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Capítulo 5 – Tempestade no Convés

last update publish date: 2026-05-11 23:59:35

Capítulo 5 – Tempestade no Convés

O sol do Caribe b**e forte no meu rosto enquanto caminhamos pelo convés principal. O robe de seda preta que Zion me deu mal esconde o que aconteceu nas últimas horas. Meus pulsos ainda estão marcados, vermelhos sob as mangas largas. Cada passo me lembra que estou aqui contra a minha vontade… e, ao mesmo tempo, que não tentei fugir quando tive a chance.

Zion caminha ao meu lado direito, mão possessiva na minha cintura. Luka à esquerda, dedos entrelaçados nos meus. Elias vai logo atrás, como uma sombra protetora. Eles não me deixam nem meio metro de distância.

— Você está quieta demais — murmura Luka, apertando minha mão. — Isso me assusta.

— Estou pensando em como vou matar vocês três quando conseguir descer deste navio — respondo, sem olhar para ele.

Zion ri baixo, o som vibrando contra meu corpo.

— Ainda com raiva? Ótimo. Prefiro você furiosa do que fingindo indiferença.

Passamos por casais e famílias que aproveitam o dia ensolarado. Algumas pessoas reconhecem Zion e tentam se aproximar, mas Elias simplesmente bloqueia o caminho com o corpo, sem dizer uma palavra. A fama de Zion agora serve como disfarce perfeito para o que eles realmente são.

Chegamos à área da piscina infinita. O mar turquesa se estende até o horizonte. Eileen e Cian já estão lá, sentados em espreguiçadeiras, com drinques coloridos nas mãos. Quando nos veem, os dois abrem sorrisos enormes — cúmplices demais para o meu gosto.

— Finalmente! — exclama Eileen, levantando-se para me abraçar. Ela me aperta forte, sussurrando no meu ouvido: — Respira, querida. Eles te amam. Deixa eles te amarem.

Eu engulo em seco. Ela não sabe de tudo. Ninguém sabe.

Cian dá um tapa amigável no ombro de Zion.

— Cuidem bem dela. Ou eu mesmo jogo vocês três no mar.

— Pode deixar — responde Zion, puxando-me para sentar entre ele e Luka em uma espreguiçadeira larga.

Eles me cercam novamente. Sempre me cercando.

Fico em silêncio enquanto observo o movimento ao redor. Crianças gritando na piscina, casais se beijando, o som de risadas e música suave. Tudo parece tão normal. E eu aqui, prisioneira voluntária de três homens perigosos.

Luka passa protetor solar nas minhas pernas com movimentos lentos, quase reverentes. Zion se deita atrás de mim, puxando minhas costas contra seu peito. Elias senta na beira, vigiando tudo.

— Vocês não precisam me vigiar o tempo todo — resmungo.

— Precisamos sim — responde Elias, sem tirar os olhos do horizonte. — Você foge quando menos esperamos.

Eu viro o rosto para o mar. O vento bagunça meu cabelo. Por alguns minutos, ninguém fala. Apenas o som das ondas e o calor dos corpos deles ao meu redor.

Então Zion quebra o silêncio, voz baixa só para mim:

— Você ainda pensa nele? No seu pai?

Meu corpo inteiro fica tenso. Eu não respondo.

Luka para de passar protetor e apoia o queixo no meu joelho.

— A gente sabe que o relacionamento de vocês é ruim. Que você evita falar dele. Mas quanto pior é, Maeve? Ele te machucou?

Eu fecho os olhos. As memórias ameaçam subir — mãos frias, palavras venenosas, noites que eu queria apagar da existência.

— Eu não quero falar sobre isso — sussurro.

— Tudo bem — diz Elias, surpreendentemente gentil. — Mas saiba que, se ele tentar se aproximar de você ou de Matthew enquanto estivermos juntos… ele não vai gostar do resultado.

A ameaça velada me faz estremecer. Eles não sabem da metade. E talvez seja melhor assim.

A tarde passa devagar. Eles me levam para almoçar no restaurante do convés. Me fazem beber água de coco. Me fazem rir — contra a minha vontade — quando Zion conta histórias absurdas de shows desastrosos. Por alguns momentos, quase esqueço que fui sequestrada.

Quase.

Quando o sol começa a descer, voltamos para a suíte. O cansaço do dia pesa sobre mim. Assim que a porta se fecha, Zion me vira contra a parede, pressionando o corpo no meu.

— Você se comportou bem hoje — murmura ele, nariz roçando meu pescoço. — Merece uma recompensa.

Eu coloco as mãos no peito dele, empurrando sem força real.

— Não confunda silêncio com rendição.

Luka se aproxima por trás, beijando meu ombro exposto.

— Não confundimos. Sabemos que você ainda está lutando. Mas também sabemos que está cansada de lutar sozinha.

Elias fica encostado na porta, observando-nos com aqueles olhos escuros e intensos.

— Hoje à noite — diz ele — vamos fazer você esquecer tudo.

Eu respiro fundo, presa entre Zion e Luka, o corpo traidor respondendo ao calor deles.

— Eu ainda posso dizer não — afirmo, mesmo que minha voz saia fraca.

Zion sorri contra minha pele.

— Pode. E nós vamos respeitar… por enquanto. Mas amanhã? Amanhã vamos te lembrar exatamente por que você sempre volta pra gente.

Eles me guiam até a cama enorme. Dessa vez, sem amarras. Apenas corpos quentes me cercando novamente. Zion atrás. Elias na frente. Luka ao lado, segurando minha mão.

Eu fecho os olhos enquanto o navio balança suavemente.

A raiva ainda está aqui. O medo também.

Mas algo novo está crescendo junto com eles.

Uma rendição lenta.

Perigosa.

Inevitável.

E eu não sei mais se quero impedir.

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