da manhã enquanto Ludovica organizava algumas coisas sobre a mesa. — Eu faço o pão — disse Ludovica. — Então eu passo o café — respondeu Constantine. — E eu vou preparar o suco — disse Tomazzo, aparecendo na cozinha. Umberto ficou parado por alguns segundos, apenas observando. Ninguém parecia esperar que alguém fizesse tudo sozinho. Um ajudava o outro. Enquanto Ludovica terminava o pão, Constantine colocava as xícaras sobre a mesa. Tomazzo trouxe o s
Na manhã seguinte, o estado de Umberto apresentou uma melhora significativa. Depois de algumas horas de observação e dos cuidados da equipe médica, ele finalmente estava consciente e conseguia conversar com mais tranquilidade. Ainda se sentia fraco, mas já não apresentava o mesmo quadro preocupante da noite anterior. Quando o médico entrou no quarto para avaliá-lo, Umberto perguntou: — Doutor, aquelas duas mulheres que vieram me visitar... Ludovica e Constantine. Elas ainda estão aqui? — Sim. Elas aguardam notícias suas. Umberto ficou alguns segundos em silêncio. — Pode deixá-las entrar. Pouco depois, Ludovica e Constantine entraram no quarto. — Senhor Umberto... — Ludovica aproximou-se da cama. — O senhor nos deu um susto enorme. Ele esboçou um pequeno sorriso. — Desculpe. Não era minha intenção. Constantine ficou ao lado da tia, observando-o. — Como está se sentindo? — Melhor. Ainda um pouco fraco, mas melhor. Nesse momento, o médico entrou novamente no quarto. — Apr
Umberto entrou em casa naquela noite completamente transtornado. Assim que passou pela porta, fechou-a atrás de si e permaneceu alguns segundos parado no hall. As palavras de Emilyke continuavam ecoando em sua mente. “É pelo nosso filho.” Ele passou a mão pelos cabelos e caminhou até a sala. Não conseguia entender. Depois de tudo o que havia acontecido, depois de descobrir a traição, depois de ver as fotografias e perceber que havia sido enganado por duas das pessoas em quem mais confiava, Emilyke aparecia diante de sua casa com uma notícia daquela. Um filho. Umberto caminhou de um lado para o outro. — Não pode ser... Sentou-se no sofá, mas não conseguiu permanecer ali por muito tempo. Levantou-se novamente. Foi até a janela. Depois voltou para a sala. Sua mente estava inquieta. Ele se perguntava se havia alguma possibilidade de Emilyke estar dizendo a verdade. Ao mesmo tempo, lembrava-se de tudo o que havia descoberto. Vito. As fotografias. As mentiras. Aquela vida
Um mês havia se passado desde a descoberta.Durante todo aquele tempo, Umberto não havia recebido nenhuma notícia de Emilyke ou de Vito.Ele seguiu com sua vida e com seu trabalho, tentando colocar as coisas no lugar depois de tudo o que havia acontecido.Emilyke, por outro lado, começava a perceber que a vida ao lado de Vito não era nada parecida com aquilo que havia imaginado.Aos poucos, uma espécie de saudade começou a surgir.Mas não era exatamente saudade de Umberto.Era saudade da forma como ele a tratava.Enquanto esteve ao lado dele, Emilyke havia sido constantemente colocada em primeiro lugar.Umberto fazia questão de incluí-la em seus melhores eventos, apresentá-la às pessoas importantes, apoiar seus projetos e proporcionar uma vida confortável.Ele sempre a tratara com respeito e consideração.Vito havia prometido que poderia oferecer algo ainda melhor.Mas a realidade tinha sido completamente diferente.Com ele, Emilyke conhecera o medo, a pressão e as ameaças.Aquela vid
Capítulo 47 — A ConversaAlguns dias se passaram após o jantar.Desde aquela noite, Umberto havia mantido sua rotina praticamente intacta.Continuava trabalhando, participando das reuniões e cuidando dos assuntos da empresa.Mas havia uma diferença.Agora, ele observava tudo com muito mais atenção.Naquela manhã, decidiu que era hora de conversar com Nay.Pediu que ela fosse até sua sala.Poucos minutos depois, ela bateu à porta.— Entre.Nay abriu a porta e entrou.— O senhor queria falar comigo?Umberto fez um gesto em direção à poltrona diante de sua mesa.— Sente-se, Nay.Ela obedeceu.— Boa tarde, senhor Zanobi.Umberto fechou a pasta que estava em suas mãos.Abriu o botão do paletó e se endireitou no assento.Por alguns segundos, permaneceu em silêncio.Então abriu uma das gavetas da mesa e retirou alguns papéis.Eram as fotografias.Colocou o material sobre a mesa, virado para baixo.Nay acompanhou o movimento com os olhos.Umberto apoiou as costas na poltrona.— Nay, acredito
No esconderijo, a atmosfera era completamente diferente daquela que Vito costumava apresentar diante das outras pessoas. Não havia sorrisos. Não havia cordialidade. Não havia mais espaço para fingimentos. Vito caminhava de um lado para o outro, furioso, enquanto Emilyke permanecia diante dele, tentando conter as lágrimas. — Já chega! — Emilyke explodiu. — Eu não quero mais essa vida. Vito parou e a encarou. — Que vida? — Essa vida de mentiras, de medo, de ficar escondida. Eu tenho a minha loja. Tenho a minha independência. Não preciso continuar vivendo assim. Quero me afastar de tudo isso e seguir a minha vida. Vito soltou uma risada de desprezo. — Que independência você acha que tem? Você não é ninguém! Emilyke o encarou, indignada. — Não fale assim comigo. Vito se aproximou e agarrou seu braço com fúria. — Quer que eu conte para todo mundo que os seus diplomas são falsificados? Emilyke tentou se soltar. — Me solta! — Você acha que vai simplesmente sair dessa e fingi







