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Capítulo 3

Author: Washing Wheat
[Dorinha, vou te falar uma coisa. Eu vi a Aline crescer, conheço ela e o Vinícius como a palma da minha mão. Você é uma boa pessoa, mas não sabe como cuidar dos outros. Aprenda um pouco mais com a Aline]

Coloquei o celular virado para baixo sobre a mesa.

— Por que você não está comendo? — Vinícius entrou pela porta.

— Não estou com fome.

Ele foi até o guarda-roupa pegar o pijama. Foi então que vi uma caixa de veludo vermelho aparecendo no bolso interno do paletó.

— O que é isso?

— Ah, isso. É o presente de aniversário da Aline, um colar.

Ele abriu a caixa para me mostrar.

Uma corrente fina de prata, com uma flor de cerejeira como pingente. No centro das pétalas, havia uma letra gravada: V.

V de Vinícius.

— Foi feito sob encomenda. Esperei dois meses.

Nosso anel de noivado, ele tinha comprado pela internet. Assim que chegou, ele abriu a embalagem e simplesmente colocou no meu dedo. Eu disse que queria ir a uma loja escolher, mas ele respondeu:

— Anel é tudo igual. Não há necessidade de irmos a uma loja.

— Você mandou fazer um colar personalizado para ela?

— É aniversário dela. Só quis fazer uma gentileza.

— E o que você me deu no meu aniversário?

Ele pensou por um instante.

— Ano passado... acho que te dei dinheiro?

— Você não me deu.

— Então esqueci. Compensarei da próxima vez.

Da próxima vez.

Sempre da próxima vez.

— Vinícius, você manda fazer um colar personalizado para a Aline e me compra um ímã de geladeira. Você comemora o aniversário dela e esquece o meu. Você pede que ela vá à casa da sua mãe ajudar, mas eu nem tenho a chance de ir. Você acha isso normal?

— Lá vem você de novo. — Ele colocou a caixa de lado e suspirou. — Ela é minha amiga de infância. Qual o problema de eu ser gentil com ela?

— E eu?

— Eu não te trato bem? Estamos juntos há cinco anos, compramos uma casa e vamos nos casar. Isso não é o suficiente? — A voz dele se elevou um pouco. — Isadora, nós dois não precisamos dessas coisas superficiais. Viver uma vida tranquila e simples é mais importante do que qualquer outra coisa.

Coisas superficiais.

O hotel de águas termais era superficial, o colar feito sob encomenda era superficial, a surpresa de aniversário era superficial. Tudo aquilo que ele chamava de superficial, ele deu à Aline. Para mim, deixou apenas uma frase: "Viver uma vida tranquila e simples".

— Você tem razão. — Apaguei a luz e me deitei de costas para ele. — Vamos viver uma vida tranquila e simples.

No dia seguinte, Miguel, um colega de faculdade de Vinícius, me mandou uma mensagem.

— Isadora, vai ter uma confraternização no sábado. Você vem?

— Que tipo de confraternização?

— Um encontro com os antigos colegas. A Aline também vai.

A Aline também vai.

Claro.

Na noite de sábado, quando chegamos, Aline já estava sentada na sala reservada. Ela usava um vestido branco de tricô e, no pescoço, estava o colar de flor de cerejeira.

O pingente com a letra V brilhava sob a luz.

— Vini! — Ela acenou para Vinícius e o chamou com uma voz doce e enjoativa.

Vinícius foi até ela e se sentou naturalmente ao seu lado.

Eu fui atrás e me sentei do outro lado de Vinícius.

— A esposa do Vinícius chegou! — Cumprimentou Miguel.

— Não a chame de esposa do Vinícius. — Corrigiu Aline, sorrindo. — Eles ainda não se casaram.

— Já marcaram a data do casamento? — Miguel perguntou a Vinícius.

— Ainda estamos vendo uma data.

— A Aline tem ajudado bastante vocês, não é? Sua mãe comentou da última vez que ela vive aparecendo na casa da sua mãe.

— Eu só estou ajudando. É que a Dorinha está muito ocupada. — Aline abaixou a cabeça e mexeu no copo, com uma expressão tímida.

Ela me chamava de Dorinha, com uma intimidade maior do que qualquer outra pessoa. Mas no pescoço usava o colar que meu noivo havia mandado fazer especialmente para ela.

— Aline, esse colar é lindo. Quem te deu? — Uma das garotas se aproximou para olhar.

— Um amigo me deu. — Aline segurou o pingente e lançou um olhar para Vinícius.

— Que amigo generoso é esse? Foi feito sob encomenda, não foi?

— Fui eu que dei. — Respondeu Vinícius. — Era aniversário dela, então comprei por impulso.

Ele tinha esperado dois meses pelo colar personalizado, mas dizia que tinha comprado por impulso.

— Você também comprou um para a sua noiva, não comprou? — A garota olhou para mim e depois para Vinícius.

— A Isadora não gosta de usar essas coisas.

Não era que eu não gostasse. Era que ele nunca tinha comprado nada assim para mim, então achava que eu não gostava.

— Dorinha, você não se importa, não é? — Aline me perguntou.

— De jeito nenhum.

— Você é muito generosa.

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