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Capítulo 5

Penulis: Peixe Koi
Depois daquele dia, Lorena voltou para os livros. Ela recomeçou a estudar. Na época, ela não tinha grandes planos. Ela só queria colocar algum tipo de apoio secreto naquela vida pálida que ela levava.

Se ela tivesse coisas para fazer, ela não ia ficar o tempo todo lembrando daquela frase e se machucando de novo.

Ninguém poderia imaginar que aquele refúgio só dela, escondido por anos, um dia se tornaria a salvação dela.

No dia seguinte, ela precisava fazer a prova direito. Ela queria ir embora daquele lugar, o mais longe possível. Quanto mais longe, melhor. Só de pensar nisso, o peito de Lorena ainda doía, e doía muito.

Lorena nem sabia se a dor vinha mais de Isaac ou dela mesma, por ter desperdiçado cinco anos de amor em alguém que não a amava. Mas aquilo já não importava. O que importava era que ela não permitiria que ela mesma se afundasse de novo naquela dor.

Mesmo que aquilo ainda levasse muito tempo para cicatrizar, ela ia, conscientemente, tentar se salvar.

Lorena pediu comida por delivery: ela comprou um jantar leve e também algumas peças de roupa íntima descartável para a noite. Depois, ela ligou para a recepção e pediu serviço de despertar para o dia seguinte. Em seguida, ela se obrigou a deitar e a dormir.

Talvez porque, na noite anterior, ela não tivesse pregado o olho, naquela noite ela acabou dormindo surpreendentemente bem.

Na manhã seguinte, ela levantou na hora certa e ligou o celular. A caixa de entrada explodiu em notificações, o aparelho tremeu sem parar. Todas as mensagens vinham de uma única pessoa: Isaac.

Lorena não abriu nenhuma. Ela tinha medo de aquilo mexer com o emocional dela e atrapalhar a prova. Ela tomou um café simples no hotel e, com tudo pronto, saiu em direção ao local do exame. Aquele hotel ficava perto do centro de provas do IELTS, a pé, seriam uns cinco minutos.

Assim que saiu pela porta do hotel, o celular começou a vibrar na mão dela.

Era Isaac ligando.

Lorena se assustou, quase deixou o aparelho cair. Ela recusou a ligação na hora e, logo em seguida, desligou o celular de novo.

Quando ela saiu do prédio do exame, o coração dela ainda batia disparado. Mas, daquela vez, era de alegria. Ela achou que, no geral, tinha ido bem.

O examinador da parte oral conversou com ela o tempo todo sorrindo. Ela não tinha sentido nenhum grande bloqueio em listening nem em speaking, e tinha conseguido terminar leitura e redação dentro do tempo.

Lorena não ousou imaginar a nota que receberia, mas, pelo menos, ela tinha completado todas as etapas da prova. Ela não era o fracasso que todo mundo via.

Ela caminhava sozinha pela calçada, de cabeça baixa, repassando mentalmente cada detalhe da prova, até que um par de sapatos sociais surgiu bem na frente dela. Lorena não tinha imaginado que alguém fosse simplesmente parar no meio do caminho para bloquear a passagem. Ela não conseguiu frear a tempo e trombou.

Se a pessoa não a tivesse segurado pelo braço, ela teria ido ao chão. E, justamente, era a última pessoa que ela queria ver.

Isaac.

— Lorena!

Lorena percebeu, de cara, que Isaac estava irritado. Mas ele claramente se esforçava para segurar o próprio mau humor.

— Lorena, por que você não foi pra casa? — Isaac segurou os ombros dela e suavizou a voz, falando com a mesma doçura contida de sempre.

Por dentro, Lorena pensou:

"Você realmente não sabe por que eu não voltei?"

Mas, naquele momento, ela não tinha cabeça para discutir nada com ele. A bolsa dela tinha caído no chão com o esbarrão, a aba tinha aberto e a caneta especial que a organização do IELTS tinha distribuído para a prova apareceu, meio para fora.

Lorena não queria que ele soubesse que ela tinha vindo fazer o IELTS. Ela afastou a mão dele com força, se agachou rápido, empurrou a caneta de volta para dentro da bolsa e fechou o fecho com pressa.

— O que é isso? — Isaac abaixou a cabeça, olhando para a bolsa.

— Nada, só uma caneta. — Lorena forçou um tom tranquilo, mas os dedos que seguravam a alça estavam tão tensos que ficaram brancos.

— Me dá aqui. — Ele falou.

Ela não podia deixar ele ver aquela caneta de jeito nenhum. Lorena abraçou a bolsa ainda mais forte.

— Pra quê você quer uma caneta?

— Eu falei do seu celular. — Ele respondeu.

Lorena congelou por um segundo, depois enfiou a mão na bolsa, pegou o celular e entregou para ele. O aparelho estava desligado. Isaac deu só uma olhada e devolveu.

— Eu te liguei um monte de vezes, mandei um monte de mensagem. Por que você não respondeu? Ainda está de mal?

Lorena segurou o celular, e o que passou pela cabeça dela foi:

"Que alívio. Eu morri de medo de você mexer no meu celular. Se você abrisse o e-mail e visse a confirmação da prova, o que eu faria?"

