INICIAR SESIÓNA vida de Lorena agora havia se tornado calma e simples.O visto da avó já tinha saído, e as passagens para o exterior já estavam compradas. Quando chegasse a hora, Ethan acompanharia Lorena e a avó na viagem para a Europa.Desde que aquele primo surgira em sua vida, muitas coisas que antes teriam exigido preocupação de Lorena, como alugar um imóvel fora do país e organizar toda a logística da viagem, já não precisavam mais passar por suas mãos. Tudo havia sido resolvido com cuidado, sem deixar brecha para dor de cabeça. Ela só precisava pegar a mala e partir.Todos os dias, o que ela tinha a fazer era ir à clínica para as sessões de acupuntura e reabilitação. Quando sobrava tempo, ela marcava um café com Liliane e Priscila.Naquele dia, como de costume, o motorista enviado por Ethan a levou até a clínica. Depois que Lorena desceu do carro, o motorista ficou esperando dentro do veículo e não a acompanhou até a entrada. Mas, assim que ela entrou na clínica, viu Isaac sentado lá dentro.
Isaac apenas respondeu:— Está bem.Em seguida, ele se virou e voltou para o escritório.Aurora o seguiu por alguns passos, mas logo ouviu o som seco da porta se fechando. A porta do escritório se fechou diante dela.Ela ficou do lado de fora, impedida de entrar sem a menor cerimônia.Aurora permaneceu parada ali por um bom tempo, sem conseguir reagir.Aquele era Isaac? Aquele era o Isaac que, quando ela havia acabado de voltar, fazia tudo o que ela queria? As lágrimas dela já estavam prestes a cair, e ele nem sequer percebeu. Aquele ainda era Isaac?O olhar dele já não parava mais nela.Parada diante da porta do escritório, Aurora soltou um riso frio. No fim, os homens eram todos iguais: só davam valor ao que não podiam ter.Quando Breno chegou em casa, a primeira coisa que viu foram duas malas no hall de entrada.Ele achou que Teresa tinha acabado de voltar e ainda não havia desfeito as malas. Assim que entrou, chamou o filho:— Ravi?Ravi saiu em silêncio, puxando uma malinha infant
Simão e Jéssica foram embora, mas as palavras dela continuaram ecoando nos ouvidos de Breno.Ele franziu a testa, pegou o celular e ligou para Teresa.A chamada completou, e Teresa atendeu depressa.— Onde você está? — Breno perguntou, com a voz fria.— Eu estou em casa.A voz de Teresa veio pela linha, acompanhada, ao fundo, pela voz do filho. Breno relaxou na mesma hora. Então era isso. Teresa não era capaz de fazer nada que realmente pudesse prejudicá-lo.Ao se lembrar da morte da mãe dela, ele ainda perguntou:— Sobre a sua mãe...— Eu já resolvi tudo. — A voz de Teresa soou calma demais ao telefone.— Teresa, eu... — Breno insistiu. — Por que você não me contou?— Você está ocupado. Eu não quis incomodar. Eu consegui resolver sozinha.— Então está bem. Hoje à noite eu volto mais cedo. Peça para a empregada preparar o meu jantar e me espere.A morte da sogra, afinal, era um assunto sério. Ele ainda precisava voltar para casa e ver como Teresa estava.Teresa não respondeu. Ela simpl
Breno não entendeu, de imediato, o que ela queria dizer.Até Simão ficou sem entender.— Do que você está falando, Jéss?— Do que eu estou falando? — Jéssica soltou uma risada fria. — Breno, você não precisa fazer essa cara. Eu não tenho interesse nenhum em dar lição em marido alheio. Mas, se você pretende continuar sendo marido dela daqui para frente, aí a história é outra.Breno franziu a testa.— O que isso quer dizer?— Faz quanto tempo que Teresa desapareceu? Você nem percebeu? — Jéssica o lembrou com um olhar gelado. — Pelo visto, já faz muito tempo que você não põe os pés em casa.Homem nenhum prestava. Eram todos uns canalhas.O olhar de Breno se contraiu.— Jéssica, fala logo o que você quer dizer!Os olhos de Jéssica arderam. Ela engoliu em seco, segurando o nó que se formara na garganta.— A mãe da Teresa morreu.Um zumbido tomou conta da cabeça de Breno. De repente, ele se lembrou de uma mensagem que Teresa tinha mandado, dizendo que a mãe dela não estava bem e pedindo para
