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Apenas Uma Noite — Ano de 1986
A festa acontece em uma das maiores mansões do bairro, e estamos no auge de 1986. Nesta época, é assim: as festas dos jovens são muito alegres,cada cabelo lindo,cheio. O salão é amplo e o jardim iluminado com lâmpadas coloridas que piscam suavemente. Que ótimo! Fico muito feliz que tenha gostado 🤍 Deixo aqui a que você escolheu, bem organizada para você copiar e usar direto no seu texto: “Cresci sob o olhar severo dos meus pais, ensinada a guardar‑me como um bem precioso, sem ousar sequer pensar no que se esconde por trás do desejo. Mas há um calor que vem de dentro, uma vontade doce e assustadora ao mesmo tempo, de entregar‑me por inteiro, de conhecer o que é ser mulher de verdade, ainda que isso signifique ir contra tudo o que me foi ensinado e deixar para trás a inocência que até hoje me protegeu.” Tenho vontade de tocar em um corpo de homem, saber como é fazer sexo. Já ouvi algumas moças falar que é bom elas ficam com os homens e eles querem elas sempre. Será que é mentira que mulher usada não casa? Deve ser meias verdades. No canto da sala, dominando todo o espaço, está um aparelho de som Gradiente, enorme, com caixas acústicas altas que fazem as paredes tremerem baixinho. Tocam sucessos de Roberto Carlos, Tim Maia e até algumas músicas internacionais que todo mundo conhece de cor. Sobre a mesa, há garrafas de Guaraná Antarctica, cerveja e copos de vidro grosso, como é o costume por aqui. Eu, Gabriela Macedo, tenho vinte anos agora. Visto um vestido azul‑marinho com ombreiras largas, de tecido brilhante que está na moda, e a saia rodada que balança a cada passo que dou. Meu cabelo está bem arrumado, com bastante laquê para manter o volume, e nos pés uso um salto grosso, confortável e elegante. Sou filha de uma família tradicional e abastada — meu pai é dono de uma fábrica de tecidos que emprega muita gente na cidade — e estou acostumada a ver luxo por toda parte, mas nunca senti algo parecido com o que sinto nesta noite. É quando o vejo,eu enlouqueço, que homem! Eu vi ele chegar, agora está encostado numa coluna, um pouco afastado da multidão. Veste uma camisa de algodão clara, aberta no peito, calça de sarja reta e sapatos de couro simples, sem nenhuma marca chamativa. Não tem relógio de ouro nem acessórios caros, e o carro com que veio — um Chevette branco, modelo mais antigo — não chama atenção como os Opalas e Passats dos filhos de famílias ricas da região. Mas ele tem algo muito mais forte: um olhar firme, seguro, que analisa tudo e todos como se soubesse exatamente o que quer. E melhor é o homem mais bonito dessa festa! Ele caminha até mim sem pressa alguma. Quando para bem na minha frente, olha‑me dos pés à cabeça devagar, como se quisesse gravar cada detalhe do meu rosto e do meu corpo na memória. — Oi!vi você me olhando Você é a mulher mais bonita que já entrou nesta casa — diz ele, com uma voz grave, calma e ao mesmo tempo envolvente. — Não consigo desviar o olhar de você um segundo sequer. Sinto meu rosto esquentar todo, até a ponta das orelhas. — Obrigada ,mas eu não te olhei— respondo, tentando manter a compostura, embora meu coração já bata mais rápido. — As festas aqui são sempre assim: muita gente, muita música e conversa… —Tem certeza que não me olhou? esquece disso.Mas nenhuma festa vale a pena se não tem alguém como você para olhar — ele completa, com um sorriso pequeno, mas cheio de confiança e intenção. Conversamos por horas, longe do barulho mais alto. Ele fala com inteligência, responde a tudo com segurança, e me faz sentir ouvida e importante como ninguém nunca fez. Com o passar da noite, o clima entre nós vai ficando mais denso, mais quente, como se o ar ao nosso redor mudasse. Até que a razão fala mais alto por um instante: eu não o conheço de verdade, não sei nem direito onde mora ou o que faz da vida. — Acho melhor eu voltar para perto das minhas primas — digo, com a voz um pouco trêmula. — Não posso ficar aqui sozinha com um estranho a noite toda. Ele levanta a mão devagar, não para me segurar com força, mas para fechar o meu caminho suavemente. Naquele momento entendo claramente: ele é como um predador — paciente, atento, que não deixa escapar o que deseja. Mas logo abaixa o braço, fecha os olhos por um segundo, como se se controlasse, e me olha de novo, com um brilho intenso nos olhos. — Se você quiser ir, pode ir — diz ele, pausando ,mas olhando com medo de perder a presa ,mas fala cada palavra com calma. — Não vou forçar nada. Olho para ele e sinto uma confusão enorme dentro de mim. A minha cabeça diz “vá embora”, mas o meu corpo diz pra ficar. O seu olhar, a forma como respira perto de mim, me deixa sem fôlego.Ele não quer me deixar ir. Ele me