LOGINNaquela noite, o carro de Maia e o de Fabiano seguiam na direção do restaurante. Só que, na bifurcação, o carro dela continuou pela rota previamente planejada, enquanto Fabiano dobrou à direita.Ela imediatamente ligou para ele para avisar:— Fabiano, o seu carro entrou na direção errada.Fabiano respondeu, com frieza incomum:— Tem um carro atrás de mim. Uíge está perigoso ultimamente. Volta para casa cedo.Antes que ela pudesse argumentar, ele desligou o celular.Maia não se conformou e olhou para trás. De fato, havia outro carro seguindo de perto o de Fabiano, tomando a direção oposta.Os dois carros estavam muito rápidos. Em poucos segundos, já não podiam ser vistos mais.Sem conseguir jantar, Maia foi obrigada a voltar para o condomínio Vila Imperial. Para a surpresa dela, ao saber mais tarde, Fabiano havia conseguido despistar o carro perseguidor e jantado com Ivone na Vila Jardim.Raivosa, depois de desligar na cara de Carlos, ela conseguiu o contato do gerente de Vila Jardim e
Ivone rapidamente digitou uma mensagem: [Não é nada sério. Faz o que você tem que fazer, eu me viro sozinha.]Alguns segundos depois, chegou a resposta seca de Cássio: [Tá bom.]Depois de guardar o celular, Ivone abriu a torneira. A água morna escorreu por entre os dedos dela, e o fluxo constante começou a acalmá-la aos poucos.Era Natal, e o fluxo de pessoas entrando e saindo de Uíge estava várias vezes maior do que o normal. Ivone não tinha certeza se os homens de Douglas já poderiam estar infiltrados na movimentação da cidade. Pelo que ela via, o condomínio Vida Doce ainda era o lugar mais seguro para ficar antes de sair de Uíge.Ela nunca ousava adivinhar as intenções de Fabiano, muito menos conseguia entender o motivo de ele insistir em mantê-la confinada no Vida Doce.Quando voltou ao salão do restaurante, o olhar profundo e penetrante de Fabiano encontrou o dela. Ivone desviou o rosto com rapidez e disse:— Eu já comi. Quero voltar para dormir.O olhar de Fabiano continuava calm
No escuro, as respirações de ambos se tornaram mais audíveis, misturando-se no ar como se fossem dois corpos entrelaçados.Se uma pergunta como aquela fosse dita entre casais comuns ou amantes, seria carregada de afeto sincero.No entanto, quando saía da boca de Fabiano, não continha o menor traço de calor. Ele e Ivone não eram amantes, muito menos um casal comum.Ivone sentiu um aperto no peito e disse:— Eu não consegui comer.Assim que terminou de falar, o homem apenas murmurou de forma indiferente e colocou a mão por debaixo da blusa dela, tocando seu abdômen.As pontas dos dedos ásperos e quentes dele roçaram na pele delicada dela, provocando um arrepio que percorreu involuntariamente todo o corpo de Ivone.Ela imediatamente segurou a mão dele e tentou afastá-la.Fabiano apertou ainda mais o braço em volta da cintura dela. Com a voz rouca e um tom seco, ele disse:— Eu vou te levar para comer fora....A Vila Jardim era o restaurante mais famoso de Uíge. Em dias comuns, conseguir
Maia chegou a levantar a mão, mostrando que ia falar algo, mas Fabiano foi mais rápido:— Tia Dulce, leve Ivone para dentro.Antes de se virar, ele completou com um tom grave:— Depois do jantar, alguém vai te contar as notícias de Davi.Ivone ficou olhando, impotente, enquanto eles se afastavam e entravam em dois carros diferentes. Ivone não conseguia entender o que Fabiano queria ao mantê-la praticamente presa dentro daquela casa.Mas, ao menos, Fabiano era o tipo de homem que cumpria o que dizia. Quando Ivone terminou de jantar, Rui entrou na sala e avisou:— Senhora, Davi está sendo mantido em casa pelo tio dele, na família Braga. No momento, ele está seguro.— Tio dele?Ivone lembrou que a última vez que ela tinha visto o segundo tio de Davi tinha sido no leilão do Hotel Future Sea.— A família Braga está em guerra interna. Como você sabe disso com tantos detalhes? — Ivone perguntou, seus olhos fixos em Rui, carregando um brilho inquisitivo.Rui respondeu de forma evasiva:— Foi o
Só quando Ivone comeu um filé grande de peixe até o fim, Ivone engoliu a última garfada e encarou Fabiano sem piscar.Fabiano falou com a voz baixa:— Ele ainda está vivo.O coração de Ivone deu um pulo. Ivone se controlou para não virar a mesa. Ivone sabia que, se continuasse perguntando daquele jeito, não tiraria nada dele. Então Ivone pegou o celular e tentou ligar novamente para Davi. Mais uma vez, ninguém atendeu.Ivone se levantou e saiu da sala de jantar.Fabiano continuou sentado à mesa, olhando Ivone pelas costas enquanto ela deixava o cômodo. Em silêncio, Fabiano pousou a faca e o garfo.Dulce olhou para a mesa quase intacta e para os dois que tinham saído, e Dulce teve a impressão incômoda de que o patrão só queria um almoço tranquilo com a esposa. Mas, com os dois naquele estado, a situação era insuportavelmente tensa.Ivone não conseguia sair do condomínio Vida Doce. Ivone também não conseguia nenhuma notícia de Davi. Não importava quantas ligações Ivone fizesse, Davi nunc
Fabiano soltou um gemido abafado quando Ivone mordeu a língua dele. O gosto de sangue se espalhou na mesma hora pela boca dos dois.Ela achou que ele finalmente fosse soltá‑la, mas, ao contrário, ele ficou ainda mais intenso, aprofundando o beijo até o corpo dela ficar mole, sem forças para lutar.— Para de pensar em ir embora de Uíge. — A voz dele saiu baixa, perto do ouvido dela. — Ivone, você não consegue viver longe de mim.— Na sua cabeça, eu sou o quê, afinal? — Ivone fechou os olhos, tomada de dor.— A mesma coisa de antes. Nada mudou.Fabiano respondeu com indiferença. Ele passou o polegar áspero pelo canto do olho dela, enxugando as lágrimas, e em seguida pegou ela no colo, tirando‑a da cama e saindo do quarto.Quando chegou no andar de baixo, Fabiano colocou Ivone no carro. Assim que ela sentou, ela se lançou na direção da outra porta para tentar descer.Mas, no instante em que a mão dela tocou a maçaneta, Fabiano a puxou de volta.O corpo dela caiu contra o peito dele. O bra







