Mag-log inA manhã seguinte parecia relativamente calma até o salto alto de verniz vermelho ecoar pelo corredor do 40º andar.
Eu estava organizado a agenda de Bernardo no tablet quando a porta da recepção privativa se abriu sem cerimônia. Uma mulher impecavelmente vestida em um vestido ajustado de grife entrou, exalando um perfume doce demais que impregnou o ar em segundos. Era Paola, herdeira de uma multinacional de cosméticos e uma das "pretendentes" que a imprensa vivia associando ao CEO.
— Bernardo está? — perguntou ela, sem sequer olhar para mim. Ela passou direto pela minha mesa, caminhando em direção à sala da presidência como se fosse a dona do lugar.
— Com licença, senhora — interpus-me rapidamente, colocando-me entre ela e a porta. Curvei os ombros levemente, mantendo a postura submissa e a voz doce do universitário inofensivo. — O Sr. Bernardo está em uma reunião virtual importante e pediu para não ser interrompido. Se quiser deixar um recado...
Paola finalmente parou e me olhou de cima a baixo, com um franzir de nariz enojado ao notar meu moletom largo cinza e meus cabelos escuros desalinhados.
— E você quem é? O garoto do lixo? — debochou ela, cruzando os braços e dando um passo ostensivo na minha direção. — Saia da minha frente antes que eu peça para o Bernardo colocar você no olho da rua. Eu não preciso de agendamento.
Antes que eu precisasse fingir que estava prestes a chorar, a porta de madeira pesada da sala se abriu. Bernardo apareceu no portal, impecável em seu terno escuro, a expressão de puro tédio e arrogância estampada no rosto.
— Que barulheira é essa na minha porta? — a voz dele ressoou, grave e imperiosa.
— Bernardo, querido! — Paola mudou de tom instantaneamente, exibindo um sorriso radiante e tentando deslizar as mãos pelo peito do terno dele. — Esse garoto sem noção tentou me barrar! Você precisa rever o nível dos seus funcionários...
Para a surpresa dela, Bernardo não retribuiu o abraço. Em vez disso, segurou com firmeza o pulso de Paola e a afastou com uma frieza cirúrgica.
— Lucca está apenas fazendo o trabalho dele, Paola — disse o CEO, a voz gélida. — E ele fez correto. Eu não atendo visitas sem aviso prévio.
— Mas nós tínhamos combinado de almoçar! — protestou ela, os lábios desenhados em um biquinho irritado. Ela se aproximou de novo, colando o corpo no dele de forma vulgar, passando os dedos na gola da camisa dele. — Achei que poderíamos discutir a renovação do contrato de patrocínio... em um lugar mais reservado.
Observando a cena de canto, li a reação corporal de Bernardo num piscar de olhos. A mandíbula dele travou, a respiração ficou curta por pura irritação e o vinco entre suas sobrancelhas denunciava que ele estava a um segundo de expulsá-la aos gritos.
Foi quando os olhos escuros dele encontraram os meus.
Um brilho provocativo e perigoso cruzou o olhar do CEO. Um sorriso lento e arrogante surgiu em seus lábios.
— Na verdade, Paola... meu dia está completamente lotado — disse Bernardo, a voz aveludada, sem tirar os olhos de mim. Em seguida, ele fez um sinal com a mão. — Lucca, venha cá.
Ajustei a barra do meu moletom enorme, engoli em seco para manter a fachada tímida e caminhei até eles com passos hesitantes.
— S-Sim, Sr. Bernardo?
— Minha agenda da tarde, por favor — pediu ele, a voz num tom terrivelmente suave.
Aproximei-me para mostrar a tela do tablet. Para fazer isso, tive que ficar muito perto dele. O aroma intenso de madeira e especiarias do perfume de Bernardo envolveu meus sentidos imediatamente.
Sem que Paola percebesse, a mão livre de Bernardo desceu devagar e pousou na minha cintura por trás. Suas finas e fortes cordas de dedos se fecharam com firmeza sobre o tecido grosso do meu moletom, puxando meu corpo sutilmente contra o dele.
O impacto elétrico foi instantâneo. Meu coração deu um salto no peito. A força do toque dele na minha cintura era puramente possessiva e dominadora.
— Como pode ver, Paola — Bernardo continuou, mantendo a voz calma enquanto a mão dele no meu quadril exercia uma pressão deliciosa, me mantendo preso ao seu lado —, meu assistente pessoal organizou compromissos inadiáveis para o resto do dia. Você terá que remarcar com a secretária geral.
