Home / Paranormal / Com Amor, Samara / PARTE 30: VIDA E MORTE

Share

PARTE 30: VIDA E MORTE

Author: MAGNO NOVAES
last update publish date: 2022-03-25 07:28:29

4 de novembro de 1977.

Ninguém quer morrer. Pelo menos é assim que a maioria das pessoas pensa. Temos um instinto de defesa e sobrevivência que evoluiu há milhares de anos e nos preparou para os piores cenários. Algo que Bill Lewis sabia muito bem. Lutar ou fugir, estas eram as duas opções interessantes quando a questão era apenas sobreviver, e Bill estava usando-as. Já Samara Morris, em seu íntimo, tinha uma certeza que era assustadora. O tipo de certeza que ela tinha medo de verificar para ver se era realmente aquilo tudo, pois sabia que poderia ser muito pior. Ela ia morrer. Assassinato talvez. Só não sabia quando, como e porquê, o que era péssimo também. Entretanto, ela tinha esperança, do tipo que a fazia viver e esquecer o inevitável. A esperança que ela encontrou tinha forma e nome, e era dois anos mais velha do que ela. Justin Lewis. Justin era do tipo de cara que tinha grandes sonhos, sonhos estes que motivaram Samara a viver uma vida que ela ansiava e esperava ser “normal”. O normal excluía meninos malvados e suas palavras grosseiras, aulas chatas no colégio Doctor John Dalton, e os sermões severos de seu adorável e agora finado pai. Sr. Morris. Fugir fazia parte do instinto de sobrevivência e ela sabia disso. Ou faria, ou… a morte não! Esse pensamento era neutralizado quando pensava em Justin, e ele era o oposto da morte. Era vida em movimento, luz e esperança. Ele era completamente diferente de qualquer outro garoto que Samara encontrara na vida, e infelizmente foram muitos. Justin era o filho mais velho da família Lewis e trabalhava numa indústria têxtil em Liontown. Falava orgulhosamente que estava juntando economias para o dia em que poderiam casar e formar uma família, e apesar destas serem grandes e justas ideias, Samara ainda tinha medo. O medo que se colocado dentro de uma caixa, conseguiria grunhir e se contorcer. Um medo vivo e forte, que a segurava pela cintura e a obrigava a dançar uma dança fúnebre e estranha. Fugir neste caso faria sentido. Fugir da vida, da morte e… Talvez dela mesma. Samara estava fugindo de si.

_____________________

VIDA E MORTE

A avenida Alabama, uma das principais de Liontown costumava reunir as mais diferentes pessoas e todas pareciam buscar algo, ou, vez ou outra, coisa nenhuma. Tinha quem buscasse lenha na lenharia de Kevin Conington e seu complexo de superioridade (os que tinham mais dinheiro comprava aquecedores no Josh Benson, um dos fundadores da loja de conveniências e utilidades: Josh’s Art), quem comprasse fármacos com Andy e Diana na farmácia popular, pois ali era mais barato e ainda ganhavam balas de menta, ou, aqueles que iam à indústria têxtil, uma fábrica recém-fundada, mas que já tinha mais de cem funcionários.

Aquele 4 de novembro na avenida Alabama parecia muito igual, dava a impressão também de ter as mesmas pessoas, com exceção da temperatura. Estava esfriando. Eram dias comuns à neve. Neve que se chegasse cedo, alertava desgraça e se demorasse também. Neste dia nevou. Nevou como se o deus da neve estivesse triste e chorasse o suficiente para cobrir a cidade de branco. Da neve que caia e das pessoas que eram comuns na avenida Alabama, ela também era ouvinte de um sonho de amor.

No final da avenida a fábrica têxtil parecia ser o prédio mais importante da cidade, se não fosse o grande banco à frente, que com cinco andares, era uma das maiores construções de Liontown. No estacionamento da fábrica, Samara e Justin Lewis debatiam algo. Falavam do futuro. O futuro tão sonhado.

