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CAPÍTULO SEIS

Penulis: Lysa Moura
last update Tanggal publikasi: 2026-09-02 06:19:06

Caminho até a cadeira, tentando recuperar um pouco da dignidade que perdi assim que entrei naquela sala.

Pela primeira vez, reparo em seu escritório. É bem grande e cheio de livros por toda a parte. As estantes ocupam boa parte das paredes, dando ao ambiente uma aparência elegante e séria. Atrás dele existem quatro grandes monitores mostrando todo o clube e tudo o que está acontecendo. Consigo ver pessoas circulando pelos corredores, funcionários trabalhando e, em uma das telas, a imagem da própria porta por onde acabei de entrar.

Sorrio.

Sim.

Ele viu todo o meu momento pensativo.

Perfeito.

— Charlotte. Certo? Posso chamá-la assim, ou você prefere Senhorita Moretti? — pergunta.

— C-charlotte.

Fecho os olhos por um segundo, sentindo minhas bochechas se esquentarem.

Sempre gaguejando.

Pare com isso, Charlotte...

Mas que culpa eu tenho?

Zane é lindo! Lindo de deixar qualquer uma de queixo caído e de calcinha molhada. Se ele é assim, imagina os irmãos? Estou completamente ferrada!

E, pior ainda, minha mente insiste em voltar para o homem do corredor.

Aquele olhar.

Aquele maldito sorriso de lado.

Por que ele precisou sorrir daquele jeito?

Por que eu ainda estou pensando nele?

Estou aqui para conseguir um emprego, não para ficar reparando nos homens do lugar.

— Eu estava lendo o seu currículo. Você fez curso de Administração, começou a faculdade, e depois, parou. Estou certo?

— Sim, fiz o curso e o concluí, mas parei na metade da faculdade — respondo, soltando um suspiro satisfeito por não ter gaguejado e nem parado para me controlar.

Uma pequena vitória.

— Por que parou?

Ele está sério, e sei que terei de ser sincera se quiser trabalhar para ele...

Não que seja um problema. É só uma pergunta.

Mas é pessoal para mim, e não quero pena de ninguém.

Nunca gostei que olhassem para mim como se eu fosse alguém quebrada apenas porque minha vida não saiu como eu planejei.

Respirando fundo e sabendo que não tenho como escapar da pergunta, respondo:

— Mamãe ficou doente, então tive que conseguir um emprego para ajudar a ela e cuidar da minha irmã mais nova. Não pude me dar o luxo de ter um emprego, cuidar da minha mãe, da minha irmã, e ainda ir à faculdade. Tive que escolher o que era prioridade.

Zane me encara por alguns segundos, sem dizer nada.

O silêncio parece se estender um pouco mais do que deveria, e por um instante me pergunto se falei demais.

— Entendo. Sinto muito por vocês.

Dou de ombros, como se não fosse nada.

— Existem pessoas em situações piores — comento, baixinho, não sabendo se ele me ouviu.

— Sim, existem. — Bem, isso responde ao meu comentário anterior. — Vejo que já tem experiência como garçonete. Tem certeza de que quer fazer isso ao invés de outra coisa?

Avaliando-me, seu olhar vai ao meu corpo, que treme.

Nego com a cabeça, sentindo-me desconfortável.

— Tenho certeza, não estou aqui para outra coisa além do serviço. Não me leve a mal, mas não quero atenção para o meu corpo, não esse tipo de atenção. — Mexo minhas mãos, em sinal de nervosismo.

Esta entrevista está tomando um rumo bem diferente do que imaginei.

Eu só quero servir mesas, e nada mais.

Não quero dançar para homens desconhecidos. Não quero mãos em meu corpo. Não quero olhares que me façam sentir como se eu fosse um objeto de desejo.

Eu só quero ganhar o suficiente para ajudar dentro de casa.

O que ela ganha paga apenas os remédios.

Preciso de alguém para ajudá-la. Preciso pagar as contas e comprar os alimentos. Preciso garantir que minha irmã tenha o que comer e que minha mãe possa continuar fazendo o tratamento.

Não preciso dançar ou ficar nua para estranhos ricos e nojentos.

— Te entendo. Ganharia mais dinheiro como dançarina.

        Ele dá um sorrisinho.

Mexo-me desconfortavelmente em minha cadeira.

— Só preciso do suficiente, nada mais e nada menos. — Sou firme na minha decisão.

Não acho desonroso quem tira a roupa ou vende seu corpo por dinheiro. Muitas não têm opção e escolhem esse caminho.

O clube não vende mulheres. Aqui não há prostituição, não que eu saiba; e, se existe, sei que eles cuidam muito bem de todas.

Foi o que fiquei sabendo ao pesquisar sobre o local.

Por isso escolhi tentar uma entrevista.

Eles são bons no sentido de contratação: pagam bem, dão cartão alimentação, plano de saúde, eles cuidam dos seus, e acho que é por isso que é exclusivo.

Eles não o obrigam a nada.

— Tudo bem, vamos começar com um período de teste e conhecimento. Você irá vir todo final de semana, das seis da tarde até à meia-noite. O que conseguir é seu, não pegamos porcentagem das gorjetas. Se você conseguir ficar e se sair bem durante o primeiro mês, a vaga é sua. Você terá que aceitar as regras e assinar um termo de treinamento, e, depois, de contratação. — Ele diz, abrindo uma gaveta e pegando uma pasta com vários papéis dentro. — Tudo bem para você?

— Sim — respondo, secando minhas mãos suadas em minha calça.

Ele coloca a pasta sobre a mesa e a empurra na minha direção.

Meu coração finalmente desacelera um pouco.

Talvez eu consiga.

Talvez esse seja o começo de alguma coisa boa.

Ou, considerando os homens que trabalham aqui, talvez seja o começo da minha ruína.

— Vou deixá-la ler tranquilamente, e, depois, volto para saber se concorda com os termos. — Pisca para mim, dando um sorriso sedutor, e sai do escritório, deixando-me com vários papéis e, em um deles, estão as regras do clube.

Sozinha, abro a pasta e começo a ler. Tem realmente muita coisa ali. Páginas e mais páginas, cheias de regras, cláusulas, ordens e códigos que deixam bastante claro que o Queen of Hearts não é exatamente o tipo de lugar onde alguém pode simplesmente fazer o que quiser.

1 – Nada do que eu ver ou ouvir posso falar por aí. Tudo o que acontece no clube tem que ficar no clube.

2 – O quarto andar é proibido, a não ser que eu seja chamada.

3 – Tudo o que eu fizer será minha responsabilidade.

4 – Se eu quiser dormir com alguém ou me envolver com qualquer cliente ou funcionário, terá que ser fora do clube.

É claro que tudo está listado. Há regras para praticamente qualquer situação imaginável, acompanhadas de ordens, cláusulas e códigos penais que fazem meu estômago se apertar um pouco. Não sei exatamente o que esperava encontrar naquele contrato, mas certamente não imaginava que trabalhar ali viria acompanhado de tantas condições.

Depois de um bom tempo lendo o contrato, a porta se abre.

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