puxa devagar para mais perto, sem pedir licença, sem olhar para os lados como se tivesse medo de ser visto. Seus olhos ficam escuros, cheios de um desejo que não esconde nem um pouco, e a mão grande dele desce firme pela minha cintura, apertando‑me contra o seu corpo sem receio. — Não adianta mais fingir, Gabriela — diz ele, com a voz grave, direta e sem nenhum embaraço. — Eu vejo o que você quer, e você também sabe o que eu quero. Não vim até aqui para ficar só olhando ou conversando. Quero você, quero sentir você, quero fazer com você tudo o que a minha vontade pede, sem ter que pedir permissão a ninguém e sem ter vergonha de querer. Chega mais perto ainda, encosta a boca bem pertinho do meu ouvido e fala com toda a naturalidade do mundo, como se estivesse só dizendo a coisa mais simples: — Vamos, não vamos perder tempo. Eu sei que você também sente esse fogo. Deixa eu te mostrar como é bom se entregar, sem medo, sem culpa, só com a vontade que nos toma os dois. Eu não tenho vergonha de querer você, e você também não precisa ter de me querer. Dou mais um passo hesitante, e ele se aproxima ainda mais, quase sussurrando no meu ouvido: — Vamos tentar mais um pouquinho, Gabriela… só mais um momento. Se depois disso ainda quiser ir, deixo você partir sem reclamar nada. Aquela voz, aquele cheiro de sabonete simples e cigarro de palha que ele usa, me desarma por completo. Assinto com a cabeça, sem conseguir falar nada. Ele me leva até um quarto vazio, no andar de cima da casa, reservado apenas para visitas. Lá, fora da vista e dos ouvidos de todos, a paixão toma conta de nós. Os beijos começam suaves, com cuidado, mas logo ficam intensos, cheios de desejo que parece estar guardado há muito tempo. Suas mãos percorrem o meu corpo com uma destreza que me faz sentir um fogo que eu não sabia que existia, um calor que sobe da barriga e toma todo o meu ser. — Não resista a mim… — ele sussurra, enquanto me aperta contra o peito forte dele. — Não consigo mais resistir,mas sou virgem — respondo, já perdida naquela sensação nova e avassaladora. Ele me olha com os olhos brilhando e um sorriso na boca__Eu vou com calma amo tirar virgindade. É uma noite de amor intensa, inesquecível. Quando o sol começa a raiar, entrando pelas frestas da janela, caio no sono profundamente, cansada mas completamente feliz, pensando que encontrei alguém que vai mudar a minha vida para sempre. Mas quando abro os olhos de novo, já mais tarde, a cama está vazia. Sento‑me depressa, o coração disparado no peito. Ele foi embora. Não há bilhete, não há recado, não há número de telefone ou endereço deixado. Saio correndo, arrumando o vestido com pressa, e pergunto a todos que ainda estão na casa: as donas, os empregados, os amigos que ainda não partiram. — O rapaz que estava comigo… alto, cabelo escuro, usa camisa clara… ele foi embora quando? — Ah, senhorita — responde um dos empregados, com calma — ele saiu bem cedo, antes das seis da manhã. Pegou o seu Chevette branco e saiu, sozinho mesmo, fumando um cigarro de palha. Fico parada ali, no meio da sala que já está sendo arrumada. Eu estou em mais lençóis,perder minha virgindade com um desconhecido brincando,o idiota se divertiu comigo,eu com meu fogo me dei mal. Fiquei parada pra ver se ele voltava e nada… ele apareceu nessa festa do nada, me fez sentir a mulher mais desejada do mundo, e desaparece como se tivesse sido apenas um sonho passageiro. Mas eu ainda não sei,vou fingir que continuo virgem, tomara que minha família não me enche a paciência.📖 Apenas Uma NoiteE fim de tarde, minha mãe, a mãe de Gabriela,a mãe de Lívia está todo vapor ajudando em cada detalhe, pra essa festa na fazenda Afinal meu sobrinho nasceu..E o ar cheirava a terra úmida, acabou de cair um pé de chuva a flores, Gabriela correu e pegou o bolo pra não estragar,ele está recém-saído do forno. Sete mês passou. Um mês de calmaria, de crescimento, de ver tudo se encaixando do jeito que devia ser. E hoje, a fazenda está em festa. Por uma vida nova que acabava de chegar.Eu estou de pé na varanda, olhando tudo, e o coração me enche de um orgulho que não cabe no Estou ajudando também junto com meu irmão Maurício estamos montando uma linda cabana porque vem muitas visitas,e hoje é festa vai transbordar.A criança nasceu é dias e dias de arruda e alegria.Como falar dessas terra… a terra nunca me traiu. Olhei os canteiros, as fileiras crescendo fortes, os pés de fruto carregados, pesados de tanto que deram. O pai de Gabriela tinha razão sobre uma coisa: a terr
