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CAPÍTULO 17

last update publish date: 2021-09-06 21:53:48

      Cidade de “MJ”, 16 de janeiro, quinta-feira.

      Contou dezoito pessoas na espaçosa sala. Todos usavam roupas pretas. Todos de pé. Alguns com copos de bebidas na mão.

      O velho Sérgio estava lá.

      O dono do bar Lintox.

      A Viviane Selly → conhecida como Branca → também.

      O que estava acontecendo?

      De repente, um homem entrou na sala. Segurava uma taça de vidro. Todos abriram passagem para ele.

      Sentiu o arrepio do medo corroer suas entranhas!

      → Boa noite, Macto. → ele disse.

      Homem moreno, magro e alto, que aparentava ter entre quarenta e cinquenta anos. Familiar demais.

      Não conseguiu esconder a surpresa!

      → O que o senhor faz aqui, delegado?

      Subitamente, alguém atingiu sua cabeça, por trás.

      Dor! Não viu mais nada.

      Cidade de “MJ”, 16 de janeiro, quinta-feira.

      Quando acordou, viu-se deitado sobre algo duro.

      Movimentando a cabeça, notou → estarrecido! → que se encontrava deitado numa imensa cruz de madeira.

      Haviam tirado suas roupas. No lugar, um lençol branco, utilizado como se fosse fralda. Braços e pernas presos por cordas, bem como o torso, na região da barriga. Nenhum prego... ainda. Mexeu-se, mas não conseguiu se soltar.

      Sentia-se tonto, como que subjugado por algum tipo de droga. Tonto e com a visão turva! Apesar disso, conseguiu avistar o prédio da fazenda → iluminado → a cerca de cinquenta metros.

      Lá em cima, as estrelas brilhantes!

      Ao seu redor, todos aqueles malditos fanáticos!

      Olhavam para ele, em silêncio.

      O delegado Haroldo, então, tomou a iniciativa. Inspirou o ar da madrugada, agachou-se e disse:

      → Lembra o que eu disse sobre a magia negra? Pois é. Como você pode ver, meu grandioso auxiliar, eu havia dito a verdade. Infelizmente subestimei sua inteligência. Tudo porque a Ana caiu na besteira de proferir a palavra “rasputin” na pensão. Um erro crasso e que quase estragou nossos negócios.

      Pausa.

      Ele não parecia constrangido.

      Na verdade, seus olhos emitiam um brilho insano!

      → Pensei que você iria prender o “Minhoca”, acusando-o de ser o autor da morte do “Ameba”. Dei-lhe o dossiê do caso justamente para que seguisse essa pista. Seria a lógica! Não imaginei que iria alcançar e desconfiar da Ana. Foi uma surpresa. Até tentei convencê-lo a ir atrás do “Minhoca”, dizendo que a Ana era apenas uma namoradinha do “Ameba”, mas você não me deu ouvidos. Parabéns por sua perspicácia. Mas não era para ser assim. Não era para ser assim...

      Pausa.

      O maluco decidiu sentar no chão, perto da cruz.

      → Com relação ao nosso trabalho, no qual acredito muito, decidimos sacrificar alguém, para que Asmodeu, que você já deve conhecer, nos ajudasse a conseguir riqueza. Uma alma em troca de riqueza e prosperidade. Asmodeu, sim. E por que não? Se Deus existe, o diabo também existe. Se Deus é poderoso, o diabo é mil vezes mais forte. Se Deus faz milagres, Asmodeu cria situações para que seus súditos fiquem ricos. Isso é vida! É fato real! Está na bíblia. O sobrenatural faz parte do nosso dia-a-dia, acredite. Somos, sim, discípulos de Asmodeu.

      → ASMODEU! ASMODEU! → todos gritaram, como que petrificados, como que hipnotizados por uma força maligna.

      Estremeceu!

      Viu-se diante de um bando de loucos.

      Pessoas completamente fora da realidade.

      Psicopatas!

      → E não pense que eu pretendia trabalhar naquela delegacia nojenta para o resto da vida. Não mesmo! Detesto aquele trabalho, se quer saber! É mal remunerado e chato. Depois da morte de “Ameba”, eu e essa turma aqui → apontou o grupo → juntamos nossos capitais e montamos quatro empresas. Quatro empresas fenomenais, após estudos minuciosos do mercado. Acredito que dentro de cinco, seis meses estaremos auferindo lucros satisfatórios, sob a proteção de Asmodeu.

      → ASMODEU! ASMODEU! → Todos tornaram a gritar.

      Meu Deus, pensou, apavorado. Estou cercado por um bando de malucos. Estou ferrado!

      → Bem, colocando nosso plano em prática, a Ana arrumou o emprego de garçonete na casa da nossa amiga Branca, apenas com o objetivo de fisgar o homem ideal. E esse homem surgiu. O “Ameba” era um frequentador assíduo da “Boate Rasputin”. Apesar de atraente, era um homem inútil, um vagabundo, um marginal, um ser abjeto que não merecia viver. Quem sentiria sua falta? Solitário e carente, deixou-se envolver pelos encantos da Ana, que, além de garçonete, também saía com os clientes. Para dar verossimilhança ao relacionamento dos dois, a Ana teve, inclusive, que ir até a pensão onde o “Ameba” morava duas vezes. Deu certo. Ele estava no papo. Depois, foi fácil atraí-lo para cá.

      Pausa.

      Suas costas doíam, bem como seus neurônios.

      Sentiu sede e vontade de urinar.

      Trêmulo e quase sem forças, ousou perguntar:

      → O que vocês... p-pretendem fazer... comigo?

      → Infelizmente você, por ser inteligente demais, terá o mesmo destino do “Ameba”. A única diferença é que, dessa vez, o “Minhoca” levará a culpa. Iremos deixar seu corpo no morto do Palmor. Depois, irei escolher pessoalmente um investigador mais obtuso, que, com certeza, seguirá o rastro do traficante. Tudo em nome da prosperidade.

      → PROSPERIDADE! → mais gritos insanos. → ASMODEU! PROSPERIDADE! ASMODEU!

      Aqueles gritos enlouquecidos deixavam seus nervos em pedaços! Não estava acreditando que pessoas inteligentes pudessem...

      Nervoso, tentou uma última cartada:

      → Não dará certo! Vocês serão presos!

      → Será? Tem certeza?

      → Delegado, escute. Vocês e-estão cometendo um... erro! Vocês serão...

      O delegado Haroldo se levantou, em silêncio.

      De repente, alguém se aproximou, trazendo alguns objetos.

      Estremeceu, ao ver o que era!

      → Não! Meu Deus, isso não! NÃÃÃOOO!!!

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