LOGINUma única palavra define toda a existência de Apollo Dias: abandono. Gerado, nascido e criado no lugar errado, na família errada, no mundo errado. Ninguém se importou se ele precisava de ajuda, se estava sofrendo ou se desejava um abrigo. Noites frias, escuridão, solidão e as grades de uma penitenciária foram sua única companhia durante longos anos. Tudo porque confiou, acreditou e ouviu um demônio em forma de gente. Hoje ele está livre. Não mais como o Apollo que um dia existiu, mas como Falcão — um homem que perdeu a sombra de si mesmo e ganhou algo muito mais perigoso: a capacidade de fazer qualquer coisa por vingança. O demônio que o condenou ainda respira. E Falcão não veio apenas para recuperar o tempo perdido. Veio para acertar as contas.
View MoreAntes de ser Falcão, ele foi apenas Apollo.
Um nome que ninguém chamava com carinho. Um menino gerado no lugar errado, nascido na família errada, criado no silêncio errado. A casa cheirava a cigarro velho e promessas quebradas. As paredes ouviam gritos que nunca eram dirigidos a ele, mas que o atravessavam mesmo assim. Ninguém perguntou se doía. Ninguém estendeu a mão quando a noite ficava fria demais. Ninguém ouviu quando ele ainda acreditava que palavras podiam salvar. Ele cresceu aprendendo a desaparecer. A respirar baixo. A não esperar. A única certeza que carregava era a do abandono — uma palavra que se entranhou na pele antes mesmo de ele saber soletrá-la. Abandono era o cheiro da porta batendo. Era o prato vazio na mesa. Era o olhar que atravessava o corredor sem jamais pousar nele. Apollo Dias aprendeu cedo que o mundo não tinha espaço para meninos que ainda pediam abrigo. Então parou de pedir. Até o dia em que confiou no demônio errado. Não foi um monstro de chifres e fogo. Foi alguém de carne, de sorriso fácil e voz doce o bastante para fazer um homem vulnerável acreditar. Apollo ouviu. Acreditou. Entregou a confiança que ainda restava como se fosse um presente. E o demônio usou cada pedaço dela para condená-lo. Cinco anos. Cinco invernos de concreto e gritos abafados. Cinco verões de suor pegajoso, de celas superlotadas onde o ar era um luxo e a dignidade, uma memória distante. Cinco aniversários sem nome, sem bolo, sem voz chamando por ele do lado de fora. Lá dentro, o tempo não passava: ele se acumulava. Cada noite era uma lição. Cada cicatriz, um professor cruel. A faca que quase o matou no segundo ano deixou uma marca longa e irregular nas costelas. Ele passou os dedos por ela tantas vezes que a pele ficou lisa de tanto toque. Dor virou informação. Medo virou cálculo. Esperança virou veneno. Apollo entrou acreditando em palavras. Falcão saiu sabendo que palavras eram apenas a primeira arma que alguém usava antes de te enterrar. As noites eram as piores. O frio entrava pelas grades como se tivesse dono. O silêncio, quando vinha, era pior que os gritos. Nesses momentos, ele se forçava a lembrar do lado de fora: o ronco baixo de uma moto, o cheiro de madeira de um violão antigo, o calor de uma pele que não fosse a própria. Mas a memória doía mais que a solidão. Então ele a guardava. Enterrava fundo. E no lugar dela plantava ódio. Um ódio concentrado, puro, que corria nas veias como veneno lento e paciente. Quando as grades finalmente se abriram, o menino já não existia. No lugar dele saiu um homem com cicatrizes novas nas costelas, nas mãos e na alma. Barba cerrada, cabelo longo preso num coque alto, olhar que não pedia permissão para existir. Um homem que perdeu a sombra de si mesmo e ganhou algo muito mais perigoso: a capacidade de fazer qualquer coisa por vingança. O policial riu ao abrir o trinco enferrujado. Disse que o lugar ficaria guardado. Falcão não respondeu de imediato. Sentiu o peso da mochila nos ombros, o ar frio da madrugada entrando pelos pulmões como se fosse a primeira vez em anos, e o gosto metálico da liberdade misturado ao de sangue seco. Cinco anos. Ele havia entrado Apollo Dias, o otário que ainda acreditava. Saía Falcão. — Até nunca mais — rosnou entre os dentes, sem se virar. O portão bateu atrás dele com um estrondo final. Ele não olhou para trás. Nunca mais. A liberdade não vinha com abraços nem com desculpas. Vinha com uma lista curta e sangrenta. O demônio que o entregara ainda respirava. Ainda ria. Ainda acreditava que o problema estava resolvido. Falcão ia provar o