— Você está lembrada, não é mesmo? — perguntou ele, olhando para os lados. Uma nuvem de vapor saiu de sua boca e parecia desenhar um coração. — Me diz que sim.

Samara olhou para os lados e encostada na parede da fábrica têxtil, num canto onde costuma ser a porta corta-fogo, ela assentiu e sorriu, mas acrescentou: — será que deveríamos fazer isso? E se…

— Não desista, querida. Podemos recomeçar juntos. Eu já tenho grana suficiente para um recomeço ao seu lado. Por Deus, tem de ser ao seu lado — rebateu Justin. Parecia empolgado e ansioso. Estavam planejando aquilo há dias. Falavam sobre como poderiam pegar um ônibus para o sul e descer em uma pequena cidade do estado vizinho. Comentaram até sobre ligar para os pais e dizer sobre a atitude, pois tinham certeza, que se soubessem antes, não deixariam. Na verdade, poderiam até separá-los. Eles também comentavam coisas comuns e bobas que casais de namorados costumam fazer, como o fato de viver juntos até a eternidade, ou morrer unidos como um casal de pombos gordos e piolhentos. Justin era romântico e Samara não poderia culpá-lo. Foi aquilo que chamou a atenção dela. Mas ela sabia que eles talvez não pudessem crescer juntos, nem morrer unidos como um casal de pombos, pois havia nevado em quatro de novembro de 1977 e se os velhos daquela cidade estivessem certos, estava prestes a acontecer uma desgraça. Samara sabia ser parte dela.

— Tenho uma má impressão… — disse ela, preocupada. — O bilhete que você me entregou, sobre nossa fuga, sobre o encontro de hoje no hotel Huster, eu entreguei sem querer para um garoto do colégio. Eu achava que… Eu não sei porque não conferi. Faz alguns dias que eu não o vi e eu tenho medo dele.

— Não se preocupe, querida. Eu não assinei. Ninguém sabe que você irá fugir comigo e ninguém vai nos impedir. Nem mesmo esse garoto. Não iremos mais para o hotel Huster. Me encontre às quatro da tarde, mesmo horário, na hidrelétrica. Decidi que vamos para o norte.

Samara assentiu e viu seu coração se aquietar, como se ela vencesse o destino. Estava apenas um pouco certa.

 — Agora vá para o colégio e não se esqueça de sair mais cedo. Sem alarme, Samara — falou ele, se sentindo feliz, mas preocupado. Coisas novas assustavam qualquer um.

Samara concordou. Ela se despediu dele com um abraço e saiu do estacionamento. Ele a observou até a calçada, mas Samara parou, virou-se e perguntou, sem medo de ter sido alto: — aquilo era verdade?

 — Aquilo o quê? — perguntou Justin e se esforçou para entender o que ela queria de fato perguntar.

— Sobre morrer unidos… se eu for primeiro, eu venho te buscar — disse ela e se sentiu estranha de novo. Parecia uma promessa difícil de cumprir. Ela nunca morrera. Não que ela se lembrasse, mas algo verdadeiramente reconfortante atingiu seu coração. A ideia de voltar. Ela lembrou-se da garota morta na aula de química, lembrou do dia em que caiu na poça de lama, teve um pequeno, mas estranho lampejo mental do dia em que riram do cabelo dela e sobre como ela se vestia ou andava. Estas eram lembranças ruins e ela concordava, talvez ao ponto de achar justo que ela realmente morresse. O maldito medo estava lá, de cócoras, dando risada e rodopiando como um pião. Ele queria dançar novamente.

Justin, respirou fundo e mediu o sentimento que tinha por Samara Morris. Era um amor que valeria a pena. Ele adoraria que ela o buscasse, mas achava que aquilo era estranho, para não dizer, terrivelmente assustador. Sabia que só falara aquilo porque namorados apaixonados costumam dizer essas coisas. Justin tentou se imaginar sem ela e isso pesou em seu coração. Pesou tanto que ele temeu que morresse ali mesmo, de solidão e saudade.

