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CAPÍTULO 11

last update publish date: 2021-09-06 21:48:43

   

      Cidade de “FT”, 13 de janeiro, segunda-feira.

      Havia levado outra espetada. Havia novamente desmaiado. Acordara dentro do Corsa, um pouco depois da meia-noite.

      São e salvo.

      Com dor de cabeça, decidiu adiar a visita ao bar Lintox.

      Seguiu para seu apartamento, onde morava sozinho.

      Tomou banho. Jantou ovo frito com farofa. Ingeriu um comprimido. Colocou curativo no ferimento.

      Dormiu, sem pensar nas palavras do traficante.

      Cidade de “FT”, 14 de janeiro, terça-feira.

      Uma vez na delegacia, não quis revelar aos colegas o que motivou o ferimento na testa.

      → Caí no banheiro, ontem.

      Ninguém questionou suas palavras.

      Explicou ao delegado Haroldo → que surpreendentemente o chamou → todos os pormenores de sua nova missão, exceto o encontro com o traficante “Minhoca”. Preferiu guardar essa informação para si, por enquanto.

      → E essa tal de Ana é suspeita?

      → Sim, senhor.

      → E com relação ao “Minhoca”?

      → Irei atrás dele amanhã, para rastrear seus passos.

      → Se eu fosse você daria prioridade ao “Minhoca”. Essa Ana provavelmente é apenas uma namoradinha do sujeito.

      → Quem sabe, delegado? Talvez o senhor tenha razão. Talvez não. Somente o tempo dirá quem é quem nessa história.

      → Tudo bem. Não quero me intrometer no teu trabalho. Faça o que achar melhor, Macto.

      → Obrigado, senhor.

      Ele → que parecia vivamente interessado no caso → lhe desejou boa sorte.

      Abriu o notebook e digitou o nome de Ana Pertom Bass.

      Encontrou o perfil dela do f******k. Tinha realmente trinta e oito anos. Viúva. Sonhadora. Libriana. Ensino Médio completo. Como profissão, divulgou ser empresária. Nada mais justo.

      Viu a cópia virtual do processo, por meio do qual ganhou o direito aos bens do falecido marido. Cópia do resultado de um concurso, fins inclusão na Prefeitura. Foi reprovada.

      E só.

      Ligou para um colega da Polícia Federal e descobriu que foi, sim, casada com o bilionário César Trund Bass → dono de fábricas de ladrilho e outras empresas → que morreu de ataque cardíaco. O homem deixou tudo para ela, em testamento.

      Nada de suspeito. Nada de anormal.

      No entanto, foi presa e multada → há três anos → por excesso de velocidade e porte de maconha.

      Maconha? Ela mentiu, então, ao dizer que não usava drogas. O que mais teria mentido? Talvez devesse fazer perguntas para os vizinhos dela. Quem sabe se alguém não soubesse de alguma coisa? Quem sabe o que não iria descobrir?

      Também frequentava templos de candomblé. Incrível! Arqueou as sobrancelhas. Muito sugestivo, pensou. As possibilidades aumentavam. Anotou as informações.

      Recebeu → por telefone → dados do bandido conhecido como “Minhoca”. Seu verdadeiro nome era Glauber Serra Truind, quarenta e cinco anos e esteve preso em três oportunidades: por roubo, assassinato e tráfico de drogas. Na última, fugiu da prisão.

      Presumia-se ter matado oito pessoas, todas a tiros.

      Há dois anos que a polícia estava em seu encalço.

      Um dia chegará a vez dele, pensou. Não durará muito.

      Finda a pesquisa, seguiu para o almoxarifado e → após assinar a cautela com o Kleber → deu uma rápida olhada nos pertences do “Ameba”.

      Roupas.

      DVDs de filmes pornográficos.

      Um rádio, duas fotos, seis gibis do Batman etc.

      Apenas um objeto lhe chamou a atenção: um livro de capa preta, intitulado “São Cipriano, o feiticeiro”. Usado. Pequeno. A capa rasgada na parte superior → canto direito.

      Que estranho, refletiu. Será se o tal de “Ameba” havia enveredado por esse caminho?

      Ficou com o livro e uma das fotos e devolveu o resto.

      De volta à mesa, pesquisou sobre magia negra.

      Magia negra!

      No geral, significava a realização de rituais satânicos para todos os fins, principalmente para a obtenção de riqueza. Danças. Sangue. Cantoria. Sacrifício de animais. Feitiço.

      Viu mais de cinquenta formas diferentes de concretização dos rituais. São Cipriano se destacando como um grande mago. Asmodeu como o grande demônio do inferno.

      No fundo, eram bobagens criadas por mentes doentias.

      No entanto, milhares de pessoas no mundo a praticavam, acreditavam nela, com certeza iludidos pelos esdrúxulos discursos dos charlatões espertos, que aproveitavam para ganhar dinheiro vendendo livros, velas e outros produtos sinistros.

      Pessoas como o “Ameba”. Claro!

      Pessoas como... a Ana???

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