LOGINDaniel não se moveu.E, pousou a mão no braço de Ayla, puxou-a de volta e a trouxe para dentro do próprio abraço.— Daniel...— É só um ex diante do homem que está com você agora. Isso te envergonha por minha causa, ou você ainda não esqueceu ele?A voz de Daniel saiu calma, sem pressa. À primeira audição, parecia até serena demais. Só que o leve deboche no tom entregava tudo.Toda vez que Ayla dava de cara com Gustavo, ela nunca lhe oferecia um rosto ameno. Ainda assim, Daniel sentia ciúme.Em outras palavras, enquanto Gustavo continuasse existindo e olhando para Ayla daquele jeito, ele continuaria se incomodando.— Claro que não. Eu só... tenho nojo dele.Ayla falou entre os dentes.Se o instinto dela mandava evitá-lo, era porque, sempre que via Gustavo, as lembranças ruins voltavam de uma vez. O corpo reagia antes de qualquer pensamento, tomado por náusea e repulsa.E, agora que Gustavo insistia em persegui-la daquele jeito, tudo ficava ainda mais humilhante.Mas, quando Daniel a se
Bem à sua frente, do outro lado do corredor entre as prateleiras, Ayla estava ao lado de um homem, junto ao carrinho de compras.O braço dela envolvia a cintura dele, e o sorriso em seu rosto era doce demais, luminoso demais. O homem, por sua vez, a olhava com a mesma ternura. Alto, firme, ele permanecia colado a ela, mantendo-a protegida dentro do próprio espaço.Os dois estavam inteiramente absorvidos um no outro. Primeiro olhavam o potinho de gelatina na mão dela. No instante seguinte, os olhos já tinham voltado um para o outro.Gustavo não sabia o que eles diziam, só via Ayla sorrindo sem conseguir conter a alegria. As faces estavam coradas, radiantes, e ela parecia tão bonita que, por um segundo, ele chegou a achar que podia estar vendo errado.Ela estava ainda mais deslumbrante do que no dia em que ele a conheceu na faculdade.Bonita a ponto de brilhar.Bonita a ponto de ferir os olhos.O homem também pareceu se divertir com ela. Tirou a gelatina da mão de Ayla e, logo depois, fo
Não era preciso confiar em deuses distantes, nem nele mesmo.Quando a tristeza e a incerteza apertassem, bastava confiar nela.Eles eram marido e mulher.Dali em diante, entre os dois, já não existia o eu. Só existia o nós.Quando a tarde caiu, Enzo levou o mordomo da propriedade e dois seguranças para acompanhar Daniel e Ayla na visita a algumas mansões.Todas já tinham sido escolhidas a dedo.A mais suntuosa de todas não ficava atrás da residência dos Cardoso. A vista e a estrutura eram irrepreensíveis e, anos antes, a propriedade ainda serviu de cenário para um documentário sobre os tesouros nacionais de Astério. Seu nome era Solar Maré-Céu.O preço, claro, também era à altura. Os lances já se aproximavam dos seiscentos milhões.Daniel queria dar a Ayla o melhor. Qualidade, preço, nada disso o faria hesitar. Se fosse preciso, ele pagaria mais para garantir o Solar Maré-Céu sem esperar o leilão seguir.Ayla achou tudo luxuoso demais e chegou a pensar em escolher um lugar mais discret
Porque Ayla cozinhava bem, ele guardou isso.Porque ela gostava de ver filmes, Daniel passou a achar que assistir a um filme ao lado dela era a melhor forma de passar o tempo.E quanto ao futuro lar, aquilo pesava no coração dele.Era preciso resolver logo a casa onde viveriam, depois fazer as fotos, organizar o casamento...Depois disso, Ayla não teria mais como voltar atrás.Ao ouvir Daniel dizer tudo aquilo, Ayla, que já estava corada, ficou ainda mais.Ela não respondeu. Apenas o beijou.Na noite anterior, ele a tinha beijado de um jeito bom demais. E, assim que abriu os olhos naquela manhã, Ayla já sentia falta do calor da boca dele, do gosto dele ainda vivo na memória....Os dois descansaram como há muito não conseguiam e só se levantaram quando a tarde já ia alta.Daniel tinha mais de dez ligações não atendidas. Ayla, umas sete ou oito.Quase todas eram de trabalho.Bastou uma olhada rápida para perceber que não havia nada que realmente exigisse resposta imediata. Eram só relat
