FAZER LOGINO tempo dentro dessa suíte se transforma em algo viscoso e cruel.
Minutos se esticam como horas. Não sei mais se passaram trinta minutos ou três horas desde que a porta se fechou com aquele clique definitivo. O relógio digital na mesinha marca 23:47, mas o mar negro além das janelas panorâmicas não oferece nenhuma pista. Apenas o balanço constante do Noel Imperial me lembra que estamos em alto-mar, longe de tudo e de todos.
Meus pulsos ardem contra a seda preta. A pele já está avermelhada, quente e sensível. Parei de puxar as cordas há algum tempo — cada tentativa só piora a dor e a humilhação. Agora eu apenas respiro, nua, exposta, o corpo ainda vibrando com a excitação que eles acenderam e abandonaram de propósito.
O ar-condicionado sopra frio sobre minha pele úmida. Meus mamilos permanecem duros, quase doloridos, roçando no lençol de cetim a cada movimento do navio. Entre minhas pernas, a pulsação é constante, latejante e insuportável. Aperto as coxas com força, mas isso só envia ondas maiores de frustração pelo meu ventre.
Eu não vou implorar.
A frase se repete na minha cabeça como um mantra inútil.
Penso em Matthew. Meu menino lindo, de onze anos, com os olhos escuros do pai e o riso fácil que consegue iluminar qualquer ambiente. Não faz ideia de que o homem que ele idolatra como “tio Zion” é, na verdade, seu pai biológico — um segredo que carrego como veneno há anos.
E se o meu pai descobrir? Se souber que estou presa aqui, nua e à mercê dos três? Se descobrir que os mesmos homens que ele tanto ameaça finalmente me capturaram? A ideia me gela por dentro. Ele usaria isso. Usaria Matthew. Usaria tudo para me destruir de vez.
Uma nova onda de raiva misturada a pânico me invade. Engulo o choro. Não vou chorar. Não vou dar essa satisfação a eles, mesmo que não estejam aqui para ver.
Meu pai surge na mente com ainda mais força, como sempre acontece nos momentos de fraqueza. As mensagens dele ainda chegam, venenosas e constantes. Frases curtas que me lembram do que ele fez — primeiro quando eu era criança, depois, adulta, naquela noite terrível após a praia. O segredo mais sombrio que nunca tive coragem de contar completamente a Zion, Luka ou Elias.
O silêncio do quarto é opressivo. Apenas o zumbido distante dos motores e o ocasional rangido do navio. O cheiro deles ainda paira no ar — uísque e couro, colônia sofisticada, algo quente e masculino. Inspiro contra a vontade e meu corpo reage imediatamente, um novo filete de excitação escorrendo entre minhas coxas.
— Malditos — sussurro, a voz falhando. — Vocês sabiam exatamente o que estavam fazendo.
Odeio o quanto meu corpo os reconhece. Odeio o quanto ainda os desejo depois de tudo que passei. Odeio saber que, mesmo amarrada e humilhada, uma parte traidora de mim espera que a porta se abra novamente.
E então ela se abre.
O trinco gira. Meu coração dispara tão forte que chega a doer.
Eles entram juntos, coordenados como sempre. Zion na frente, carregando uma bandeja de prata com frutas, queijos, chocolate e água gelada. Luka vem atrás com uma garrafa de vinho tinto e três copos. Elias fecha a porta e encosta-se nela, braços cruzados sobre o peito largo, observando-me com aquela intensidade silenciosa que sempre me desmonta.
Zion para aos pés da cama e sorri devagar ao me ver.
— Olha só o estado em que você está… vermelha, suada, furiosa e pingando. Dá pra sentir seu cheiro do outro lado do quarto.
Viro o rosto, recusando-me a encará-lo.
— Vai se foder, Zion.
Luka solta uma risada baixa enquanto serve o vinho.
— Já fizemos isso por anos, amor. Agora é sua vez de decidir se vai continuar se fodendo sozinha… ou se vai nos deixar ajudar.
Elias senta-se na beira da cama sem dizer nada. Sua mão grande desliza pela minha perna, subindo devagar pela parte interna da coxa até parar a poucos centímetros do meu sexo. Ele não toca. Apenas paira ali, provocando, sentindo o calor que emana de mim.
