LOGIN🏁 KILLIAN 🔥
"Dimitri" A cidade grande me recebe como qualquer outra: barulhenta, suja e cheia de gente. Me acomodo no banco do carro e seguro o volante. O ronco grave do motor me lembra quem sou agora. Ou melhor, quem precisei me tornar. Outro nome. Outro rosto. Outra vida. Killian. Ainda acho estranho pensar nesse nome. Demorei para me acostumar com ele, mas hoje é o que posso usar sem colocar tudo a perder. Dimitri ficou para trás. O GPS apita, indicando o endereço do próximo cliente. Mais um serviço. Mais uma cabeça a prêmio. É assim que pago as contas, abasteço meus carros e, de vez em quando, tento anestesiar essa merda que insiste em pulsar no meio do peito. Aperto o volante com força. Meus olhos encontram outro homem no retrovisor. A cirurgia mudou meu rosto, apagou traços que um dia alguém poderia reconhecer. Mas os olhos continuam os mesmos. Frios, cansados, cheios de lembranças que nem o fogo conseguiria apagar. Eu nunca quis essa vida. Nunca imaginei que me tornaria o tipo de homem capaz de apertar um gatilho sem hesitar. Só hesitei a primeira vez... Lembro daquela noite como se tivesse acontecido ontem. A chuva caía pesada, misturada ao cheiro de ferro e pólvora. Estávamos encurralados. Os caras tinham decidido que ameaçar a minha gangue não era suficiente. Eles queriam sangue. Eu so vi uma arma apontada em mimha, Minha mão tremia. O dedo suava no gatilho, e a mira parecia não parar quieta. Fechei os olhos, então eu disparei. O grito dele foi mais alto que o estampido. Meu melhor amigo... Estava escuro, todos só conseguiam ver vultos e sombras. Eu nunca imaginaria que era ele que estava me apontando aquela arma. Depois disso, tudo virou uma confusão debaixo da chuva, sangue e gente gritando. Eu sobrevivi. Ele não. E, desde aquele dia, nunca mais consegui dormir direito. A morte tem um cheiro. Quem já esteve perto o suficiente sabe. Ela gruda na pele e na memória. Você pode tomar banho até a pele arder, mas certas coisas não saem. Foi naquela noite que enterrei o homem que eu era. Dimitri morreu ali. Killian foi quem levantou no dia seguinte. Pelo menos, era o que eu dizia a mim mesmo sempre que precisava olhar no espelho. Acelero. O motor responde ao movimento do meu pé, grave e agressivo, como se também estivesse de saco cheio do mundo. O rádio muda de estação e um locutor começa a falar sobre as corridas clandestinas que estão acontecendo pela cidade. Solto uma risada pelo nariz. Claro. Algumas coisas nunca mudam. Cruzo uma avenida iluminada por letreiros de neon. As cores se refletem no capô preto fosco, e meu carro desliza pelo trânsito sem chamar muita atenção. Ou quase nenhuma. Depois de alguns minutos, encosto perto de uma loja fechada e desligo o motor. Acendo um cigarro e fico ali até a fumaça começar a incomodar meus olhos. Meu melhor amigo atualmente, se chama Kael, ofereceu dividir o apartamento comigo até eu encontrar um lugar decente. Generoso da parte dele. Infelizmente, generosidade e bom gosto não costumam andar juntos. O prédio onde ele mora parece prestes a desabar, e eu tenho quase certeza de que o apartamento não está em condições muito melhores. Mas encontrar um lugar leva tempo. E eu prefiro procurar com cuidado a me mudar para qualquer buraco. Então, por enquanto, vou ter que aturar as piadinhas do meu colega de quarto. Apago o cigarro, enteo novamente do carro e dirijo até lá. O prédio é ainda pior de perto. A pintura está descascando, algumas janelas parecem ter sobrevivido a uma guerra e a entrada tem um cheiro suspeito que prefiro não identificar. É reconfortante, de um jeito completamente errado. Um lar para quem nunca teve um. Subo as escadas e bato duas vezes na porta. Preciso esperar alguns segundos antes de ouvir a voz dele. — Se for cobrador, eu já morri. Se for polícia, eu tô pelado. Se for você, Killian... entra logo antes que eu mude de ideia. Solto uma risada abafada. É