Home / Romance / Amor em Alto-Mar / Capítulo 2 – Fúria e Solidão

Share

Capítulo 2 – Fúria e Solidão

last update publish date: 2026-05-11 23:06:18

Capítulo 2 – Fúria e Solidão

Eu puxo as cordas de seda preta com toda a força que consigo reunir, sentindo-as morderem meus pulsos como dentes afiados. Meu coração b**e tão forte que parece querer escapar do peito. Estou nua. Completamente exposta. Cercada pelos três homens que eu mais amo e mais odeio no mundo inteiro, e o navio balança suavemente em alto-mar, lembrando-me a cada segundo que não há escapatória.

Zion está debruçado sobre mim, sua boca quente fechada ao redor do meu mamilo esquerdo, sugando com aquela fome possessiva que sempre me desmonta. Luka segura meu queixo, forçando-me a olhar para ele enquanto seus dedos deslizam pela minha coxa. Elias mantém minhas pernas abertas com uma mão firme, dois dedos grossos roçando minha entrada molhada, provocantes, torturantes.

— Vocês me sequestraram — rosno, a voz rouca de sono e raiva pura. — Me drogaram. Me trouxeram pra cá como se eu fosse um brinquedo de vocês. Seus filhos da puta.

Zion solta meu mamilo com um estalo molhado e levanta o rosto. Seus olhos negros brilham com diversão sombria.

— Brinquedo nosso? — ele ri baixo, o som vibrando contra minha pele. — Você sempre foi, princesa. Desde os dezesseis anos.

É demais. A raiva explode dentro de mim como gasolina jogada no fogo. Quando ele se inclina novamente para me beijar, eu viro o rosto e cravo os dentes com força no ombro dele, bem acima da clavícula. Sinto o gosto metálico de sangue na língua.

Zion solta um grunhido rouco, mas não de dor — de surpresa e algo que parece prazer doentio. Ele se afasta apenas o suficiente para me olhar, o sangue escorrendo devagar pelo tecido branco da camisa.

Por um segundo, o silêncio é absoluto, quebrado apenas pelo zumbido distante dos motores do navio.

Então Luka começa a rir. Um riso baixo, genuíno, que faz seus olhos heterocromáticos brilharem. Elias solta um suspiro divertido, balançando a cabeça. Zion passa o polegar pelo ombro mordido, espalhando o próprio sangue, e sorri como um lobo que acabou de ser desafiado.

— Olha só pra ela — murmura Zion, lambendo o sangue do dedo. — Ainda com fogo. Depois de tudo.

— Eu avisei que ela ia lutar — diz Luka, cruzando os braços, o sorriso ainda estampado no rosto. — Sempre luta antes de se render.

Elias me observa por um longo momento, os olhos castanho-escuros percorrendo meu corpo nu amarrado, parando na marca vermelha que meus dentes deixaram no ombro de Zion.

— Se era assim que você queria brincar, Maeve… — diz ele, voz grave e calma como sempre, mas carregada de promessa perigosa — então vamos jogar do seu jeito.

Eles se afastam da cama ao mesmo tempo. Como se tivessem ensaiado. Como se fosse parte do plano o tempo todo.

Eu fico ali, ofegante, o corpo ainda latejando de desejo indesejado, os pulsos ardendo contra as cordas. Tento sentar, mas as amarras me puxam de volta contra os travesseiros de cetim. Minhas pernas estão livres, mas para quê? A suíte é enorme, luxuosa, com janelas panorâmicas mostrando apenas o mar escuro infinito. Não há porta que eu consiga alcançar. Não há telefone visível. Nem minhas roupas.

Zion para na porta, virando-se para mim uma última vez. O sangue no ombro dele mancha a camisa branca de forma obscena.

— Você mordeu, princesa. Agora vai sentir o gosto da solidão. — Ele pisca. — Quando estiver pronta pra pedir desculpas… ou pra implorar… é só gritar nossos nomes.

Luka se aproxima da cabeceira, inclina-se e roça os lábios na minha testa, quase carinhosamente.

