LOGINO sol do Caribe b**e forte no meu rosto enquanto caminhamos pelo convés principal. O robe de seda preta que Zion me deu mal esconde o que aconteceu nas últimas horas. Meus pulsos ainda estão marcados, vermelhos sob as mangas largas. Cada passo me lembra que estou aqui contra a minha vontade… e, ao mesmo tempo, que não tentei fugir quando tive a chance.
Zion caminha ao meu lado direito, mão possessiva na minha cintura. Luka à esquerda, dedos entrelaçados nos meus. Elias vai logo atrás, como uma sombra protetora. Eles não me deixam nem meio metro de distância.
— Você está quieta demais — murmura Luka, apertando minha mão. — Isso me assusta.
— Estou pensando em como vou matar vocês três quando conseguir descer deste navio — respondo, sem olhar para ele.
Zion ri baixo, o som vibrando contra meu corpo.
— Ainda com raiva? Ótimo. Prefiro você furiosa do que fingindo indiferença.
Passamos por casais e famílias que aproveitam o dia ensolarado. Algumas pessoas reconhecem Zion e tentam se aproximar, mas Elias simplesmente bloqueia o caminho com o corpo, sem dizer uma palavra. A fama de Zion agora serve como disfarce perfeito para o que eles realmente são.
Chegamos à área da piscina infinita. O mar turquesa se estende até o horizonte. Eileen e Cian já estão lá, sentados em espreguiçadeiras, com drinques coloridos nas mãos. Quando nos veem, os dois abrem sorrisos enormes — cúmplices demais para o meu gosto.
— Finalmente! — exclama Eileen, levantando-se para me abraçar. Ela me aperta forte, sussurrando no meu ouvido: — Respira, querida. Eles te amam. Deixa eles te amarem.
Eu engulo em seco. Ela não sabe de tudo. Ninguém sabe.
Cian dá um tapa amigável no ombro de Zion.
— Cuidem bem dela. Ou eu mesmo jogo vocês três no mar.
— Pode deixar — responde Zion, puxando-me para sentar entre ele e Luka em uma espreguiçadeira larga.
Eles me cercam novamente. Sempre me cercando.
Fico em silêncio enquanto observo o movimento ao redor. Crianças gritando na piscina, casais se beijando, o som de risadas e música suave. Tudo parece tão normal. E eu aqui, prisioneira voluntária de três homens perigosos.
Luka passa protetor solar nas minhas pernas com movimentos lentos, quase reverentes. Zion se deita atrás de mim, puxando minhas costas contra seu peito. Elias senta na beira, vigiando tudo.
— Vocês não precisam me vigiar o tempo todo — resmungo.
— Precisamos sim — responde Elias, sem tirar os olhos do horizonte. — Você foge quando menos esperamos.
Eu viro o rosto para o mar. O vento bagunça meu cabelo. Por alguns minutos, ninguém fala. Apenas o som das ondas e o calor dos corpos deles ao meu redor.
Então Zion quebra o silêncio, voz baixa só para mim:
— Você ainda pensa nele? No seu pai?
Meu corpo inteiro fica tenso. Eu não respondo.
Luka para de passar protetor e apoia o queixo no meu joelho.
— A gente sabe que o relacionamento de vocês é ruim. Que você evita falar dele. Mas quanto pior é, Maeve? Ele te machucou?
Eu fecho os olhos. As memórias ameaçam subir — mãos frias, palavras venenosas, noites que eu queria apagar da existência.
— Eu não quero falar sobre isso — sussurro.
— Tudo bem — diz Elias, surpreendentemente gentil. — Mas saiba que, se ele tentar se aproximar de você ou de Matthew enquanto estivermos juntos… ele não vai gostar do resultado.
A ameaça velada me faz estremecer. Eles não sabem da metade. E talvez seja melhor assim.
A tarde passa devagar. Eles me levam para almoçar no restaurante do convés. Me fazem beber água de coco. Me fazem rir — contra a minha vontade — quando Zion conta histórias absurdas de shows desastrosos. Por alguns momentos, quase esqueço que fui sequestrada.
Quase.
Quando o sol começa a descer, voltamos para a suíte. O cansaço do dia pesa sobre mim. Assim que a porta se fecha, Zion me vira contra a parede, pressionando o corpo no meu.
— Você se comportou bem hoje — murmura ele, nariz roçando meu pescoço. — Merece uma recompensa.
Eu coloco as mãos no peito dele, empurrando sem força real.
— Não confunda silêncio com rendição.
Luka se aproxima por trás, beijando meu ombro exposto.
— Não confundimos. Sabemos que você ainda está lutando. Mas também sabemos que está cansada de lutar sozinha.
Elias fica encostado na porta, observando-nos com aqueles olhos escuros e intensos.
— Hoje à noite — diz ele — vamos fazer você esquecer tudo.
Eu respiro fundo, presa entre Zion e Luka, o corpo traidor respondendo ao calor deles.
— Eu ainda posso dizer não — afirmo, mesmo que minha voz saia fraca.
Zion sorri contra minha pele.
— Pode. E nós vamos respeitar… por enquanto. Mas amanhã? Amanhã vamos te lembrar exatamente por que você sempre volta pra gente.
Eles me guiam até a cama enorme. Dessa vez, sem amarras. Apenas corpos quentes me cercando novamente. Zion atrás. Elias na frente. Luka ao lado, segurando minha mão.
Eu fecho os olhos enquanto o navio balança suavemente.
