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Capítulo 6

Autor: Pink Whisky
Foi essa mesma Ivone que teve a ousadia de arruinar o negócio dele. Um único artigo, afiado como lâmina, publicado pela Ivone na internet, bastou para causar um escândalo. O bar em que Gabriel tinha investido mais de meio ano de esforço acabou sendo fechado pelas autoridades.

Ele já queria acertar as contas com ela havia muito tempo. Naquele dia, o plano dele era simples: mandar darem uma surra nela, depois mandar que a estuprassem em grupo, registrar tudo em fotos e vídeos e usar o material para mantê‑la sob ameaça pelo resto da vida. Mas, para azar dele, ou sorte dela, Ivone tinha escapado por pouco.

E agora, inacreditavelmente, ela tinha ido sozinha até ele.

— Você tem mesmo é vontade de morrer, né? — Rosnou Gabriel.

Ele pegou a toalha que o segurança ofereceu e apertou contra o corte na cabeça. Aquela vadia tinha tido a coragem de acertar uma garrafa na cara dele.

Por pouco ele não tinha levado o impacto todo da segunda garrafada e ele tinha conseguido se virar um pouco e o golpe não foi tão profundo. Ainda assim, o talho era grande, o sangue descia sem parar, e a humilhação de sangrar daquele jeito na frente de todo mundo queimava mais que o ferimento. De um jeito ou de outro, ele tinha decidido: naquela noite, Ivone não sairia dali inteira.

Gabriel se inclinou até quase encostar o rosto no dela, um sorriso torto se abrindo na expressão deformada:

— Não acha que a sorte vai bater na sua porta toda vez, né? Ainda quer me processar?

No dia em que mandou espancarem Ivone, Gabriel tinha escolhido de propósito a data da chegada da irmã ao país. Ele já tinha calculado o pior cenário: se Fabiano descobrisse tudo depois, ele ainda poderia se abrigar atrás do prestígio da irmã.

O que ele não antecipou foi Ivone ir à polícia. Quando a investigação chegou até ele, Fabiano de fato entrou em cena para protegê‑lo. Ficou óbvio, para Gabriel, que Ivone não valia absolutamente nada aos olhos de Fabiano. Que tipo de marido ficaria parado sem reagir enquanto a própria esposa apanhava?

Se havia alguma dúvida, aquilo deixava claro o quanto Fabiano desprezava Ivone.

— Basta a minha irmã dizer uma palavra que o Fabiano me cobre de proteção. E ele sente pelo menos um pingo de pena de você? Ivone, isso é o troco pelo que aconteceu há três anos, quando você roubou o namorado da minha irmã. — Disparou Gabriel.

O rosto de Ivone enrijeceu por um instante.

Ao perceber o impacto, Gabriel mostrou os dentes num sorriso cruel. — Você vai se arrepender do que fez hoje.

Ivone sentiu o peito latejar. O olhar dela, no entanto, era o de quem olhava para um lixo no chão. — Se eu sinto algum arrependimento, é só de não ter batido com mais força. Devia ter te matado ali mesmo, assim você não teria fôlego pra ficar latindo aqui.

— Filha da puta! — O sorriso sumiu do rosto de Gabriel. Ele explodiu. — Peguem ela. Segurem essa desgraçada e arranquem as calças dela! Hoje eu acabo com a vida dessa mulher! Tá quase morrendo e ainda faz pose!

As garrafas sobre a mesa estavam todas espalhadas. Gabriel pegou uma delas e quebrou a base com um golpe na quina. Os cacos afiados refletiram a luz com um brilho frio e ameaçador.

Ao sinal de Gabriel, dois homens se jogaram pra frente, ansiosos para mostrar serviço e imobilizar Ivone.

Pelo som das risadas, Ivone reconheceu na hora: eram dois dos mesmos que tinham espancado ela na outra noite. Melhor assim. Assim ela não precisava perder tempo caçando um por um depois.

No segundo em que eles se aproximaram, Ivone enfiou a mão no bolso e puxou uma faca de molas. Ela mergulhou a lâmina direto na coxa de um dos homens.

— Ah! — O grito rasgou o som e fez metade do salão gelar.

Um deles caiu de joelhos, urrando de dor. O outro, sem entender o que tinha acontecido, só viu um clarão no canto do olho. Ivone ergueu a perna direita e acertou a lateral da coxa dele com a ponta do salto.

Na mesma hora, uma dor lancinante explodiu na perna do homem. Ele também foi ao chão, gritando, as mãos agarradas ao local do impacto.

Com a faca ainda suja de sangue na mão, Ivone observou os dois, ajoelhados e chorando de dor, com um olhar de puro gelo. Ela não se importou em descobrir qual deles tinha sido o responsável pelos chutes que quase quebraram a perna dela. Quebrar as pernas dos dois, para ela, era pouco.

Naquela noite, ela tinha sido pega desprevenida, atacada pelas costas. Eles tinham achado que, por ser repórter, ela não teria qualquer preparo físico, que seria presa fácil.

Davi, no entanto, tinha insistido para que ela fizesse aulas com profissionais e aprendesse técnicas de defesa pessoal. Ela tinha largado um pouco os treinos depois da gravidez, por isso estava enferrujada. Mas, em uma emergência, ainda dava conta.

Ela tinha certeza de uma coisa: se Davi Braga soubesse que ela tinha sido espancada, ele largaria as gravações no ato e voltaria voando pra defendê‑la. E a última coisa que ela queria era que Davi a visse como alguém incapaz de se vingar sozinha.