— Quanto tempo mais você aguenta, Maeve? — pergunta ele, a voz grave e calma. — Estamos em alto-mar. Ninguém vai aparecer. Nem seu pai. Nem seu orgulho. Só nós.
Puxo as cordas, sentindo lágrimas de pura frustração arderem nos olhos.
— Vocês são monstros.
Zion pega um morango maduro, morde devagar e deixa o suco escorrer pelo queixo.
— Somos — concorda, lambendo os lábios. — Mas somos seus monstros. E você, princesa, é nossa.
Luka aproxima o copo de vinho dos meus lábios. Viro o rosto com raiva. O líquido tinto derrama pelo meu queixo, escorre pelo pescoço e desliza entre meus seios.
Luka acompanha o rastro com os olhos, faminto.
— Que desperdício… — murmura, abaixando a cabeça.
Sua língua quente lambe o vinho do vale entre meus seios, devagar, deliberadamente. Arquejo, o corpo inteiro tremendo contra as cordas.
Zion se ajoelha ao lado da cama e passa a fruta gelada sobre meu mamilo direito. O contraste do frio com o calor da boca de Luka me arranca um gemido involuntário.
— Ainda quer morder? — provoca Zion, os olhos negros fixos nos meus. — Ou prefere que a gente te dê o que você realmente precisa?
Elias finalmente toca. Dois dedos grossos deslizam pela minha entrada encharcada, abrindo-me, circulando meu clitóris inchado com uma lentidão insuportável.
— Diga — ordena ele, em voz baixa e implacável. — Diga que quer a gente. Ou vamos te deixar assim a noite inteira.
Cerro os dentes, o corpo inteiro tremendo de raiva, desejo e uma vergonha profunda.
Lágrimas escorrem silenciosas pelo meu rosto.
Eu sou cativa deles.
E a jaula está apenas começando a se fechar.
Capítulo 6 — O Jantar BrancoO vestido era branco.Claro que era.Nem marfim, nem pérola, nem qualquer mentira elegante inventada para suavizar a crueldade. Branco. Liso. Escandalosamente simples. O tipo de vestido que parece inocente até tocar a pele errada.— Não vou usar isso — digo, segurando o tecido entre dois dedos, como se ele pudesse me contaminar.Luka, encostado na porta da suíte como se tivesse sido esculpido ali, ergue uma sobrancelha.— Vai, sim.— Vai me arrastar pelo corredor de novo?— Se for preciso.A resposta vem calma demais. É isso que me irrita. Zion explode. Elias cala. Luka tem o péssimo hábito de parecer razoável quando está sendo insuportável.Eu lanço o vestido na cama.— Vocês enlouqueceram de vez. Acham mesmo que eu vou descer para jantar com vocês como se isso aqui não fosse um sequestro com lustre e champanhe?— Não precisa fingir por nós — Elias diz, da poltrona perto da janela. — Só precisa não fazer Matthew pagar pelo seu pânico.O golpe acerta limpo
Capítulo 5 – Tempestade no ConvésO sol do Caribe bate forte no meu rosto enquanto caminhamos pelo convés principal. O robe de seda preta que Zion me deu mal esconde o que aconteceu nas últimas horas. Meus pulsos ainda estão marcados, vermelhos sob as mangas largas. Cada passo me lembra que estou aqui contra a minha vontade… e, ao mesmo tempo, que não tentei fugir quando tive a chance.Zion caminha ao meu lado direito, mão possessiva na minha cintura. Luka à esquerda, dedos entrelaçados nos meus. Elias vai logo atrás, como uma sombra protetora. Eles não me deixam nem meio metro de distância.— Você está quieta demais — murmura Luka, apertando minha mão. — Isso me assusta.— Estou pensando em como vou matar vocês três quando conseguir descer deste navio — respondo, sem olhar para ele.Zion ri baixo, o som vibrando contra meu corpo.— Ainda com raiva? Ótimo. Prefiro você furiosa do que fingindo indiferença.Passamos por casais e famílias que aproveitam o dia ensolarado. Algumas pessoas