ele, com certeza. Sarcástico, imprudente e mais leal do que qualquer desgraçado que já conheci. Entro sem rodeios. O apartamento está uma zona. Tem uma camiseta jogada no sofá, duas garrafas vazias na bancada e alguma coisa dentro de uma panela que provavelmente deveria ter sido jogada fora há uns três dias. E, no canto da sala, deitado como se fosse dono do lugar, está Blaze. Meu cachorro. Um fila brasileiro enorme, de pelo preto e olhos atentos. Kael gosta de dizer que ele tem metade do tamanho de um lobo e o dobro da personalidade de um demônio. Blaze ergue a cabeça assim que me vê. — Blaze... Minha voz sai mais baixa do que eu esperava. Ele fareja o ar por um instante e, no segundo seguinte, vem correndo na minha direção. O desgraçado praticamente me atropela. — Filho da puta! Tá maior do que eu lembrava! Reclamo, mas já estou com os braços ao redor dele, enterrando os dedos no pelo grosso. Blaze abana o rabo e tenta enfiar a cabeça debaixo do meu braço, como se precisasse confirmar que sou mesmo eu. Kael aparece encostado na bancada da cozinha, segurando uma cerveja e com aquele sorriso idiota de sempre no canto da boca. — Acho que ele sentiu mais tua falta do que eu. O Blaze não ronca feito um trator velho, não enche o saco e não bebe minha cerveja. — Me respeita, ok? Eu pago a porra da ração. — Paga uma ração e acha que é pai do ano. Ergo a mão, e ele b**e nela com aquele tapa de irmãos que não precisam ter o mesmo sangue. Ele é uma das poucas pessoas que ainda me fazem lembrar que existe alguma coisa de verdade dentro de mim. Talvez seja por isso que continuo aqui. Depois de algumas cervejas, provocações e uma discussão completamente desnecessária sobre quem tinha acabado com a última pizza, Kael muda de expressão. É rápido, mas percebo. Ele fica girando a garrafa entre os dedos, como se estivesse decidindo se fala alguma coisa ou se guarda para si. — Que foi? — pergunto. — Vai ter uma corrida hoje. No viaduto. Tô indo lá dar uma olhada. Dou um gole na cerveja. — E eu com isso? — E você com tudo. Vai comigo. — Não tô a fim de gente gritando, música alta e testosterona vazando pelas orelhas. — Ah, vai se foder. Você vivia nessa merda. Viveu tanto que a pista até te deve aluguel. Suspirando, passo a mão pelo cabelo. Houve um tempo em que as corridas eram mais do que uma forma de ganhar dinheiro ou sentir adrenalina. Eram uma parte da minha vida. Um lugar onde eu sabia exatamente o que fazer, onde cada curva dependia de mim e onde, por alguns minutos, o resto do mundo podia esperar. Depois, algumas coisas aconteceram. E eu parei de voltar. — Eu não vou correr, Kael. — Não precisa. Só vai ver. Sentir. Se reconectar com essa tua alma de delinquente emocional. Encaro meu amigo. — Você jurou que falou isso em voz alta? — Porra, falei. E com orgulho. Ele aponta para o corredor. — Agora vai tomar um banho. Tu tá fedendo a trauma não resolvido e nicotina. — Um dia eu ainda vou te jogar pela janela. — Desde que pague o conserto, parceiro. --- À noite. O viaduto parece ter sido escolhido por alguém que queria reunir todas as decisões ruins da cidade em um único lugar. Carros rebaixados, luzes de neon, gente gritando e música alta o suficiente para fazer o chão vibrar. Algumas garotas dançam sobre os capôs, enquanto grupos se juntam em volta dos carros e discutem apostas. Um clichê cinematográfico de segunda categoria. E, mesmo assim, alguma coisa naquele lugar me faz sentir falta de uma época que eu passei anos tentando esquecer. Kael se mistura à multidão em poucos minutos. Cumprimenta uns, provoca outros e parece conhecer metade das pessoas que estão ali. Eu fico encostado no capô do meu carro, com um cigarro entre os dedos, observando tudo. É um hábito antigo. Procurar problemas antes que eles encontrem você. Uma silhueta para bem na minha frente, interrompendo meus pensamentos. Cabelos ruivos como incêndio, salto alto, sorriso