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Capítulo 7

Autor: Belarmino Verde
A festa terminou e os colegas foram embora felizes. Só restou Rafaela, com seu cabelo curto na altura dos ombros, jaqueta de couro e sempre com expressão séria. Apesar de aparentar ser uma mulher durona e descolada, ela adorava abraçar Lívia e fazer charme. Naquele momento, ela estava agarrada ao braço dela, se recusando a soltá-la.

— Chefe, me leva com você. Qual o sentido da vida, se não vou mais te ver todos os dias?

— Você já está grandinha! — Lívia bateu na testa de Rafaela, impotente.

— Mas ainda sou mais nova que você.

— Sim, você é mais nova, então, se tiver qualquer dificuldade, lembre-se de me ligar.

A mulher durona e descolada ficou com os olhos vermelhos, mas, ainda assim, levantou o rosto e segurou as lágrimas.

— Chefe, sua melhor amiga não é uma pessoa confiável, fique esperta. — Sussurrou ela.

— Eu sei. — Lívia acenou.

— Não faça de conta que não está ouvindo.

— Eu não sou boba.

— Claro que não, chefe. Pelo contrário, você é inteligente, mas não consegue evitar que alguém próximo te traia.

A garota tinha uma visão clara da situação. É o que dizem: quem está de fora enxerga melhor.

Depois de se despedir de Rafaela, Viviane também saiu. No fim, foi ela quem pagou a conta, mesmo a contragosto, porque a outra praticamente arrancou a nota fiscal da sua mão. Mas, convenhamos, ela já tinha distribuído um milhão de reais. Quanto Viviane conseguiria conquistar todos só pagando aquela refeiçãozinha?

— Lili, você vai de táxi para casa? — Perguntou Viviane, se aproximando.

Lívia não respondeu diretamente, apenas arqueou a sobrancelha.

— Você não bebeu nada esta noite. Só tinha água no seu copo quando você brindou.

— E-eu não queria beber. — Viviane hesitou.

— Não, você está escondendo algo de mim.

— Eu? Não tenho nada a esconder...

— Você está grávida, não é?

Viviane se assustou. Ela não esperava que Lívia adivinhasse tão rápido.

— Então você está mesmo grávida! — Lívia disse, com um tom afirmativo.

— Eu... — começou Viviane.

— Ainda quer esconder de mim?

— Eu queria te contar, mas não encontrei o momento certo. — Viviane apressou-se em explicar.

— Agora que não tem ninguém por perto, você precisa me contar a verdade. — Lívia bufou. — Quem é o pai?

— Não importa quem é o pai.

— Claro que importa!

— Ah... Na verdade, é o Bruno. — Viviane não sabia como mentir, então teve que improvisar.

Lívia estreitou os olhos. Bruno era ex-namorado de Viviane. Ela realmente era capaz de mentir sobre qualquer coisa para enganá-la.

— Mas vocês não terminaram há três anos?

— Eu reencontrei ele recentemente e, por impulso, acabei indo para o hotel com ele, e passamos a noite juntos.

— Você... — Lívia olhou com dureza e levantou a mão, dando um tapa forte no rosto de Viviane.

O som do estalo ecoou no ar.

— Você... por que me bateu? — Viviane cobriu o rosto, chocada.

— Porque eu encontrei Bruno na minha viagem a trabalho, e ele está casado! — Lívia fez cara de raiva, apontando para Viviane. — Nunca imaginei que você fosse capaz de ser uma amante!

— Eu... — Viviane, atordoada, ficou sem palavras.

— Você não tem vergonha? Como pôde destruir uma família?

— Eu não sabia...

— Estou muito desapontada com você!

Depois de bater e repreender Viviane, Lívia se virou, satisfeita, e foi embora. Ela entrou no táxi e, pelo retrovisor, viu Viviane cobrindo o rosto, extremamente abatida. Então tirou o celular e fez uma ligação. Lívia contraiu os lábios e instruiu o motorista a contornar e ir até a porta dos fundos do hotel.

Ao descer do táxi, ela entrou no saguão e viu Viviane ainda do lado de fora, esperando por alguém. Não demorou muito para que um Bentley preto chegasse. Ian saiu do banco do motorista. Ao se aproximar, Viviane correu chorando para os braços dele. Ela dizia algo, e ele a segurava com cuidado nos ombros, claramente preocupado.

O coração de Lívia apertou. Afinal, aquele era o homem que ela tanto tinha amado e a amiga que considerava sua mais íntima. Era uma traição difícil de aceitar.

Mas Lívia não era do tipo que se deixava abater, aquilo não era o fim do mundo. Ela acreditava que todo esforço merece retorno. Se alguém a trai, ela busca justiça.

Respirando fundo, ela levantou-se e caminhou com passos largos para fora.

— Querido?

Ao ouvir isso, ambos ficaram tensos. Ian reagiu primeiro, empurrando Viviane para longe. Pega de surpresa, ela perdeu o equilíbrio com o empurrão.

— Vocês... — Lívia fingiu surpresa.

— Eu... eu vim te buscar. Encontrei a Viviane chorando na porta, então eu...

— Então a abraçou para consolar?

— Ela pulou em mim, e eu estava prestes a empurrá-la, quando você apareceu. — Ian se aproximou de Lívia e sussurrou.

— É mesmo?

— Você não acredita em mim?

Lívia ficou em silêncio por um momento.

— Claro que acredito em você, e também acredito na Viviane. — Ela se aproximou de Viviane e segurou a mão dela. — O tapa que eu te dei foi para te fazer acordar e perceber o seu erro. Não destrua a família dos outros, não seja amante. Você entendeu a minha boa intenção?

— Eu não sabia que ele era casado. — Viviane, ainda com dor no rosto, apenas murmurou. — Se soubesse, jamais teria feito isso.

— Eu também me deixei levar pela raiva. Mas você é pura e honesta, como poderia fazer algo tão sem vergonha? Culpe o Bruno, aquele lixo humano, tem esposa e ainda se envolve com outra mulher. Absolutamente nojento!

Lívia repreendeu os dois com palavras afiadas. Viviane ficou pálida, e Ian ainda mais.

— Você pretende ter esse filho?

— Hã?

— Quero saber se você quer mesmo ter esse bebê.

— Claro, quero. — Viviane respondeu, olhando para Ian.

— Como melhor amiga, apoiarei todas as suas decisões. Se quer ter o bebê, então tenha. Vou te ajudar nas consultas, na recuperação e a cuidar da criança. — Lívia abraçou Viviane, demonstrando carinho.

— Obrigada.

— Que tal eu ser a madrinha do seu filho?

— Hã?

— E meu marido, o padrinho. Vai ser muito divertido.

Lívia falava sozinha, animada, enquanto Ian e Viviane não conseguiam esboçar um sorriso.

Ela empurrou Viviane para dentro do carro para levá-la para casa e se sentou no banco do passageiro.

Ian dirigia, inicialmente desconfortável, mas logo se acostumou. Afinal, os três já tinham viajado juntos antes. A culpa ou a vergonha já haviam sido deixadas para trás há muito tempo. Viviane se adaptou rapidamente, já até estava com ciúmes de Lívia no banco da frente. Aquele lugar claramente pertencia à esposa dele. Lívia fingiu não perceber e conversou animadamente durante todo o caminho.

Quando o carro parou no sinal vermelho, ela se inclinou e pegou algo do chão, franzindo a testa.

— Ian, você realmente deixou outra mulher sentar aqui? Você está tendo um caso? — Ela gritou, segurando um batom na mão.
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