Daniel amparou a cabeça de Ayla com a mão e falou num tom suave:— Sou eu, Daniel.— Ah! Sr. Daniel... eu... eu atrapalhei vocês?Respiração baixa, na cama, ele e ela... juntos.Rebeca entendeu na mesma hora. A mente dela até foi longe demais, montando a cena sozinha.Com a beleza e a química que Daniel e Ayla tinham, naquele despertar ainda enevoado, os dois deviam estar enroscados um no outro...Aquilo era mesmo coisa para ela ouvir por ligação?Rebeca quase desligou na hora.— Não. É que a Ayla ainda não acordou direito.Quanto mais Daniel falava, mais a voz dele descia, suave, envolvente. Só de ouvir, Rebeca já sentiu o rosto esquentar.— Se não for incômodo, você pode avisar por ela hoje? Ela vai tirar folga.— Posso, claro, claro!Rebeca se apressou em responder, sem nem deixar Daniel terminar.E ainda emendou, atrapalhada:— A folga da Ayla já estava lançada, fui eu que entendi errado ontem. Descansem bem. Sr. Daniel, melhoras... e que venham muitos filhos!Ela nem sabia por que
— E daí?Enzo continuava sem entender.Um rubor discreto subiu ao rosto de Isadora, e a irritação na voz dela ficou ainda mais evidente.— Daí que eu quero saber se você pode ficar na sala. Só até eu pegar no sono. Depois você vai embora.— Isso...Enzo hesitou.— Meu voo é amanhã cedo... — Isadora virou o rosto e falou baixo.No fundo, ela sempre soube que essa volta talvez não trouxesse o resultado que queria.Só que nunca conseguiu ser cruel o bastante.Se realmente quisesse ferir Daniel, teria procurado Ayla muito antes, ainda na véspera de ir embora do país, quando ele não apareceu.Agora já estava claro. Entre ela e Daniel, não havia mais caminho.Ela não era capaz de desejar felicidade a ele. Mas, por orgulho, podia ao menos tentar não voltar a interferir.Desde o noivado de Daniel e Ayla, Isadora quase todas as noites precisava chamar algum amigo para ficar em ligação com ela, ou pedir que a assistente permanecesse do lado de fora do quarto, só para conseguir dormir.Depois de
Daniel soltou uma risada baixa. O polegar passou pelo canto da boca dela, esfregando com um pouco mais de força.— Se eu consigo ou não te proteger... — A Voz desceu, lenta. — Você pode testar. Testar se eu não consigo limpar tudo ao seu redor, deixar você intocável, sem que nem um fio de cabelo sof
— Eu...— Peça desculpas à Bianca. Vocês são da mesma família. No futuro, precisam se comunicar melhor.Elena interrompeu Selina com a voz mais baixa, mas firme, sem margem para discussão.Selina já estava casada com a família Siqueira há metade da vida. Sempre fora conhecida por sua força e por não
Ela não queria esconder nada. Apenas achava que se tratava de uma aliança por conveniência. Ninguém teria interesse em ouvir aqueles episódios constrangedores, aquele passado que não merecia subir ao palco.Mas agora era diferente.Giovanna e os outros já eram família. E havia Daniel... Ela o valori
— Obrigada... por ter trazido ao mundo um Daniel tão bom, tão extraordinário.Aquela frase tocou algo no ponto mais profundo do coração de Daniel.Ele apertou a mão de Ayla de repente. Os dedos chegaram a empalidecer com a força.Desde que se lembrava de si mesmo, sempre que falavam da mãe, o tom vi