afiado e um vestido que provavelmente foi criado para desrespeitar qualquer regra de bom senso. Ela me olha de cima a baixo, sem a menor vergonha. — E quem é você, forasteiro com cara de quem carrega mais cadáver do que bagagem? Reviro os olhos. — Killian. E você é a propaganda da encrenca ou só gosta de parecer um aviso de perigo ambulante? Ela ri. Escandalosamente, pro meu gosto — Gostei de você. Quer companhia pro resto da noite? — Prefiro companhia que não tente arrancar minha carteira enquanto eu durmo. — Que pena. Eu estava pensando em roubar só o carro. — Pelo menos tem bom gosto. Ela abre um sorriso ainda maior. Antes que eu descubra se a mulher é sempre assim ou se resolveu testar a minha paciência por esporte, Kael aparece ao nosso lado. — Naomy, por que você não chama sua amiga? Aquela gata selvagem que humilhou o Smoke no racha de ontem. Naomy arregala os olhos. — A Ny? O nome me faz prestar atenção. Ny. Curto. Familiar. Um som pequeno, mas suficiente para cutucar uma lembrança que eu preferia deixar quieta. Há nomes que a gente escuta por acaso. Há outros que parecem encontrar um jeito de voltar, mesmo quando você passa anos tentando fugir deles. Baixo os olhos para o cigarro e dou uma tragada. Coincidência. Só pode ser. Naomy pega o celular e se afasta alguns passos, já procurando o contato. Kael se encosta ao meu lado, com um sorriso que não anuncia nada de bom. — Você precisa conhecer essa gata. Ela é uma em um milhão, parceiro. — Você está enchendo muito a bola dela. Quem é? — A mina que botou o Smoke para comer poeira e morder o volante. Ergo uma sobrancelha. — Corajosa ou suicida? — Talvez os dois. Mas te garanto que é a coisa mais bonita que essa cidade viu desde o fim da última guerra de gangues. Rio. Que idiota — Esse é o seu jeito poético e exagerado de dizer que ela é gostosa? — É o meu jeito de dizer que, se você encostar nela, talvez acabe sem o carro... ou sem o coração. — Você anda assistindo a muita novela. — E você anda precisando de uma mulher que resolva esse mau humor. — Talvez eu resolva te jogar no viaduto. — Viu? É disso que eu tô falando. Você precisa socializar. Balanço a cabeça, rindo contra a minha vontade. Do outro lado do estacionamento, Naomy conversa ao telefone. Pelo jeito como gesticula, está se divertindo muito mais do que deveria. Então sua voz fica alta o suficiente para chegar até nós. — Sim, Ny... a gente precisa de você aqui. E sim, tem alguém que você vai querer conhecer. Faço uma careta. Naomy continua: — Alto, cara de psicopata sexy, cigarro no canto da boca e uma vibe de "já matei alguém, mas agora só quero sossego". Arregalo os olhos. — Ela tá me vendendo igual carro usado. Kael começa a rir. — Você é um clássico, Killian. Um muscle car com a alma quebrada. Quem não ia querer dar uma voltinha? Empurro o ombro dele. — Vai tomar no cu, Kael. — Já fui. Não achei muito agradável. Ele toma um gole da cerveja. — Agora aguenta. A Ny tá vindo. Tento ignorar a expectativa estranha que começa a se instalar no meu peito. Não faz sentido. Eu não conheço essa garota. Nunca a vi. Não tenho motivo algum para me importar com ela. Ainda assim, quando Naomy encerra a ligação, percebo que estou olhando na direção da entrada do estacionamento. (Uma hora depois...) Escuto o ronco de um motor. Uma Kawasaki Ninja ZX-10R surge na rua e desliza pelo asfalto. A moto é linda. Se eu não preferisse carros, provavelmente teria uma dessas na garagem. A multidão começa a abrir espaço. A piloto está com o capacete fechado, cabelos pretos escapando por baixo dele e roupas que combinam com a moto. Quando estaciona, algumas pessoas se aproximam para cumprimentá-la. Observo de longe. Não sei por que continuo olhando. Curiosidade. Talvez eu só queira ver a mulher que conseguiu fazer Smoke passar vergonha diante de todo mundo. Ou talvez seja porque, desde que ouvi aquele apelido, alguma coisa dentro de mim não