ログインSem a menor cerimônia, Daniel escolheu a foto de que mais gostou entre as que Ayla tirou, salvou no celular e trocou a antiga imagem de paisagem que usava havia anos como fundo em todas as redes sociais.Antes de conhecer Ayla, Daniel já gostava de contemplar paisagens.Era assim que costumava aliviar a mente. Roubava um tempo da rotina e registrava algum lugar bonito.Como se, ao fazer isso, deixasse marcado para si mesmo que continuava vivo.O mundo sempre lhe pareceu bonito. Só que, ao olhar para tudo aquilo, havia admiração, não encanto.Foi só depois que começou a enxergar essas paisagens através dos olhos de Ayla que tudo ganhou outra cor.De repente, até a vastidão mais deslumbrante parecia ter alma.Parecia respirar ternura.Os pratos chegaram sem pressa.O almoço foi se alongando, e, quando perceberam, já estavam ali havia quase duas horas, até que o entardecer incendiou os quatro lados de vidro do restaurante.O salão inteiro se tingiu de laranja e vermelho.Ayla soltou uma e
— Como ele está? A recuperação dele está indo bem?Foi isso que Ayla perguntou primeiro. Era o que mais importava para ela.Os médicos trocaram olhares entre si antes de começarem a explicar, ponto por ponto, os resultados dos exames.No geral, tudo parecia bem.Os índices estavam dentro do normal. A maior parte do sangue acumulado internamente já tinha sido reabsorvida. O que ainda exigia atenção era a fraqueza do corpo e as lesões musculares externas, que pediam cuidado constante e, sobretudo, nada de esforço além da conta.Ayla soltou o ar, aliviada, e virou o rosto para Daniel.— Ouviu? Você ainda precisa descansar direito.— Ouvi.Daniel respondeu em voz baixa, puxando-a para mais perto, quase a ponto de deixá-la cair inteira em seu colo.Ayla voltou a olhar para os médicos.— E essas febres que aparecem de vez em quando? Isso também entra no normal? Ou a inflamação dentro do corpo dele ainda está forte?— Isso... pode acontecer, sim. — O médico hesitou por um instante antes de as
Ayla também ligou para Eduardo na mesma hora.Ela conhecia bem a situação de Mafalda. Mesmo que Nuno não tivesse vindo atrás dela, ainda assim procuraria os pais de Gisele.Depois do confronto direto entre Mafalda e Bruno, o caos dentro da empresa já tinha se espalhado por todo lado. Era muito provável que a família Barbosa aproveitasse aquilo para apertar Mafalda ainda mais.O que Ayla quase esqueceu foi Carolina.Muito antes disso, só por causa de Nuno, Mafalda já tinha comprado briga com ela uma vez.Ayla então explicou aos Barbosa tudo o que realmente aconteceu.Claro, ela não fez isso esperando que o casal mudasse de opinião sobre Mafalda. O objetivo era outro: cortar pela raiz a desculpa de que estavam apenas "educando a filha", deixando claro que, no episódio da empresa, Mafalda não errou, ao contrário, prestou um serviço.Cada palavra de Ayla vinha carregada de pressão.Ela ainda mantinha um verniz de educação, mas o tom já não tinha mais a delicadeza de antes.O Grupo Fonseca
Aos olhos de Nuno, Mafalda estava com as faces levemente coradas, tão perdida que passou vários segundos sem conseguir soltar uma palavra.A luz da manhã começava a invadir o quarto.O brilho morno do sol envolveu os dois de lado.Mas Nuno se aproximou, alto, inclinado só um pouco, e o próprio corpo encobriu parte daquela claridade diante dela.Havia nele uma luz serena, quase lunar. Já não era apenas o homem limpo e solar que Mafalda sempre enxergou, como se nunca fosse tocado por sombra alguma.O ar prendeu no peito dela.Mafalda piscou, franzindo de leve a testa.— Nuno...— Casamento de fachada é mentira. Eu não gosto disso. Se a gente se casar de verdade, o seu problema se resolve. Então vamos casar.Os dedos de Nuno roçaram de leve o canto da boca dela.O arroxeado da noite anterior já tinha diminuído bastante. Restava só uma marca suave, mas ainda visível sob a luz.— Nuno... você tem noção do que está dizendo? Não me diga que você ainda...Mafalda travou no meio da frase.O cor
