INICIAR SESIÓN— Desculpe. Fui eu quem matou nosso primeiro filho com as próprias mãos. — Ele ergueu a mão e começou a esbofetear o próprio rosto, uma vez após outra. — Desculpe, desculpe, Gabriela. Eu fui um desgraçado, um monstro... Você pode me dar mais uma chance? Eu... Eu quero compensar tudo o que fiz a você.Os últimos raios do pôr do sol atravessavam a janela e incidiam sobre a figura abatida de Francisco.Sem querer, me lembrei da primeira vez que o vi. Também tinha sido no hospital, dentro de um quarto.Naquela época, havia em seus olhos um desespero estranhamente luminoso. Ele segurou minha mão e disse:— Dra. Gabriela, está tudo bem. Mesmo que a senhora não consiga me curar, está tudo bem.Eu tinha acabado de voltar ao país depois de passar um período trabalhando em um hospital de campanha.Quando somos jovens, sempre acreditamos que confiança e força de vontade bastam para tudo.Sorri para ele e respondi:— Não. Tenho absoluta certeza de que vou curar você.O que eu jamais poderia imagin
Quando uma dor lancinante atravessou suas costas, Renata finalmente entendeu o que Gabriela quis dizer com aquelas palavras: "Henrique herdou, em certa medida, a frieza e a falta de escrúpulos do meu pai. Renata, não se deixe levar demais pelos sentimentos."Só então compreendeu por que Gabriela tinha se empenhado tanto em impedir que ela se casasse às pressas e entrasse para a família Sousa.[Renata, eu não posso impedir você de lutar pelo seu amor e pela sua felicidade. Mas há uma coisa que quero que saiba: aconteça o que acontecer, eu vou ficar ao seu lado, mesmo que a outra pessoa seja o meu próprio irmão.]Naquela época, ela foi ridícula a ponto de pensar que Gabriela a desprezava, tanto como amiga quanto como cunhada.Achou que Gabriela a rejeitava por ela ser uma órfã abandonada pelos pais, indigna de fazer parte da família Sousa.A partir daquele momento, o ressentimento criou raízes em seu coração. Renata se deixou consumir cada vez mais por aquele ressentimento, até chegar a
[Esse bebê é mesmo filho do Francisco? Leonor, diga a verdade!][E se for? Nós terminamos há muito tempo, Henrique! Não pense que pode usar o que aconteceu naquela noite para afastar o Francisco de mim!][Mas eu já fiz o teste de paternidade! Esse bebê é meu filho, Leonor. Eu já traí a minha irmã por sua causa, e agora você ainda quer que eu perca meu próprio filho?][Nós ficamos juntos por seis anos, seis anos inteiros! Leonor, você não pode ser tão cruel comigo...]Em poucas frases, toda a história de amor, ressentimento e mágoa entre os dois estava exposta.Na última cena das gravações, Henrique arrastava Leonor à força para o depósito no fim do corredor.Estavam tão envolvidos um com o outro que nem sequer ouviram o choro do bebê no quarto. Muito menos perceberam que a criança quase havia se sufocado de tanto chorar e só não morreu porque uma enfermeira que passava por ali notou a situação a tempo.Ela levou o bebê às pressas para o pronto-socorro, onde conseguiram salvá-lo por mui
[Gabriela, gestação intrauterina de duas semanas, aborto espontâneo decorrente de acidente...]Francisco fixou os olhos naquela frase.De repente, tudo pareceu girar ao seu redor, e ele quase perdeu o equilíbrio.— Minha irmã... Estava grávida? Então aquele sangue no chão era...Henrique se aproximou para ver o laudo e empalideceu no mesmo instante.Ao ouvir aquilo, Renata também ficou paralisada. Baixou os olhos para a enorme mancha de sangue vermelho-escuro, ainda úmida no chão, enquanto suas mãos começavam a tremer, sem que conseguisse controlá-las.Ela tinha acabado de... Matar uma criança inocente? E aquela mulher não era apenas sua melhor amiga, mas também a irmã do próprio marido.— Eu... Eu só perdi a cabeça porque estava desesperada. O bebê tinha desaparecido. Quem não entraria em pânico numa situação dessas? Mas, se ela estava grávida, por que não nos contou? Não, isso não pode ser verdade. Ela é médica. Uma coisa dessas não teria acontecido assim tão facilmente. Esse laudo s
No dia seguinte, assim que soube que a casa havia sido colocada à venda, Francisco voltou às pressas. Assim que chegou, me puxou bruscamente para longe das malas.— Gabriela, o que significa isso? Você vendeu a nossa casa? Ficou louca?Todas as emoções que eu vinha reprimindo finalmente explodiram. Soltei uma risada fria e, sem conseguir me conter, ergui a mão e lhe dei um tapa no rosto."Casa? Ele ainda tinha coragem de chamar aquilo de casa."— Francisco, foi divertido me fazer de idiota durante todo esse tempo?As marcas dos meus cinco dedos logo apareceram em seu rosto, mas Francisco não se irritou.Em vez disso, como sempre fazia depois de uma briga entre nós, foi o primeiro a suavizar o tom.— Terminou? Já passou a raiva? Eu admito que errei ao mentir para você. Mas foram sete anos, Gabriela. Não dá para simplesmente acabar com tudo de uma hora para outra. Eu devo a minha vida a você. Foi você quem me curou. Como eu poderia realmente trair você?Eu não queria ouvir mais nenhuma d
Em meio ao choro magoado de Leonor, Renata agarrou meu braço, furiosa.Ela me arrastou até a sala de descanso no andar de cima. Aquele lugar já havia sido o meu refúgio secreto.Como ficava perto do hospital, sempre que eu saía exausta de uma cirurgia, Francisco me levava até lá para que eu pudesse descansar um pouco.Como sabia que eu costumava me esquecer de comer quando estava ocupada, ele mesmo preparava alguns lanches e os deixava em uma bolsa térmica.Sabendo dos meus problemas na cervical, chegou a comprar uma poltrona de massagem especialmente para mim e a colocou na sala...Durante muito tempo, foram essas pequenas demonstrações de carinho que me fizeram acreditar que aquilo era amor.Agora, porém, o lugar havia se transformado em um quarto de bebê. Havia um berço, um trocador e brinquedos infantis por toda parte.Qualquer vestígio de que nós dois um dia havíamos existido ali havia sido completamente apagado.— O que ele sente por Leonor, isso sim, é amor. Quanto a você, ele a