— Sim. Nós sempre iremos nos encontrar. Mesmo que leve uma eternidade — respondeu ele, e sorriu. Samara sabia que seria uma eternidade. Uma eternidade de três décadas. Justin não sabia sobre os “dons” de Samara. Talvez se soubesse, poderia reconsiderar isso e ela entendia, por isso nunca ousou contar nem para ele, nem para qualquer outro.

_____________________

4 de novembro de 2007 - 15:57

— Eu sabia! — disse Adam, aos berros. — Esses filhos da mãe só irão mexer os traseiros, na medida em que receberem mais pistas.

Eles estavam no carro que Adam Wason pegou emprestado de seu primo. Era uma opala preta de 1980. Se seu pai descobrisse que ele estava dirigindo novamente, poderia reservar mais algumas pomadas na farmácia popular de Andy e Diana, pois era surra na certa.

— Prenderam o maníaco… — Bill disse, não esperando que sua voz saísse alta, mas ela saiu. A afirmação era justa se considerasse que estariam livres de uma maníaco, mas bizarra se considerasse existirem dois.

— Isso não significa menos perigo, significa? Temos um suspeito e temos um nerdzinho desaparecido — Adam retrucou e puxou a espingarda guardada ao lado do assento, próximo do câmbio. — O que querem fazer?

Bill olhou para Melissa e encontrou os olhos de uma menina que dizia sim, apesar de os sentimentos serem contrários. Eles estariam indo atrás de um homem potencialmente perigoso. O que poderia dar certo?

— Vamos! — Bill disse com gosto, se ajustando no assento do carro e colocando o cinto de segurança. Melissa fez o mesmo, mas ainda lenta. Não tinha certeza se queria voltar naquele local.

— É disso que eu tô falando… — falou Adam, sorrindo e dando partida no carro. Ele saiu cantando pneu.

_____________________

4 de novembro de 1977

Samara achava bonito o som do vento passando pelas árvores sem folhas. Um tipo de uivo satisfatório. Quase melódico. Muitas das vezes, ela se sentava no banco da praça e ficava apenas ouvindo o vento. Ele parecia carregar seus pensamentos para longe. Samara não gostava de pensar muito, queria viver o mundo externo, não sua poderosa imaginação, mas era quase inevitável não pensar em algo, ou em si mesma. Muitos destes pensamentos levavam-na para questões complexas. Ela perguntava se existiria realmente inferno ou algum lugar onde pessoas ruins iriam quando morressem, e só de pensar ficava assustada. Sabia que  lugares bons também poderiam existir e ela faria parte de um, algum dia? Ela duvidava disso, mas sabia que se mudasse agora, poderia ter pelo menos uma chance. Foi daí que ela começou a esconder-se de si mesma e do seu potencial catastrófico. Samara afirmou-lhe, mais de cem vezes, que não teve culpa sobre a morte daquela garota na aula de química. Ela queria acreditar e estava começando a verdadeiramente crer que não foi sua intenção machucá-la. Que aquilo foi um evento raro e isolado. Essas coisas acontecem mesmo. Combustão espontânea. Será que as pessoas ruins costumam pegar fogo do nada? Ela pensava, e até mesmo verificava se não havia alguma parte quente em sua barriga ou cabeça. Apesar de Samara sentir um pingo de satisfação com o que aconteceu com Alison, ela nunca foi a mesma desde então. Ela não estava quente. Estava fria. Fria como aquela tarde.

— Se ficar aí por muito tempo poderá pegar um resfriado — disse Paul, sentando-se ao lado de Samara. Eles não se falavam há dias. Samara estava furiosa com ele desde do dia em que Paul e Amy viraram as costas para ela quando ela estava sendo o centro das atenções do colégio. A palhaça, ou melhor: a bruxa-palhaça de John Dalton.

