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Chega

作者: La Fernandes
last update 公開日: 2025-10-09 21:33:21

O quarto estava silencioso, iluminado apenas pela luz suave que entrava pelas frestas da janela. O cheiro de café ainda pairava no ar, misturado ao aroma limpo dos lençóis recém-trocados. Cecília estava sentada na beira da cama, penteando o cabelo distraidamente, enquanto Enrico, encostado na parede ao lado do guarda-roupa, revisava algumas anotações em silêncio. O clima entre eles era calmo, quase íntimo, uma breve trégua depois de uma manhã em que haviam tentado agir com naturalidade diante d
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  • A garçonete e o executivo arrogante   Epílogo - Pertencimento

    O sol da tarde se deitava devagar sobre o prédio branco e moderno do Instituto Aurora,o nome que Cecília escolhera em homenagem à filha — e a tudo o que ela representava.A claridade dourada atravessava as janelas amplas, refletindo nas paredes decoradas com desenhos feitos pelas próprias mulheres atendidas ali. Cada traço, cada cor, era um símbolo vivo de recomeço.Cecília caminhava pelo corredor principal com passos tranquilos, a barriga um pouco dolorida depois de passar a manhã organizando documentos e acompanhando atendimentos.Não estava grávida — mas sentia-se tão cheia quanto se estivesse. O processo de adoção havia sido longo, cheio de etapas, visitas, avaliações e papeladas infinitas. Mas agora estava quase concluído. Logo, muito logo, o bebê seria legalmente deles.O choro suave que ecoou de uma das salas fez seu coração acelerar. O pequeno Luan, de poucos meses, estava sendo embalado por uma voluntária, mas assim que viu Cecília na porta, estendeu os bracinhos pequenos, co

  • A garçonete e o executivo arrogante   A paz que eles construíram

    O relógio no painel marcava 21h12 quando o telefone de Enrico vibrou.Ele estava estacionado na sombra, como sempre fazia quando buscava Cecília ao final dos turnos — chegava cedo, ficava esperando, observando a porta do instituto como se estivesse guardando o mundo dela.Na tela, o nome do advogado apareceu.Enrico atendeu imediatamente.— Doutor?— Enrico, boa noite. Precisamos conversar. É sobre o processo.O corpo de Enrico se enrijeceu, mesmo antes de ouvir o resto.— Fala.— O pai da Cecília e o Gustavo entraram novamente com pedido para responder em liberdade. Foi protocolado ontem à tarde.Enrico fechou os olhos, respirando pelo nariz.Ele não ficou surpreso. Nem revoltado. Aprendeu a esperar esse tipo de movimento.— E aí? — Enrico perguntou, o maxilar travado.— Conseguimos barrar — o advogado respondeu. — Apresentamos o histórico, reforçamos risco, reforçamos motivação, reforçamos tudo. O juiz negou imediatamente. — Houve uma breve pausa antes do complemento — Mas… você sab

  • A garçonete e o executivo arrogante   Para sempre, agora

    O sábado amanheceu com uma luz suave, quase dourada, como se o próprio céu tivesse decidido abençoar aquele dia.O dia do casamento.Não havia tumulto, não havia correria — apenas uma paz tranquila, tão rara e tão preciosa depois de tudo que haviam vivido.O espaço escolhido ficava em um jardim privativo, simples e elegante, decorado com flores brancas e lavanda. Pequenas luzes penduradas entre as árvores davam ao lugar um ar quase mágico, mesmo em plena luz do dia.Era exatamente como Cecília e Enrico tinham imaginado:intimista, real, leve… só deles.Os convidados eram poucos. Apenas quem realmente importava.A família de Enrico.Marco.Júlia.Alguns amigos próximos.E Aurora — que seria a pequena protagonista de quase todas as fotos.O ar tinha cheiro de flores frescas. O vento leve tocava as folhas. Nada parecia fora do lugar.E então, a música começou.Não era nada grandioso — apenas um violino tocando suavemente, preenchendo o jardim com uma melodia doce. Todos se levantaram, vo

  • A garçonete e o executivo arrogante   Voltando para nós

    O apartamento estava silencioso de um jeito raro, quase sagrado. Pela primeira vez desde que tudo aconteceu, não havia telefonemas urgentes, nem vozes aflitas. Apenas o respirar suave de Aurora no berço e o cansaço adensado nas paredes.Enrico apagou a última luz da sala e caminhou devagar pelo corredor, sentindo cada músculo protestar depois das últimas noites mal dormidas.Quando empurrou a porta do quarto, encontrou Cecília acordada, mesmo deitada, os olhos perdidos no teto como se o silêncio fosse alto demais.— Não conseguiu dormir? — ele perguntou, tirando a camisa e deixando-a sobre a cadeira.Cecília desviou o olhar para ele, os olhos cansados, mas mais vivos do que no dia anterior.— Tentei. Mas a cabeça não para — murmurou.Enrico se aproximou e sentou na beira da cama. Observou por um momento o jeito como ela segurava o próprio pulso, como se precisasse ancorar-se a algo para não ser tragada por lembranças.— Eu estou aqui — ele disse, simples, sincero.Cecília respirou fun

  • A garçonete e o executivo arrogante   Depois do medo, o futuro

    Três dias depois do sequestro, a casa já parecia respirar outro ar. Ainda havia tensão nos olhares, um resquício silencioso do medo recente, mas também havia algo mais — um tipo de calma cuidadosa, quase frágil, que se espalhava pelos cômodos como se pedisse para ser preservada.Aurora dormia melhor. Cecília já conseguia caminhar pela casa sem tremer tanto. E Enrico… bem, ele mal saía de perto delas.Naquela manhã, porém, o silêncio foi quebrado pelo som da campainha. Enrico, que estava na sala com Aurora aninhada em seus braços, levantou os olhos e suspirou fundo.— São meus pais — murmurou, passando a bebê para Cecília com cuidado. — Eu falei com eles ontem. Eles queriam muito vir.Cecília assentiu, mas o gesto tinha uma hesitação sutil.— Está tudo bem. Eles são a família dela também.Ela sentiu aquele frio conhecido no estômago — não de medo, mas de receio.O jeito seguro e natural com que ela disse aquilo arrancou de Enrico um sorriso inesperado. Ele caminhou até a porta e a abri

  • A garçonete e o executivo arrogante   A última visita

    A manhã estava calma, silenciosa, quase confortável demais para o que os últimos dias haviam sido.Cecília dormia no sofá, Aurora aninhada no peito dela como se também sentisse que a mãe precisava daquele contato para respirar melhor. Enrico observava as duas da porta por alguns segundos, uma expressão de ternura cansada no rosto.Ele estava na cozinha preparando um café quando o celular vibrou:Escritório.Imediatamente, uma tensão leve atravessou o peito dele. Ainda não era hora de voltar à rotina, mas problemas raramente esperavam.— Bom dia, senhor Enrico. — a voz da secretária saiu apressada, preocupada. — Eu sinto muito incomodar, mas temos uma situação aqui…— O que aconteceu?Houve um breve silêncio, como se a mulher do outro lado buscasse coragem.— Tem uma senhora aqui… ela está exigindo vê-lo. Disse que é… a mãe da Cecília.A expressão de Enrico fechou instantaneamente. Ele sentiu a mandíbula travar, a respiração pesar.A mãe de Cecília.Justo ela.Justo agora.A última pes

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