LOGINDaniel segurou a mão que Ayla recolheu e a envolveu inteira na sua.A mão dele era grande, quente, capaz de cobrir a dela por completo, como se, desse jeito, pudesse mesmo protegê-la de tudo o que existia lá fora.— Não. Sem você, eu não ficaria bem.Ayla já sentia os olhos arderem.Daniel estava quase fazendo-a chorar.Ela virou o rosto, tentando escapar da intensidade dele, e só conseguiu negar de um jeito duro, quase sem naturalidade.— Não é assim.No fundo, Daniel tinha razão.Talvez, mesmo que a vida a esmagasse outra vez, ela ainda encontrasse força para seguir.Mas coração era carne viva. Quando a dor atravessava fundo demais, não existia volta inteira.E, pior, justamente por ter conhecido Daniel, o mundo sem ele seria ainda mais vazio.Talvez até a beleza das coisas desaparecesse junto.— Lalá... — Daniel a chamou de novo, ainda mais baixo, ainda mais perto. — Então me responde uma coisa. Se o perigo viesse direto para mim hoje, e você estivesse ao meu lado, será que ia pensa
Daniel analisava tudo com seriedade demais. Mas, em todos os cenários que descrevia, desde que ela saísse ilesa, ele parecia não ver problema nenhum.Aquilo enterneceu Ayla. E também a irritou.— E você? Se ficar na minha frente... e se você...— ...Só de imaginar o resto da frase, Ayla já sentiu o peito afundar.A lembrança do que aconteceu nas montanhas voltou como um golpe.Ela não suportaria passar por aquilo de novo.A ideia de quase perdê-lo, uma vez já foi mais do que suficiente.— Não vai acontecer nada comigo.Daniel conhecia bem o coração dela. Nem esperou que terminasse de falar. Já começou a acalmá-la, roçando o rosto no dela, buscando seu pescoço, beijando-a devagar, tentando desfazer a tensão com carinho.Mas Ayla não estava em condições de ceder.Afastou-o um pouco.— Como assim não vai acontecer nada com você? Você por acaso é feito de aço? E, mesmo que fosse, quando o mundo desaba, até o aço vira pó... Já esqueceu o que fez quando foi salvar aquela menina?Naquela vez
Capítulo 529A reação de Daniel foi imediata.Antes que Ayla sequer entendesse o que estava acontecendo, ele já a puxou para dentro dos braços, protegendo-a contra o próprio peito.— O que foi?A voz dele saiu baixa, carregada de uma irritação fria.O motorista respondeu na mesma hora:— Acho que tem problema no pneu. Parece que furou.Os seguranças trocaram um olhar e saíram do carro imediatamente para verificar.Sempre que Daniel saía, o veículo era submetido a uma checagem rigorosa. Tudo era inspecionado, limpo, revisado. Uma falha assim simplesmente não deveria acontecer.E naquela região nem havia estrada ruim que justificasse aquilo.Ao ouvir isso, um frio cortante passou pelos olhos de Daniel.Ayla também entendeu na hora.— Não me diga que foi por causa daqueles dois homens...— ...Pouco depois, um dos seguranças voltou com a resposta:— Sr. Daniel, foi o pneu traseiro direito. O miolo da válvula sumiu. O corte está limpo demais, parece coisa feita com ferramenta profissional.