— Estamos logo ali fora, amor. O navio inteiro é nosso. A suíte presidencial tem isolamento acústico. Ninguém vai te ouvir gritando. Nem de raiva… nem de outra coisa.

Elias é o último. Ele para ao lado da cama, passa a mão grande pela minha barriga nua uma vez, possessivo, e então se afasta sem dizer nada. O clique da porta ao fechar é o som mais alto que já ouvi.

E então… silêncio.

Estou sozinha.

Completamente nua. Amarrada à cama king-size de uma suíte presidencial em alto-mar. Os lençóis frios contra minha pele quente. O ar-condicionado sopra leve sobre meus mamilos ainda úmidos da boca de Zion. Entre minhas pernas, ainda sinto o fantasma dos dedos de Elias, a umidade traiçoeira que eles provocaram e abandonaram.

A raiva sobe como bile na minha garganta.

— Seus desgraçados! — grito, puxando as cordas com tanta força que sinto a pele rasgar. — Me soltem agora! Vocês não podem fazer isso! Eu não sou propriedade de vocês!

Ninguém responde. O navio continua seu balanço constante, quase zombando de mim. Eu me contorço, viro de lado, tento alcançar o nó com os dentes. Impossível. As cordas são profissionais — macias o suficiente para não machucar demais, firmes o suficiente para me manter prisioneira.

Minha mente corre.

Penso em Matthew. Meu menino lindo. Ele não faz ideia do que está acontecendo. Não faz ideia de que a mãe dele está amarrada e nua em um cruzeiro, prisioneira dos três homens que ele chama de tios.

Lágrimas de pura fúria queimam meus olhos. Eu as engulo. Não vou chorar por eles. Não vou dar esse gostinho.

Penso no meu pai. Nas mensagens ameaçadoras que ainda recebo. No segredo que carrego sobre o que realmente aconteceu depois que achamos que Evie estava morta. Na depressão que quase me destruiu. Na noite em que quase abandonei meu próprio filho recém-nascido porque o terror me consumia. Eles não sabem de tudo. Nenhum deles. E agora me arrastaram para cá como se pudessem consertar onze anos de trauma com um cruzeiro de luxo e cordas de seda.

Eu rio, um som amargo que ecoa no quarto vazio.

— Covardes — sussurro para o teto. — Não conseguem me convencer como homens normais, então me sequestram.

Mas meu corpo me trai. Ainda lateja. Ainda lembra da boca de Zion, dos dedos de Elias, do beijo de Luka. A excitação indesejada pulsa entre minhas pernas, exigindo alívio que eles deliberadamente negaram. É cruel. Deliberado. Eles querem que eu sofra. Querem que eu sinta cada segundo dessa frustração até implorar.

Eu fecho os olhos com força, tentando ignorar o calor. Tento pensar em qualquer coisa que não seja eles. No mar lá fora. No frio do ar-condicionado. Na humilhação de estar completamente exposta, nua, amarrada, abandonada.

Não funciona.

Minha mente volta para a noite na praia, tantos anos atrás. Os três me tocando pela primeira vez. O prazer avassalador. A gravidez que veio depois. O medo. O abuso do meu pai quando ele descobriu. A “morte” de Evie. A depressão pós-parto que quase me matou.

E agora isso.

Eu puxo as cordas novamente, sentindo o ardor subir pelos braços. Meu corpo inteiro treme — de raiva, de frio, de desejo frustrado.

— Eu vou matar vocês — murmuro para o quarto vazio. — Quando sair daqui, eu juro que vou matar os três.

Mas sei que é mentira.

Porque mesmo agora, amarrada, nua e furiosa, uma parte doente de mim já espera o momento em que eles voltarão. Uma parte que odeia o quanto os quer. Uma parte que sabe que sou, de fato, captive of love.

O navio segue em frente. O mar escuro passa pelas janelas. E eu fico aqui, sozinha, completamente exposta, o corpo e a alma em chamas.

Frustrada.

Furiosa.

