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CAPÍTULO 10

last update publish date: 2021-09-06 21:47:20

      Cidade de “FT”, 13 de janeiro, segunda-feira.

      Quando acordou, viu-se preso numa cadeira.

      Correntes!

      Estava num quarto escuro.

      O sangue em sua testa secara. A cabeça, porém, latejava, como que vitimada por cruéis agulhadas.

      Tentou se soltar. Não deu certo.

      Subitamente, três homens entraram no recinto.

      Um deles ligou a luz.

      Reconheceu o do meio. Sujeito branco, alto, magro e feio. Cabeça raspada. Um cavanhaque lhe dava um ar medieval. Sabia que possuía quatro tatuagens, embora não pudesse vê-las.

      Estremeceu!

      Seria morto, assim como o “Ameba”. Desvendara o crime da crucificação, mas não poderia contá-lo para ninguém.

      Merda!, pensou, tenso. Preciso ganhar tempo.

      → Não escapará, depois do que fez → murmurou.

      Os três homens postaram-se a um metro dele. O homem do meio → conhecido no mundo do crime como “Minhoca” → cruzou os braços e disse:

      → Não matei o “Ameba”.

      O que ele queria dizer com aquilo?

      → A quem você quer enganar?

      “Minhoca” agachou-se e aproximou o rosto. Chegou a sentir o hórrido bafo, um misto de álcool com outras drogas.

      → Preste atenção no que vou dizer, seu tira de merda! → Gritou: → EU NÃO SABIA QUE O “AMEBA” ERA INFORMANTE DA POLÍCIA! → depois baixou a voz →. Não sabia. Juro. Não tinha, portanto, motivos para matá-lo. Além do mais, costumo matar meus inimigos a tiros. Se você se desse ao trabalho de investigar meu passado, teria visto que nunca matei ninguém de outra forma. Outra coisa: não mexo com magia negra. Não gosto desse lance macabro de crucificar as pessoas. Alguém matou o “Ameba” e não fui eu. Alguém muito doido, doido pra cacete, que fez algum tipo de pacto com o diabo. Mesmo porque esse tipo de merda é prejudicial para meus negócios → levantou-se. → Trouxe você aqui para te dizer isso. Não perca seu tempo fuçando minha rotina. Sou inocente nessa, entendeu?

      → Veremos.

      → Irei sumir por uns tempos. Vocês não me acharão. Na verdade, há dois anos que me procuram e nunca me acharam. Não vai ser agora que conseguirão me pegar. Sou esperto demais para a cabeça oca de vocês. Irei sumir até que o verdadeiro assassino seja encontrado. E volto a dizer: não matei o “Ameba” → respirou fundo. → Soube da morte do “Ameba” pelos jornais. Sabia que eu seria o principal suspeito, pois ele trabalhava para mim. Como não matei o cara, decidi me antecipar. Mandei meus auxiliares até a 1ª Delegacia e descobri que você foi o encarregado de investigar o caso. Mandei segui-lo. Tudo porque eu precisava urgentemente lhe dizer isso, antes que você invadisse meus domínios.

      Pausa.

      Optou por nada comentar.

      → Já disse o que tinha para dizer. Meus auxiliares o levarão para um lugar seguro. Seu Corsa, suas armas, seus documentos e o par de algemas estarão lá. Deixei uma grana no porta-luvas, para pagar o conserto do seu carro. Peço desculpas pelo sequestro, mas eu precisava fazer isso. Precisava tirar o meu da reta. Você é um fodido de um tira experiente e saberá entender quando um cara como eu tem culpa no cartório. Saberá matar a charada. Adeus!

      E saiu do quarto.

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