Paola olhou para mim, depois para a proximidade física absurda entre mim e o CEO. O rosto dela queimou de raiva e humilhação.
— Você está me dispensando... por causa do trabalho dele? — ela sibilou, ultrajada.
— Estou dispensando você porque meu tempo é valioso — corrigiu Bernardo, frio como gelo. — Tenha um bom dia.
Sem esperar resposta, ele me girou pelo quadril para dentro da sala e bateu a porta na cara da mulher, trancando-a com um clique ecoante.
O silêncio que se seguiu na sala da presidência era pesado, quase denso. A presença de Paola havia evaporado, mas a eletricidade entre nós dois atingiu um nível ensurdecedor.
Bernardo não soltou minha cintura. Pelo contrário, ele nos prensou contra a madeira sólida da porta fechada. O corpo alto e quente dele se colou ao meu.
— O que foi aquilo, senhor? — perguntei, a voz saindo um pouco mais falhada e rouca do que eu pretendia, tentando manter o tom tímido enquanto meus olhos verdes subiam para os dele.
— Ela é uma chata — murmurou Bernardo, aproximando o rosto do meu. A arrogância no olhar dele tinha dado lugar a uma fome crua e mal disfarçada. — E você... você serve como uma excelente desculpa.
A mão dele na minha cintura subiu lentamente pelas minhas costas sob o pano largo do moletom, os dedos roçando a pele nua da minha cintura por cima da barra da regata. O toque dos dedos frios dele na minha pele quente fez um arrepio violento percorrer minha espinha.
Quando a mão dele subiu mais, a ponta dos seus dedos encontrou o relevo denso de uma cicatriz rasgada nas minhas costelas. Bernardo congelou por um milésimo de segundo, contornando a marca com o polegar.
— Roupas largas demais... cicatrizes na pele... um olhar que lê cada movimento meu — Bernardo sussurrou, a respiração quente batendo diretamente na minha boca, a milímetros de me beijar. — Quem é você de verdade, Lucca?
A tensão sexual era tão palpável que ardia no ar. Por um segundo, a chave na minha mente quase virou. O "Limpador nº 1" esteve a um passo de dominar aquele homem arrogante, puxá-lo pelo colar do terno e mostrar exatamente do que aquele corpo cheio de cicatrizes era capaz.
Mas mantive o controle. Em vez disso, entreabracei os lábios, olhando para a boca dele com uma mistura impecável de timidez e desejo manifesto.
— Apenas o seu assistente, Sr. Bernardo... — murmurei baixo, abaixando os olhos para a gola da camisa dele. — ...a menos que o senhor queira que eu seja outra coisa.
Bernardo soltou um rosnado baixo, a dominação no seu olhar explodindo. Ele segurou meu queixo com firmeza, erguendo meu rosto, e a distância entre nossos lábios colapsou completamente.
Seis meses se passaram desde a noite no bunker da baía. O submundo, despojado das peças que mantinham suas engrenagens de medo funcionando, silenciou. Para a Sombra Vermelha e para a Máfia Mãe, o nome do "Limpador nº 1" tornou-se uma lenda encerrada, um arquivo definitivamente arquivado.A manhã de domingo nasceu ensolarada sobre Tóquio. A luz dourava a varanda do duplex de Bernardo, onde o cheiro de café fresco e torradas quentes misturava-se à brisa suave.Bernardo estava sentado à mesa de centro, vestindo apenas uma calça de algodão e a camisa social branca desabotoada, os cabelos escuros caindo suavemente sobre a testa. Em seu colo, o tablet de última geração exibia o esboço de um novo projeto de mangá — não mais uma história sombria e violenta sobre assassinos e conspirações, mas uma trama onde um jovem de olhos intensos finalmente encontrava um refúgio.Eu me aproximei em silêncio, vestindo o meu velho moletom cinza folgado — que agora Bernardo se recusava a deixar eu jogar fora
A chuva fria voltou a cair sobre Tóquio, lavando as docas da baía e transformando o ar em uma bruma densa. O antigo bunker de munições da Segunda Guerra Mundial, meio submerso e esquecido pelo tempo, erguia-se como um monstro de concreto entre os guindastes enferrujados.Do alto de um contêiner a trezentos metros de distância, eu observava a entrada através da mira telescópica da minha sniper. O moletom cinza dera lugar ao meu traje tático preto e ajustado. Ao meu lado, Bernardo — que se recusara categoricamente a ficar no carro — vestia um sobretudo escuro e segurava um rádio de frequência fechada, acompanhado por Maya e Renan na van de comando.— Três guardas na entrada principal — sussurrei pelo rádio, a voz gélida e pausada. — Equipamento tático da Sombra Vermelha. Eles não estão para brincadeira.— O sinal da assinatura biométrica de Viktor está ativo no nível inferior do bunker — confirmou Maya pela escuta. — Ele está se preparando para evacuar a área assim que Kaelen trouxer a
