LOGINCAPÍTULO 142 — O PODER QUE FICAHelena descobriu que havia uma coisa mais cansativa do que discutir com Valente.Concordar parcialmente com ele.— Isso é irritante — murmurou, olhando para o notebook.Valente ergueu os olhos do outro lado da mesa.— O quê?— Você ter razão em alguns pontos.Ele sorriu.— Posso registrar essa declaração?— Não abuse da sorte.Era quase meia-noite.Os meninos dormiam.A cozinha estava ocupada por duas xícaras de café, documentos espalhados e um prato com metade de um sanduíche.Helena examinava a proposta de transição.Cinco anos mantendo parte dos direitos especiais das famílias fundadoras.— O problema não é a redução — disse. — É o que acontece depois dela.Valente assentiu.— Exatamente.— Não fica satisfeito. Ainda discordo de você.— Estou aprendendo a conviver com essa tragédia.Helena riu.Depois ficou séria.— E se estabelecermos uma transição menor? Com critérios objetivos para decisões estruturais?— Seria melhor.— Dois anos?— Talvez.Ela f
CAPÍTULO 141 — O PREÇO DE TER VOZHelena chegou em casa com uma pasta de documentos e uma expressão que Valente conhecia bem.— Quem você pretende demitir?Ela deixou a bolsa sobre a cadeira.— Ninguém.— Processar?— Também não.— Então foi uma reunião realmente ruim.Helena tirou os sapatos.— Descobri que talvez precise votar para diminuir meu próprio poder dentro do Grupo Ferraz.Valente ficou imóvel por um segundo.Depois sorriu.— Finalmente uma mulher que entende como tornar minha vida difícil.— Você já nasceu com esse talento.Ele se aproximou.— Quer conversar?— Quero tomar banho.— Posso participar dessa etapa?Helena arqueou uma sobrancelha.— Você tem filhos para buscar na escola.Valente consultou o relógio.— Tenho vinte minutos.— Quinze.— Sou um homem eficiente.— No trabalho, talvez.Ele levou a mão ao peito.— Isso foi cruel.Helena riu e o beijou.— Busca os meninos, CEO.***Naquela noite, a pasta continuava sobre a mesa.Os gêmeos estavam ocupados construindo u
CAPÍTULO 140 — ANTES DO PREVISTOHelena não contou.Na manhã de sábado, entrou na última reunião com a passagem de domingo ainda confirmada no celular.Se terminassem tudo até o almoço, tentaria antecipar.Se não terminassem, cumpriria o planejado.Sem promessas.Sem crianças contando horas para algo que talvez não acontecesse.Às onze e vinte, o diretor europeu fechou o notebook.— Acho que terminamos.Helena piscou.— Terminamos?— A negociação foi concluída. Segunda-feira seguimos remotamente.Ela olhou para Daniel.— Não olha para mim. Eu não vou impedir ninguém de voltar para casa.Helena já estava pegando o celular.Havia um voo às quatro e cinquenta.Chegada em São Paulo pouco antes da meia-noite.Comprou.Só depois escreveu para Valente.“Preciso que esteja acordado hoje.”A resposta demorou menos de um minuto.“Isso foi uma ameaça?”“Talvez.”“Helena.”Ela sorriu.“Confia em mim.”“Essa frase normalmente antecede problemas.”***No Brasil, Valente olhou para a mensagem pela t
CAPÍTULO 139 — SETE DIASLisboa recebeu Helena com chuva.Ela reconheceu o aeroporto, algumas ruas, o cheiro do café forte demais.Mas não reconheceu a mulher que caminhava por ali.Na primeira vez, chegara grávida, assustada e sozinha.Agora carregava uma mala, um notebook e duas mensagens não lidas.A primeira era dos meninos.Uma foto dos dois fazendo careta.A segunda, de Valente.“Chegou?”Helena respondeu:“Acabei de pousar.”A resposta veio imediatamente.“Então agora posso voltar a respirar normalmente.”Ela sorriu.“Dramático.”“Sete dias.”“Talvez nove.”“Não estraga meu momento.”Helena riu sozinha.***O primeiro dia foi intenso.A equipe europeia havia preparado reuniões desde o início da manhã.Helena apresentou números, discutiu estratégias e reorganizou uma etapa do projeto que estava atrasada havia semanas.Às seis da tarde, Daniel entrou na sala.— Você pretende sair daqui hoje?Helena levantou os olhos.— Pretendo.— Excelente. Porque metade da equipe já foi embora.
CAPÍTULO 138 — A PRIMEIRA SEMANA A primeira viagem do novo acordo foi marcada para dali a quatro semanas. Lisboa. Segunda a domingo. Helena colocou as datas no calendário da geladeira. Um dos meninos apareceu atrás dela. — Sete? — Sete. — Paris foi três. — Foi. Ele contou os quadradinhos novamente. — Sete é mais. — Muito mais — Valente confirmou, entrando na cozinha. Helena lançou um olhar para ele. — Obrigada pela contribuição. — Não vou mentir para meus filhos sobre matemática. O menino apontou para domingo. — Aqui você volta? — Aqui eu volto. Ele desenhou um círculo enorme sobre a data. — Pronto. E saiu correndo. Helena continuou olhando para o calendário. — Não sei se consigo. Valente abriu a geladeira. — Consegue. — Eu estava esperando algo mais romântico. — Quer que eu feche a geladeira e tente novamente? Helena riu. — Idiota. *** Nas semanas seguintes, começaram a testar a rotina antes da viagem. Valente assumiria as manhãs. Helena organizaria an
CAPÍTULO 137 — A VIDA QUE CABE Helena assinou o aditivo da nova função internacional na segunda-feira. Não imediatamente. Primeiro, leu. Depois, releu. Fez duas alterações. Mandou para o jurídico. Recebeu de volta. Só então assinou. Quando apertou o botão de envio, ficou alguns segundos olhando para a confirmação na tela. Seis meses. Uma semana por mês na Europa. Um projeto internacional. E uma vida inteira continuando em São Paulo. Daniel apareceu na porta. — Assinou? — Assinei. — Arrependida? — Pergunta daqui a dois meses. Ele riu. — Parabéns, Helena. — Obrigada. — Você conquistou isso. Ela sorriu. Sabia. Talvez aquela fosse uma das melhores partes. *** No Grupo Ferraz, Valente recebeu a mensagem dela durante uma reunião. “Assinei o aditivo.” Olhou para a tela. Sorriu. Augusto percebeu. — Aconteceu alguma coisa? — Helena aceitou a ampliação do projeto europeu. — Aquele das viagens? — Uma semana por mês. Augusto ficou em silêncio por alguns segundos







