LOGINValentina ainda segurava o celular quando uma nova mensagem chegou.Isabella."Eu estou no hospital."O coração de Valentina acelerou.Ela releu.Outra mensagem apareceu."Não vim para tirar nada de você. Só preciso falar."Valentina ficou imóvel.Dante percebeu imediatamente."Ela veio?""Está aqui."Ele se levantou."Quer que eu peça para a segurança?"Valentina pensou por alguns segundos.A vontade era dizer sim.Seria mais fácil.Muito mais fácil.Mas havia alguma coisa dentro dela que se recusava a continuar evitando aquela conversa."Não."Dante esperou."Eu quero saber o que ela tem para dizer."Ele assentiu."Então você decide quando ela entra."Valentina olhou para a porta."Não quero que ela veja o bebê sem minha autorização.""Ela não vai."Dante não acrescentou mais nada.Aquilo lhe deu espaço para respirar.Valentina digitou uma única resposta."Pode subir."Assim que enviou, sentiu as mãos ficarem frias.Poucos minutos depois, alguém bateu à porta.Valentina não responde
Valentina permaneceu com o celular nas mãos.A mensagem de Isabella continuava na tela."Eu sei que ele nasceu. Preciso falar com você."Ela releu duas vezes.Não havia pedido de desculpa.Não havia explicação.Não havia sequer uma pergunta sobre como ela estava.Apenas aquela frase.Como se Isabella ainda tivesse o direito de entrar em sua vida porque julgava necessário.Valentina bloqueou o aparelho.Dante percebeu."Você não vai responder.""Não agora."Ele assentiu.O bebê dormia tranquilo em seus braços.Valentina olhou para o filho.Era estranho como tudo havia mudado em poucas horas.Antes, Riccardo era apenas uma lembrança que ela tentava manter distante.Agora, ele tinha reaparecido na porta do quarto.Isabella também.E os dois estavam ligados àquela criança de maneiras que ela não podia simplesmente cortar.Valentina sentiu uma irritação crescente.Não com o bebê.Com a situação.Com a injustiça de precisar administrar a presença de pessoas que haviam causado tanta dor just
O quarto estava silencioso quando o celular de Valentina vibrou sobre a mesa.Ela não pretendia olhar.Estava cansada demais.O bebê dormia em seu colo, e Dante organizava algumas coisas perto da janela.O aparelho vibrou novamente.Valentina estendeu a mão.Parou assim que viu o nome na tela.Riccardo.Seu corpo ficou rígido.Dante percebeu a mudança imediatamente."O que foi?"Ela virou o celular com a tela para baixo."É ele."Dante não perguntou quem.A expressão dele mudou, mas a voz permaneceu controlada."Ele sabe?""Provavelmente."O celular vibrou outra vez.Valentina respirou fundo e olhou para a tela.Havia uma mensagem."Soube que o bebê nasceu. Preciso falar com você."Ela ficou alguns segundos encarando aquelas palavras.Dante se aproximou."Quer que eu saia?"Valentina levantou os olhos."Não.""Quer responder?""Eu não sei."Dante não tocou no aparelho.Não tomou nenhuma decisão por ela.Apenas ficou ali.Outra mensagem chegou."Valentina, por favor. É meu filho também
A manhã começou lentamente dentro do quarto.A luz atravessava a cortina, desenhando uma faixa clara sobre o chão.Valentina havia conseguido dormir por pouco tempo.Quando abriu os olhos, encontrou o bebê acordado.Ele estava tranquilo, enrolado na manta, observando o espaço ao redor com movimentos desajeitados.Valentina sorriu automaticamente."Bom dia, meu amor."A criança mexeu os lábios.Ela estendeu um dedo.A pequena mão fechou-se em torno dele.Valentina ficou alguns segundos assim.Então o sorriso diminuiu.Havia alguma coisa no rosto do bebê.Um detalhe pequeno.Talvez apenas a linha do nariz.Talvez a expressão.Talvez apenas o cansaço fazendo sua mente procurar semelhanças.Mas ela enxergou Riccardo.Valentina puxou discretamente a mão.O gesto foi tão rápido que poderia ter passado despercebido.Não passou.Dante estava sentado na poltrona e levantou os olhos."Valentina?"Ela não respondeu.Continuou olhando para o bebê.Dante se aproximou."O que aconteceu?""Ele se pa
O choro do bebê ainda parecia ocupar o quarto.Mesmo depois de diminuído, Valentina continuava ouvindo aquele som dentro da própria cabeça.Ela olhava para o pequeno rosto acomodado contra seu peito e tinha dificuldade para desviar os olhos.O corpo inteiro doía.As pernas estavam pesadas.Os braços pareciam sem força.A respiração ainda estava irregular.Mas nada disso conseguia competir com aquela criança.A enfermeira ajeitou melhor a manta."Está tudo bem. Pode deixá-lo assim."Valentina assentiu.O bebê se mexeu, fazendo um pequeno ruído.Ela imediatamente abaixou o rosto."Shhh..."A palavra saiu quase sem pensar.O bebê voltou a se acomodar.Dante observava os dois.Ele estava diferente.O homem que normalmente mantinha a postura impecável, controlava reuniões difíceis e raramente deixava a emoção dominar o rosto agora parecia incapaz de esconder qualquer coisa.Os olhos estavam vermelhos.O cabelo estava desarrumado.A camisa tinha marcas da longa noite.Ele nem parecia perceb
A orientação do médico mudou o clima do quarto.A equipe se aproximou.Os movimentos ficaram mais rápidos, mais coordenados.Valentina respirou fundo quando outra contração tomou conta do corpo.Ela fechou os olhos.Dante ficou ao lado dela, atento às instruções da equipe."Valentina, agora precisamos que você se concentre em acompanhar o que o médico pedir", explicou uma enfermeira.Ela assentiu.Outra contração veio.Mais forte.Valentina segurou o lençol e puxou o ar.Dante se aproximou."Olha para mim."Ela abriu os olhos."Não fala muito."Ele sorriu."Entendido."Foi o máximo que conseguiu dizer antes de ela apertar sua mão.O médico verificou a evolução e orientou a equipe."Estamos avançando."Valentina respirou com dificuldade."Está doendo muito."A enfermeira respondeu com calma:"Eu sei. Continue. Você está indo bem."Outra onda de dor percorreu seu corpo.Ela fez força seguindo a orientação.Dante permaneceu ao lado, sem tentar preencher o momento com frases prontas.A pr