Breno sentiu dor de cabeça só de ver Jéssica e fingiu que não tinha visto nada.Aurora tinha sido profundamente atingida pelas palavras de Jéssica durante o jantar. Agora, ao vê-la de novo, fez um biquinho, os olhos se encheram de lágrimas e ela se escondeu atrás de Breno.Jéssica nem queria olhar para Aurora. Ela só encarava Breno.Ela chegou a pensar que tinha saído de casa em um dia amaldiçoado. Como podia encontrar tanta gente insuportável no mesmo lugar? Sim, ela era brava, e daí? Por acaso ela queria ser assim? Se aquele povo não ficasse provocando na frente dela, ela sairia sendo grossa do nada?Breno não sabia por quê, mas teve a sensação de que Jéssica ia começar a descarregar nele naquele dia.Ele nem era marido de Jéssica. Por que teria medo de levar bronca? Se não fosse por consideração a Simão, ele já teria dado uma lição naquela barraqueira.— Simão, você deveria ir embora logo. Já deu o horário de sair. — Breno tomou a iniciativa de falar com Simão, esperando que ele lev
O rosto de Isaac mudou na hora.— Eu não traí ninguém. Eu e a Aurora nunca…A frase morreu pela metade. De repente, ele se lembrou daquela noite…Ele não tinha mais direito de dizer aquilo.Só que a disposição de Jéssica para a briga estava no auge. Ela não percebeu, nem se importou com a expressão dele. Ela simplesmente continuou, em modo de ataque total:— Eu não estou nem aí se você dormiu com a Aurora ou não. Isso não é problema meu. O único homem que eu tenho que vigiar é o Simão. Mas, Isaac, aqui não se trata de ter dormido com ela ou não…Ao ouvir “dormir com a Aurora” atrás do outro, sem o menor filtro, Simão quase teve um treco. Ele ficou desesperado. Esse tipo de coisa não era para sair falando alto assim, muito menos dentro da empresa.Como eles ainda estavam no escritório, ele acabou perdendo a paciência e colocou a mão direto na boca dela, tentando calar.— Deixa ela falar. — Disse Isaac, cada vez mais pálido. — Eu quero ouvir.Ele queria ver até onde Jéssica ia chegar.—
Lorena viu que, depois de um breve constrangimento, Isaac e Aurora logo assumiram esse “novo” papel. Os dois passaram a conversar e rir com o parceiro de negócios como se nada tivesse acontecido. Eles pareciam um casal perfeito…Lorena, em silêncio, tirou uma foto com o celular. Quando ela se virou
— Isaac… — A voz de Lorena falhou, traindo o nó na garganta.— Hein? Lorena? — Isaac segurou a mão dela. — O que aconteceu? Você está com vontade de chorar? Se quiser chorar, chora. Não precisa segurar.A voz de Isaac era muito, muito doce.Era igual àquela época em que Lorena tinha saído da sala de
Depois daquele dia, Lorena voltou para os livros. Ela recomeçou a estudar. Na época, ela não tinha grandes planos. Ela só queria colocar algum tipo de apoio secreto naquela vida pálida que ela levava. Se ela tivesse coisas para fazer, ela não ia ficar o tempo todo lembrando daquela frase e se machu
Aurora, sempre atenta ao clima, entrou na conversa na hora certa:— Isaac, você não fica chateado só porque o pessoal falou mal da Lorena. Eles realmente estão pensando no seu bem. Pensa só: a nossa amizade já dura tantos anos… mesmo que alguma coisa que eles falaram tenha passado do ponto, você ouv