Capítulo 4 – Migalhas de LuxoZion continua deslizando o morango gelado pelo meu mamilo, circulando lentamente, provocando. Elias mantém dois dedos pressionados contra minha entrada encharcada, abrindo-me, mas sem penetrar, apenas sentindo o quanto estou molhada e desesperada.— Diga — repete Elias, a voz grave e implacável. — Diga que quer a gente. Ou vamos te deixar assim a noite inteira.Eu cerro os dentes, o corpo inteiro tremendo de raiva, desejo e uma vergonha profunda. Lágrimas escorrem silenciosas pelo meu rosto.— Vocês… não podem fazer isso — sussurro, a voz falhando.Zion solta uma risada baixa e sombria.— Já fizemos, princesa. E vamos continuar fazendo até você parar de mentir pra si mesma.Elias retira os dedos devagar, deixando um vazio doloroso dentro de mim. Em vez de continuar me tocando, ele pega um pedaço de queijo da bandeja e o leva aos meus lábios. Eu hesito por um segundo, mas a fome vence. Abro a boca e aceito. O sabor salgado explode na minha língua.Luka ser
Capítulo 3 – A Espera que QueimaO tempo dentro dessa suíte se transforma em algo viscoso e cruel.Minutos se esticam como horas. Não sei mais se passaram trinta minutos ou três horas desde que a porta se fechou com aquele clique definitivo. O relógio digital na mesinha marca 23:47, mas o mar negro além das janelas panorâmicas não oferece nenhuma pista. Apenas o balanço constante do Noel Imperial me lembra que estamos em alto-mar, longe de tudo e de todos.Meus pulsos ardem contra a seda preta. A pele já está avermelhada, quente e sensível. Parei de puxar as cordas há algum tempo — cada tentativa só piora a dor e a humilhação. Agora eu apenas respiro, nua, exposta, o corpo ainda vibrando com a excitação que eles acenderam e abandonaram de propósito.O ar-condicionado sopra frio sobre minha pele úmida. Meus mamilos permanecem duros, quase doloridos, roçando no lençol de cetim a cada movimento do navio. Entre minhas pernas, a pulsação é constante, latejante e insuportável. Aperto as cox
Capítulo 2 – Fúria e SolidãoEu puxo as cordas de seda preta com toda a força que consigo reunir, sentindo-as morderem meus pulsos como dentes afiados. Meu coração bate tão forte que parece querer escapar do peito. Estou nua. Completamente exposta. Cercada pelos três homens que eu mais amo e mais odeio no mundo inteiro, e o navio balança suavemente em alto-mar, lembrando-me a cada segundo que não há escapatória.Zion está debruçado sobre mim, sua boca quente fechada ao redor do meu mamilo esquerdo, sugando com aquela fome possessiva que sempre me desmonta. Luka segura meu queixo, forçando-me a olhar para ele enquanto seus dedos deslizam pela minha coxa. Elias mantém minhas pernas abertas com uma mão firme, dois dedos grossos roçando minha entrada molhada, provocantes, torturantes.— Vocês me sequestraram — rosno, a voz rouca de sono e raiva pura. — Me drogaram. Me trouxeram pra cá como se eu fosse um brinquedo de vocês. Seus filhos da puta.Zion solta meu mamilo com um estalo molhado
Capítulo 1 – Despertar AmarradaMeus olhos se abrem devagar, pesados, como se o mundo inteiro estivesse submerso em melado escuro. A primeira coisa que sinto é o balanço suave — não o de um carro, nem de uma cama comum. É o movimento constante e profundo de algo grande cortando o mar. O cheiro de sal, madeira envernizada e luxo caro invade minhas narinas.Depois vem a dor nos pulsos.Cordas de seda preta, macias, mas implacáveis, prendem meus braços acima da cabeça, amarrados à cabeceira de uma cama king-size absurdamente luxuosa. Minhas pernas estão livres, mas o peso de um lençol de cetim mal cobre minha nudez. Alguém me despiu. Alguém me trouxe até aqui.Meu coração dispara quando a realidade me acerta como um soco no estômago.Estou em um cruzeiro. Em alto-mar. E não é por escolha própria.— Boa noite, princesa — a voz de Zion corta o ar, baixa, rouca, carregada de satisfação sombria.Ele está sentado na poltrona ao lado da cama, pernas abertas, cotovelos apoiados nos joelhos, obs