E, que Deus me ajude, molhada demais para fingir que não os quero.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 22 (146)  – Rachaduras

    O corpo de Elara ainda está quente contra o meu quando o sol começa a subir de verdade.Eu não dormi direito. Passei a maior parte da noite acordado, ouvindo a respiração dela, sentindo cada pequeno movimento, como se a qualquer momento alguém fosse bater na porta e tentar levá-la embora. A mão continua espalmada na barriga dela, os dedos levemente curvados, possessivos mesmo no cansaço.Ela acorda devagar. Primeiro um suspiro. Depois o corpo tensiona por um segundo, como sempre faz, antes de lembrar onde está. Quando os olhos verdes se abrem e me encontram, há algo diferente ali. Não é só o desejo residual da noite. É peso.— Você ficou acordado de novo — ela murmura.— Fiquei.— Por causa deles.— Por causa de você.Elara desvia o olhar por um momento. Eu seguro o queixo dela e a faço voltar.— Fala o que está pensando.Ela demora. A garganta se move quando engole.— Ontem, quando eu fui com a Maeve para a cozinha… ela me perguntou se eu realmente conseguia imaginar uma vida longe d

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 21 (145) – O Dia Inteiro Sob Vigia

    O café da manhã termina em silêncio pesado.Maeve recolhe as xícaras com movimentos calmos demais. Luka permanece sentado, os braços cruzados, observando cada vez que minha mão se move em direção a Elara. Eu não disfarço. Mantenho os dedos na coxa dela por baixo da mesa, o polegar desenhando círculos lentos por cima do tecido da calça de moletom. Ela não se afasta. Só aperta um pouco mais a mandíbula.Quando finalmente nos levantamos, Maeve fala sem olhar diretamente para mim:— Vocês dois vão ficar na sala hoje. Sem sumir para o quarto. Sem se trancar. Eu quero vocês à vista.Eu quase respondo algo afiado, mas me contenho. Apenas aceno uma vez, rígido.Levo Elara até o sofá grande da sala de estar. Sento primeiro e a puxo para ficar colada ao meu lado. Meu braço passa por trás das costas dela, a mão terminando no ombro oposto, mantendo-a presa contra mim. Ela demora um segundo, depois cede, o corpo se acomodando no meu. O cheiro do cabelo dela sobe e me acalma de um jeito que eu odei

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 20 (144) – Sob o Mesmo Teto

    Eu acordo antes do sol atravessar completamente as cortinas.A luz ainda é fraca, acinzentada, do tipo que não aquece. Elara está deitada de lado, de frente para mim, o rosto relaxado pelo sono profundo. Uma das minhas mãos está espalmada na cintura dela, os dedos levemente cravados na carne macia. A outra está enfiada por baixo do travesseiro, perto demais do lugar onde eu costumo deixar a arma quando o nervosismo aperta demais. O lençol está baixo na cintura dela. Eu consigo ver as marcas que deixei no pescoço, no ombro, na curva do seio. Ontem eu gozei dentro dela de novo. O cheiro de sexo e de posse ainda gruda na pele dos dois.Eu gostaria de poder trancar o mundo do lado de fora e ficar só com isso.Mas o mundo está no quarto de hóspedes.Eu escuto movimento no andar de baixo. Passos leves, cuidadosos. O barulho de uma xícara sendo colocada sobre a bancada de pedra. O chiado baixo da cafeteira. Maeve já está acordada. Provavelmente há algum tempo.Elara se mexe. Um pequeno gemid

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 19 (143) – O Peso do Olhar Deles

    A conversa acaba, mas o peso dela não.Maeve se levanta primeiro. O movimento é lento, controlado, como se ela estivesse segurando algo que ameaça explodir. Luka a acompanha com o olhar antes de se erguer também. Eu continuo sentado, a mão de Elara ainda presa na minha. Eu não solto. Não agora. Talvez não nunca.— Eu quero um copo d’água — Maeve diz, a voz mais baixa. — E quero que ela venha comigo até a cozinha.Eu abro a boca para recusar, mas Elara aperta meus dedos antes que eu consiga falar.— Eu vou — ela diz, surpreendendo os três. A voz dela sai rouca, mas firme. — Só… um minuto.Eu viro o rosto para ela. O olhar que trocamos é carregado. Eu não gosto. Cada fibra do meu corpo grita contra a ideia de deixá-la sair do meu campo de visão com a minha mãe. Mas há algo no jeito que Elara me olha — uma decisão silenciosa — que me faz soltar a mão dela devagar.— Cinco minutos — eu aviso, a voz baixa e dura. — Depois eu vou atrás.Maeve não responde. Só acena uma vez e sai na frente.

