LOGINRoberto ainda estava com aquele sorriso brincalhão no rosto, mas, em questão de segundos, ele percebeu que o humor de Fabiano não estava nada bom. Ele imediatamente guardou o sorriso e desceu as escadas ao lado dele.Quando eles chegaram no térreo e Roberto teve certeza de que ninguém no andar de cima podia ouvir, ele baixou a voz e perguntou:— A Maia contratou um assassino. Se o Davi não tivesse entrado na frente da Ivi, ela poderia ter morrido. Você vai mesmo proteger a Maia?Fabiano acendeu um cigarro. O sangue que manchava o rosto dele já havia sido lavado. O que restava era só uma frieza dura naquele rosto fechado.Ele não respondeu nada. Ficou apenas fumando em silêncio. Depois de alguns segundos, apagou o cigarro e, com um tom enigmático, disse:— A medula óssea da Maia é muito importante para mim.Roberto ficou chocado por um instante.…Depois que Fabiano levou Ivone embora do condomínio Vila Imperial, a família Braga mandou cercar o lugar com seguranças. Com o poder da famíl
Quinze dias para ele deixá-la ir embora...Ivone agarrou com força o lençol sob si, como se fosse uma náufraga se segurando na última corda de salvação.Ela quis fingir que não tinha ouvido, quis simplesmente ignorar as palavras de Fabiano. Mas a frase dele ficou rodando em sua mente, enrolando-se nos pensamentos, até que ela não conseguiu mais afastá-la, e junto, veio a lembrança da ameaça dele.A voz dela saiu com uma mistura de cansaço e resistência:— Você vai me manter em cárcere privado?No primeiro dia do ano, quando tinha sido levada até ali, Fabiano ainda não tinha tomado o celular dela, ainda tinha levado ela para comer fora, dando uma certa liberdade. Mas agora, daquele jeito, sem permitir qualquer contato com o mundo exterior, aquilo não era outra coisa além de prisão.— O condomínio Vida Doce tem o tamanho de trinta quadras oficiais de basquete. Dá para você se movimentar à vontade. — Fabiano olhou para o volume que o corpo dela formava debaixo do cobertor, que enrijeceu p
Até aquele dia, Ivone ainda lembrava perfeitamente de como se sentira naquele momento.Ivone puxou a mão de volta de repente, jogou o cobertor para o lado e desceu da cama.Ela estava descalça, e as solas dos pés batiam no piso de madeira, fazendo um som seco. Enquanto caminhava até a porta, ela segurou a maçaneta e tentou girá-la para baixo, mas a maçaneta não se mexeu nem um milímetro.Ela entendeu imediatamente que havia alguém do lado de fora.No condomínio Vida Doce, havia uma pessoa que bastava um olhar de Fabiano para que agisse perfeitamente em sintonia com ele, como se fossem parceiros de guerra de longa data.Era Rui do lado de fora.No entanto, quando ela virou a cabeça na direção da janela, Fabiano já se aproximara sem que ela percebesse. Ele encostou uma mão nas costas dela e, ao mesmo tempo, abaixou-se e passou o outro braço por baixo dos joelhos dela, erguendo-a no colo e colocando-a de volta na cama.Ele se inclinou sobre ela, apoiando as duas mãos de cada lado do corpo
Uma mão forte pressionou o pulso dela contra o travesseiro. O corpo de Ivone perdeu o equilíbrio e caiu de volta sobre o travesseiro.Ela ergueu o olhar e encontrou os olhos sombrios de Fabiano. Ali dentro, uma escuridão densa se movia como nuvens de tempestade. Na lateral esquerda do rosto, ele ainda tinha manchas do sangue escuro dela, e toda a sua presença exalava uma obsessão tão intensa quanto perigosa.A voz dele saiu rouca e baixa:— Vou passar o remédio primeiro.Ivone puxou o braço com força, mas não conseguiu soltar o pulso. Ela levantou a perna para chutar Fabiano, mas ele segurou a coxa dela com a outra mão.Naquela posição, o corpo dele se inclinou sobre o dela, encurralando Ivone. Os ombros largos bloquearam metade da luz. As feições dele, contra a claridade, pareceram ainda mais profundas e sombrias.Ele repetiu, com a voz grave:— Primeiro o remédio.— Você teve coragem de atirar em mim, então não vem fingir que quer passar remédio! — Os olhos de Ivone continuavam verme
O canto do olho de Fabiano alcançou Maia, que a empregada tinha acabado de levantar do chão e colocado de volta na cadeira de rodas. A voz dele saiu gelada:— Leve-a para dentro. Sem a minha ordem, Maia não dá um passo para fora dessa porta.Ele segurou Ivone pela cintura com força e a arrastou para fora do condomínio Vila Imperial.No carro, Ivone se debatia com violência. Depois de alguns segundos de luta, tudo escureceu diante dos olhos dela. A consciência começou a se apagar, e o corpo dela amoleceu. As lágrimas que antes teimavam em não cair finalmente escorreram pelos cantos dos olhos, formando fios contínuos.Fabiano usou o braço rígido para apertar o corpo magro dela contra o peito.Ele abraçou os ombros dela com uma mão, fazendo com que a cabeça dela repousasse contra o peito dele. Com a outra mão, ele segurou a mão direita dela, toda suja de sangue. Os olhos escuros dele carregavam um brilho sombrio e gélido.O carro saiu em alta velocidade do condomínio Vila Imperial e segui
Tudo aconteceu em 0,1 segundo. Ninguém conseguiu reagir a tempo. Até Ivone só se deu conta depois, quando ela viu o sangue brotar da abertura na pele entre o polegar e o indicador, e sentiu todo o braço formigando e rígido.Ela não sentia dor. Nos olhos dela, existia apenas o vermelho intenso do próprio sangue. Gota após gota caiu nas frestas dos ladrilhos do jardim e se infiltrou na terra.Era pleno dia, mas o céu parecia ainda mais escuro do que antes. Uma sombra densa desceu do beiral da casa e cobriu o corpo de Ivone. Ela sentiu um frio cortar até o osso.Ela virou o rosto e olhou para o homem que segurava a arma, com o olhar gelado e os lábios duros, firmemente cerrados. Aos poucos, ela sentiu um começo de dor, mas não vinha da mão ferida.Aquele homem que, um dia, tinha puxado o gatilho para salvá‑la das mãos de um criminoso… agora tinha atirado nela. Só porque ela tinha tentado atacar Maia.Quando Fabiano viu o brilho de lágrimas surgir nos olhos dela, o rosto dele ficou ainda m







