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Capítulo 2

Author: Washing Wheat
Depois de cinco anos de relacionamento, aqueles eram todos os presentes e lembranças que eu havia recebido de Nipônia.

Já Aline recebia estadias em hotéis com águas termais, experiências da cultura local, surpresas de aniversário e até um apelido pelo qual só ela podia chamá-lo.

O celular acendeu com outra foto que ele tinha acabado de me enviar.

Era um ímã de geladeira em formato de cervo, ainda dentro da embalagem.

[Bonito, não? Foi a Aline que me ajudou a escolher]

Até para comprar um presente para mim, ele precisava da participação dela.

Digitei uma mensagem: [O que você comprou para a Aline?]

Meu dedo ficou parado sobre o botão de enviar. No fim, apaguei a mensagem, uma palavra de cada vez. E respondi apenas: [Hum]

Vinícius voltou.

Ele entrou pela porta, puxando a mala, e tirou de um dos bolsos laterais um pequeno saco de papel, estendendo-o para mim.

— Seu ímã de geladeira.

Depois tirou de outro bolso uma sacola grande e a deixou no hall de entrada.

— O que é isso?

— É para a Aline. Um cachecol. Ela disse que as estampas de Lunara são bonitas.

Uma ponta do cachecol aparecia pela abertura da sacola. Era vermelho-escuro, de cashmere.

Toquei nele. Era muito macio.

No inverno passado, eu havia dito que queria um cachecol de cashmere.

— Para que comprar cachecol? Você não tem vários no armário? — Ele disse.

Os que eu tinha no armário, todos haviam sido comprados por mim mesma.

— Você vai dar um cachecol para ela?

— Ela me pediu. Aproveitei que estava lá. — Ele trocou os sapatos, entrou na sala e se jogou no sofá. — Estou morto de cansaço. Foram quatro horas de voo.

— Quando você vai me levar para Nipônia?

Ele fez uma pausa.

— Por que você está falando disso de repente?

— Não é de repente. Faz cinco anos que eu pergunto.

— Quando essa fase mais corrida passar. Da próxima vez.

Da próxima vez.

Já era a décima sétima "da próxima vez".

Eu não disse mais nada.

Antes do jantar, a mãe dele ligou.

— Dorinha, o Vinícius já voltou, não é? Vocês precisam agilizar as coisas do casamento. Estou sendo cobrado pelos convites por aqui.

— Ainda estou preparando tudo.

— A Aline veio me ajudar a escolher os sabores dos doces de casamento na semana passada. Ela escolheu quatro opções. Dá uma olhada para ver se são bons.

— A Aline ajudou a senhora a escolher? — Minha mão, que segurava os talheres, ficou imóvel.

— Sim. Ela disse que você está ocupada com o trabalho e veio ajudar por iniciativa própria. Ela é muito atenciosa.

Olhei para o Vinícius. Ele estava com a cabeça baixa, mexendo no celular.

— A senhora pode falar essas coisas diretamente comigo. Não precisa incomodá-la.

— Incomodar o quê? Ela vem sempre aqui. Três ou quatro vezes por mês. Vem até mais do que você.

No segundo ano do nosso namoro, eu propus ir visitá-la toda semana. Mas Vinícius disse:

— Não precisa ir com tanta frequência. Minha mãe não gosta de muita agitação.

Então passei a ir uma vez por mês.

Depois, ele disse:

— Você está ocupada. Ir uma vez a cada dois meses já está bom.

Então não era que a mãe dele não gostasse de receber visitas. Ela simplesmente não gostava que eu fosse. Aline aparecia três ou quatro vezes por mês, e ninguém se incomodava.

— Então eu cuido dos doces do casamento.

— Está bem. Mas aqueles que a Aline escolheu são realmente muito bons. Dá uma olhada neles como referência.

Desliguei a ligação e perguntei a Vinícius:

— Você pediu para a Aline ir ajudar a sua mãe a escolher os doces do casamento?

— Ela quis ir por conta própria.

— Você sabia disso e não me contou?

— Qual é o problema? Ela só foi ajudar.

— Por que ela deveria ajudar no nosso casamento?

— Você vive fazendo hora extra. Achei que não tivesse tempo. — Ele franziu a testa.

— Você perguntou se eu tinha?

— Está bem, está bem. Daqui para frente, você cuida dessas coisas sozinha, pode ser? — Seu tom era impaciente.

Era sempre assim. Primeiro dizia: "Não pense demais nisso". Depois: "Qual é o problema?". E, por fim: "Está bem, está bem, você tem razão".

E, no fim, nada era resolvido.

O celular vibrou novamente. A mãe dele havia enviado uma foto.

Aline estava na cozinha da casa dela, usando um avental e segurando um prato de comida, com um sorriso delicado. A mensagem dizia: [A carne de porco assada feita pela Aline tem exatamente o mesmo sabor da que eu faço]

Aline parecia muito mais à vontade naquela cozinha do que eu. Ela sabia onde ficavam as tigelas, em qual gaveta estavam os temperos, o que a mãe dele gostava de comer.

Eu ia àquela casa há cinco anos e, todas as vezes, precisava perguntar.

Porque eu ia pouco. Porque Vinícius dizia que não precisava ir com tanta frequência.

O celular vibrou mais uma vez.

Droga, era mais uma mensagem da mãe dele.

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