LOGINDois meses depois… Um barulhinho me acorda, seguido por algo macio encostando no meu braço. Ainda de olhos fechados, tento voltar a dormir, mas ouço um gritinho animado perto do meu rosto e sinto pequenos dedos agarrarem uma mecha do meu cabelo. Franzo a testa. — Amor, se você está tentando me acordar antes das oito, espero que tenha uma ótima justificativa. Uma risada ecoa ao meu lado. — Tenho duas, Piccola. Abro os olhos devagar e dou de cara com meu marido, sentado ao meu lado, com um sorriso convencido e os dois filhos entre nós. Leonardo está de barriga para cima, mexendo os braços como se estivesse regendo uma orquestra invisível. Caleb, por outro lado, parece muito mais interessado na minha presença. Ele me observa com os olhos arregalados, enquanto as perninhas se agitam debaixo do macacão azul-claro, até que abre um sorriso banguela que acaba comigo. Meu Deus. — O que vocês estão fazendo aqui? — pergunto, sentindo o sono desaparecer aos poucos. — Viemos dar bom di
“Amy Ferretti”Por um instante, tenho a impressão de que ouvi errado.Pisco, encarando meu marido, que continua apoiado na mesa com a expressão mais tranquila do mundo.Tranquila demais para alguém que acabou de dizer algo com esse peso.— O quê?Dante inclina a cabeça, como se estivesse considerando seriamente a questão.— O divórcio, Piccola. Você sabe, aquele que prometeu pedir amanhã mesmo se eu tentasse impedir você de terminar de arrancar os cabelos da Valentina.— Eu não estava arrancando os cabelos dela! Eu estava… — paro, tentando encontrar uma justificativa que me faça parecer mais racional. — Eu estava ensinando uma lição.Ele levanta uma sobrancelha.— Ah, claro. Uma lição prática. Com direito a tapas, puxões de cabelo e ameaças de divórcio.— Você não ouviu a parte em que ela falou dos nossos filhos?— Ouvi cada palavra, amore.— Então sabe que ela mereceu!— Não disse que não.A resposta me pega desprevenida.— Não disse?— Não, Piccola. Nem disse que não entendo por que
O silêncio que se instala no escritório dura pouco. Valentina me encara como se estivesse esperando que eu voltasse atrás ou, no mínimo, demonstrasse algum remorso por ter acabado de reduzir anos de expectativas dela a uma única frase. Não faço nada disso. — Você não pode simplesmente jogar tudo fora assim — diz, com a voz mais baixa, mas ainda carregada de indignação. — Não pode falar como se não tivesse significado nada! — Porque não significou, Valentina. E você sabia disso desde o começo. Nunca prometi um relacionamento, nem dei a entender que existia alguma possibilidade de sermos mais do que fomos. — Você está dizendo isso porque está na frente dela! — rebate, apontando discretamente para Amy. — Estou dizendo isso porque é a verdade. Você quis acreditar que, se continuasse por perto, acabaria se tornando importante para mim. Mas eu nunca lhe dei motivos para pensar assim. Amy aperta um pouco mais os dedos nos meus, mas não diz nada. Pelo canto dos olhos, percebo que está
“Dante Ferretti”Os dois seguranças mantêm Amy entre eles, segurando seus braços como se minha esposa fosse uma ameaça à segurança nacional, enquanto Valentina continua sentada no chão, com a mão sobre o lábio ferido e uma expressão de puro ódio no rosto.E Amy?Minha mulher está sorrindo.Porra, ela está sorrindo.Como se tivesse acabado de resolver um problema particularmente irritante, e não de transformar meu escritório em um ringue de luta.— Podem soltar minha mulher — ordeno, em voz baixa.Os dois homens trocam um olhar rápido antes de obedecer.Assim que a soltam, Amy puxa os braços para junto do corpo e ajeita o vestido, como se estivesse mais preocupada com a roupa do que com o fato de ter acabado de distribuir uma sequência de tapas na mulher que trabalha para mim.Valentina solta uma risada incrédula.— Você está de brincadeira comigo, Dante? Olha o que ela fez comigo!Viro lentamente a cabeça na direção dela.— Estou vendo.— Ela me agrediu!— Quer mesmo discutir quem com
O primeiro tapa estala pelo escritório inteiro. A cabeça de Valentina vira para o lado, mas ela mal tem tempo de entender o que aconteceu antes que eu agarre seus cabelos novamente e puxe sua cabeça para trás. — SOLTA MEU CABELO, SUA MALUCA! Ela tenta se desvencilhar, arranhando meus braços, mas a única coisa que consegue é me deixar ainda mais furiosa. — Você queria tanto a minha atenção, não queria? — vocifero, puxando-a para mim. — Então olha bem para mim agora! Solto seu cabelo e acerto outro tapa em seu rosto antes que ela consiga responder. — SUA VADIA! — E VOCÊ É UMA VACA! — berro de volta. — Amy! A voz de Dante ecoa pelo escritório. Olho para ele por um segundo, e isso é o suficiente para Valentina tentar se aproveitar da minha distração. Ela vem na minha direção, tentando me acertar um tapa, mas consigo empurrá-la e caio por cima dela. O impacto nos leva ao chão, e Valentina solta um grito quando minha mão encontra seu rosto outra vez. — Você é maluca! — grita, te
“Amy Ferretti” Dante abre a boca, mas Valentina o interrompe. — Você entrou sem bater, esperava encontrar o quê? — Tudo, menos uma mulher sentada no colo dele. — Eu só estava tentando ajudá-lo a relaxar. Solto uma risada incrédula. Sinceramente, a audácia dessa mulher merece algum tipo de prêmio internacional. — Claro — digo, assentindo devagar. — Imagino que, na sua cabeça, sentar no colo de um homem casado seja algum tipo de terapia empresarial. Valentina finalmente se levanta do chão, ajeitando a saia e alisando o cabelo como se tivesse acabado de tropeçar no próprio salto, e não de ser arrancada do colo do meu marido. Respiro fundo, entro na sala e fecho a porta devagar. Minha vontade é atravessar o escritório, arrancar Valentina do chão pelos cabelos e jogá-la por uma dessas janelas sem pensar duas vezes. Mas não faço isso. Porque, se eu reagir mal, darei exatamente o que ela quer: o prazer de acreditar que realmente acho que alguma coisa estava acontecendo aqui. E, pe







