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Amar Foi Perder o Controle
Amar Foi Perder o Controle
Author: Sem Asas

Capítulo 1

Author: Sem Asas
Os quatro anos em que Carolina Brito estivera ao lado de Henrique Queiroz tinham sido, sem dúvida, os mais felizes de toda a sua vida.

Depois da separação…

Carolina chorou por cinco anos.

Não todos os dias. Mas sempre que pensava em Henrique, era como se uma chuva fina e interminável começasse a cair dentro do seu peito. Tudo ficava úmido, pesado, abafado. E, sem perceber, seus olhos também se enchiam de lágrimas.

Ela jamais imaginara que ainda o encontraria novamente nesta vida.

Mas aconteceu…

Em um jantar organizado por Leandro Silva.

Assim que entrou no salão reservado, tomado pelo burburinho animado e pelas vozes misturadas, seu olhar se fixou, com uma precisão quase cruel, em um perfil dolorosamente familiar.

Naquele instante, o coração de Carolina disparou como um trovão, sem aviso, fazendo o mundo dentro dela ruir em ondas violentas.

Tudo ao redor perdeu o som.

Perdeu a cor.

Em seu campo de visão, existia apenas Henrique.

Ele vestia uma camisa branca e uma calça preta. O corpo alto e forte mantinha-se ereto, sustentado por uma postura naturalmente elegante. Havia nele uma nobreza contida, um ar frio e distante que realçava ainda mais seus traços perfeitos. O perfil bonito era tão marcante que parecia irreal.

Henrique mantinha a cabeça baixa, concentrado no celular.

As memórias se sobrepuseram num piscar de olhos.

O jovem cheio de vitalidade, calor e luz, sempre sorridente, parecia ter sido apenas ontem. Envolvia-a nos braços, inclinava a cabeça e dizia, em um tom manhoso:

— Carol, me dá um beijo.

Mas não fora ontem.

Tinham sido cinco anos.

Como se uma vida inteira os separasse…

Os dedos de Carolina tremeram de leve. Uma dor ácida se espalhou pelo peito, e seus olhos se umedeceram de repente. Ela não teve coragem de encará-lo outra vez. Só queria fugir…

Hesitante, tomada pelo pânico, Carolina se virou às pressas e caminhou para fora, tentando escapar daquele reencontro para o qual jamais estivera preparada.

— Carolina. — Leandro a chamou em voz alta. — Você mal entrou e já vai embora?

Os passos de Carolina pararam.

A mão que segurava a porta ficou rígida, imóvel.

Dentro da sala reservada, quase todos voltaram o olhar para ela.

Quase todos.

Henrique era a única exceção.

O polegar que deslizava pela tela do celular cessou de repente. Depois disso, ele permaneceu completamente imóvel, como se o tempo tivesse sido congelado.

Carolina soltou um suspiro profundo. O peito parecia comprimido, pesado, como se o ar não fosse suficiente para respirar.

Encontrar o primeiro amor já era constrangedor por si só.

E, no caso deles, o término tinha sido humilhante, feio, impossível de esquecer.

— Entra logo. A Lari já está chegando. — Leandro a apressou.

Larissa Dias era sua amiga de infância, sua melhor amiga. No mês anterior, fora a um encontro arranjado e se apaixonara à primeira vista por Leandro. O relacionamento avançara rápido demais para qualquer padrão razoável.

O amor entre os dois surgira intenso, avassalador, e o casamento fora marcado às pressas para a metade do mês seguinte.

O jantar daquela noite existia exatamente por isso: reunir os amigos mais próximos de ambos os lados, quebrar o gelo, criar intimidade… E discutir as apresentações do casamento.

De acordo com a ideia de Larissa, padrinhos e madrinhas dançariam juntos, enquanto os noivos cantariam uma música romântica no palco.

Se não fosse amizade do tipo "até o fim", ninguém toparia passar esse vexame em público.

Carolina fez um longo trabalho psicológico consigo mesma.

Então, finalmente, virou-se e caminhou de volta para dentro.

Leandro se aproximou para recebê-la. Uma das mãos ficou atrás de suas costas, sem tocá-la de fato, mantendo uma distância educada. Com a outra, fez um gesto de convite, conduzindo Carolina até um lugar vazio do lado das mulheres.

Assim que se sentou, ela viu quem estava ao lado de Henrique.

Uma mulher bonita, de aparência marcante e elegante.

Era Lílian Oliveira.

A amiga de infância de Henrique.

Quando Carolina ainda namorava Henrique, Lílian já demonstrava uma hostilidade aberta em relação a ela.

Naquele momento, o olhar de Lílian estava ainda mais afiado, sem qualquer tentativa de disfarçar o desprezo.

— Não é possível… Lê, agora qualquer lixo pode aparecer aqui para ser madrinha?

Assim que aquelas palavras caíram no ar, a sala inteira ficou em choque.

Leandro também ficou completamente atônito.

Em um encontro entre amigos, era raro ver alguém falar de forma tão agressiva e cruel, sem o menor constrangimento.

Todos os olhares se voltaram para Lílian.

Carolina sabia perfeitamente que o ataque era direcionado a ela. O coração deu um aperto seco e dolorido, seguido por um constrangimento difícil de esconder. Instintivamente, seu olhar se deslocou até Henrique.

Henrique manteve a cabeça baixa, como se nada tivesse a ver com aquilo, os olhos fixos na tela do celular.

Seus traços definidos eram frios e rígidos. A luz branca do teto caía sobre os fios curtos de seu cabelo, criando sombras suaves. Ao redor dele se espalhava uma aura de distância absoluta, uma sensação clara de não se aproxime.

Uma das garotas presentes não escondeu a irritação.

— Ei, de quem você está falando?