Samara se levantou e sentiu a mesma raiva que sentira naquele dia, até mesmo mais reforçada. Ela olhou profundamente para Paul e o viu pegando fogo, como uma chama. Logo, afastou-se dele. Não sabia se poderia colocar fogo nele só de pensar, e não queria descobrir.

— Samara. Desculpe, ainda está brava comigo? — perguntou ele, mas já tinha a resposta. A cara dela e o silêncio falavam alto. — Eu sinto muito.

— Não! Você não sente. Eu posso sentir — respondeu ela, atônica. Samara sabia que sua raiva era como um incêndio próximo a um posto de combustíveis.

— Já falamos sobre esse negócio de sentir, de prever. Essas coisas não são de Deus. Você precisa de oração Samara. Eu tento te ajudar, mas você parece estar…

(...POSSUÍDA PELO DEMÔNIO)

O final daquela frase soou na cabeça dela, como um eco em um tom mais elevado. Samara ficou ainda mais assustada. O medo colocou a roupa preta e cabeluda e começou a grunhir em seu ouvido. Já não bastava aquele dom, ou maldição e agora ela pensou possuir habilidades de ler mentes?

— Demônio? — a pergunta saiu da boca de Samara como se tivesse pegado embalo e pulado para fora.

Paul arregalou os olhos e por um momento teve certeza de que ela havia lido sua mente. Era possível. Samara era-lhe, agora e talvez, desde sempre, uma bruxa em ascensão.

— Como isso é possível? — perguntou ele, boquiaberto. — Você não consegue ver, Samara? Olha para isso?

Samara olhou para suas mãos e elas estavam em chamas. Um fogo amarelo vivo. Mas o que mais lhe surpreendeu não foi o fato de ter as mãos em chamas, mas de não sentir um pingo de dor. Ela ficou maravilhada e assombrada ao mesmo tempo.

— Ave Maria cheia de graça…

— Para! — Samara disse e apontou a mão para Paul. Uma força o lançou no ar, a dois metros de distância. Ele caiu na neve compactada, como um saco de batata. Não sentiu dor,  mas ainda assustado e estranhamente grato, percebeu que poderia ter sido pior. Ele poderia estar em chamas. Ele deu no pé. Correu como se o próprio capeta estivesse ali.

O fogo das mãos de Samara ficou mais fraco, gradativamente, até se apagar, como um candeeiro sem querosene. Ela olhou para o Paul correndo no horizonte, enquanto gritava, mas não se importou. Ela precisava ir. Precisava pegar um atalho na floresta e encontrar o Justin.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Com Amor, Samara   PARTE FINAL: SHOW DO HORROR

    HOTEL HUSTER - CELEBRANDO A VIDAO Hotel Huster foi palco de grandes eventos durante os anos oitenta e costumava receber muitos hóspedes durante a alta temporada, mas os anos de glória do Huster estavam com os dias contados. Administrado pelo ex-banqueiro de Liontown, Chad J. Graham, os negócios pareciam ter atrofiado. Os moradores costumavam chamar o Chad de dedo de ouro, por ser bom nos negócios, mas aquele em especial, fora sua primeira e última investida no ramo da hotelaria. O hotel perdeu capital por 20 anos, antes de fechar as portas há dez anos. Agora, era uma construção inútil à beira da rodovia Clyde. Clyde era conhecida por cortar toda a cidade e ser um dos principais pontos de entrada e saída do município. Mas não tinha um ser humano sequer que saísse ou entrasse em Liontown e não reparasse o hotel. Ele ainda par

  • Com Amor, Samara   PARTE 32: FRIO E ESCURIDÃO

    4 de novembro de 1977 - 16:30— Se você não falar para onde foi aquela retardada, pode ter certeza que eu tiro todos os dentes de sua boca e te mando para o céu, santinho — disse James, dando um soco na barriga de Paul. Tony segurava-o pelos braços, como alguém que segura um porco para o abate. — Fala!Paul puxou o ar para os pulmões e olhou para a floresta que havia logo depois da rua atrás do colégio. Era um aglomerado de árvores altas e densas. Era o caminho mais rápido se quisesse chegar à rodovia principal da cidade.— Ela foi para lá…— Maldita hora para ir pela floresta, aberração — falou James. Tony soltou Paul, que