📖 Apenas Uma NoiteO tempo passou, e hoje, quando eu me olho no espelho, mal reconheço a mulher que sou. Não é só a roupa, e nem o cabelo arrumado de outro jeito… é o brilho nos olhos. É a paz que carrego no peito, sem medo de ser feliz. Estamos em meados de 1993, e a vida me vestiu de um jeito bonito. Trabalho no banco do meu pai, agora com mais responsabilidades, sentada numa mesa de madeira escura, com uma janela grande que deixa o sol entrar. Uso terninhos de alfaiataria — cores sóbrias, cortes retos, elegantes. Mas não é a roupa que me faz sentir mulher. É saber que tenho um lugar, uma voz, um trabalho que eu conquistei também. Isso é alegria de qualquer mulher à frente do seu tempo. Aqui no banco do papai eu já tenho responsabilidade maior, tudo passa por minha mão, sou gerente hoje.Quando cheguei em casa, tirei os sapatos de salto, soltei o cabelo e vesti roupas leves, confortáveis. Porque aqui, na minha casa, eu não preciso de aparências. Eu só preciso ser eu. E Arthur me am
❤️📖 Apenas Uma NoiteEstou arrumando alguns consertos em casa. Trabalhei só na parte da manhã. O dia passou rápido, e quando olhei no relógio, já era hora de buscar as crianças. Guardei as ferramentas, lavei as mãos na bica da torneira e fui. Gosto de chegar antes, de ficar ali esperando, vendo elas saírem correndo, rindo, com aqueles olhinhos brilhando. Quando me viram, acenaram de longe e vieram em disparada até mim.— Pai! — gritou Carolina, pulando no meu pescoço. — Hoje eu tirei dez na prova!— Parabéns, minha princesa! — beijei a testa dela, sentindo um orgulho que não cabe no peito. — Vocês merecem um presente. Que tal um sorvete?Os olhos deles brilharam mais ainda. Fomos até a sorveteria da praça central — aquela que existe desde sempre, com os potes de vidro cheios de sabores coloridos, o cheiro de baunilha e chocolate que toma conta da rua. A sorveteria é o ponto de encontro, é lugar de família, é coisa boa. Sentei com eles numa mesa de fórmica vermelha, e as crianças esc
Apenas Uma NoiteJá estava escondendo quando chegamos em casa, o carro cheio de caixas e embrulhos, e o coração ainda mais cheio do que tudo aquilo que compramos. Olhei pra Gabriela ao meu lado — os olhos brilhando, um sorriso que não saía do rosto — e senti um peso leve no peito.Mas antes passamos na escola pegamos as crianças.Hoje a minha, consciência está tranquila não vou mais vacilar com minha família eu decidi,ser feliz e estou gostando muito de ser marido e ter esposa, porque as crianças desde da primeira vez que eu soube que tinha filhos eu gostei.A Consciência do que eu tinha feito me acusa sempre, acredito que eu tenho um Deus bom que gosta de mim,me avisa sempre o que eu preciso fazer, e do caminho que eu escolhi pra nós dois.Estamos vivendo um tempo de fartura, um tempo de cansaço tecnológico, é tempo que as pessoas estão em desespero mas a vida não precisa seguir essas diretrizes.Nada é fácil. O dinheiro não cai do céu, as coisas custam caro, e o preço de tudo sobe se
📖 Apenas Uma NoiteNo dia seguinte, acordei com uma fome, acho que felicidade dá fome. O quarto estava em silêncio, e ao meu lado, a cama estava vazia. Sentei devagar, ainda com o cheiro dele no lençol, e fui até a janela. Lá embaixo, vi Arthur encostado no carro, de braços cruzados, olhando pra frente, como se estivesse tomando uma decisão importante.Quando ele me viu, sorriu daquele jeito que me derretia toda, e acenou com a mão. Desci as escadas devagar, e quando cheguei na sala, ele estava ali, de pé, esperando.— Bom dia, meu amor — disse ele, vindo me puxar pra um abraço apertado. — Dormiu bem? Apesar de tudo…— Dormi — respondi, encostando a cabeça no peito dele. — Mas acordei pensando naquela briga, Arthur. Na forma que a sua mãe me olhava… dói, sabe? Como eu vou voltar lá?Ele segurou o meu rosto com as duas mãos, olhando firme nos meus olhos:— É por isso que eu estou aqui ainda, com um plano. Vamos arrumar isso. Vou mostrar pra você e pra todo mundo que você merece o melh
Apenas Uma NoiteAutora: Edivânia RiosTodos os direitos autorais reservados à autora citada acima. Qualquer uso parcial ou total sem autorização será considerado crime virtual e/ou de violação aos direitos autorais. LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.— Tempestade na Fazenda(Arthur não para, ele conseguiu o que queria, tanto que tentou que conseguiu, eu planejava fazer com ele aqui na fazenda,mas ele me atiçou tanto, que o desejo que eu estava sentindo por ele, não conseguir me segurar.Chegando na fazenda a mãe dele me olha com aquele olhar torto, acho que será só o começo. Mal pisamos dentro de casa, a mãe de Arthur começa,não está me deixando em paz. Fala pelas entrelinhas, fazia comentários cortantes, me olhava como se eu fosse uma praga que tinha invadido a sua casa. Disse que eu não era digna do filho dela, que eu só tinha vindo ali para tomar conta dos bens, que uma mulher com passado como o meu não merecia estar naquela terra. E foi piorando, cada palavra mais pesada,







