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Capítulo 3 – A Espera que Queima

last update publish date: 2026-05-11 23:08:30

Capítulo 3 – A Espera que Queima

O tempo dentro dessa suíte se transforma em algo viscoso e cruel.

Minutos se esticam como horas. Não sei mais se passaram trinta minutos ou três horas desde que a porta se fechou com aquele clique definitivo. O relógio digital na mesinha marca 23:47, mas o mar negro além das janelas panorâmicas não oferece nenhuma pista. Apenas o balanço constante do Noel Imperial me lembra que estamos em alto-mar, longe de tudo e de todos.

Meus pulsos ardem contra a seda preta. A pele já está avermelhada, quente e sensível. Parei de puxar as cordas há algum tempo — cada tentativa só piora a dor e a humilhação. Agora eu apenas respiro, nua, exposta, o corpo ainda vibrando com a excitação que eles acenderam e abandonaram de propósito.

O ar-condicionado sopra frio sobre minha pele úmida. Meus mamilos permanecem duros, quase doloridos, roçando no lençol de cetim a cada movimento do navio. Entre minhas pernas, a pulsação é constante, latejante e insuportável. Aperto as coxas com força, mas isso só envia ondas maiores de frustração pelo meu ventre.

Eu não vou implorar.

A frase se repete na minha cabeça como um mantra inútil.

Penso em Matthew. Meu menino lindo, de onze anos, com os olhos escuros do pai e o riso fácil que consegue iluminar qualquer ambiente. Não faz ideia de que o homem que ele idolatra como “tio Zion” é, na verdade, seu pai biológico — um segredo que carrego como veneno há anos.

E se o meu pai descobrir? Se souber que estou presa aqui, nua e à mercê dos três? Se descobrir que os mesmos homens que ele tanto ameaça finalmente me capturaram? A ideia me gela por dentro. Ele usaria isso. Usaria Matthew. Usaria tudo para me destruir de vez.

Uma nova onda de raiva misturada a pânico me invade. Engulo o choro. Não vou chorar. Não vou dar essa satisfação a eles, mesmo que não estejam aqui para ver.

Meu pai surge na mente com ainda mais força, como sempre acontece nos momentos de fraqueza. As mensagens dele ainda chegam, venenosas e constantes. Frases curtas que me lembram do que ele fez — primeiro quando eu era criança, depois, adulta, naquela noite terrível após a praia. O segredo mais sombrio que nunca tive coragem de contar completamente a Zion, Luka ou Elias.

O silêncio do quarto é opressivo. Apenas o zumbido distante dos motores e o ocasional rangido do navio. O cheiro deles ainda paira no ar — uísque e couro, colônia sofisticada, algo quente e masculino. Inspiro contra a vontade e meu corpo reage imediatamente, um novo filete de excitação escorrendo entre minhas coxas.

— Malditos — sussurro, a voz falhando. — Vocês sabiam exatamente o que estavam fazendo.

Odeio o quanto meu corpo os reconhece. Odeio o quanto ainda os desejo depois de tudo que passei. Odeio saber que, mesmo amarrada e humilhada, uma parte traidora de mim espera que a porta se abra novamente.

E então ela se abre.

O trinco gira. Meu coração dispara tão forte que chega a doer.

Eles entram juntos, coordenados como sempre. Zion na frente, carregando uma bandeja de prata com frutas, queijos, chocolate e água gelada. Luka vem atrás com uma garrafa de vinho tinto e três copos. Elias fecha a porta e encosta-se nela, braços cruzados sobre o peito largo, observando-me com aquela intensidade silenciosa que sempre me desmonta.

Zion para aos pés da cama e sorri devagar ao me ver.

— Olha só o estado em que você está… vermelha, suada, furiosa e pingando. Dá pra sentir seu cheiro do outro lado do quarto.

Viro o rosto, recusando-me a encará-lo.

— Vai se foder, Zion.

Luka solta uma risada baixa enquanto serve o vinho.

— Já fizemos isso por anos, amor. Agora é sua vez de decidir se vai continuar se fodendo sozinha… ou se vai nos deixar ajudar.

Elias senta-se na beira da cama sem dizer nada. Sua mão grande desliza pela minha perna, subindo devagar pela parte interna da coxa até parar a poucos centímetros do meu sexo. Ele não toca. Apenas paira ali, provocando, sentindo o calor que emana de mim.

— Quanto tempo mais você aguenta, Maeve? — pergunta ele, a voz grave e calma. — Estamos em alto-mar. Ninguém vai aparecer. Nem seu pai. Nem seu orgulho. Só nós.

Puxo as cordas, sentindo lágrimas de pura frustração arderem nos olhos.

— Vocês são monstros.

Zion pega um morango maduro, morde devagar e deixa o suco escorrer pelo queixo.

— Somos — concorda, lambendo os lábios. — Mas somos seus monstros. E você, princesa, é nossa.

Luka aproxima o copo de vinho dos meus lábios. Viro o rosto com raiva. O líquido tinto derrama pelo meu queixo, escorre pelo pescoço e desliza entre meus seios.

Luka acompanha o rastro com os olhos, faminto.

— Que desperdício… — murmura, abaixando a cabeça.

Sua língua quente lambe o vinho do vale entre meus seios, devagar, deliberadamente. Arquejo, o corpo inteiro tremendo contra as cordas.

Zion se ajoelha ao lado da cama e passa a fruta gelada sobre meu mamilo direito. O contraste do frio com o calor da boca de Luka me arranca um gemido involuntário.

— Ainda quer morder? — provoca Zion, os olhos negros fixos nos meus. — Ou prefere que a gente te dê o que você realmente precisa?

Elias finalmente toca. Dois dedos grossos deslizam pela minha entrada encharcada, abrindo-me, circulando meu clitóris inchado com uma lentidão insuportável.

— Diga — ordena ele, em voz baixa e implacável. — Diga que quer a gente. Ou vamos te deixar assim a noite inteira.

Cerro os dentes, o corpo inteiro tremendo de raiva, desejo e uma vergonha profunda.

Lágrimas escorrem silenciosas pelo meu rosto.

Eu sou cativa deles.

E a jaula está apenas começando a se fechar.

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