Se a questão fosse só "estar de mal" ou não… Lorena pensou um instante. Ela percebeu que não queria mais gastar energia com raiva. Ela só queria ir embora, bem longe dali. Esse desejo, ao ver Isaac ali de novo, ficou ainda mais forte.

Quando Isaac viu que ela não dizia nada, ele achou que ela realmente continuava chateada e suspirou:

— Lorena, você não é sempre tão sensata? Como é que, dessa vez, por causa de uma coisa tão pequena, você chega ao ponto de não voltar pra casa?

Lorena juraria que ela, de verdade, não queria mais se irritar com aquelas coisas. Mas aquela frase, do jeito que ele falou, faria qualquer pessoa com o melhor dos temperamentos perder a calma.

— Então, no fim das contas, o que aconteceu ontem ainda foi culpa minha? Eu que fui imatura? Era para eu ter entrado lá, batido palma para o Breno e dito: "você imitou direitinho, ficou perfeito"? — Lorena não aguentou mais se segurar.

O rosto de Isaac ficou um pouco constrangido:

— Não foi isso que eu quis dizer. Eu só quis dizer que você não tem como controlar o que os outros falam. Não vale a pena levar tão a sério…

— Eu não tenho como controlar, mas você tem. — Lorena o encarou. — E o que você estava fazendo naquela hora? Você estava abraçado com a Aurora, rindo junto com eles.

— Lorena! — O semblante de Isaac mudou. Pela primeira vez, o rosto dele se fechou de verdade, havia raiva nos olhos dele.

Lorena entendeu. O nome "Aurora" era o limite dele, um campo minado que ela não podia pisar. O que ainda tinha para ser dito depois daquilo?

Ela apertou a bolsa contra o peito, desviou dele e seguiu andando. Mas Isaac estendeu o braço e puxou ela pela cintura, impedindo que ela passasse.

— Desculpa, Lorena. A culpa foi minha, eu falei errado. — Isaac abaixou a voz. — Eu só não quero que você entenda mal a Aurora. Nós somos só amigos, amigos de verdade, nada mais. Ela é igual aos outros para mim, eu só a vejo como amiga. Ela ainda nem se casou, falar dela desse jeito não é justo com ela.

Lorena não conseguia entender. As duas pessoas não tinham feito exatamente aquilo que ela tinha visto? Aurora se jogando no ombro dele, sem nenhum pudor. Ela se permitia aquilo, mas não podia ser criticada? Mesmo assim, Lorena só respondeu com um:

— Ah.

— Lorena… — Isaac percebeu o gelo no tom dela. — Por que você ainda está de mau humor? Você fugiu para um hotel, passou a noite fora, nem voltou para casa, e eu ainda não te falei nada. E mesmo assim você continua com essa cara?

De novo, tudo virava culpa de Lorena.

— Lorena, chega, não fica brava. Vamos almoçar primeiro, depois eu te levo para comprar umas coisas, tá bom?

Lorena pensou um instante. De certa forma, era até melhor assim. Ela tinha algo importante para dizer a ele. Isaac a levou até um restaurante ali perto.

Quando eles entraram, sob o olhar curioso do garçom, o velho reflexo apareceu: Lorena teve vontade de abaixar a cabeça, erguer a gola da roupa, esconder-se atrás de Isaac, como se isso pudesse disfarçar a perna dela. Mas, logo em seguida, ela respirou fundo e deixou essa vontade passar.

"Se eu não estou à altura do Isaac, então eu simplesmente não estou." Ela pensou. "De qualquer jeito, eu já decidi que não vou passar o resto da vida ao lado dele."

Os dois se sentaram. Isaac fez o pedido. Quando os pratos chegaram, ele deslizou os talheres na direção dela, com a mesma voz gentil de sempre:

— Come, Lorena. Eu pedi tudo do jeito que você gosta.

Lorena lançou um olhar para a mesa. Eram todos pratos apimentados. Ela riu, por dentro, com amargura. Isaac não fazia ideia de que ela não podia comer pimenta. Os jantares em casa sempre tinham comida apimentada porque ele gostava, não ela.

— Isaac, eu não estou com fome. — Lorena não tocou em nada. — Eu tenho uma coisa para te dizer.

— O quê? — Isaac deixou a ponta dos lábios subir um pouco. — Onde você quer ir? Eu vou com você. Hoje eu estou livre o dia inteiro. À tarde eu posso sair com você, à noite a gente passa na casa dos seus pais para jantar.

Lorena encarou aquele sorriso tão discreto que mal se via e, ao pensar no que estava prestes a falar, ela sentiu uma pontada de dor subir forte no peito.

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Komen (3)
goodnovel comment avatar
Brena b
devia desenvolver um romance entre Alberto e Lorena e esse Isaac desgraçado morrer depois de frustração porque Lorena nunca mais vai olhar na cara dele
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marciamattos mattos
o Issac é um ridículo
goodnovel comment avatar
Izaura
Como eu continuo a leitura….já estava nos capítulos 309
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