Nuno já não sabia como explicar. O nervosismo bateu de verdade, e o medo de que Mafalda pensasse outra vez que ele estava insistindo nela de forma humilhante só piorou tudo.Só que, ao ouvi-lo repetir tantas vezes a palavra mal-entendido, Mafalda sentiu o coração esfriar por completo.Sem perceber o efeito daquilo, Nuno voltou depressa ao assunto de antes e retomou a pergunta que ela não tinha terminado de responder.Mafalda repuxou os lábios num sorriso raso.— Ainda existe outro jeito, eu posso me casar.As pupilas de Nuno tremeram de leve. Os lábios dele até se entreabriram, mas, antes que qualquer palavra saísse, Mafalda já bateu de leve no braço dele, como se quisesse tornar tudo mais leve.— Então, Sr. Nuno, será que você pode me fazer esse favor? Vê se encontra alguém adequado e me apresenta para uns encontros.Ela manteve o sorriso, mas a voz saiu gelada.— Eu não peço muito. Só tem uma condição: ele precisa ter algum peso em San Elívar. Pelo menos o suficiente para não ser alg
Mafalda olhou para o rosto bonito de Nuno e, sem entender direito por quê, deixou aquelas palavras chegarem à boca.Ainda havia gotas d’água em seu rosto. Sem os óculos, os traços dele ficavam suaves de um jeito quase cruel. Dolorosamente suaves.Ao longo dos anos, Mafalda viu os olhos de muitos homens.Mas só esses... só esses ela parecia incapaz de cansar de olhar.— Que jeito?Nuno perguntou com toda a seriedade.O coração de Mafalda acelerou.Esse jeito seria... casar com ele.Se ela se casasse com Nuno, poderia deixar a casa dos Barbosa de cabeça erguida, sem depender mais da tutela dos pais de Gisele.E era justamente por isso que, durante todos esses anos, os Barbosa fizeram de tudo para destruir qualquer namoro ou possibilidade de casamento em sua vida.Mafalda pensou e repensou.Em San Elívar, talvez só diante da família Fonseca os Barbosa não pudessem agir como bem entendessem.Vendo por esse lado, Nuno era um partido bom demais.Bom até demais.E foi por isso que, desde muit
— Lalá? Você já fez drama o suficiente, não? Já se passaram vários dias. Tá querendo nunca mais falar comigo é? — A ligação finalmente foi atendida, e a voz de Gustavo invadiu os ouvidos de Daniel.A expressão de Daniel escureceu na hora.Ayla estava prestes a se tornar sua esposa, mas para aquele h
— Porque eu preciso casar... — Mafalda soltou, com raiva presa na garganta.Era o tipo de coisa que ela nem sabia como explicar direito.No testamento da mãe, existia uma cláusula a mais. Se Mafalda se casasse, ela podia sair da família Barbosa de imediato e recuperar uma parte da herança que os Bar
Mas, até o instante em que percebeu que Isadora nunca o tomou como destino, Daniel sentiu uma espécie de alívio, como se algo pesado finalmente saísse dos ombros.Talvez, desde o começo, ele colocasse ela num lugar que exigia proteção total.E, nisso, ele engoliu sentimentos demais.Ele nem chegou a
A voz de Gustavo ficou rouca de tanta emoção. Ele não ligou para os olhares ao redor. Ele não ligou nem para os funcionários que se aproximavam ao ver a confusão.Ele encurralou Ayla, teimoso, como se quisesse trancar ela ali na marra. Até que gente do reservado ouviu o barulho e saiu.— Gustavo!—