consegue se acalmar. Naomy praticamente corre até ela. — Nyra! Gata selvagem, que bom que apareceu! A mulher ri e tira o capacete. E o mundo para. Não de verdade. A música continua alta, as pessoas continuam gritando e algum idiota ainda está acelerando o motor de um carro como se quisesse acordar os mortos. Mas, dentro da minha cabeça, tudo fica em silêncio. Cabelos pretos. Pele morena. Um rosto que eu conheço melhor do que deveria. Não... Meu corpo inteiro fica rígido. Nyra? Não pode ser. Passo a língua pelos lábios, tentando recuperar o ar. O cigarro que seguro entre os dedos está quase no filtro, mas nem lembro de ter fumado. Anos. Passei anos tentando enterrar aquela parte da minha vida. Mudei de cidade, de nome, de rosto. Transformei Dimitri em uma lembrança que ninguém deveria conseguir reconhecer. E agora ela está aqui. A poucos metros de mim. Ainda mais linda... Minha pantera. Droga! Por que você ainda consegue fazer isso comigo? Eu deveria ir embora. Entrar no carro, ligar o motor e desaparecer antes que ela olhe na minha direção. Seria a escolha mais inteligente. Mas nunca fui tão bom em fazer o que é inteligente quando se trata dela. Nyra diz alguma coisa para Naomy, sorrindo enquanto guarda o capacete. Não consigo ouvir as palavras. Só observo o jeito como ela se move, como se os últimos anos não tivessem existido. Como se eu não tivesse deixado um buraco na vida dela. Ela ainda não me viu. E eu não sei se quero que veja. Porque, se olhar nos meus olhos por tempo suficiente, talvez encontre alguma coisa que a cirurgia não conseguiu mudar. Pela primeira vez em muito tempo, sinto alguma coisa que não consigo controlar. Não é medo nem é raiva. É uma queimação no meio do peito, lenta e dolorosa, como se alguém tivesse acabado de acender um fósforo dentro de mim. E, pela primeira vez em anos, eu não faço a menor ideia de como apagar o fogo.[ KILLIAN ] Ela estava do meu lado, olhando para o mar como se estivesse tentando encontrar respostas na espuma das ondas.E eu estava tentando não deixar transparecer o quanto cada palavra dela tinha me atingido.Eu queria dizer que tive meus motivos. Que tudo o que fiz, fiz por ela e pela minha família.Mas não podia. Não conseguia.Nyra já tinha sofrido demais por minha causa. A última coisa que eu queria era piorar tudo, mesmo sabendo que esconder a verdade também era uma forma de machucá-la.Passei a mão pelo rosto, tentando afastar aqueles pensamentos. Não adiantou.Até que minha boca resolveu agir sozinha.— Então... será que a gente pode ser amigo?Ela virou o rosto na minha direção e demorou mais do que o necessário para responder.Os olhos dela ainda carregavam tristeza e embriaguez, mas havia alguma coisa ali que não tinha desaparecido por completo. Uma pequena parte dela que ainda conseguia rir, provocar e desafiar o mundo. Nyra deu um sorriso discreto.— Ainda não.Sorr
( 🌊 NYRA )Três dias depoisO sol estava começando a desaparecer no horizonte, deixando o céu alaranjado.Eu estava sentada na areia, com uma garrafa de vodca na mão e os pés quase alcançando a água. O vento bagunçava meu cabelo, mas eu nem me dava ao trabalho de arrumá-lo.Três anos.Três anos, e eu ainda vinha pra essa maldita praia no mesmo dia.Todo. Santo. Ano.Eu devia ter aprendido alguma coisa até agora. Qualquer coisa que me fizesse parar de voltar ao mesmo lugar, como se isso fosse mudar o que aconteceu.Mas não.A praia continuava aqui. O mar continuava fazendo o mesmo barulho. E eu continuava sendo idiota o suficiente para achar que, talvez, naquele ano, doesse menos.Olhei para as garrafas vazias ao meu lado. Quatro.A quinta ainda estava pela metade.— Parabéns, Nyra. Mais um ano tomando decisões maravilhosas.Levei a garrafa à boca, mas parei antes de beber. Meu estômago já estava embrulhado e minha cabeça começava a ficar leve demais.Eu sabia que tinha passado do li
