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Capítulo 8

Author: Belarmino Verde
Ian levou um susto e, instintivamente, olhou pelo retrovisor para Viviane. Ela, por sua vez, abaixou a cabeça, com culpa, sem ousar responder.

— Alguns dias atrás, meu assistente dirigiu este carro. Provavelmente foi ele quem deixou alguém sentar no banco do passageiro. Vou repreendê-lo depois. — Ian fingiu estar descontraído.

— Sério?

— Quer que eu mande meu assistente te procurar amanhã e te explicar pessoalmente?

— Não precisa.

— Querida, você pode desconfiar de qualquer homem no mundo, mas não de mim, porque você é a que eu mais amo?

— A que você mais ama? Então você ama outra pessoa também?

— Me expressei mal, quis dizer que só amo você.

Lívia fingiu estar reconfortada, sorrindo, enquanto examinava o batom que segurava.

— Hum, essa marca é a que a Vivi sempre usa.

— É mesmo? — Viviane comentou, ainda um pouco desconfortável.

— Pois é, parece que a namorada do assistente Diogo tem muito bom gosto.

Quando chegaram ao condomínio de luxo onde Viviane morava, Lívia, desconfiada, pediu que Ian a levasse até o apartamento. Após os dois subirem, Lívia inclinou a cabeça e olhou pela janela de Viviane. Logo, as luzes se acenderam. Ela estreitou os olhos, imaginando o que os dois estavam fazendo lá dentro. Provavelmente estavam se abraçando para se acalmar, afinal, durante todo o caminho, ela os assustou, deixando ambos suando frio. Mas, para não levantar suspeitas, Ian não demorou e logo desceu.

No caminho de volta para casa, ao estacionarem na garagem, Lívia se virou e sentou-se no colo de Ian.

— Querido, há quanto tempo que não ficamos assim? — Disse ela, deixando os longos cabelos caírem sobre o rosto dele.

— Lili, eu te amo. — Ian segurou na cintura dela com as mãos, imediatamente tomado pela emoção.

— Eu sei.

A mão dele deslizou por baixo do vestido dela, mas, ao tocar a perna, foi agarrada por Lívia.

— O que houve? — Ele respirava com dificuldade.

Lívia reprimiu o desconforto, sorriu maliciosa e aproximou-se do pescoço dele, prestes a beijá-lo.

Ian apertou a cintura dela, como se aguardasse por uma recompensa, com seu corpo estremecendo de alegria. Mas, no instante seguinte:

— Querido, o que é essa marca no seu pescoço? Você bateu em algo? Hum, não deveria ter batido aqui. Espera, vou tirar uma foto com meu celular.

Lívia rapidamente pegou o celular da bolsa, enquanto Ian, lembrando-se de algo, ficou com raiva, nervoso e culpado.

— Deve ser só uma picada de mosquito. É melhor subirmos logo.

Antes que Lívia pudesse dizer qualquer coisa, Ian abriu a porta do carro e desceu apressadamente.

Lívia debochou por dentro. Viviane, provocada por ela durante a noite, até quis jogar tudo para o alto, mas ela, de propósito, não entrou no jogo.

Em casa, Valter já estava descansando, e os dois subiram direto para o quarto. Ian foi para o banheiro do quarto de hóspedes, tomou banho e, saindo, disse que ainda tinha trabalho para terminar. Pediu que Lívia fosse para a cama enquanto ele ia para o escritório.

Lívia deitou-se na cama e abriu o monitor das câmeras de segurança do escritório no celular.

Ian entrou no escritório, chutou a cadeira com irritação, mas logo a ajustou para não fazer barulho. Em seguida, ligou para Viviane. E, assim que ela atendeu, ele baixou a voz, furioso:

— Viviane, você fez de propósito, não foi? Deixou aquela marca no meu pescoço para que Lili percebesse e acabasse expondo a situação entre nós?

O que ela disse o deixou ainda mais furioso. Ele bateu na mesa com o punho:

— Eu disse que ia ser honesto com a Lili. Não é da sua conta!

— Nós já nos casamos legalmente, você está grávida de um filho meu, e ainda assim não está satisfeita? Eu só dei o meu amor para a Lili, até isso você quer roubar?

— Não tente mais essas pequenas artimanhas, ou eu não vou te perdoar!

Dito isso, Ian desligou, sentou-se, fechou os punhos com raiva e respirou fundo.

Lívia, deitada, apenas balançou a cabeça, divertida e sem palavras. Ian a amava? Amava. Mas, como ele mesmo disse, isso não o impedia de se casar e ter filhos com outra.
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