FAZER LOGIN— Faz tanto tempo que eu não tomo café da manhã com o vovô Samuel. Quando o senhor acordar, eu prometo vir mais vezes. Que tal?Alisa continuou conversando com ele como se Samuel pudesse ouvi-la.Larissa observou a cena, e algo dentro dela finalmente encontrou um pouco de alívio.Ela ainda tinha o avô. Ainda tinha Alisa.Quanto a certas pessoas... Talvez só tivessem passado por sua vida.Afinal, a vida não deixava de ser uma longa viagem: em cada parada, algumas pessoas chegavam, outras iam embora. Nem todo mundo que entrava no caminho ficava até o fim....As duas só deixaram o hospital depois que anoiteceu.Ao chegarem ao apartamento, Alisa pediu comida. Quando terminaram o banho, o pedido já estava na porta.Larissa vestiu uma camiseta larga de tecido macio. Prendeu os cabelos de qualquer jeito com uma presilha, deixando o rosto completamente à mostra.Sem maquiagem, com aquela aparência limpa e despretensiosa, parecia finalmente ter se livrado de uma parte do peso dos últimos dias.
Beatriz empalideceu.— Você está... está me ameaçando? Eu sou sua mãe!— Minha mãe?Os lábios de Arthur se curvaram num sorriso frio, sem o menor traço de afeto.— Curioso. Porque, em tudo o que a senhora fez, não parece que se lembrou em momento algum de que eu sou seu filho.Sua voz permaneceu baixa, mas a raiva contida por trás dela tornava cada palavra mais opressiva.— Para impedir que eu e Larissa tornássemos nosso casamento público, o que exatamente vocês fizeram pelas minhas costas? Precisa mesmo que eu refresque sua memória?Arthur não elevou o tom.Ainda assim, a fúria que emanava dele parecia comprimir o ar no escritório.Beatriz perdeu toda a cor. Seu corpo chegou a vacilar.Então ele sabia. Sabia de tudo.Pensando bem, ela nem deveria se surpreender. Da última vez, em Santa Marina, Arthur já desmantelou um de seus planos antes que ela conseguisse levá-lo adiante.Já que não havia mais motivo para fingir, Beatriz abandonou de vez a máscara.Soltou algumas risadas frias.—
As veias saltavam no dorso da mão de Arthur.Seus dedos se fecharam com força em torno do relógio quebrado. Um fragmento de vidro entrou na pele, e o sangue surgiu quase no mesmo instante, escorrendo entre os dedos até pingar no chão.O rosto de Arthur estava tomado por um vermelho intenso, quase febril.Ele se obrigava a manter o controle, mas a tensão já escapava pelo corpo. A mandíbula cerrada, a respiração presa, as veias marcadas subindo pelo pescoço....Larissa saiu puxando a mala e pegou um táxi.No caminho, o celular tocou.Era Alisa.— Larissa, eu soube do que aconteceu ontem. Onde você está? Vou encontrar você.Nos últimos dois dias, Alisa estava fora de Aurimare por causa de uma gravação e não conseguiu voltar a tempo para a festa de aniversário.Até comprou um presente especialmente para Larissa, querendo compensar a ausência.Só não imaginava que desembarcaria e encontraria uma confusão daquele tamanho.Larissa passou a manhã inteira segurando tudo o que sentia. Mas, no i
Larissa devolveu a caixa à penteadeira. Nos olhos havia uma tristeza quieta, mas também uma decisão que já não deixava espaço para recuo.Ela baixou o olhar.— Só arrumei o que é meu. Não vou tocar no resto.O relógio que ele comprou para a mulher que amava...O anel de diamante que nunca pertenceu realmente a ela...Larissa não queria levar nada daquilo.Segurou a alça da mala e se preparou para sair.Arthur avançou e segurou seu pulso.— Vai simplesmente me deixar e ir embora?O cheiro forte de cigarro chegou até Larissa no mesmo instante.A reação veio quase por reflexo. Ela empurrou Arthur e recuou vários passos, como se precisasse colocar distância entre os dois.— Não chega perto de mim.A rejeição em seu gesto foi tão evidente que, por um instante, pareceu verdadeira aversão.Larissa ergueu os olhos, frios.— Ontem à noite foi o Sr. Arthur quem fez a própria escolha. Como isso virou eu abandonando você?A frase atingiu em cheio.Arthur apertou a mandíbula.— Eu errei ao não torn
