Mag-log inLarissa comeu qualquer coisa sem muita atenção e logo voltou aos documentos.Sentada de pernas cruzadas sobre o tapete da sala, ela deixou uma pilha alta de pastas e relatórios ocupar quase toda a mesa de centro.Alisa observou aquilo por um bom tempo até não aguentar mais.— Você pretende terminar tudo isso quando? Desde que acabou de jantar, não levantou os olhos desses papéis. Descansa um pouco.Larissa continuou folheando uma pasta.— Acabei de assumir o Grupo Moretti. Tem projeto demais que eu nem conheço. Preciso entender o que está acontecendo o quanto antes.Só então encontrou tempo para erguer o rosto e sorrir para a amiga.— Eu sei que você está preocupada comigo. Mas a situação está pegando fogo. Se eu não correr agora, depois vai ser tarde.Fechou uma pasta e, de repente, perguntou:— Quer me ajudar?Alisa arregalou os olhos e começou a balançar as mãos na mesma hora.— Eu? Só sei desfilar. Não entendo nada dessas coisas. Agora, se você precisar bater em alguém, me chama. P
Pedro pediu ao motorista que seguisse viagem. O sedã negro deslizou pela noite, levando Arthur de volta à Península de Safira.Maria preparou o jantar como de costume, mas já fazia dois dias que não via Larissa em casa.Naquela noite, ouviu a discussão entre os dois. Ouviu até a palavra divórcio.Desde então, Arthur emagreceu a olhos vistos. O humor piorou, o silêncio ficou ainda mais pesado, e ele mal tocava na comida.Maria não conseguiu continuar fingindo que não percebia.— Sr. Arthur, coma alguma coisa. Preparei um caldo para o senhor. Pelo menos prova um pouco.Arthur ergueu os olhos sem brilho.— Está bem.Foi até a mesa e se sentou.Maria quase respirou aliviada. Serviu uma tigela e colocou diante dele.A mesa estava posta com vários pratos.Havia robalo assado com ervas e legumes e frango ao molho de cogumelos, dois dos favoritos de Larissa.Até o caldo de frango com palmito pupunha e cogumelos foi preparado pensando nela.Arthur baixou os olhos para a mesa.Tomou algumas colh
Ao ver Arthur novamente, Larissa foi pega de surpresa por uma dor fina e incessante, como uma miríade de pequenas agulhas se espalhando por dentro, até tomar seu coração e engolir todos os seus sentidos.Mesmo assim, nada apareceu em seu rosto. Ela permaneceu onde estava, fria, imóvel.Arthur usava um terno escuro que quase se confundia com a noite. Havia nele aquela elegância austera que parecia impossível de apagar, não importava o lugar. A postura, a presença, o rosto de traços impecáveis... bastava aparecer para atrair olhares.Antes, Larissa podia ficar muito tempo olhando para aquele rosto.Agora, só lhe fazia mal.— O que você veio fazer aqui?A distância em sua voz era tão nítida quanto em seu olhar.Arthur atravessou o espaço entre os dois em passos largos. Pela primeira vez, a tensão em seus olhos não estava escondida.— Minha mãe foi até a empresa procurar você? Ela fez alguma coisa? Você...— Sr. Arthur.Larissa recuou antes que ele chegasse perto demais, abrindo entre os d
Larissa soltou uma risada fria.— Então deixemos isso de lado por enquanto. Ciro me drogou. Melissa mandou alguém jogar um carro contra mim. Se eu quero ver os dois atrás das grades por tudo o que fizeram, não existe injustiça nenhuma nisso.Seu olhar endureceu.— E, Beatriz, não esqueça quem a senhora é. Pare de vir aqui me dar ordens como se ainda tivesse esse direito.Larissa já não tinha vontade de desperdiçar nem mais uma palavra com ela.Beatriz, porém, ficou ainda mais transtornada.— Você... Com esse caráter, com essa crueldade toda, não é de admirar que Ciro nunca tenha amado você!O desprezo transbordou de sua voz.— E depois ainda quer reclamar do que aconteceu naquela noite? Se ninguém quis reconhecer o seu lugar, talvez devesse olhar primeiro para si mesma!Aquela noite.Só a menção bastou para abrir outra vez uma ferida que Larissa acreditou conseguir manter fechada.Ela já entendeu muita coisa. Já decidiu seguir em frente.Mesmo assim, a frase ainda encontrou exatamente