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 18 (142) – A Conversa

    Eu os levo para a sala de estar sem soltar a mão de Elara por um segundo sequer.Meus dedos estão firmes em volta dos dela, quase dolorosos de tão apertados. Eu sinto o tremor fino que percorre o braço dela, mas ela não tenta se afastar. Quando chegamos ao sofá maior, eu a puxo para sentar colada ao meu lado. Minha coxa pressiona a dela. Meu braço passa por trás das costas dela de forma clara, possessiva, quase desafiadora. O corpo dela está rígido, mas ela se deixa ser puxada.Maeve e Luka se sentam no sofá oposto. O espaço entre os dois sofás parece uma fronteira. O ar está pesado demais para o tamanho da sala.Ninguém fala por um tempo longo demais.Eu sinto o olhar de Maeve queimar em mim e depois deslizar para Elara. Ela observa as marcas no pescoço dela, a forma como nossos dedos estão entrelaçados, a proximidade forçada dos nossos corpos. Luka permanece em silêncio, os cotovelos apoiados nos joelhos, o olhar sério e calculista que eu conheço desde criança.Maeve é a primeira a

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 17 (141)  – A Chegada

    O relógio marca 19:47.Eu estou de pé na sala de estar, perto da janela que dá para a entrada da mansão. Elara está sentada no sofá atrás de mim, as mãos apertadas uma na outra sobre o colo. O vestido preto que eu escolhi para ela marca o corpo de um jeito discreto, mas as marcas no pescoço ainda aparecem por cima da gola. Eu não pedi para ela esconder. Não quero que esconda.O silêncio entre nós é denso.Eu sinto a presença dela como se fosse uma segunda pele. Cada respiração. Cada pequeno movimento. Desde mais cedo, quando a fodi devagar na cama e depois a lavei com as minhas próprias mãos, algo mudou no ar. Não ficou mais leve. Ficou mais pesado. Mais real.— Você está nervoso — ela diz baixo, a voz rouca.— Estou preparado — corrijo.— É a mesma coisa.Eu me viro e olho para ela. Elara levanta o rosto. Os olhos verdes estão mais calmos do que eu já vi, mas ainda carregam aquele fundo de medo e desafio. Eu caminho até o sofá e me agacho na frente dela, as mãos grandes cobrindo os j

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 6 — O Jantar Branco

    Capítulo 6 — O Jantar BrancoO vestido era branco.Claro que era.Nem marfim, nem pérola, nem qualquer mentira elegante inventada para suavizar a crueldade. Branco. Liso. Escandalosamente simples. O tipo de vestido que parece inocente até tocar a pele errada.— Não vou usar isso — digo, segurando o

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 5 – Tempestade no Convés

    Capítulo 5 – Tempestade no ConvésO sol do Caribe bate forte no meu rosto enquanto caminhamos pelo convés principal. O robe de seda preta que Zion me deu mal esconde o que aconteceu nas últimas horas. Meus pulsos ainda estão marcados, vermelhos sob as mangas largas. Cada passo me lembra que estou a

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 4 – Migalhas de Luxo

    Capítulo 4 – Migalhas de LuxoZion continua deslizando o morango gelado pelo meu mamilo, circulando lentamente, provocando. Elias mantém dois dedos pressionados contra minha entrada encharcada, abrindo-me, mas sem penetrar, apenas sentindo o quanto estou molhada e desesperada.— Diga — repete Elias

  • Amor em Alto-Mar   Capítulo 3 – A Espera que Queima

    Capítulo 3 – A Espera que QueimaO tempo dentro dessa suíte se transforma em algo viscoso e cruel.Minutos se esticam como horas. Não sei mais se passaram trinta minutos ou três horas desde que a porta se fechou com aquele clique definitivo. O relógio digital na mesinha marca 23:47, mas o mar negro

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status