A raiva ainda está aqui. O medo também.
Mas algo novo está crescendo junto com eles.
Uma rendição lenta.
Perigosa.
Inevitável.
E eu não sei mais se quero impedir.
A capa do terceiro livro era uma declaração de vitória silenciosa. Onde os anteriores haviam carregado tons sombrios e incertos, este exibia uma aquarela em dourados e azuis profundos — cores que lembravam amanheceres sobre o oceano, promessas cumpridas, horizontes que finalmente se revelavam alcançáveis. O título, gravado em letras manuscritas como uma confissão íntima, era simples e revolucionário: “Viver”.Maeve segurava o exemplar entre as mãos, sentada à mesa de autógrafos na livraria que havia escolhido com cuidado deliberado. Não a maior, não a mais famosa, mas aquela em que, aos dezessete anos, havia comprado seu primeiro livro de poesia numa tarde chuvosa, fugindo de casa para não ouvir os comentários ácidos
Por volta do meio-dia, o trabalho de parto entrou na fase de transição — o momento mais intenso, quando o corpo se prepara para a expulsão final. A dor se tornou algo transcendente, uma força da natureza que parecia maior que qualquer coisa que Maeve havia experimentado. Por alguns minutos, ela se perdeu nela, sentindo-se pequena e assustada diante da magnitude do que seu corpo estava fazendo.Foi então que os fantasmas do passado tentaram ressurgir. A voz de sua mãe ecoou em sua mente — você sempre foi dramática, sempre exagerava tudo, nunca foi forte o suficiente. O medo antigo de não ser capaz, de não merecer, de estar fadada a repetir os erros que havia jurado evitar.— Eu não co
A madrugada começou com um pressentimento que Maeve não soube nomear. Às três e dezessete minutos, ela despertou no quarto silencioso, envolvida pela respiração compassada dos três homens que dormiam ao seu redor. Não havia pesadelos, não havia desconforto específico — apenas uma consciência aguçada, como se seu corpo sussurrasse segredos que sua mente ainda não conseguia decifrar.Então veio a primeira contração. Diferente das contrações de Braxton Hicks que havia sentido nas últimas semanas, esta carregava uma qualidade inconfundível — uma urgência primitiva, uma mensagem ancestral que ecoava através de gerações de mulheres: é a hora.
A manhã começou como qualquer outra, mas terminou redefinindo tudo.Maeve estava no banheiro, encarando duas linhas rosadas no teste de gravidez, quando o mundo pareceu inclinar levemente em seu eixo. Ela piscou, esperando que fosse um erro da luz matinal que entrava pela janela, mas as linhas permaneceram nítidas e incontestáveis.Grávida.A palavra ecoou em sua mente como uma pedra jogada em águas calmas, criando ondas concêntricas de emoções conflitantes. A primeira foi alegria — pura, instintiva, luminosa. Sua mão se moveu automaticamente para o ventre ainda plano, um gesto ancestral de proteção e reconhecimento. Mas, no segundo seguinte, o medo chegou como uma maré escura.Quarenta e dois
Várias mães na plateia se inclinaram para frente, reconhecendo na história de Sofia ecos das lutas de suas próprias filhas.— Eu vim para as aulas de defesa pessoal porque tinha medo de apanhar, mas o que eu encontrei foi muito maior que técnicas de luta. — Sofia sorriu, os olhos brilhando com uma luz própria. — Aqui, eu aprendi que meu corpo me pertence. Que minha voz tem poder. O jiu-jitsu me ensinou que não importa seu tamanho — se você tiver técnica e souber usar alavancas, você pode mover montanhas. Ou, pelo menos, pessoas muito maiores que você.Risos calorosos ecoaram pela plateia, quebrando a tensão emocional do momento.— Mas a maior lição foi descobrir que eu não estava sozinh
Alguns usavam roupas desgastadas pelo tempo, outros traziam nas posturas e olhares as marcas invisíveis das dificuldades que a vida na periferia impõe aos jovens. Mas todos compartilhavam a mesma expressão de expectativa misturada com uma ponta de incredulidade — como se não conseguissem acreditar completamente que aquele lugar era para eles, que ninguém os expulsaria, que não havia pegadinha escondida.Uma menina de aproximadamente doze anos, cabelos trançados com fitas coloridas, parou diante do mural que decorava uma das paredes laterais. A arte mostrava figuras humanas em movimento — algumas caindo, outras se levantando, todas conectadas por linhas que sugeriam apoio mútuo. No centro, em letras que pareciam ter sido desenhadas com carinho, estava escrita a frase que se tornara o lema não oficial da Academia: "A força verd
A bomba continuou explodindo na terça-feira seguinte.O celular de Zion tocou às 7h14 da manhã. Era seu agente, a voz nervosa e urgente:— Zion, t
Os dias após a chegada de Nolah foram um turbilhão doce e caótico. O menino de oito anos havia se integrado à casa de forma surpreendentemente natural, mas ainda carregava uma timidez profunda, como se tivesse medo de que tudo pudesse de
A casa estava envolta em um silêncio pesado, quase reverente, como se até as paredes soubessem que algo definitivo estava sendo decidido naquela noite.Matthew e Claire dormiam profundamente no quarto do me
Luka não dormia há trinta e seis horas.O escritório havia se transformado em um centro de comando caótico. As cortinas estavam fechadas, as luzes baixas, e o ar estava pesado com o cheiro de







