INICIAR SESIÓNZion continua deslizando o morango gelado pelo meu mamilo, circulando lentamente, provocando. Elias mantém dois dedos pressionados contra minha entrada encharcada, abrindo-me, mas sem penetrar, apenas sentindo o quanto estou molhada e desesperada.
— Diga — repete Elias, a voz grave e implacável. — Diga que quer a gente. Ou vamos te deixar assim a noite inteira.
Eu cerro os dentes, o corpo inteiro tremendo de raiva, desejo e uma vergonha profunda. Lágrimas escorrem silenciosas pelo meu rosto.
— Vocês… não podem fazer isso — sussurro, a voz falhando.
Zion solta uma risada baixa e sombria.
— Já fizemos, princesa. E vamos continuar fazendo até você parar de mentir pra si mesma.
Elias retira os dedos devagar, deixando um vazio doloroso dentro de mim. Em vez de continuar me tocando, ele pega um pedaço de queijo da bandeja e o leva aos meus lábios. Eu hesito por um segundo, mas a fome vence. Abro a boca e aceito. O sabor salgado explode na minha língua.
Luka serve mais vinho, segurando o copo com paciência enquanto eu bebo pequenos goles. Zion me alimenta com morangos, um de cada vez, limpando o suco que escorre pelo meu queixo com o polegar.
Eles me alimentam em silêncio por longos minutos. Toques cuidadosos. Nenhum deles tenta me foder. Nenhum deles força nada. Eles só… cuidam de mim. Enquanto continuo amarrada. Enquanto continuo nua. Enquanto continuo completamente à mercê deles.
O contraste me desestabiliza mais do que qualquer brutalidade poderia.
— Por quê? — pergunto finalmente, a voz rouca. — Por que estão fazendo isso? Me sequestrar, me amarrar… e agora me alimentar como se eu fosse preciosa?
Elias limpa um fio de suco do meu lábio inferior com o polegar.
— Porque você é preciosa — responde ele simplesmente. — Porque passamos anos vendo você se destruir sozinha. Porque estamos cansados de te perder toda vez que chegamos perto.
Zion se senta ao meu lado na cama, traçando preguiçosamente um dedo pela curva do meu seio.
— Você mal fala da sua família. A gente sabe que o relacionamento com seus pais sempre foi ruim. Que você carrega algo pesado demais com eles. Mas você nunca nos deixou entrar de verdade.
Eu fico rígida. Eles não sabem. Graças a Deus, eles ainda não sabem da real extensão do que meu pai fez comigo.
Luka percebe minha reação e acaricia meus cabelos, tirando mechas suadas do meu rosto.
— Não precisamos saber de todos os detalhes hoje. Mas sabemos que você carrega medo. Sabemos que você foge de nós porque acha que não merece ficar. E estamos cansados disso, Maeve.
Eu respiro fundo, sentindo o peso das palavras deles. As lágrimas voltam, mais quentes.
— Vocês não entendem… — sussurro. — Não entendem o quanto eu sou quebrada. O quanto meu passado ainda me sufoca.
Zion segura meu queixo com firmeza, mas sem machucar, forçando-me a olhar para ele.
— Então nos deixa entender. Para de carregar tudo sozinha. Para de fugir. Estamos aqui, Maeve. Amarramos você porque sabemos que, se não fizéssemos isso, você desapareceria de novo assim que o navio encostasse.
Luka encosta a testa na minha, respirando contra meus lábios.
— Deixa a gente cuidar de você. Mesmo que seja só por essas sete noites. Mesmo que você ainda nos odeie amanhã.
Elias acaricia minha barriga com a palma quente da mão, como se quisesse acalmar o turbilhão dentro de mim.
— Por hoje chega — murmura ele. — Você precisa descansar. Amanhã… amanhã continuamos.
Eles não me soltam completamente. Apenas afrouxam um pouco as cordas, o suficiente para que eu consiga dobrar os braços. Zion deita atrás de mim, encaixando o corpo no meu. Elias fica na frente, puxando-me contra seu peito largo. Luka se deita do outro lado, segurando minha mão entre as dele.
Estou exausta. Dolorida. Ainda molhada. Ainda furiosa.
Mas, cercada por eles, sentindo o calor dos três corpos me protegendo, eu fecho os olhos.
— Eu ainda odeio vocês — murmuro contra o peito de Elias.
Zion ri baixinho atrás de mim, beijando minha nuca.
— Ótimo. Amanhã você pode me morder de novo.
O navio balança suavemente, embalando-nos.
E, pela primeira vez em muito tempo, mesmo amarrada, nua e prisioneira, eu me sinto… menos sozinha.
A luz do amanhecer entra suave pelas janelas panorâmicas, pintando o quarto com tons dourados e rosados. O mar Caribe brilha lá fora, calmo e indiferente ao caos dentro de mim.
Eu acordo ainda presa entre eles. Zion atrás de mim, o braço pesado sobre minha cintura. Elias na frente, meu rosto colado ao seu peito largo. Luka de lado, com uma das minhas mãos entre as dele, como se tivesse medo de eu desaparecer durante a noite.
