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Capítulo 3

Author: Oxe
Ele ficou em silêncio por alguns instantes, se virou e entrou na cozinha. Pouco depois, voltou trazendo uma tigela de canja de galinha:

— Preparei outra coisa para você. Coma enquanto ainda está quente.

Baixei a cabeça e comecei a comer a canja.

Sentado à minha frente, ele disse, com evidente impaciência:

— Bianca Lourenço, por que você está dando tanto trabalho agora?

Minha mão ficou imóvel por um instante.

Antes, quando os enjoos da gravidez me impediam de comer, ele preparava pratos diferentes para mim e chegava até a sair de carro no meio da noite para comprar algum doce que eu estivesse com vontade de comer.

— Amor, o que você quiser comer, eu faço ou compro para você. Só quero ver você feliz.

Ele já tinha dito isso. Agora, porém, achava que eu dava trabalho. Baixei a cabeça enquanto as lágrimas caíam silenciosamente dentro da canja.

Ao perceber minha expressão, ele suavizou o tom:

— Você não queria fazer um ensaio de gestante? Marquei para hoje.

Fiquei surpresa por um instante. Passei a mão sobre a barriga saliente e assenti de leve.

Por pior que ele fosse, aquelas fotos ainda seriam uma lembrança minha ao lado do meu bebê.

Às três da tarde, no estúdio fotográfico, a maquiadora ajustava o tom do corretivo.

— Este tom cobre perfeitamente as estrias. — Ela passou delicadamente o pincel sobre minha barriga. — Relaxe, Sra. Gonçalves. As fotos vão ficar lindas.

Encarei meu corpo inchado no espelho, com o ventre coberto por inúmeras estrias.

De repente, o som seco de saltos altos ecoou do lado de fora. Cecília, irmã de Carlos, entrou sem cerimônia, de braço dado com uma mulher que eu nunca tinha visto. O esmalte vermelho em suas unhas era chamativo demais.

— Luana, olha só. — Cecília elevou a voz de propósito. — Esta é a mulher com quem meu irmão vai se casar.

Luana usava um top que deixava a cintura à mostra e uma calça preta de pernas largas. Os músculos definidos de seu abdômen apareciam discretamente.

Ela inclinou a cabeça, examinou minha barriga e, de repente, estendeu a mão para cutucá-la:

— Então as estrias ficam mesmo em relevo quando a gente toca. Parecem casca de árvore velha.

O pincel de maquiagem caiu no chão. Instintivamente, peguei meu casaco para cobrir a barriga, mas Cecília foi mais rápida e jogou a peça na lixeira:

— Cobrir o quê? Você está feia e ainda não aceita que falem?

— Cecília. — Luana deu um tapinha de repreensão no dorso da mão dela. — Temos que respeitar as escolhas dos outros.

Então se virou para mim, abrindo um sorriso gentil e impecável:

— Embora eu não consiga entender por que alguém aceitaria acabar consigo mesma desse jeito...

Apertei entre os dedos o tecido do vestido de gestante e olhei para Carlos.

O olhar dele pousou em minha barriga. Suas sobrancelhas se franziram quase imperceptivelmente antes que ele desviasse o rosto.

Antes, bastava alguém me dirigir uma palavra mais dura para que ele fechasse a cara e exigisse um pedido de desculpas.

Naquele momento, porém, ele apenas abaixou a cabeça e continuou mexendo no celular, enquanto a luz da tela iluminava a tatuagem em sua clavícula.

— Ouvi dizer que grávidas têm escapes de urina. — Cecília levantou de repente a barra do meu vestido. — Bianca, não quer colocar uma fralda?

Luana soltou uma risada, cobrindo os lábios vermelhos com a mão, cujas unhas eram decoradas com strass:

— Cecília, pare com isso. Sua cunhada vai ficar magoada. — De repente, ela se inclinou e aproximou os lábios do meu ouvido.

O perfume Chanel Nº 5, misturado à maldade de suas palavras, invadiu meus sentidos.

— Sabe de uma coisa? Carlos disse que, depois que você engravidou, ficou gorda e feia. Toda vez que toca em você, ele precisa desinfetar as mãos três vezes com álcool. Ele jamais permitiria que eu passasse por um sofrimento desses.

Me levantei, tremendo da cabeça aos pés, e a cadeira de maquiagem tombou no chão com um estrondo.

Carlos finalmente ergueu a cabeça, mas apenas franziu a testa e olhou para o relógio:

— Dá para ser mais rápido? Tenho outro compromisso às cinco.

Luana aproveitou para se agarrar ao braço dele, deslizando a ponta dos dedos sobre a tatuagem em sua clavícula:

— Às cinco? Vai à minha festa de boas-vindas? Não precisa se preocupar. Eu deixo você terminar o ensaio com sua esposa antes de ir. Afinal, ela está sofrendo tanto para dar um filho a você.

Olhei para a mulher refletida no espelho, com a barriga coberta de marcas. As estrias se espalhavam a partir do meu umbigo como fogos de artifício ressequidos.

Já a mulher ao lado de Carlos tinha cabelos longos e sedutores. Os dois, bonitos e atraentes, pareciam formar um casal perfeito.

— Sr. Carlos... — Perguntou a maquiadora timidamente, segurando a esponja de maquiagem. — A Sra. Gonçalves está com lágrimas no canto dos olhos. Quer que eu retoque a maquiagem?

Carlos finalmente se dignou a dizer alguma coisa:

— Luana, chega.

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