contrário. Mas primeiro precisava de chão firme sob os pés. De um teto que não fosse concreto. De um corpo quente depois de cinco anos de fome. O corpo não mentia. Cinco anos sem toque humano real deixavam a pele em estado de alerta constante. Testosterona alta. Sangue quente. Mente fria. Ele sentia o desejo como uma segunda pele — perigosa, insistente, misturada ao ódio de um jeito que quase doía. Não queria carinho. Não queria promessas. Queria esquecer, por algumas horas, o nome do homem que precisava destruir. Queria o peso de outra respiração contra a sua. Queria o gosto de batom e suor. Queria lembrar, mesmo que só por uma noite, que ainda era capaz de sentir algo além de fogo. A cidade o recebeu com luzes sujas e asfalto molhado. O bar do Zyan ficava no mesmo lugar de sempre: esquina escura, neon piscando, cheiro de cigarro barato e cerveja derramada. Lá dentro havia olhares. Surpresa. Medo controlado. Reconhecimento. Zyan abraçou-o como se quisesse confirmar que o corpo era real. A moto e o violão ainda estavam na garagem — as únicas coisas que ainda o ligavam ao homem que ele fora. O resto tinha morrido atrás das grades. Falcão pediu silêncio. Ninguém podia saber que voltara. Ninguém. No quarto pequeno, com a janela dando para o beco, ele se olhou no espelho embassado. Cicatrizes novas. Músculos mais duros. A marca da faca. Passou o dedo por ela sem emoção. Depois tomou banho longo. Água quente escorrendo pelas costas como se quisesse lavar o cheiro da prisão. Vestiu a calça jeans surrada e a camisa preta. Prendeu o cabelo. Ajeitou a barba. Não era vaidade. Era armadura. Quem via um viking sujo e perigoso pensava duas vezes antes de se aproximar. À noite o bar encheu. Música ao vivo. Corpos suados. Risadas altas. Falcão carregava bandejas, observava, calculava. Cada rosto era potencial inimigo ou testemunha. Ele não sorria. Não dançava. Só existia no espaço entre as mesas, como uma sombra que servia doses e recolhia copos. As mulheres o olhavam. Ele sentia. O corpo reagia — tensão baixa no ventre, calor subindo pela nuca. Cinco anos de celas frias e mãos próprias. Agora havia boca vermelha a menos de um metro. Olhos claros que não conseguiam mentir direito. Postura de quem carregava o peso das outras. A responsável. A que não bebia para poder levar as amigas para casa. A que fingia não querer e desejava tudo. Ele escolheu com cuidado. Não queria bêbada demais. Não queria alguém que fosse gritar o nome dele no outro dia. Queria silêncio e pele. Quando se sentou à frente dela, a voz saiu grave, controlada. — Se importa? Ela tremia. Dedos apertando o copo. Respiração curta. O jeito de ajeitar o cabelo atrás da orelha. Falcão catalogava tudo automaticamente. Boca pequena. Lábios carnudos sob o batom. Medo e desejo na mesma medida — combinação perigosa. Combinação que ele gostava. — E se hoje fosse você a aproveitar? — perguntou. — Elas pegam um táxi. Eu te devolvo inteira. Prometo. O choque durou só um segundo. Depois veio o brilho. Ele viu. Sentiu o corpo reagir. Cinco anos. Aquela boca vermelha. O gosto imaginado do batom misturado ao suor. Ela hesitou. Olhou para as amigas. Depois de volta para ele. O medo ainda estava lá, mas agora vinha acompanhado de outra coisa: curiosidade afiada, fome contida. Falcão reconheceu. Era o mesmo tipo de fome que ele carregava, só que a dela era de outra natureza. — Não precisa — cortou quando ela tentou dizer o nome. — Não ainda. Ela acenou. Levantou-se. Avisou uma das amigas com um gesto rápido. Falcão esperou do lado de fora, a moto já ligada, o motor ronronando baixo como um animal impaciente. Quando ela apareceu, o vestido curto colado ao corpo, os cabelos soltos pelo vento da noite, ele sentiu o ódio recuar por alguns segundos. Só o suficiente para lembrar que ainda era humano. Só o suficiente para querer esquecer, por algumas horas, o nome do homem que precisava matar. Ela subiu atrás dele sem pedir capacete. Os braços envolveram sua cintura com uma firmeza surpreendente. O calor do corpo dela atravessou a camisa preta. Falcão acelerou. A cidade passou em borrão de luzes e asfalto molhado. O vento batia no rosto, no cabelo solto, nas cicatrizes. Por um instante — só um — ele quase sorriu de verdade. Mas o fogo não apagava. Quando a moto finalmente parou no beco escuro atrás do bar, Falcão desligou o motor. Sentiu