— Vão todos pra cima dela! — Gabriel berrou, ao ver os dois capangas no chão. O rosto dele estava roxo de raiva. — Vocês servem pra quê? Nem conseguem derrubar uma mulher?

Havia pelo menos uns dez seguranças à disposição de Gabriel. Quando eles começaram a avançar, Ivone recuou rapidamente.

Eles eram profissionais, treinados. Ela, mesmo com noções de autodefesa, não tinha como competir na força bruta. Em vez de tentar bancar a heroína, ela olhou, num relance rápido, para o caminho por onde tinha entrado.

Ali ainda era o território de Gabriel. Ivone tinha entrado na toca do lobo, e ela sabia que não podia ter vindo sem preparação.

Mas por que os seguranças que ela tinha contratado com a empresa de segurança não tinham aparecido?

Ela tinha organizado tudo com antecedência, nos mínimos detalhes. Não era uma situação em que cabia erro. Onde tinha dado problema?

Enquanto Ivone era cercada, um dos seguranças veio por trás, em silêncio, e prendeu os dois braços dela.

O rosto de Gabriel, manchado de sangue, se aproximou bruscamente. Ele apertou o pescoço de Ivone com força:

— Você é bem selvagem, hein, Ivone? Quero ver até onde você aguenta bancar a fera hoje à noite!

Gabriel não estava poupando força. Ele não dava a menor brecha para que ela respirasse. O rosto de Ivone já estava mudando de cor, mas ela não soltou um gemido. O olhar que ela lançou para ele continuava o mesmo como se olhasse para um lixo qualquer.

— Tá pedindo pra morrer! — Gabriel perdeu o controle.

— Solta ela! — A voz de uma mulher cortou o barulho ao redor.

A mão que apertava o pescoço de Ivone parou no ar.

— Mana… o que você tá fazendo aqui? — Gabriel virou irritado, querendo argumentar, mas, quando viu claramente quem estava chegando, não foi a irmã que chamou mais atenção.

A primeira figura que ele reconheceu foi a do homem frio que ficava, calmamente, ao lado da cadeira de rodas: Fabiano.

Quando o olhar de Gabriel se cruzou com aqueles olhos escuros como um abismo, ele sentiu um arrepio percorrer o couro cabeludo. O que diabos Fabiano estava fazendo ali?

O olhar de Ivone passou por cima do ombro de Gabriel. No instante em que ela viu Fabiano, o sangue sumiu do rosto. Ela encarou aquele rosto, incrédula, e tudo se encaixou na cabeça dela de uma vez só.

Os homens que ela tinha colocado de prontidão na porta do clube tinham sido neutralizados por Fabiano. Para garantir que nada estragasse a festa do irmão da mulher que ele amava, ele tinha ido longe. Muito longe.

Os olhos de Ivone se encheram de vermelho, e um sorriso torto, impossível de decifrar, surgiu no canto da boca. Ela olhou para Gabriel, que ainda estava distraído, e, tomada por uma onda de ódio, arrancou os braços do aperto do segurança e o empurrou com um chute.

Na sequência, Ivone avançou, montou sobre Gabriel, agarrou um caco de garrafa do chão e mirou a cabeça dele. Os olhos dela estavam completamente vermelhos.

A garrafa se quebrou de novo contra a testa de Gabriel, espalhando estilhaços. Quem estava por perto levou cortes leves e recuou gritando. Ninguém teve tempo de impedir. Até os seguranças demoraram a reagir.

Naquele instante, Ivone parecia ter deixado de ser humana. Ela se parecia mais com um demônio que tivesse escapado do inferno para cobrar uma dívida de sangue.

Estendido no chão, Gabriel já mal entendia o que estava acontecendo. Depois das garrafadas sucessivas, a consciência dele foi se desfazendo. A boca se mexia, soltando sons embolados, algo entre pedido de socorro e xingamento.

Ivone, porém, não dava o menor sinal de que pretendia parar. Ela virou a mão, segurando com firmeza um canivete de mola. Com a outra mão, ela agarrou a gola da camisa dele e ergueu a lâmina, pronta para descer. O movimento foi seco, decidido, sem vacilo para qualquer um que estivesse vendo, era claro que ela pretendia matar Gabriel.

Uma mão segurou o pulso dela de repente. A força era tão grande que Ivone não teve nem chance de resistir. O pulso perdeu o apoio, e a faca caiu no chão com um estalo metálico.

Rui franziu o cenho.

— Senhora. — Chamou ele.

Até mesmo Rui, acostumado a lidar com situações críticas, sentiu um calafrio diante daquela versão de Ivone.

Ela estava ajoelhada no chão. Pelo canto do olho, ela viu a mão de Rui se afastar e, em seguida, se abaixar para pegar o canivete. Rui era o segurança pessoal de Fabiano, o homem que só respondia às ordens dele.

— Ah, entendi. — A voz de Ivone saiu baixa, com uma risada rouca. — Quando o Gabriel manda me espancar quase até a morte, ninguém acha problema nenhum. Mas, se eu resolvo querer a vida dele, de repente eu preciso da permissão de vocês?

Um dos estilhaços da garrafa tinha passado de raspão no rosto dela. O sangue escorria pela lateral, manchando metade da face.

Rui congelou por um segundo, como se uma peça tivesse se encaixado de repente. O coração dele deu um salto, e o olhar voou, por reflexo, até Fabiano, que observava tudo a poucos metros dali.
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