— De quem eu estou falando? A Carolina sabe muito bem. — Lílian respondeu com arrogância, o tom carregado de provocação.

Mais uma vez, todos os olhares se voltaram, ao mesmo tempo, para Carolina.

Carolina era o tipo de mulher cuja beleza não precisava se exibir.

Ela lembrava uma flor-de-sino raríssima, escondida no fundo silencioso de um vale. Discreta, delicada, quase intocável. Os cabelos longos, negros e sedosos estavam presos atrás da cabeça. Sua aura era limpa e serena. Apesar de trabalhar como advogada em causas sociais, havia nela uma doçura natural, uma aparência gentil e pura, que transmitia tranquilidade, como alguém alheia às disputas do mundo.

Mas quem realmente a conhecia sabia. Sua personalidade contrastava profundamente com essa aparência suave.

Todos ali estavam curiosos para entender que tipo de rancor existia entre aquelas duas. Afinal, logo no primeiro encontro, Lílian a chamara de lixo.

Ser chamada de lixo deveria provocar raiva.

Deveria gerar uma reação.

Mas Carolina sabia muito bem. Lílian falava em nome de Henrique.

E, nesse sentido…

Talvez não estivesse errada.

Diante de Henrique, ela realmente não passava de lixo.

Leandro exibiu um sorriso constrangido.

— Então vocês já se conhecem… Carolina é a melhor amiga da minha esposa. Me dá um pouco de consideração. Seja o que for que tenha acontecido entre vocês, que tal resolver isso hoje? Três brindes para enterrar o passado, apertar as mãos e seguir em frente. Pode ser?

Lílian bufou, cheia de desdém.

— Eu não tenho nenhum problema com ela. Nem conheço esse tipo de mulherzinha sem caráter. Quem tem rancor é o Rick. Se quiser enterrar alguma coisa, pergunta ao Rick se ele aceita.

"Mulherzinha sem caráter?"

A situação só ficou mais complicada.

O sorriso de Leandro ficou rígido, quase travado no rosto. Ainda assim, ele se esforçou para manter o clima.

— Rick. — Ele respirou fundo. — Você conhece a Carolina?

Na verdade, o que ele realmente queria perguntar era:

"Ela te traiu?"

Carolina manteve as mãos sob a mesa, os punhos cerrados com tanta força que chegavam a doer. Nos poucos segundos em que aguardava Henrique abrir a boca, sentia-se mais nervosa do que no dia do vestibular.

O ar parecia rarefeito.

Uma pressão invisível se espalhava pelo ambiente, sufocante, impossível de ignorar.

Henrique foi finalmente citado pelo nome. Não havia mais como desviar ou fingir indiferença.

Com calma excessiva, quase deliberada, ele pousou o celular sobre a mesa. Em seguida, ergueu levemente o olhar e o dirigiu até Carolina.

Os olhos negros do homem lembravam a geada no auge do inverno. Frios, cortantes, carregados de uma distância obscura e impenetrável.

— Não conheço.

A voz era baixa, profunda, desprovida de qualquer resquício de emoção.

Duas palavras apenas.

Mas, para Carolina, foi como se algo atingisse seu coração com violência brutal. A dor fez o peito estremecer, enquanto uma sensação avassaladora de perda a engolia por inteiro.

No instante em que seus olhares se cruzaram, os olhos de Carolina arderam. A vontade de chorar surgiu forte demais. Ela se forçou a conter. Os punhos tremeram. Rapidamente, abaixou a cabeça.

Era insuportável.

Ela só queria ir embora.

O clima à mesa despencou. Bastava observar os rostos para entender que havia algo profundamente errado.

Percebendo o peso do silêncio, Leandro se apressou em quebrar o constrangimento.

— Bom, hoje eu reuni todos os padrinhos e madrinhas do nosso casamento justamente para que se conheçam melhor e convivam em harmonia. Então, para acelerar essa integração… Antes de servirem o jantar, que tal começarmos com um jogo?

O sorriso forçado tentou devolver leveza ao ambiente, mesmo que, por dentro, a tensão ainda fosse sufocante.

Quando jovens se reuniam, não havia jogo melhor para quebrar o gelo do que Verdade ou Desafio.

— Eu começo. — Leandro disse, pegando uma garrafa de bebida e colocando-a no centro da mesa.

Com força, ele a girou.

Com exceção de Carolina, quase todas as mulheres torceram, em silêncio, para que a ponta da garrafa apontasse para Henrique.

A garrafa girou, girou… Até que, pouco a pouco, começou a perder velocidade.

Para a empolgação geral, parou exatamente onde todos esperavam.

— Rick. — Alguém exclamou, animado. — Verdade ou desafio?

Henrique manteve a expressão serena. Ele não tinha a menor intenção de expor seus sentimentos diante de outras pessoas.

— Desafio.

Leandro puxou um papel dobrado. Ao ler, arregalou levemente os olhos.

— Com um lenço de papel entre os lábios, beijar uma mulher presente por dois minutos.

As sobrancelhas de Henrique se franziram de imediato. Seu rosto bonito escureceu visivelmente.

As mãos de Carolina, apoiadas sobre as coxas, foram se fechando devagar. Apertaram o tecido da calça com força crescente. Os nós dos dedos ficaram esbranquiçados. Uma dor ácida subiu pelo peito, deixando-a sufocada.

Por que ainda estava ali, se submetendo àquele tipo de tortura?

O desejo de ir embora atingiu o auge.

Lílian puxou um lenço de papel, o sorriso aberto, triunfante.

— Podem esquecer. O Rick com certeza vai me beijar.

Ela encostou o lenço nos próprios lábios e se inclinou de lado, aproximando-se deliberadamente de Henrique, como se o resultado já estivesse decidido.
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