Na manhã seguinte, o médico passou para examinar Samuel.Larissa, com os olhos inchados e avermelhados de tanto chorar, perguntou:— Quanto tempo meu avô vai demorar para acordar?Sua voz estava rouca, áspera como se a garganta tivesse sido raspada por areia.O médico assumiu uma expressão grave.— Ele continua inconsciente, mas todas as funções do organismo estão estáveis. Nesse tipo de situação, é impossível prever quando vai despertar.Fez uma breve pausa antes de continuar:— Pode acontecer em três dias, em um mês... ou até levar anos.Larissa sentiu o chão oscilar por um instante.As mãos se fecharam com força ao lado do corpo.— Por favor... façam tudo o que puderem. Eu preciso que meu avô acorde.O médico franziu as sobrancelhas, visivelmente constrangido diante de um pedido que nenhuma medicina podia prometer cumprir.— Srta. Larissa, fique tranquila. Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance.Depois que o médico saiu, Larissa permaneceu ao lado da cama.Samuel continuava
De repente, uma dor brutal se espalhou pelo peito de Larissa. Não veio como um golpe único, mas em ondas finas e incessantes, cada uma encontrando um ponto novo para ferir. As lágrimas passaram a cair ainda mais depressa, e por alguns instantes sua visão escureceu, como se o corpo estivesse prestes a desistir junto com ela.Naquela noite, Larissa chorou por muito, muito tempo.Encolhida no espaço estreito entre a porta e a parede, abraçou os próprios joelhos e ficou ali até não ter mais forças nem para chorar.Só então, exausta, acabou adormecendo naquele canto....Aquela madrugada também estava longe de ser tranquila na delegacia.Ciro, Melissa e Zelda foram levados para prestar depoimento, enquanto dezenas de jornalistas se acumulavam do lado de fora, esperando qualquer movimento.Beatriz chegou a sair de casa com advogados, decidida a resolver pessoalmente a liberação dos dois.Mas, antes que se aproximasse da delegacia, recebeu uma ligação de Rafael.— Agora todo o Grupo Vasconcel
A provocação de Arthur acendeu de imediato a timidez de Larissa. Do pescoço ao rosto, tudo nela ficou vermelho. Mordendo o lábio, ela ergueu-se na ponta dos pés e beijou a bochecha dele com delicadeza, como uma borboleta tocando uma pétala.— Assim está bom?Com o beijo, já tentou se afastar.Arthur
As palavras de Larissa deixaram Samuel incrédulo. Ele confirmou mais de uma vez e, ao ter certeza, riu com ainda mais entusiasmo, a alegria evidente.— Ótimo. Casaram, então está decidido. Venham me ver com Arthur.— Claro, vovô. — Respondeu ela, com sorriso doce.Assim que desligou, a porta do quar
Por sorte, o toque do celular salvou Larissa do constrangimento.— Alô?O coração acelerou. Ela atendeu às pressas.Do outro lado, veio a voz provocadora da modelo famosa e melhor amiga, Alisa Sampaio:— Então? Minha Srta. Larissa assinou ontem. Aposto que à noite já foi aproveitar o corpo jovem e f
Larissa ficou imóvel. O coração acelerou.Quando Arthur abaixou o rosto para beijá-la, o corpo dela tremeu, fora de controle.Ele percebeu. Parou no mesmo instante, forçando o domínio sobre o desejo que quase transbordava.— Com medo?Larissa ainda não tinha recuperado os sentidos.Arthur passou o i







