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CAPÍTULO 18

last update 게시일: 2021-09-06 21:54:29

      Cidade de “MJ”, 16 de janeiro, quinta-feira.

      Tudo se resumiu a uma sucessão de dores.

      Primeiro, os pregos!

      Quando rasgaram sua carne → devido às marteladas → gritou tão alto que sentiu suas cordas vocais tremerem! Gritou como nunca tinha gritado em toda a sua vida!

      O sangue jorrava dos ferimentos.

      Segundo, prenderam sua cintura de encontro à cruz por uma corda de nylon. Tiraram as outras cordas.

      Notou que seus pés → unidos pelo gigantesco prego → estavam apoiados numa espécie de plataforma, fixada na parte inferior da cruz. Dessa forma, seu corpo era sustentado pelos pés e pela cintura, o que atrasaria em dias a sua morte.

      Tornando-a mais dolorosa e sofrida!

      Terceiro → enquanto proferiam orações numa língua estranha → todos ergueram e transportaram a cruz, ficando-a num buraco previamente aberto. O novo local era cercado por árvores e longe das vistas de quem passasse na estrada. E quarto, foram embora, deixando-o sozinho.

      Crucificado!

      Em desespero!

      Subjugado pelo horror!

      Cidade de “MJ”, 16 de janeiro, quinta-feira.

      Por volta das cinco horas da madrugada, desmaiou.

      Sentindo seu corpo entrar em convulsões! Envolvido pelo manto da escuridão. Acordou com os raios solares batendo em seu rosto.

      Trêmulo!

      Dominado pelo medo!

      Seriam que horas? Dez? Onze? Meio-dia?

      As dores nas mãos e nos pés estagnaram, por causa do inchaço. O sangue tinha secado. O que fez com que não gritasse mais. Porém chorou! Lágrimas em profusão!

      O choro da depressão!

      Pensou nos pais, que residiam na cidade de “GT...” e que não queriam que fosse policial. Teriam razão? Pensou no delegado Haroldo: um homem da lei, mas que se contaminou com o mal. Idiota! Não sabia ele que o crime não compensava?

      Pensou na morte: irreversível e palpável, na profissão que escolheu. Jamais imaginou que viria de forma tão cruel e terrível! Pensou no fato de ser católico, mas estar afastado da igreja.

      Pensou, pensou, pensou...

      → Deus... Deus... → murmurou.

      Depois, ao apoiar os pés na plataforma, readquiriu o controle. As lágrimas sumiram, como se nunca tivessem chegado! Sua situação, no entanto, era patética!

      Lábios rachados! Estômago embrulhado!

      Sede! Fome!

      Urinou na fralda.

      Tentou puxar as mãos, mas a dor insuportável o impediu.

      → S-Socorro!... → tentou gritar, olhando para o prédio da fazenda, mas emitiu apenas um murmúrio seco.

      Por volta da uma da tarde, sentiu dificuldade em respirar.

      Sugava o ar, agora rarefeito. Percebeu que as batidas no coração se tornaram alucinadas! Sua pele definhava.

         Às cinco da tarde, novo desmaio.

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