LOGINDepois de um tempo, o celular tocou.Era Ícaro.— Sai para beber?Arthur baixou os olhos, a voz fria:— Não.Ícaro estalou a língua do outro lado.— Você voltou do exterior faz dois meses e, desde que apareceu essa menina, eu nem vi sua cara.Ele riu, provocando:— Que foi? Agora troca amigo por mulher?— E se for?Arthur apertou os lábios, apagou o cigarro no cinzeiro e voltou àquela frieza de quem não deixava ninguém se aproximar.Mesmo pelo celular, Ícaro sentiu o gelo.— Tá bom, tá bom. Não me atrevo a reclamar.Fez uma pausa, e o tom ganhou malícia.— Mas, já que você não tem experiência no amor, deixa eu te ensinar uma coisa. Mulher não gosta de homem grudento demais.Arthur ergueu levemente a sobrancelha, enfim interessado.— É mesmo?Como se esperasse exatamente por isso, Ícaro se animou.— Claro. Quem está falando sou eu. Você acha que o rei da conquista ia te enganar?— Fala logo.Arthur franziu a testa, sem paciência.Ícaro soltou outro estalo de língua.— Então testa. Some
Esse era o ponto fraco de Larissa.A brecha por onde Ciro sempre conseguia entrar. Por mais que agora o odiasse, ela não podia apagar o fato de que, anos antes, ele salvou sua vida.O peito de Larissa doeu, amargo.Ciro percebeu sua hesitação e insistiu:— Considera isso minha última chance, Larissa. Eu te amo de verdade.Larissa inspirou fundo.O rosto continuava frio, mas a voz saiu com um cansaço que ela não conseguiu esconder.— Está bem. Se quer conversar, deixamos para depois do aniversário da Sra. Paula.— Está bem.Ciro aceitou na hora.Havia até uma ponta de alegria em sua voz, como se ele não soubesse que, naquele dia, o rompimento do noivado seria anunciado.Larissa nem quis pensar nisso.Apenas encerrou a chamada.No dia seguinte, seria o aniversário da Sra. Paula.Naquela noite, Arthur voltou cedo.Quando entrou no quarto, Larissa acabava de sair do banho. Ao vê-lo, não escondeu a surpresa.— Chegou cedo hoje. Não tinha compromisso?Ela secava os cabelos úmidos com a toalh
Na sede do Grupo Vasconcelos, no gabinete da presidência.Pedro estava diante da mesa, fazendo o relatório:— Sr. Arthur, o comunicado interno já saiu. O Sr. Ciro foi afastado do cargo de presidente executivo da filial. Quanto ao aniversário da Sra. Paula, tudo foi organizado conforme suas ordens.Ele colocou outra pasta sobre a mesa.— Diego também colaborou. Aqui estão todas as provas do que Melissa fez três anos atrás.— Bem.Arthur pegou os documentos e passou os olhos por eles.O rosto bonito estava coberto por uma frieza dura.Sem hesitar, ordenou:— Deixe tudo pronto.Pedro se assustou.— Mas, quando chegar a hora, a família Vasconcelos...Arthur ergueu os olhos.O olhar profundo caiu sobre ele, pesado e silencioso.— Não precisa se preocupar com eles.Bastou aquilo para Pedro se calar.Depois de tantos anos ao lado de Arthur, ele já se acostumou à precisão implacável do chefe no mundo dos negócios.Mas não esperava que, dessa vez, por causa da esposa, Arthur nem se importasse c
O olhar de Arthur era negro, cortante, fundo demais para revelar qualquer emoção.Só de encará-lo, Diego sentiu um frio subir pelas costas.No meio empresarial, diziam que Arthur era implacável, desses que decidiam sem hesitar e agiam sem deixar saída.Agora, diante dele, Diego entendeu que os rumores não exageravam.Aquele homem assustava.Quase como um demônio de terno.Mas, desde a noite anterior até aquela manhã, enquanto o seguia às escondidas, Diego viu outra coisa.Viu Arthur tratar a mulher de antes com uma gentileza inacreditável.Gentil demais para parecer o mesmo homem que agora o encarava.Gentil demais para combinar com qualquer história cruel que circulava sobre ele....No quarto, Larissa assistia a um dorama curto no celular e ignorava por completo os gritos vindos do andar de baixo.O homem capturado provavelmente tinha ligação com Melissa.E ela subiu justamente para não interferir na forma como Arthur escolheria resolver aquilo.Os doramas curtos andavam viciantes de