Um dos homens abaixou um pouco a cabeça e abriu um sorriso torto.— Sr. Daniel, não precisa se alarmar. A gente só deu de cara com o senhor por acaso e achou que seria feio não cumprimentar. De um jeito ou de outro, o senhor é filho de um velho conhecido...— Para trás.A ordem dos seguranças saiu seca.Os homens de Daniel eram ex-mercenários. A leitura de risco deles era rápida e precisa. Bastava qualquer gesto atravessar a linha, e a reação vinha na mesma hora.Se Daniel ainda não tivesse permanecido em silêncio, os dois já estariam imobilizados e levados dali.— Heh.Diante da postura cerrada dos seguranças, os homens acabaram recuando meio passo.— Não precisa ficar assim, Sr. Daniel. Só faça o favor de mandar um recado para o Sr. Cassian. Diga a ele que... os velhos amigos dele ainda se lembram muito bem.No exato instante em que ouviu aquilo, Daniel virou o rosto de lado, brusco.Mas os dois já estavam se afastando, rindo entre si, como se tivessem deixado o recado exato que quer
Esses dois lugares, somados, eram praticamente a segunda casa dele.— Na hora do almoço, quase sempre é o Enzo quem manda preparar uma refeição de trabalho. Tem uma cozinha pequena ali, mas eu prefiro tudo mais simples.Daniel respondeu à pergunta de Ayla.Dentro do Grupo Cardoso, havia traços dele por toda parte. Presenças silenciosas, hábitos, marcas do cotidiano. E Ayla, sem querer, começou a imaginar os dias que Daniel viveu ali antes de ela realmente conhecê-lo.Por isso perguntava tudo.Queria saber dos detalhes mais bobos, como se cada gesto dele despertasse nela uma curiosidade sem fim.— Seu escritório é enorme. Parece até uma suíte presidencial. Depois disso, acho que nunca mais vou conseguir olhar para a minha sala no Grupo Fonseca do mesmo jeito.Ao entrar ali, Ayla não conseguiu evitar o comentário. Afinal, era o escritório do homem que comandava uma empresa internacional gigantesca.Ela se afundou um pouco no sofá, depois voltou para a mesa dele e passou a mão pela superf
Sem a menor cerimônia, Daniel escolheu a foto de que mais gostou entre as que Ayla tirou, salvou no celular e trocou a antiga imagem de paisagem que usava havia anos como fundo em todas as redes sociais.Antes de conhecer Ayla, Daniel já gostava de contemplar paisagens.Era assim que costumava aliviar a mente. Roubava um tempo da rotina e registrava algum lugar bonito.Como se, ao fazer isso, deixasse marcado para si mesmo que continuava vivo.O mundo sempre lhe pareceu bonito. Só que, ao olhar para tudo aquilo, havia admiração, não encanto.Foi só depois que começou a enxergar essas paisagens através dos olhos de Ayla que tudo ganhou outra cor.De repente, até a vastidão mais deslumbrante parecia ter alma.Parecia respirar ternura.Os pratos chegaram sem pressa.O almoço foi se alongando, e, quando perceberam, já estavam ali havia quase duas horas, até que o entardecer incendiou os quatro lados de vidro do restaurante.O salão inteiro se tingiu de laranja e vermelho.Ayla soltou uma e
— Lalá? Você já fez drama o suficiente, não? Já se passaram vários dias. Tá querendo nunca mais falar comigo é? — A ligação finalmente foi atendida, e a voz de Gustavo invadiu os ouvidos de Daniel.A expressão de Daniel escureceu na hora.Ayla estava prestes a se tornar sua esposa, mas para aquele h
— Porque eu preciso casar... — Mafalda soltou, com raiva presa na garganta.Era o tipo de coisa que ela nem sabia como explicar direito.No testamento da mãe, existia uma cláusula a mais. Se Mafalda se casasse, ela podia sair da família Barbosa de imediato e recuperar uma parte da herança que os Bar
Mas, até o instante em que percebeu que Isadora nunca o tomou como destino, Daniel sentiu uma espécie de alívio, como se algo pesado finalmente saísse dos ombros.Talvez, desde o começo, ele colocasse ela num lugar que exigia proteção total.E, nisso, ele engoliu sentimentos demais.Ele nem chegou a
A voz de Gustavo ficou rouca de tanta emoção. Ele não ligou para os olhares ao redor. Ele não ligou nem para os funcionários que se aproximavam ao ver a confusão.Ele encurralou Ayla, teimoso, como se quisesse trancar ela ali na marra. Até que gente do reservado ouviu o barulho e saiu.— Gustavo!—