Minha boca está seca. Meus pulsos doem. E, pior de tudo, meu corpo ainda lateja de frustração não resolvida.
Tento me mexer. Zion aperta mais a minha cintura, sem acordar completamente.
— Fica quieta — murmura ele contra minha nuca, a voz rouca de sono. — Ainda não terminamos com você.
Eu fecho os olhos com força. Parte de mim quer lutar. Parte de mim quer chorar. E uma parte cada vez maior, traiçoeira, quer apenas ficar ali, cercada pelo calor deles.
Elias acorda primeiro. Seus olhos castanho-escuros encontram os meus assim que abrem. Ele não sorri. Apenas me observa por um longo momento, como se estivesse lendo cada pensamento que passa pela minha cabeça.
— Bom dia — diz ele, baixo.
— Não tem nada de bom nisso — respondo, a voz ainda rouca.
Ele não discute. Apenas se inclina e beija minha testa, demoradamente. Um gesto tão gentil que quase dói.
Luka acorda em seguida, apertando minha mão antes de soltá-la. Zion é o último, resmungando algo sobre querer dormir mais, mas acaba se levantando mesmo assim.
Eles me soltam as cordas completamente. Meus braços caem pesados, doloridos. Eu massageio os pulsos marcados enquanto me sento na cama, puxando o lençol para cobrir o corpo. É inútil — eles já viram tudo, tocaram tudo, provocaram tudo.
Zion vai até o closet e volta com um robe de seda preto. Ele o j**a para mim.
— Vista isso. Vamos tomar café na varanda.
Eu pego o robe, surpresa. Não esperava roupas. Não esperava nada além de mais tortura.
Enquanto visto o robe, eles observam. Não com fome dessa vez, mas com algo mais perigoso: paciência.
Saímos para a varanda privada da suíte presidencial. O vento do mar é fresco, salgado. A mesa já está posta: café, frutas, ovos, pães, sucos. Tudo perfeito, luxuoso, quase surreal.
Eu me sento em uma das cadeiras. Eles se acomodam ao meu redor — Zion à minha direita, Luka à esquerda, Elias na minha frente. Como três cães de guarda.
Comemos em silêncio por alguns minutos. Depois, Luka quebra o silêncio.
— Você dormiu entre nós a noite inteira sem tentar fugir — observa ele, girando o café na xícara. — Isso é progresso.
— Eu estava exausta — rebato. — Não confunda cansaço com rendição.
Zion ri baixo.
— Ainda com a língua afiada. Bom. Prefiro você lutando do que quebrada.
Eu olho para o mar, evitando os olhos deles.
— O que vocês querem de mim, exatamente? Que eu diga que amo vocês? Que eu aceite viver com três depois dessa armação que planejaram para mim?
Elias coloca a xícara na mesa e se inclina para frente.
— Queremos que você pare de correr. Queremos que você nos deixe entrar, Maeve. Estamos nisso há anos, nesse vai e vem, e estamos cansados disso.
Eu respiro fundo. O vento bagunça meu cabelo.
— Vocês acham que é simples assim? Eu carrego coisas… coisas que vocês nem imaginam. Coisas que me fazem sentir suja. Que me fazem achar que não mereço vocês. Não mereço, Matthew. Não mereço nada disso.
Luka estende a mão e segura a minha por cima da mesa.
— Então nos conta quando estiver pronta. Não hoje. Não, amanhã. Mas um dia. Enquanto isso, deixa a gente cuidar de você. Deixa a gente te mostrar que, mesmo com tudo que você carrega, ainda te queremos inteira.
Zion se levanta, vem atrás de mim e apoia as mãos nos meus ombros, massageando devagar a tensão ali.
— Sete noites, Maeve. É tudo que pedimos. No final dessa viagem, se você ainda quiser ir embora… a gente te deixa ir. É a última chance que estamos te pedindo.
Eu fecho os olhos. O toque dele é bom. Quente. Seguro.
— Vocês são impossíveis — sussurro.
— Somos seus — responde Elias simplesmente.
Ficamos ali por um tempo, em silêncio. O sol sobe no céu. E, pela primeira vez desde que acordei amarrada, eu não sinto apenas raiva.
Sinto medo.
Medo de que eles realmente consigam me fazer ficar.
Medo de que eu queira ficar.
Quando terminamos o café, Zion me puxa para o colo dele na espreguiçadeira larga. Não força nada. Apenas me abraça contra o peito, deixando que eu apoie a cabeça em seu ombro.
Luka e Elias se sentam ao lado, um de cada lado, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
— Descansa — murmura Zion no meu cabelo. — Ainda temos muitos dias pela frente.
Eu não respondo.
Mas não me afasto.
E isso, por si só, já é uma rendição pequena. Uma rachadura na muralha que construí ao longo de onze anos.
O mar continua azul e infinito ao nosso redor.
