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Capítulo Cinco: A Mulher na Fotografia

Penulis: Joyce Claire
last update Tanggal publikasi: 2026-09-22 03:15:48

Eu não dormi naquela noite, nem na seguinte.

Toda vez que fechava os olhos, as fotografias queimavam nas minhas pálpebras.

O quarto de hotel escuro, o homem com o rosto borrado, meu corpo e feições, a ruína total da única noite que alguma vez parecera real para mim.

Eu me sentei na beira do colchão afundado em um quarto de hotel barato e genérico, encarando meu telefone, três dias desde o divórcio. Três dias desde que Jason me jogou fora como lixo.

A mídia estava se divertindo, as manchetes não paravam, e as redes sociais eram cruéis.

Eu era etiquetada como traidora, caçadora de ouro e desavergonhada.

Joguei o telefone na cama, a dor no peito me sufocando fisicamente, eu não me importava com os trolls da internet.

Era o Jason. Jason acreditara neles instantaneamente, essa era a ferida que não parava de sangrar.

Uma batida aguda na porta me fez pular,

Eu congelei porque ninguém sabia que eu estava aqui, outra batida mais rápida desta vez.

Caminhei com cautela, meu coração batendo com força contra as costelas.

"Quem é?" Silêncio.

Então, um envelope branco e nítido deslizou por baixo da porta.

Esperei alguns segundos antes de pegá-lo, sem nome, sem endereço de remetente. Rasguei-o, e um monte de fotos brilhantes se espalhou pelo carpete.

Meu estômago enjoou, eram as mesmas fotos. As exatas que Jason usara para acabar com nosso casamento.

Mas enquanto agarrava uma com dedos trêmulos, percebi que algo era diferente.

Um marcador vermelho pesado circulava um relógio digital sentado na mesa de cabeceira do hotel, eu franzi os olhos, o relógio marcava: 23:43.

Peguei a próxima. 23:51. A seguinte. 23:57.

Minha respiração prendeu forte na garganta, na noite do nosso ensaio de casamento, às 23:43, eu estava sentada bem ao lado de Jason em uma mesa de banquete. Eu estava cercada por duzentos convidados, família e câmeras. 

Não havia absolutamente nenhuma maneira de eu ter estado em um quarto de hotel do outro lado da cidade.

Era uma armação, um erro de carimbo de tempo incrivelmente preciso e caro.

Minhas mãos tremiam, uma mistura selvagem de alívio e puro terror inundando minhas veias. 

Eu não estava louca, olhei dentro do envelope e encontrei um minúsculo pedaço de papel com quatro palavras rabiscadas nele: Olhe mais de perto para Sloane.

O sangue nas minhas veias se transformou em gelo. 

Sloane. Minha irmãzinha. A que eu passara a vida inteira protegendo, entrando nas sombras para que ela pudesse brilhar, antes que eu pudesse sequer processar a traição, outra batida agitou a porta.

Abri a porta, minhas defesas levantadas, e congelei.

Minha mãe entrou sem convite, parecendo imaculada, rica e completamente enojada.

Seus olhos varreram o papel de parede descascando do meu quarto barato. 

"É aqui que você está ficando? Sinceramente, Serenity."

"É temporário," eu disse, cruzando os braços para esconder minhas mãos trêmulas. 

"O que você está fazendo aqui, Mamãe?"

Ela suspirou, largando a bolsa de grife na única cadeira. "Eu ainda não consigo acreditar que você fez isso, a vergonha absoluta que você trouxe para o nome da nossa família."

A velha e familiar ferroada cortou fundo, não está bem? Não onde você esteve? Só culpa.

"Eu não fiz nada," eu disse, minha voz baixando para um sussurro perigoso.

 "Eu não traí o Jason."

Mamãe desviou o olhar rapidamente, a mandíbula se apertando.

Eu peguei o movimento, ela não estava zangada, estava evitando meus olhos, uma suspeita nauseante rastejou pela minha espinha.

"Mamãe," eu caminhei até ela, forçando-a a me olhar. "Você sabia?"

"Saber o quê? Não seja ridícula." Ela estalou a cabeça de volta, mas a voz estava alta demais e defensiva.

"As fotografias," eu empurrei, meu pulso martelando. 

"Você sabia delas antes de Sloane levá-las para o Jason, não sabia?"

"Esta conversa acabou," ela estalou, imediatamente alcançando a bolsa e se virando para a porta.

"Me responda!" eu gritei, a raiva finalmente explodindo de mim. "Ela mostrou para você primeiro?"

Mamãe parou morta em seus passos, de costas para mim, o silêncio na sala era ensurdecedor, ela fechou os olhos, os ombros caindo apenas uma fração, antes de sussurrar, 

"Você só precisa seguir em frente, Serenity."

Seguir em frente, como se meu casamento não tivesse sido rasgado em menos de vinte e quatro horas, como se minha reputação não tivesse sido arrastada pela lama.

"Você sabia que ela estava mentindo," eu engasguei, lágrimas de traição absoluta finalmente me cegando.

 "E você deixou ela fazer isso de qualquer forma."

Mamãe não negou, apenas abriu a porta e saiu, batendo-a atrás de si.

Eu afundei no chão, a realização estilhaçando o que restava do meu coração, minha própria mãe escolhera a mentira tóxica de Sloane sobre a minha vida.

Eu era completa, totalmente descartável para eles.

Horas passaram e a noite caiu, e o quarto escureceu. 

Eu me sentei junto à janela, encarando as luzes borradas da cidade, sentindo a mágoa lentamente endurecer em algo mais, algo afiado.

Meu telefone vibrou, um número desconhecido.

Deslizei para atender amargamente. "Alô?"

Nada além de estática baixa me cumprimentou.

"Quem é este?" eu exigi, apertando o telefone com força.

Uma voz fortemente distorcida e mecânica finalmente falou. "Se você quer a verdade real, pare de olhar as fotografias."

Meu coração saltou. 

"O que você quer dizer?"

"Olhe a lista de convidados do casamento."

"Espere! Quem é você?" A linha caiu.

Afastai o telefone, encarando a tela em branco, minha respiração vindo em ofegadas curtas e irregulares. 

A lista de convidados? O que isso tinha a ver com qualquer coisa? Quem estava puxando as cordas por trás deste pesadelo? Olhei para o outro lado do quarto, para as fotos espalhadas sobre a cama. 

A garota indefesa e quebrada que saíra do escritório de Jason três dias atrás tinha sumido.

Eles queriam me arruinar, queriam que eu desaparecesse.

Mas eu terminei de chorar, eu ia descobrir exatamente quem destruiu minha vida e eu faria eles pagarem, mesmo que eu tivesse que rasgar minha própria família para isso.

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