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Capítulo 117: A Tempestade e a Calmaria

last update 公開日: 2026-10-27 01:07:02

O carro de Louise estava parado no acostamento da Rodovia Hélio Smidt, o pisca-alerta piscando em um ritmo que parecia ecoar o bater descompassado do seu coração. A mala com roupas de verão estava no porta-malas, o celular no suporte exibia a rota para o aeroporto de Guarulhos, onde Thiago a esperava. A promessa de um fim de semana em Paraty, de sol, de risadas e de esquecimento, estava a apenas alguns quilômetros de distância.

Mas ela não conseguia dirigir.

A conversa com Gabriel no corr
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    O saguão de desembarque do aeroporto de Guarulhos era um mar de gente, cartazes e abraços. Louise estava ali, de pé, com o coração batendo em um ritmo ansioso, os olhos azuis percorrendo cada rosto que saía pela porta de vidro. Ela não via os pais desde que chegara ao Brasil, meses atrás. As videochamadas eram frequentes, mas não eram a mesma coisa. Ela precisava do abraço, do cheiro, do calor. E então ela os viu. Mariana surgiu primeiro, o cabelo loiro preso em um coque elegante, um vestido de linho azul-claro que realçava seus olhos, e um sorriso que iluminava todo o saguão. Ela parecia radiante, a pele dourada pela luz do verão escocês, os olhos brilhando de expectativa. Márcio veio logo atrás, as mãos nos bolsos da calça de alfaiataria, o cabelo grisalho impecavelmente penteado, mas o sorriso no rosto desmentia qualquer tentativa de contenção. Louise não esperou. Correu, atravessando a multidão, e se jogou nos braços da mãe. — Mãe! — a voz dela saiu embargada, o rosto en

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    O carro de Louise estava parado no acostamento da Rodovia Hélio Smidt, o pisca-alerta piscando em um ritmo que parecia ecoar o bater descompassado do seu coração. A mala com roupas de verão estava no porta-malas, o celular no suporte exibia a rota para o aeroporto de Guarulhos, onde Thiago a esperava. A promessa de um fim de semana em Paraty, de sol, de risadas e de esquecimento, estava a apenas alguns quilômetros de distância. Mas ela não conseguia dirigir. A conversa com Gabriel no corredor do hospital voltou à sua mente como um vendaval. As palavras dele, as provas que ele mencionou, o olhar de preocupação genuína que ela havia repelido com tanta raiva. E a vozinha do Thiago, sempre presente, sussurrando: "Cuidado com os brasileiros". Ela olhou para o celular. Thiago havia mandado uma mensagem: "Tô chegando no aeroporto, gringa! O sol de Paraty te espera!" Ela digitou uma resposta rápida, os dedos tremendo: "Não vou conseguir ir. Me desculpa. Te explico depois." Desligo

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    Gabriel Santos não era um homem de intuições. Ele era um homem de fatos. Dados. Evidências. A vida dele era pautada pela lógica, pela precisão, pela certeza. Mas, desde o dia em que vira Louise Campbell pela primeira vez, algo nele havia mudado. E ele não sabia explicar o quê. Ele a observava de longe. No corredor da pediatria, na sala de reuniões, no refeitório. Ela estava sempre sozinha, ou com a amiga Camila, ou com aquele homem — Caio. O tal advogado. Gabriel não gostava dele. Não sabia explicar por quê, mas algo no sorriso fácil daquele homem o incomodava. Algo nos olhos dele, na forma como ele olhava ao redor, como se estivesse sempre calculando algo. Louise, por outro lado, parecia... diferente. Mais quieta, mais reservada. A frieza com que ela o tratava desde aquele dia no refeitório o incomodava. Ele não sabia o que havia feito, mas sabia que ela estava se afastando. E ele não conseguia ficar indiferente a isso. Foi por isso que ele decidiu investigar. --- Ele tinha um

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    O Caio apareceu no hospital na sexta-feira, pontualmente ao meio-dia. Louise o viu chegar pela porta de vidro da recepção, e o sorriso que brotou em seus lábios foi automático. Ele estava impecável — camisa social branca, calça jeans escura, o cabelo bagunçado de um jeito estudado. O rosto ainda tinha as marcas da briga, mas os ferimentos estavam cicatrizando bem. — Ei, linda — ele disse, a voz grave e suave, entregando-lhe uma rosa vermelha. — Almoço comigo? Louise pegou a flor, o rosto corando. — Você não precisa me trazer flores toda vez. — Eu sei. Mas eu gosto de te ver corar. Ela riu, o som leve, e o guiou até o refeitório do hospital. O lugar era movimentado, mas eles encontraram uma mesa no canto, longe do burburinho. O Caio puxou a cadeira para ela, um gesto cavalheiro que fez Louise sorrir ainda mais. — Então — ele começou, depois que se sentaram com as bandejas —, como está sendo o dia? — Corrido. Como sempre. — Ela deu um gole no suco. — Mas estou melhor. A gripe pas

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