  • Com Amor, Samara   PARTE 31: VIDA E MORTE (2)

    4 de novembro de 2007Quando o opala preto que Adam Wason estava dirigindo parou frente a antiga casa dos Morris. Ele teve uma intuição esquisita de que Edward não estaria ali. O tipo de intuição que ele não poderia compartilhar com os outros. Ele achava que essas coisas só eram sentidas por mulheres. Sua intuição se intensificou ao perceber haver rastros de pneu de carro por toda parte. Se Edward estivesse ali, não estaria mais.— Será que chamamos a atenção? — perguntou Melissa, com uma preocupação evidente. — Aqui é muito silencioso.— Se chamamos, quero estar preparado e saber que estou armado — retrucou Adam, com orgulho. Um orgulho quase doentio.

  • Com Amor, Samara   PARTE 30: VIDA E MORTE

    4 de novembro de 1977.Ninguém quer morrer. Pelo menos é assim que a maioria das pessoas pensa. Temos um instinto de defesa e sobrevivência que evoluiu há milhares de anos e nos preparou para os piores cenários. Algo que Bill Lewis sabia muito bem. Lutar ou fugir, estas eram as duas opções interessantes quando a questão era apenas sobreviver, e Bill estava usando-as. Já Samara Morris, em seu íntimo, tinha uma certeza que era assustadora. O tipo de certeza que ela tinha medo de verificar para ver se era realmente aquilo tudo, pois sabia que poderia ser muito pior. Ela ia morrer. Assassinato talvez. Só não sabia quando, como e porquê, o que era péssimo também. Entretanto, ela tinha esperança, do tipo que a fazia viver e esquecer o inevitável. A esperança que ela encontrou t

  • Com Amor, Samara   PARTE 29: BILL TOMA UMA DECISÃO

    Liontown. 4 de novembro de 2007Bill achou fácil convencer sua mãe a sair depois do almoço, pelo fato de que haviam prendido o suspeito do desaparecimento de duas crianças na região e de… Ele se esforçou para manter a imagem de Edward em um lugar seguro, mas ele só conseguia vê-lo flutuando de barriga para baixo, às margens do rio Wax. Isso o deixava mal. Mas era difícil de deixar de pensar em coisas ruins. Sua mente estava viciada em possibilidades negativas e ele se odiava por isso. Bill cruzou a avenida principal da cidade e se encontraria com Melissa e Adam depois dos trilhos da estação ferroviária de Liontown e ficariam ali debatendo as investigações. E entre fatos verdadeiramente concretos e imaginários, Bill e Adam estariam sempre divididos nas opiniões. Era o que cos

  • Com Amor, Samara   PARTE 28: BRINCANDO COM FOGO

    Edward estava algemado à cama em um quarto escuro com paredes azuis. Suas roupas eram elegantes e pareciam ser da década passada. Um suéter de lã de cor vermelha-escura cobria seu torso — na vestimenta havia um broche. Era uma pombinha dourada. — O jovem olhou para os lados quando acordou novamente de seu sono nada agradável e viu, agora que seus olhos se adaptaram à escuridão, que o ambiente estava repleto de fotos de uma garota. Era Samara? Edward sabia que sim. Até onde ele se lembrava, ele veio para a casa dos Morris e sabe-se lá o motivo, ele estava no quarto que intuitivamente soava ser de uma garota. De uma garota morta. Os olhos do garoto varreram o quarto, observando cada canto e com um receio que estava no centro de sua garganta, como uma bola de muco quando se está muito gripado. Edward então escutou alguns passos que faziam as madeiras do piso rangerem

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status