os dedos dela ainda cravados em sua barriga. No segundo em que ela deslizou a mão mais baixo, um arrepio elétrico subiu pela espinha enquanto o ódio e o desejo se misturavam no mesmo sangue quente. Ele não veio apenas para recuperar o tempo perdido. Veio para acertar as contas. E a noite mal começou.Falcão Três meses depois Mais alguns meses se passaram e hoje é o casamento de Zyan com a cabelo de cenoura. E para variar será num salão riquíssimo. Angel e eu somos padrinhos, e os nossos filhos também não ficaram de fora. Acabamos de entrar, assim como os outros padrinhos, Zyan esta a ponto de enfartar... Chega a testa está suada. Graças a Deus não fiquei tão nervoso, pois Angel e eu casamos apenas no Civil, pois ela quem preferiu assim. Os músicos começam a tocar uma canção instrumental e a tão aguardada noiva aparece. E tenho que admitir, a cabelo de cenoura parece uma princesa. Zyan como um bom embocetado não conseguiu se segurar e chora ao ver a garota que por muito pouco ele não perdeu. E que sempre amou ele apesar dele ter sido um grande otário a maior parte do tempo e agora com certeza deve esta passando tudo na cabeça dele. Minha docinho também chora muito ao ver a amiga tão feliz. Não demorou muito e a cerimonia começou. Logo a minha pequena entrou com as alianças. Ela
FALCÃOJá faz meses que estamos muito bem. Angel diminuiu o seu tempo de trabalho e só vai três vezes na semana. Nossos filhos amaram ter a mãe mais presente e eu principalmente.Acabei de sair do banho, ando até a varanda e ela está lá sentindo a brisa da noite. A sua camisola fina desenha seu corpo que eu tanto amo. Me aproximo deslizando minha mão por sua coxa sentindo a maciez da sua pele. Aperto a sua bunda durinha me encaixando atrás dela, cheiro a curva do seu pescoço e sorrio ao ver seus braços arrepiados. Deve ser a brisa da noite.— Tão cheirosa... Eu tenho planos bem interessantes para você hoje...Mordisco sua pele quente, ela suspira se escorando mais em meu corpo. Estou sem camisa só com a toalha que saí do banho, viro ela de frente e o movimento faz minha toalha cair. O seu olhar vai direto para baixo e vê-la lamber os lábios me deixou doido. Tomo esses lábios gostosos nos meus, infiltro meus dedos em seu cabelo apertando com um pouco de força, invado sua boca com minha
*4 Anos Depois*— Tchau, papai! — Alan e Alana, ambos agarram minhas pernas e saem correndo em direção a professora— Até daqui a pouco... Se comportem... Amo vocês.Eles acenam entrando para a escolinha, não acredito que meus pequenos já estão estudando, sinal que estou ficando velho.Velho é o caralho! Eu estou um coroa gostoso, só tenho trinta e nove anos, se é que posso ser chamado de coroa.No caso estou pensando numa certa novinha que fez da Docinhos e Cia, o seu segundo lar, já que ela só não dorme lá porque eu não deixo.Ô mulher para gostar de fazer bolo e doces... Acho que já estou ficando barrigudo de tanto comer aquelas delícias.Hoje vou raptar ela, aproveitar que está cedo e por milagre o dia não está nublado. O céu está claro e o dia está muito bonito.Assim que chego já tem clientes comprando tortas e alguns comendo aqui mesmo. Ela com certeza está na cozinha. Sigo para lá e como eu imaginava. Marta deve estar no depósito e a outra funcionária está atendendo os cliente
FALCÃODois meses DepoisPuta merda! Dois meses voaram, nossos filhos estão as coisas mais lindas do mundo. Sou um pai babão mesmo! E como eu estava debilitado quando eles nasceram, não conseguia nem ajudar a Angel. Mas ainda assim eu era teimoso. Pense na loucura que foi quando tentei dar banho no Alan?Angel me encheu de instruções e eu morrendo de medo dele escorregar das minhas mãos e cair na banheira... Nunca pensei que fosse tão complicado assim cuidar de um filho, mas cada segundo com eles só me torna alguém melhor. Nesse dia perdemos bons minutos comigo tentando acertar como deixar a cabecinha dele apoiada em minha mão. Mas o importante é que deu tudo certo e no final Alan ainda olhou pro papai aqui e deu aquele sorrisão que me deixa babando.Já com a Alana, a loucura foi na hora de trocar a fralda. Eu disse que esse era fácil e fui com a cara e na coragem. Angel ficou de lado me olhando e se controlando para não rir. Imitei tudo que ela fazia, pelo menos tentei, passando aqu












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