O refúgio no galpão desativado voltou a ser nosso centro de operações, mas a atmosfera desta vez era infinitamente mais densa e carregada.Maya operava três monitores simultaneamente, com linhas de código e servidores criptografados da Europa Central correndo pelas telas. Renan andava de um lado para o outro, mantendo a pistola pronta na cintura, enquanto Bernardo permanecia em pé ao meu lado, a mão repousando com firmeza em meu ombro. A presença dele ali não era apenas a de um protetor, mas a de um homem que se recusava a deixar que o meu passado me tragasse sozinho.— Vasculhei todas as missões da Sombra Vermelha entre os anos de 2018 e 2022 — disse Maya, ajustando os fones de ouvido e apontando para a tela central. — O Projeto Arcturus não é um software e nem um código de acesso corporativo, Lucca. É o nome de código de uma rede de agentes adormecidos e contas secretas criadas pelo alto escalão da organização para financiar um golpe interno.— E Zurique? — perguntei, a voz fria e a
O beijo na diretoria selava uma vitória que parecia absoluta. Durante três dias, a rotina na Apex Entertainment seguiu um ritmo suave, quase irreal. Pela primeira vez em anos, eu dormia oito horas seguidas sem acordar com o sobressalto de um pesadelo ou com o instinto de puxar uma lâmina sob o travesseiro.Mas a paz para um ex-Limpador é sempre uma ilusão temporária.No submundo, a Máfia Mãe podia ser o gigante que dominava as manchetes e o crime organizado de alto escalão, mas não era a única força a operar na escuridão. Antes que eu me tornasse o lendário "Limpador nº 1" do Don Vincenzo, existiam os anos de treinamento. Os anos de formação na Sombra Vermelha — um grupo mercenário independente, internacional e sem código de honra, especializado em execuções invisíveis e sabotagem corporativa.Para eles, a palavra "aposentadoria" simplesmente não constava no dicionário.Era final de tarde de uma sexta-feira. Bernardo estava em uma conferência online com investidores europeus na sala d
Algumas semanas se passaram desde a noite vitoriosa em Tóquio. Com a interferência da Máfia Mãe totalmente anulada e a autoridade financeira de Bernardo consolidada, a vida na Apex Entertainment havia entrado em um período de calmaria aparente.No entanto, o silêncio daquela manhã na diretoria tinha o peso exato da calmaria que antecede um temporal.Eu estava em pé ao lado da imensa mesa de mogno de Bernardo, devidamente trajado com o meu moletom cinza largo, os óculos de armação fina apoiados no nariz e a postura levemente encurvada de assistente atencioso. Bernardo, vestindo um terno sob medida cinza-chumbo, analisava relatórios financeiros na tela do computador enquanto bebericava seu café.Subitamente, a porta de vidro fosco da recepção se abriu sem qualquer aviso.Sabrina e Victor passaram pela entrada com passos pesados. Não havia mais o ar de superioridade refinada de semanas atrás. Sabrina parecia pálida, o maquiagem impecável quase não escondendo as olheiras de quem perdera o
Do palco principal, sob os holofotes reluzentes do World Mangaka Grand Prix, Bernardo não perdeu um único detalhe.Sua visão periférica captou o exato momento em que o garçom se aproximou e murmurou a mensagem no meu ouvido. Ele me viu fazer o sutil aceno de cabeça antes de me virar em direção aos elevadores privativos.O coração do CEO acelerou por uma fração de segundo, mas o controle absoluto que o consagrou como um dos maiores empresários do país prevaleceu. Ele não franziu a testa, não hesitou e nem interrompeu o fluxo impecável do seu discurso. Sua voz continuou ecoando firme, sedutora e imponente pelos alto-falantes do salão, prendendo a atenção da plateia e da imprensa enquanto seus olhos escuros registravam o momento exato em que as portas do elevador se fecharam atrás de mim.Bernardo manteve a calma. Ele sabia que um passo em falso ou uma reação exaltada ali entregaria nossa vulnerabilidade para os abutres no salão, como Sabrina e Victor. Ele confiava no meu treinamento — e