O homem preso pelo segurança tinha estatura mediana, era um pouco acima do peso e vestia bermuda preta com camiseta preta. Usava um boné escuro, e um par de óculos de sol pendia no peito.Com aquele visual, não era difícil adivinhar o ofício.Ou detetive particular.Ou paparazzi.Arthur o encarou. Um fio de frieza atravessou seus olhos negros.Larissa pareceu entender alguma coisa. Como já terminou de comer, tomou a iniciativa:— Você resolve isso. Eu vou subir.Quando Arthur virou o rosto para ela, o olhar já perdeu a dureza.— Comeu o suficiente?— Comi.Larissa assentiu de leve e se levantou.Arthur foi até ela. Havia uma ponta de sondagem em seus olhos.— Não quer saber quem é?Pelo jeito daquele homem, muito provavelmente tinha relação com Melissa.Mas Larissa realmente não se interessava.— Você vai resolver mesmo. Melhor eu subir e revisar o roteiro.Arthur observou seu rosto limpo por alguns segundos.— Tudo bem. Sobe e descansa um pouco.— Tá.Larissa assentiu, dócil, virou-se
Menina boba.Como poderia ser uma criança que ninguém queria?Alguém a amava há dez anos inteiros.Arthur ficou muito tempo em silêncio, os olhos escuros pousados no rosto adormecido de Larissa.Então se inclinou e tocou a testa dela com os lábios.Foi um beijo breve, quase sem peso.Cuidadoso.Cheio de carinho....Na manhã seguinte, Larissa acordou e percebeu que estava encolhida no abraço largo de Arthur.Suas duas mãos pequenas repousavam entre o peito dele e o dela, como as patinhas de uma gatinha que ainda buscava segurança.Os dois estavam de frente um para o outro.A perna de Larissa atravessava a dele, e sua cabeça descansava junto ao ombro e ao pescoço de Arthur. Entre os corpos, quase não restava espaço.O coração dela falhou uma batida.Logo depois, o rosto esquentou.Larissa tentou reconstruir as lembranças da noite anterior. Sentiu vergonha, mas também uma doçura quieta se espalhando por dentro.As palavras de Arthur não foram grandiosas.Mas foram gentis, sinceras, e fic
— O quê? Ficou sem voz de tanta raiva? — Melissa parou diante dela e, enfim, largou a máscara de menina doce. O que apareceu no lugar foi o que sempre esteve ali... veneno e maldade.— Você se apoiou na relação entre as famílias Moretti e Vasconcelos para forçar o Ciro a ficar cinco anos com você. S
A intenção deles era agradar Ciro. No fim, conseguiram foi comprar briga com Arthur.Larissa não aceitou aquelas desculpas.— Se pedir desculpa resolvesse tudo, nem existia polícia.O rosto de Arthur, que já estava fechado, ficou ainda mais frio.— Pelo visto, vocês andaram confortáveis demais ultim
O homem vinha num terno escuro, impecável. O rosto era frio, o olhar, cortante. A presença que carregava era tão poderosa que intimidava só de chegar.E bastou ele aparecer para o lugar inteiro entrar em alvoroço.Afinal, naquela arrecadação só havia gente de destaque formada pela Universidade de Au
Larissa não quis esconder nada.Contou a Alisa, do começo ao fim, exatamente o que tinha acontecido.Como era de se esperar, Alisa explodiu. E explodiu bonito, xingando sem a menor cerimônia.— O Ciro só pode ter levado um coice na cabeça. Fazer uma coisa dessas? Olha, para mim ele não é irmão da Me