A porta se abriu novamente horas depois.Eu não sabia quanto tempo havia se passado. O quarto não tinha janelas, apenas a luz fraca da lâmpada no teto. Meu corpo doía. O ferimento de bala pulsava embaixo do curativo improvisado, e as cordas haviam deixado meus pulsos e tornozelos em carne viva. Eu estava exausta, com sede e com uma raiva tão profunda que quase me sufocava.Margaret entrou primeiro. Atrás dela, um homem.Ele era alto, careca, com uma barriga proeminente e olhos pequenos e gananciosos. Cheirava a cigarro barato e suor velho. Vestia uma camisa social mal abotoada e calça jeans. Olhou para mim na cama como se eu fosse um pedaço de carne no açougue.— Essa é ela? — perguntou ele,
A primeira coisa que senti foi o cheiro de mofo e desinfetante barato.Depois veio a dor — uma queimadura latejante no abdômen, logo abaixo das costelas, onde a bala havia entrado. Tentei me mover, mas meus pulsos estavam presos acima da cabeça, amarrados com cordas ásperas à cabeceira de uma cama estreita. Minhas pernas também estavam abertas e amarradas nos tornozelos. Estava completamente nua. Mais uma vez.Meu coração disparou.Não. Não de novo.Abri os olhos devagar, lutando contra a tontura. O quarto era pequeno, sujo, com paredes descascadas pintadas de um bege amarelado. Uma única lâmpada pendia do teto, lançando uma luz fraca e doentia. Não era a casa dos meus
O silêncio da casa depois da morte do meu pai era ensurdecedor.Eu estava no quarto de cima, terminando de arrumar a mochila pequena que levaria comigo. Poucas roupas, o dinheiro que consegui juntar, um celular novo e o frasco quase vazio da loção envenenada — guardado como prova do que eu havia feito. Meus movimentos eram mecânicos, precisos. Não havia pressa, mas também não havia espaço para hesitação. Cada segundo que eu passava naquela casa era um segundo a mais que eu não queria viver.Olhei-me no espelho rachado pela última vez. O loiro artificial ainda me causava estranheza, mas era necessário. A mulher de cabelos negros que havia entrado neste inferno há semanas estava morta. A que sairia seria alguém nova. Alguém que havia matado seu próprio demônio.Desci as escadas devagar, a mochila pendurada no ombro. A casa estava mergulhada em um silêncio pesado, quebrado apenas pelo tique-taque distante do relógio da sala. Margaret estava na cozinha, de costas para mim, lavando a louça
O silêncio depois da morte dele é mais pesado do que eu imaginava.Fico parada ao lado da cama por vários minutos, olhando para o corpo imóvel. O peito dele não sobe mais. Os olhos estão entreabertos, fixos no teto, sem vida. A boca ligeiramente aberta, como se tivesse tentado dizer algo no último segundo. O cheiro de morte já começa a se espalhar — doce, enjoativo, definitivo.Margaret continua no chão, encolhida contra a parede, soluçando baixinho. Seus ombros tremem, mas não sai nenhum som alto. Ela aprendeu há muito tempo a chorar em silêncio.Eu respiro fundo. Uma vez. Duas. O ar entra limpo pela primeira vez em semanas.— Ele morreu — digo em voz alta, testando as palavras. Elas soam estranhas, quase irreais.Margaret levanta a cabeça devagar. O rosto dela está destruído, inchado, molhado.— O que vamos fazer? — sussurra ela, a voz rouca de tanto chorar. — A polícia… o médico… as pessoas vão perguntar.Eu me viro para ela. Meu olhar é calmo, quase sereno.— Vamos fazer o que as
O vigésimo quarto dia amanhece cinzento e pesado.O ar dentro do quarto parece denso, quase sufocante, carregado com o cheiro de morte iminente. Meu pai não acordou direito desde a madrugada. Sua respiração agora é um ruído molhado e irregular, como se os pulmões estivessem cheios de água. O peito sobe e desce em espasmos curtos, lutando por cada milímetro de ar.Eu estou sentada na poltrona ao lado da cama, as pernas cruzadas, observando-o com uma calma que me assusta. Não sinto alegria. Não sinto ódio. Apenas uma vastidão fria e vazia, como se todo o sentimento tivesse sido drenado de mim durante esses dias.Margaret está encolhida no canto do quarto, os joelhos contra o peito, balançando levemente para frente e para trás. Seus olhos estão vermelhos, inchados, sem mais lágrimas. Ela parece uma casca vazia da mulher que um dia fingiu ser minha mãe.— Ele vai morrer hoje — murmuro, sem tirar os olhos do rosto dele.Margaret não responde. Apenas balança mais forte.Meu pai solta um gem
O enterro acontece três dias depois, num cemitério pequeno e caro nos arredores da cidade. O céu está cinza, pesado, como se até o clima soubesse que não deveria haver sol num dia como este.Eu estou de preto. Vestido simples, longo, mangas compridas que escondem as marcas ainda visíveis nos pulsos. Meu cabelo loiro está preso num coque baixo e austero. Pareço exatamente o que devo parecer: a filha enlutada, devota, arrasada.Margaret está ao meu lado, vestida de viúva perfeita — véu negro, lenço na mão, soluços contidos. As pessoas que vieram (alguns antigos colegas de trabalho do meu pai, vizinhos, conhecidos distantes) murmuram condolências e olham para mim com pena.— Tão jovem para perder o pai… — ouço alguém sussurrar.Eu q







