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Capítulo 5

Author: Washing Wheat
— É suficiente. — Eu sorri e concordei.

Na manhã de sábado, preparei uma sopa na cozinha.

— Vinícius, você pode ficar em casa hoje?

Uma sopa simples, ovos cozidos e um pratinho de legumes. O café da manhã que ele gostava.

— Quero que você passe o dia comigo.

Ele pareceu um pouco surpreso.

— Tudo bem. Não tenho nada para fazer mesmo. — Ele sorriu e se sentou para tomar a sopa.

Sentei-me diante dele, querendo guardar aquele rosto na memória.

— Vinícius. Você me ama?

Os talheres que seguravam o ovo pararam por um instante.

— Por que você está perguntando isso do nada?

— Só quero ouvir você dizer.

— Eu vou me casar com você. O que você acha?

— Casamento e amor não são a mesma coisa.

— O que deu em você hoje?

— Eu só quero ouvir você dizer com a sua própria boca.

Ele pousou os talheres e me olhou.

— Isadora, é claro que eu...

O celular tocou. Ele abaixou os olhos para olhar.

— É a Aline.

— Não atende.

— Vou só ver. — Ele deslizou o dedo pela tela. — Ela disse que o cano da casa dela estourou e tem água por toda parte.

— Ela pode chamar um encanador.

— Até o encanador chegar, vai levar uma ou duas horas. A casa dela vai ficar toda alagada. — Ele se levantou. — Vou lá dar uma olhada. Já volto.

— Vinícius, você prometeu que ficaria em casa hoje.

— Eu sei, mas isso é uma emergência. O cano estourou. Não posso simplesmente ignorar, não é?

— E eu?

— O que foi? Você está bem.

Ele sempre achava que eu estava bem.

O cano da Aline ter estourado era uma emergência. Meu coração estar partido, não.

No primeiro ano de namoro, quando ele se declarou para mim, disse:

— Isadora, quero passar o resto da vida com você.

Naquele dia, ele me levou para comer uma massa italiana à bolonhesa e disse que, dali em diante, voltaríamos àquele restaurante todos os anos para comemorar nosso aniversário de namoro.

No segundo aniversário, ele esqueceu.

No terceiro, fui eu quem o lembrou, e ele disse:

— É só um macarrão. Podemos ir outro dia.

No quarto e no quinto ano, parei de mencionar. E ele também nunca mais se lembrou.

— No máximo uma hora e eu volto para ficar com você. — Ele vestiu o casaco, pegou a caixa de ferramentas e, ao chegar à porta, olhou para mim. — Não fique brava.

Três horas se passaram e eu liguei para ele.

— Está quase, está quase. O cano já foi consertado. O chão está todo molhado, então vou ajudá-la a secar.

— Quando você volta?

— Já vou.

Mais uma hora se passou e ele me mandou uma mensagem: [A Aline disse obrigada por me deixar vir. Ela vai me pagar um almoço. Assim que eu terminar de comer, volto]

Não respondi e ele mandou outra: [Coma primeiro. Não precisa esperar por mim]

Sentei-me na sala, olhando para a sopa que já havia esfriado completamente sobre a mesa.

A gema do ovo, que antes estava mole, já havia endurecido.

Levantei-me e fui para o quarto. Abri o guarda-roupa e tirei duas malas.

Eu realmente não tinha muitas coisas naquela casa.

Coloquei as roupas em uma mala e os livros e outros objetos na outra.

Na bancada do banheiro, minhas coisas se resumiam a uma escova de dentes e um frasco de sabonete facial.

As coisas da Aline eram mais numerosas do que as minhas.

Um par de tênis, um casaco, uma caneca e um batom.

Tirei meu anel de noivado e coloquei-o sobre a mesa de centro. Ao lado, havia os cinco ímãs de geladeira, enfileirados. Depois, coloquei um bilhete: [Vinícius, já cancelei o contrato da casa em que iríamos morar depois do casamento. Estou te devolvendo o anel e também os cinco ímãs de geladeira. Quanto à viagem de lua de mel, procure outra pessoa para ir com você]

Puxei as malas até a entrada, olhei para trás uma última vez.

Sobre a mesa de centro havia o porta-copo que Aline usava para tomar chá. Na geladeira, o iogurte de morango que ela gostava. Sobre o armário de sapatos, os tênis dela.

Aquela casa estava cheia de vestígios dele e da Aline.

Quanto aos meus vestígios, duas malas foram suficientes para guardar tudo.

Fechei a porta delicadamente, sem trancá-la.

O carro que eu havia chamado pelo aplicativo estava esperando lá embaixo.

O motorista me ajudou a colocar as malas no carro.

— Moça, para onde?

— Para a estação de trem.

Quando o carro saiu do condomínio, não olhei para trás.

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