LOGIN— Mas... Eu tenho a filha de um amigo na minha casa.Eu olhei para o sofá, onde Rafaela estava sentada, brincando distraída com um bichinho de pelúcia.Davi rapidamente respondeu:— Então traga ela junto! É só mais um par de talheres, não faz diferença.Com o frio que fazia lá fora, e sabendo que meu avô e minha avó tinham vindo pessoalmente me buscar só para eu participar do jantar, eu simplesmente não tive coragem de dizer não.Assim, levei Rafaela comigo para a casa da família Reis.Quando chegamos, Augusto já estava lá há algum tempo, acompanhado de Laís.Laís me viu e, um pouco tímida, perguntou:— Você já melhorou?Eu sorri de leve e respondi:— Já estou bem há um bom tempo.Ela, então, estendeu a pequena mão e falou com entusiasmo:— Presente de Natal!Eu me senti um pouco sem graça e disse:— Desculpa, eu não lembrei de preparar nada para você.Afinal, eu realmente não esperava que fosse encontrá-la neste Natal.Laís franziu as sobrancelhas de leve e perguntou:— Mas você prepa
Sérgio perguntou:— Mas por que você não nos contou nada?Maria, com um olhar compreensivo, respondeu:— Débora deve ter ficado com medo de nos preocupar. Se não fosse isso, aquela Mônica, aquela intrometida, não estaria se exibindo na internet dizendo que está grávida, né?Eu continuei em silêncio, concentrada em cortar os legumes, sem levantar os olhos.Maria e Sérgio perceberam que tinham tocado em um assunto delicado, algo que ainda doía em mim. Eles mudaram de assunto rapidamente, começando a elogiar o quanto Rafaela era educada e inteligente.Enquanto isso, nós três não parávamos de preparar os pratos para o almoço.Quando o meio-dia chegou, a mesa estava repleta de comida. Além do que tínhamos preparado, havia os pratos que Maria tinha trazido.Sérgio levantou o copo, sorrindo:— Vamos brindar. Que o próximo ano seja cheio de paz e que tudo dê certo para todos nós.Maria suspirou levemente e comentou:— Esse Natal está tão vazio… Augusto não está aqui, e Jacarias também não.Eu
— Pai? Mãe? — Olhei para eles, surpresa e feliz. — O que vocês estão fazendo aqui? Entrem, por favor!Rafaela, sempre muito prestativa, foi correndo buscar chinelos para eles.Sérgio suspirou enquanto entrava, colocando o casaco no cabide da entrada.— Como você não quis voltar para casa, tivemos que vir até aqui. Natal só acontece uma vez por ano, e essa data é para estarmos todos juntos, como uma família.Dizendo isso, ele colocou sobre a mesa uma grande marmita.— Sua mãe passou a noite preparando essas coisas: peru assado, presunto caramelizado com mel e aquele purê de batatas com creme que você tanto gosta.Meu coração apertou de culpa, e minha voz saiu embargada:— Me desculpem… Eu deveria ter ido ver vocês.Maria segurou minha mão com carinho e deu alguns tapinhas suaves.— Nós entendemos, filha. Você não quer encontrar seu irmão.— Nem eu quero! — Sérgio interrompeu, cruzando os braços com uma expressão séria. — Esse ingrato… Para mim, ele nem existe mais.Olhei para eles, conf
Thiago soltou um riso frio enquanto caminhava em direção à cozinha:— Se tem medo de ser mal-interpretada, então é simples: da próxima vez, não venha.Eu fechei a boca sem dizer mais nada. No final das contas, quando Thiago estava de mau humor, qualquer coisa que eu dissesse acabava sendo errada.Até a hora do almoço, permaneci em silêncio.Thiago, por outro lado, parecia indiferente. Apenas de vez em quando ele colocava algo no prato da Rafaela, pedindo que ela comesse mais.Rafaela, alheia à tensão que pairava entre nós dois, de repente comentou:— Tio Thiago, eu percebi uma coisa.— O quê? — Ele perguntou, olhando para ela com um leve interesse.Rafaela sorriu com um ar travesso:— Só consigo comer comida feita por você quando a tia Débora está aqui.Minha mão, que segurava o garfo e a faca, parou no meio do movimento. Meu coração ficou uma bagunça.Eu queria esclarecer tudo, acabar de vez com esse clima estranho, mas ao mesmo tempo tinha medo. Medo de que, uma vez quebrado o silênc
No segundo seguinte, ouvi um leve riso abafado, rouco e carregado de ironia, vindo dele.Eu abri os olhos de repente e me deparei com o olhar profundo e cheio de sarcasmo de Thiago.Antes que eu pudesse reagir, Thiago estendeu a mão, puxando-me levemente para o lado, e abriu a porta da geladeira. Com um tom provocativo, ele perguntou:— O que você achou que eu ia fazer?Meu rosto esquentou imediatamente, como se estivesse em chamas. A ponta dos meus dedos formigava, e até a base do meu pescoço ficou vermelha.Antes que eu conseguisse encontrar palavras para responder, ele acrescentou com uma calma cortante, mas que atingia direto no coração:— Fica tranquila. Eu não sou do tipo que mexe com mulheres casadas.Era como se ele tivesse me jogado em uma banheira de água fervente. O constrangimento tomou conta de mim, e eu virei o rosto, incapaz de encará-lo.Nesse momento, ele ergueu a mão e deixou que seus dedos longos e ligeiramente frios roçassem minha bochecha.Eu estremeci involuntaria
Eu estava apenas tentando a sorte.Por sorte, ele estava em casa.No entanto, a empregada que veio atender à porta me disse:— Desculpe, senhora, o Sr. Thiago está ocupado com assuntos de trabalho hoje. Ele não está recebendo visitas.Forcei um sorriso e respondi com calma:— Não tem problema. Eu vou esperar aqui. Quando ele terminar, pode me chamar.A empregada suspirou, balançando a cabeça como se eu fosse alguém sem noção. Afinal, o recado do Thiago quase equivalia a um pedido direto para que eu fosse embora.Mesmo assim, eu não sei o que deu em mim, mas insisti em ficar parada na entrada da mansão, sem nem voltar para o carro.Embora a neve tivesse parado, o frio do degelo era ainda mais cortante.Eu, que tinha acabado de me recuperar de uma febre, não consegui evitar me encolher dentro do casaco. Meu nariz ficou vermelho de frio, e eu dei vários espirros seguidos.Não sei quanto tempo se passou, mas tive a sensação de que alguém estava me observando.Quando levantei os olhos, vi n







