INICIAR SESIÓNPara poder me desculpar pessoalmente com Thiago, eu aceitei o convite de Davi. No final da tarde, fui até a casa da família Reis.Ao entrar no hall de entrada, troquei os sapatos e, ao levantar os olhos, vi Thiago sentado no sofá da sala. Ele estava com uma postura relaxada, uma mão apoiada no braço do sofá, lendo uma revista. A camisa de tom escuro que ele usava tinha as mangas dobradas até os cotovelos, revelando os antebraços fortes e bem definidos.Quando me aproximei, o olhar de Thiago passou por mim por detrás das lentes dos óculos. Era um olhar frio, impessoal, sem qualquer traço de emoção.Aquele comportamento me fez duvidar que, dias atrás, ele tivesse me enviado uma mensagem no WhatsApp para marcar aquele evento.Thiago não parecia ter intenção de falar comigo, e o silêncio constrangedor me obrigou a quebrar o gelo:— Onde estão o vovô Davi e a vovó Lorena?— Na cozinha.Thiago respondeu de forma seca, sem se dar ao trabalho de dizer mais nada.O silêncio voltou a pairar no
Eduarda insistiu:— Essa matéria tem que sair com o seu nome. Foi você quem acompanhou tudo, eu não vou roubar o seu mérito.Ela sempre foi assim. Apesar de ser uma pessoa um tanto calculista, sabia separar bem o pessoal do profissional.Eu sorri levemente e respondi:— Tudo bem, faça como achar melhor.— Débora, você… Está pensando em voltar a ser dona de casa em tempo integral? — O tom dela estava carregado de preocupação. — Você está achando o mercado de trabalho difícil demais? Por isso… Decidiu desistir?Eu ri baixo e retruquei:— E se for isso mesmo?Eduarda ficou em silêncio por alguns segundos, claramente surpresa, antes de dizer:— Se for isso, eu vou perder todo o respeito que tenho por você! Eu sempre achei que nós éramos iguais, que éramos lobas lutando no mercado de trabalho! Mas você mal saiu e já está pensando em voltar?O calor em suas palavras me fez sentir um pouco mais acolhida. Com um sorriso, expliquei:— Fica tranquila. Eu sou como você: quando reconheço que um ho
Quando Laís viu o bolo que eu carregava, os olhos dela brilharam de alegria.— Uau, que lindo! Mas… Por que ele é menor do que o da outra vez?Eu encarei o rostinho pálido dela, e meu coração apertou de dor.Afaguei os cabelos macios da pequena e respondi com um tom gentil:— Laís, quando você melhorar, eu faço um bolo bem grande para você, combinado? Mas, por agora, se você quiser comer esse bolo, vai precisar comer essa comida primeiro, tá bom?Enquanto falava, eu abri a embalagem com a refeição infantil que preparei para ela.Laís, porém, manteve os olhos fixos no bolo, fazendo um leve biquinho.— Mas eu só quero comer o bolo… Não quero mais nada.— Que tal experimentarmos só um pouquinho? — Perguntei, cortando um pedacinho de brócolis com o garfo. — Se você não gostar, não precisa comer, prometo. Só prova, tá?Ela abriu a boquinha e comeu o brócolis.Brócolis era o meu vegetal favorito, e eu tinha a esperança de que, se o ditado "mãe e filha têm uma ligação especial" fosse real, La
Na manhã seguinte, eu me forcei a levantar da cama, ignorando o cansaço que parecia pesar sobre mim.Peguei o celular, mas não havia nenhuma mensagem. Thiago não tinha respondido. Ele estava chateado comigo?Sem alternativas, escrevi uma mensagem para ele, tentando ser o mais sincera possível:[Sr. Thiago, me desculpe. Ontem, Laís sofreu uma intoxicação alimentar no jardim de infância. Foi tudo muito repentino e, no meio da confusão, acabei esquecendo do compromisso. Prometo que vou me desculpar pessoalmente em outra ocasião.]Esperei por vinte minutos, mas a mensagem parecia ter desaparecido no vazio. Não houve resposta. Sem energia para me preocupar com outra coisa, me arrumei e fui novamente ao hospital.Quando cheguei lá, soube que Laís já havia sido transferida. Nem mesmo minha identidade de jornalista me ajudou a descobrir para qual hospital ela tinha ido.Enquanto eu pensava, aflita, em ir até o Brisa do Mar para confrontar Augusto, meu celular começou a tocar. Era ele.— Está o
Ele me encarou por dois segundos, com um olhar tão profundo que parecia querer desvendar algo dentro de mim. Por fim, ele falou de maneira indiferente:— Não.Meu corpo, que estava completamente tensionado, relaxou de repente. Eu quase desabei no lugar.— Ela já está fora de perigo. — A voz de Augusto era fria, quase cortante. Ele acrescentou. — Uma filha do presidente do Grupo Moretti intoxicada… Para vocês, jornalistas caçando notícias, isso deve ser um prato cheio, né?Eu jamais imaginei que, aos olhos dele, minha preocupação com Laís fosse reduzida a algo tão mesquinho quanto a busca por um furo de reportagem. Mas naquele momento, eu já não tinha forças para me defender ou tentar explicar.No instante em que tive a confirmação de que Laís estava bem, meus olhos se encheram de lágrimas. Olhei para baixo e murmurei, com a voz abafada:— O importante é que ela está bem.Foi então que Mônica voltou, apressada, e anunciou:— Augusto, já organizei a transferência para outro hospital. Est
O rosto de Augusto ficou ainda mais sombrio, e sua voz soou fria como gelo:— Vá entrevistar outra pessoa.Aquela atitude dele fez meu coração despencar. Uma angústia tomou conta de mim, e eu não consegui evitar perguntar:— Como está a Laís? Ela… Ela foi envenenada de forma grave?O olhar de Augusto era gélido e impenetrável, completamente desprovido de qualquer emoção. Ele respondeu com frieza:— Isso não é da sua conta.Eu não consegui me conter. A raiva e a indignação explodiram no meu peito, e eu retruquei:— Laís realmente não tem nada a ver comigo? Ela é minha…Antes que eu pudesse terminar a frase, Felipe se aproximou e me interrompeu:— Sra. Moretti, talvez seja melhor… Melhor a senhora entrevistar outras pessoas neste momento. O senhor Augusto não está em condições de conversar agora. Por favor, não insista.Foi então que Mônica chegou apressada. Ela usava óculos escuros e uma máscara, mas, ao me ver ali, deu uma pequena pausa, quase imperceptível. Em seguida, ela simplesment