Na época, Larissa só sentiu resistência diante daquela ideia.— A empresa já tem você e o vovô. Não precisa de mim.Manuel sorriu.— Seu pai e seu avô não vão estar aqui para sempre. Lari não quer aprender a cuidar bem de tudo isso?Ela franziu o rosto, como se a simples possibilidade lhe desagradasse.— Então vocês dois cuidem de viver muito. Nunca me deixem, está bem?O olhar de Manuel se encheu de carinho. Ele passou o dedo de leve pela ponta do nariz da filha.— Está bem. Papai e vovô nunca vão deixar a Lari...No fim, foi ele quem quebrou a promessa.Entre o início da doença e sua morte, não se passaram nem três meses.Três meses.Rápido demais.Tão rápido que Larissa mal conseguiu entender o que estava acontecendo antes de tudo terminar.Uma pessoa que estava ali, viva, falando com ela, simplesmente desapareceu de sua vida.Daquele dia em diante, Larissa ficou sem pai nem mãe.Só Samuel permaneceu ao seu lado.As lembranças começaram a pesar, e ela cortou o pensamento antes que s
— Srta. Larissa. Que coincidência.Augusto se destacava mesmo no meio daquele grupo. Alto, de ombros largos, tinha uma presença difícil de ignorar.Larissa lhe ofereceu um sorriso discreto.— Bastante.Pamela era irmã mais velha dele.Depois de tudo o que aconteceu na festa de aniversário de Arthur, Augusto provavelmente sabia mais do que a maioria das pessoas ali.Os outros perceberam que os dois se conheciam, mas nem todos reconheceram Larissa.— E esta senhorita é...?Os olhares alternaram entre Augusto e Leandro.Leandro, sim, todos conheciam.Braço direito de Samuel Moretti havia anos, era ele quem aparecia em nome do presidente para resolver boa parte das questões importantes do grupo.Nos últimos dois dias, porém, os bastidores do Grupo Moretti viraram de cabeça para baixo.Samuel foi parar no hospital depois de passar mal, e nos círculos empresariais já corria a versão de que a própria neta provocou a crise. Otávio, o executivo que conduzia a operação do grupo, também acabou af
— Sr. Ciro, hoje é o dia de você e a Larissa assinarem no cartório. Você não vai mesmo? Você simplesmente não apareceu. Não tem medo de ela explodir?— Explodir? Todo mundo sabe que a Larissa vive grudada no Sr. Ciro, igual carrapato. Mesmo se ela descobrir que ele faltou por causa da Mel, ela engol
A provocação de Arthur acendeu de imediato a timidez de Larissa. Do pescoço ao rosto, tudo nela ficou vermelho. Mordendo o lábio, ela ergueu-se na ponta dos pés e beijou a bochecha dele com delicadeza, como uma borboleta tocando uma pétala.— Assim está bom?Com o beijo, já tentou se afastar.Arthur
As palavras de Larissa deixaram Samuel incrédulo. Ele confirmou mais de uma vez e, ao ter certeza, riu com ainda mais entusiasmo, a alegria evidente.— Ótimo. Casaram, então está decidido. Venham me ver com Arthur.— Claro, vovô. — Respondeu ela, com sorriso doce.Assim que desligou, a porta do quar
Por sorte, o toque do celular salvou Larissa do constrangimento.— Alô?O coração acelerou. Ela atendeu às pressas.Do outro lado, veio a voz provocadora da modelo famosa e melhor amiga, Alisa Sampaio:— Então? Minha Srta. Larissa assinou ontem. Aposto que à noite já foi aproveitar o corpo jovem e f







