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Capítulo 4

last update publish date: 2026-10-30 02:53:18

"Quer brincar com fogo, Killian?"

[Musica sugerida para o capitulo = Chase Atlantic - Right Here]

( NYRA )

Naomy me liga falando de um tal de “psicopata sexy” que acabou de chegar à cidade.

Juro que quase bloqueei aquela vadia.

Eu estava no meio da oficina, suada, com graxa até o cotovelo, tentando terminar um serviço, e ela me aparece com esse convite como se eu não tivesse mais nada para fazer da vida.

Mas aí mencionou uma corrida.

E o cara novo que, segundo ela, “valia a pena ver”.

Beleza.

Capacete. Jaqueta. Kawasaki no asfalto.

Cheguei pronta para correr, rir e talvez arrancar a dignidade de alguém pela pista. Coisa leve.

Só não esperava encontrar o tal homem encostado no próprio carro, como se estivesse posando para a capa de um filme de ação falido dos anos 2000.

Cigarro no canto da boca. Ombros largos. Aquele ar de quem não está nem aí para nada.

Mas foram os olhos que me fizeram diminuir o passo.

Ele era bonito. Tipo... perigosamente bonito.

Dava vontade de bater e depois sentar no colo. Ou o contrário.

Fingi que não me abalei. Passei direto, fingindo que não reparei no queixo bem desenhado, no jeito como ele me acompanhou com os olhos ou naquele maldito sorriso de quem parece saber alguma coisa que você não sabe.

Só que havia algo estranho.

Não era apenas a maneira como ele me olhava.

Eram os olhos.

Por um segundo, tive a sensação absurda de já ter visto aquele olhar antes. Não consegui dizer onde, nem quando. Só senti o estômago apertar de um jeito que não gostei nem um pouco.

Engoli a sensação e continuei andando.

Eu não ia deixar um desconhecido bonito estragar minha noite. Já tinha problemas suficientes.

Fui até Kael e o abracei rapidamente, aproveitando aqueles segundos para organizar os pensamentos.

Não adiantou muito.

O homem continuava no mesmo lugar, fumando como se o mundo inteiro fosse uma grande perda de tempo.

— Esse aí é o Killian — Kael anunciou, apontando para ele. — Recém-chegado.

Killian.

Que interessante.

O nome combinava com ele. Ou talvez eu só estivesse procurando alguma coisa para justificar por que tinha prestado tanta atenção.

Me aproximei sem medo.

Ele tirou o cigarro da boca e me observou com um meio sorriso.

— Então... você que é a tal gata selvagem?

Segurei o riso. Olhei diretamente para aqueles olhos e sorri do meu jeito: afiado, debochado e com veneno suficiente para estragar o dia de alguém.

— E você que é o novo brinquedo da cidade? Achei que viria com manual de instrução.

Ele piscou devagar, quase indiferente.

Quase.

A mandíbula travou por um instante. Foi rápido demais para eu ter certeza de que não estava imaginando coisas.

Mas eu conhecia aquele tipo de reação. Já tinha irritado homens suficientes para reconhecer quando acertava algum ponto sensível.

Cheguei um pouco mais perto.

Meu corpo reagiu de um jeito estranho. Uma tensão que não combinava com a situação, como se eu estivesse perto demais de alguma coisa que deveria reconhecer.

— Parece que você viu um fantasma — falei.

Ele soltou uma risadinha curta.

— Você tem uma imaginação bem criativa.

— E você tem um jeito bem merda de esconder quando alguma coisa te incomoda.

Ele levou o cigarro à boca novamente.

Clássico.

Talvez fosse só um hábito. Talvez estivesse tentando ganhar tempo. De qualquer forma, eu estava me divertindo.

— Acha que me incomodou?

Inclinei a cabeça, fingindo considerar a pergunta.

— Eu sei que incomodei. Minha presença avassaladora deve ser difícil de ignorar.

Ele me encarou sem piscar.

Havia alguma coisa naquele olhar que me irritava. Não porque fosse ameaçador, mas porque parecia familiar de um jeito que eu não conseguia explicar.

Desviei os olhos primeiro, mais por raiva de mim mesma do que por qualquer outra coisa.

— Você sempre foi assim ou é só efeito colateral da cidade? — ele perguntou.

Ri, dessa vez sem tentar esconder.

— Não se ilude, gostosão. Eu já era assim quando você ainda chorava escondido atrás do muro da escola.

O sorriso dele perdeu a força por uma fração de segundo.

Foi tão rápido que outra pessoa provavelmente nem perceberia.

Eu percebi.

E, pela primeira vez naquela noite, fiquei sem uma resposta pronta.

Por que diabos ele tinha reagido daquele jeito?

Antes que eu pudesse pensar melhor, Kael gritou do outro lado:

— Ô, vocês vão flertar ou se matar? Porque eu quero ver os dois!

Revirei os olhos.

Killian continuava me encarando. A mandíbula dele se contraiu de leve, e o cigarro tremeu entre seus dedos.

Talvez eu tivesse acertado algum nervo.

Talvez ele só fosse um homem estranho com hábitos estranhos.

Eu tinha acabado de conhecê-lo. Não fazia sentido ficar procurando significados escondidos em cada movimento.

Então dei um passo para trás, virei as costas e fui até Naomy, que me esperava com um sorriso travesso.

— Tá, fala logo. O que achou dele? — perguntou, tomando um gole do energético como quem assiste ao circo pegar fogo.

— De quem? Do Killian?

Cruzei os braços.

— Achei que fede a problema. Desse tipo

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