( KILLIAN 🏁 )O carro para com um rugido surdo, ainda vibrando por causa da corrida.Meu peito está igual. Mas não é só pela adrenalina.É por ela.Nyra para ao meu lado e desmonta da moto como se tivesse acabado de sair de um clipe de rock. O cabelo está preso de qualquer jeito, a pele brilha de suor e os olhos continuam acesos.Ela tira o capacete, vira na minha direção e abre aquele sorriso vitorioso.— E aí, Killian? Precisa de carona até o ego voltar do tombo?Saio do carro e fecho a porta, puxando a camisa grudada no corpo. O ar da noite não ajuda muito a diminuir o calor.— Tem certeza que não colocou nitro escondido nessa porra de moto? — pergunto.Ela se aproxima, com aquele perfume misturado ao cheiro de asfalto.Inclina a cabeça me olhando. — Você fala demais pra alguém que acabou de perder — acrescenta.— E você comemora demais pra alguém que só ganhou uma corrida.— Uma corrida que você perdeu.— Você é sempre tão insuportável?— Só com homens que merecem.Ela para pert
[ Midnight Sky - considerada musica tema do casal ]( KILLIAN 🔥 )A mesma Pantera. Só um pouco mais arisca, mas ainda assim, a minha Pantera.Ela dá um passo para trás, elegantemente, e depois me dá as costas.Sua atenção se volta para Naomy, enquanto Kael se aproxima de mim com um sorriso largo e irritante no rosto.Lá vamos nós...— E então?— E então o quê? Não sei onde você quer chegar, cara.— Porra, você é insuportável. Se eu não te conhecesse, diria que é muito lento... ou até mesmo burro.— Cuidado! Pode ser meu amigo, mas tenho coragem suficiente pra te bater.— Exibido. Quero saber sua opinião sobre a Nyra, idiota.— Sei... Ela tem personalidade forte.Como sempre teve.Me admira ela ter pegado tão leve comigo hoje. Quando nos conhecemos, quase me fez desistir de me aproximar dela. Quase.Além daquela língua afiada, tinha uma garota que me fazia querer ficar por perto mesmo quando deixava bem claro que preferia me ver longe.E eu sempre fui persistente demais quando se tra
"Quer brincar com fogo, Killian?"[Musica sugerida para o capitulo = Chase Atlantic - Right Here]( NYRA )Naomy me liga falando de um tal de “psicopata sexy” que acabou de chegar à cidade.Juro que quase bloqueei aquela vadia.Eu estava no meio da oficina, suada, com graxa até o cotovelo, tentando terminar um serviço, e ela me aparece com esse convite como se eu não tivesse mais nada para fazer da vida.Mas aí mencionou uma corrida.E o cara novo que, segundo ela, “valia a pena ver”.Beleza.Capacete. Jaqueta. Kawasaki no asfalto.Cheguei pronta para correr, rir e talvez arrancar a dignidade de alguém pela pista. Coisa leve.Só não esperava encontrar o tal homem encostado no próprio carro, como se estivesse posando para a capa de um filme de ação falido dos anos 2000.Cigarro no canto da boca. Ombros largos. Aquele ar de quem não está nem aí para nada.Mas foram os olhos que me fizeram diminuir o passo.Ele era bonito. Tipo... perigosamente bonito.Dava vontade de bater e depois sent
🏁 KILLIAN 🔥"Dimitri"A cidade grande me recebe como qualquer outra: barulhenta, suja e cheia de gente. Me acomodo no banco do carro e seguro o volante. O ronco grave do motor me lembra quem sou agora. Ou melhor, quem precisei me tornar.Outro nome. Outro rosto. Outra vida.Killian.Ainda acho estranho pensar nesse nome. Demorei para me acostumar com ele, mas hoje é o que posso usar sem colocar tudo a perder.Dimitri ficou para trás.O GPS apita, indicando o endereço do próximo cliente. Mais um serviço. Mais uma cabeça a prêmio. É assim que pago as contas, abasteço meus carros e, de vez em quando, tento anestesiar essa merda que insiste em pulsar no meio do peito.Aperto o volante com força.Meus olhos encontram outro homem no retrovisor. A cirurgia mudou meu rosto, apagou traços que um dia alguém poderia reconhecer. Mas os olhos continuam os mesmos. Frios, cansados, cheios de lembranças que nem o fogo conseguiria apagar.Eu nunca quis essa vida.Nunca imaginei que me tornaria o t







