LOGIN“Dante Ferretti”Fecho a porta do escritório devagar, e o barulho das conversas e risadas fica abafado do lado de fora.Mamma para no centro da sala, com as mãos entrelaçadas na frente do corpo, olhando ao redor como se estivesse decidindo onde se sentar.— Aqui está bom? — pergunto, indicando o pequeno sofá perto da janela.— Está.Ela se senta, e eu vou até a gaveta onde guardei as duas cartas desde que voltamos da casa antiga.Depois, me aproximo e estendo o envelope para ela.Minha mãe olha para seu nome escrito na frente e, talvez sem perceber, sorri.— Ainda tenho a letra dele guardada na memória — ela murmura, passando o polegar sobre as letras. — Engraçado como algumas coisas nunca se apagam de verdade.Me sento na poltrona à frente dela, sem dizer nada, dando o tempo de que ela precisar.Ela abre o envelope devagar, com cuidado, como se o papel pudesse se desfazer entre os dedos.Em seguida, desdobra a folha e, por um longo momento, apenas olha para as palavras, sem realmente
Após o café da manhã, a mesa no canto da sala se torna um pequeno escritório de eventos. Listas espalhadas, fotos de decorações, cartões de fornecedores e, no meio de tudo isso, Teresa com os óculos na ponta do nariz, riscando itens com uma caneta vermelha como se estivesse revisando um contrato milionário. — Já confirmamos o buffet, as flores, o fotógrafo… — ela murmura, mais para si mesma do que para mim. — Só falta decidir sobre a mesa de doces. — Nonna, ainda temos uma semana inteira — falo, rindo, enquanto me sento com cuidado na cadeira ao lado dela. — Uma semana é pouco tempo, tesoro. Você não tem ideia de quanta coisa pode dar errado. — Vai dar tudo certo. — Vai, porque eu não vou deixar que dê errado. Isabella aparece na cozinha, com um copo de água na mão, e solta uma risada baixa ao ver a cena. — Ela está mais empolgada do que a própria grávida — comenta, se aproximando. — Já mudou o cardápio duas vezes. — Porque a primeira versão tinha muito salgado e pouco doce —
O cheiro de café recém-passado se mistura ao de pão quente. Elena e Martina, a cozinheira, vão e vêm da cozinha, sempre com mais uma travessa na mão, como se estivessem prestes a alimentar um exército. — Elena, isso é comida demais — comento, olhando para a mesa já lotada. — Sua sogra vai chegar com fome, Amy. E sua nonna vai reclamar se não tiver o suficiente para servir a família toda assim que colocar os pés aqui. Não consigo discordar disso e acabo rindo. O riso morre quando chego à sala e vejo Dante vindo pelo corredor, com o celular na mão. Já é a quinta vez que olho para meu marido e ele está com os olhos na tela. Suspiro, porque isso está começando a me incomodar. Não por ser irritante, mas porque é horrível vê-lo assim. — Nenhuma notícia ainda, amor? — pergunto, baixinho, me aproximando. — Não. Ele passa o polegar pela lateral do celular, sem realmente desbloquear a tela. — Victor prometeu avisar assim que tiverem algo. Me sento no colo dele, passando os braços e
Viro o rosto em direção à porta e ouço os passos de Elena indo atender. — Pelo visto, nossa última convidada acabou de chegar — murmuro, me arrastando para a beira do sofá. Meu marido assente e se levanta, me ajudando a ficar em pé. No mesmo momento, Paige aparece com um vestido leve e um sorriso enorme, carregando uma sacola de papel. — Trouxe sobremesa — anuncia, entrando. — Considerem isso um suborno para me convidarem sempre. — Você não precisa de suborno para isso — respondo, rindo. Enquanto Dante pega a sacola das mãos dela, Victor volta da varanda bem a tempo de vê-la. O sorriso que aparece no rosto dele é imediato, quase automático. — Chegou rápido. — Sim. O trânsito estava tranquilo — ela responde, se aproximando dele. Os dois trocam um beijo rápido nos lábios, tão natural que quase passa despercebido. Quase. Porque continuo olhando para os dois, tentando não sorrir demais. Paige percebe meu olhar e revira os olhos, ainda sorrindo. — O quê, Amy? —
“Amy Ferretti” Meu despertador foi oficialmente aposentado ontem, mas o cheiro de café parece ter assumido a função de me acordar. Viro a cabeça e encontro o lado da cama de Dante vazio, só o travesseiro ainda com a marca da cabeça dele. Em seguida, sinto um movimento na barriga, que se tornou tão comum nas últimas semanas que já nem me acorda mais. Um sorriso surge no mesmo momento. Trinta semanas. Está cada vez mais perto do dia em que finalmente vou conhecê-los. Passo a mão devagar pela barriga e logo sinto outro movimento logo em seguida. — Bom dia para vocês também, meus amores. Como se tivessem entendido, os dois parecem decidir que esse é o momento perfeito para começar uma pequena reunião particular dentro de mim. Solto uma risada baixa. — Vocês podiam esperar a mamãe acordar primeiro, sabiam? Mais um chute. Antes que eu possa continuar aproveitando o momento de calmaria, ouço a voz tensa do meu marido do outro lado da porta, provavelmente ao telefone. O dia come
“Juliet Whitmore” O quarto da casa de campo parece ter sido atingido por um delicioso tornado, deixando tudo em uma bagunça agradável. Garrafas vazias espalhadas pelo chão, roupas jogadas sobre os móveis, copos pela metade sobre a mesa e pequenos envelopes abertos ao lado de um espelho coberto de pó branco. — Engole tudo, vadia — o loiro diz, puxando meus cabelos com força. Faço o que ele ordena, empurrando a boca contra o pau dele até engasgar. Ele ri, satisfeito com o som que deixo escapar, e estende a mão para pegar o copo de whisky na mesinha de cabeceira. A bebida escorre quente pelo peito dele até chegar à base do pau duro. — Limpa essa porra! — exclama, dando um tapa no meu rosto. Inclino a cabeça e lambo, devagar, sentindo o gosto da bebida se misturar com o dele enquanto o outro me fode por trás com força suficiente para me fazer balançar para frente a cada estocada. Meu joelho dói contra o colchão, o cabelo gruda no rosto, mas não peço para parar. Não quero parar.







