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Capítulo 3: Está Cidade (Parte I)

Penulis: Ella D’Ravyn
last update Tanggal publikasi: 2026-05-15 06:51:36

Engraçado como as coisas nunca mudam nessa cidade 

[…]

E eu me lembro de tudo 

Desde quando éramos adolescentes brincando nesse parque de diversões

Queria estar com você lá agora 

Se o mundo inteiro estivesse assistindo, eu ainda dançaria com você 

Dirigiria por rodovias e cruzaria atalhos para estar com você 

O tempo todo, a única verdade 

É que tudo me lembra você

This Town | Niall Horan

LONDRES / DUBLIN

A luz do estúdio é suave, amarelada, diferente daquela claridade crua dos camarins. Fico sentado no banquinho, guitarra no colo, os dedos percorrendo as cordas sem pressa enquanto ajusto o último acorde da nova música.

Essa aqui é mais uma para você, Evie.

Claire está sentada no chão aos meus pés, desenhando em um caderno com a língua para fora — um hábito que herdou da mãe. Os rabiscos dela tomam a página inteira, cores vibrantes e formas que só fazem sentido na cabeça dela. Adoro isso.

Estive refletindo bastante sobre as palavras dos meus amigos e dela. Quem sabe eu possa retornar a cantar em pequenos shows.

— Eu gostei desse último refrão — ela diz, sem levantar os olhos do desenho.

O coração acelera levemente e um sorriso surge em meu rosto.

— Você diz isso em todos eles — dou um sorriso para ela, interrompendo a música por um momento. — Não importa quão horrível eu toque, você sempre aprecia. Assim como sua mãe… 

Ela ri, mostrando o mesmo sorriso de Evie.

— O que posso fazer se, assim como minha mãe era, eu também sou apaixonado pela sua voz?

Estou prestes a responder a ela que me sinto privilegiado por ter uma fã como ela. É nesse momento que a porta do estúdio range e Luka entra.

— Cadê o rockstar aposentado? — ele grita, segurando duas latinhas de cerveja.

Claire levanta num pulo.

— Padrinho!

— Minha rainha! — Ele a pega no ar, fazendo ela gargalhar — mas antes ele j**a uma das cervejas para mim, deixando a outra sobre o sofá perto da porta. Eu pego no ar, mas nem abro. Só balanço a cabeça.

— E aí, vai deixar essas músicas mofando aqui ou vai botar pra tocar de verdade? — ele pergunta, sério por um segundo.

Claire me olha, esperando. O violão pesa no meu colo.

— Estou pensando em começar pequeno. Um showzinho ou dois apenas nas cidades próximas.

Luka sorri, aquele sorriso de eu sabia que você não aguentaria.

— Madison Square Garden pode esperar, então.

Eu rio, e pela primeira vez em anos, minha garganta não se aperta. 

— Posso assumir essa responsabilidade? Deixar claro que Declan Callahan está de volta?

Assinto. 

Zion entra sem bater.

— Estou te ligando sem parar… — a voz de Zion vibra, tensa, enquanto seus olhos se fixam em Claire com urgência.

Meu telefone deve ter descarregado.

Meu corpo reage antes da minha mente. Endireito a postura, todos os sentidos alertas. Esse tom — esse mesmo tom cortante — que ouvi pela última vez há seis anos, minutos antes de o mundo desmoronar.

— O que foi? — a pergunta sai mais como um comando, e me levanto num movimento brusco.

Zion engasga, as palavras presas na garganta. Luka, percebendo a espiral silenciosa que se inicia, envolve Claire com cuidado e a guia para fora da sala. A porta se fecha com um clique suave e definitivo.

No vácuo que se forma, o rosto de Zion se desfaz. A máscara de urgência dá lugar a uma gravidade devastadora.

— Charles tentou falar com você… — ele começa, a voz agora quebrada. — Como não atendia, me ligou. É sobre a mãe.

O ar some dos meus pulmões.

— Ela insistiu que ele não contasse nada para nós, mas… ele não aguenta mais carregar isso sozinho.

— Carregar o quê, Zion? — minha voz soa rouca, estranha para meus próprios ouvidos. — Fala logo!

O silêncio que se segue é espesso, pesado, até que as palavras finalmente escapam, mudas e cruéis:

— Ela está doente.

E de repente, o chão se abre novamente.

Voltar à Irlanda é como mergulhar em um mar de memórias — cada rua, cada esquina, um fragmento de um passado mais feliz. Foi aqui que eu e Evie construímos nossa vida, desde aquele primeiro encontro desajeitado até o dia em que trocamos votos, emocionados, certos de que teríamos uma vida inteira pela frente.

Depois que perdi ela, a casa que dividíamos em Dublin, cheia dela em cada canto, tornou-se insuportável. Minha carreira como cantor estava em pausa, e quando surgiu a oportunidade de me tornar produtor musical em Londres, agarrei-a como um náufrago se agarra a um barco. 

Precisei fugir. Levei Claire comigo, claro, mas deixei para trás pedaços de mim — e agora, voltar, é como rasgar uma cicatriz mal fechada.

O vento gelado de Dublin me golpeia o rosto quando saio do aeroporto, e por um momento, fecho os olhos. Claire aperta minha mão, sua pequena luva de lã quente contra minha pele.

Luka, Maeve e Zion não puderam vir.

— Tá com frio, papai? — ela pergunta, e seu sotaque já tem um toque britânico que me dói um pouco.

— Só um pouco, princesa — minto, sorrindo.

Estamos aqui porque minha mãe está doente. Porque, não importa o quanto eu tenha tentado fugir, algumas coisas não podem ser evitadas. 

E enquanto entro no táxi, olhando a cidade passar pela janela, sinto Evie em cada detalhe — no cheiro da chuva, no tom das paredes, no sotaque do motorista.

Ela está em tudo. E eu não sei se consigo suportar isso.

O céu está nublado quando chegamos à casa dos meus pais, um reflexo perfeito da tempestade que se agita no meu peito. A porta da cozinha está entreaberta, e lá está ela, de costas para mim, as mãos tremendo levemente enquanto mexe em uma chaleira.

— Mãe.

Ela se vira, e vejo no seu rosto a surpresa, a culpa, o alívio.

— Declan. Meu Deus, o que você está fazendo aqui?

— Por que você não me contou? — Minha voz é mais áspera do que eu gostaria, mas a raiva é só medo disfarçado.

Ela suspira, os dedos enrugados passando pelos cabelos grisalhos.

— Não queria te preocupar. Você tem Claire, sua vida…

— Você é minha vida também — corto, a voz falhando. Claire se agarra à minha perna, sentindo a tensão. — O que está acontecendo, mãe?

Charles surge no corredor, convidando Claire a acompanhá-lo.

Ela me lança um olhar hesitante, mas eu confirmo com um aceno de cabeça. Assim que eles se afastam, é minha mãe quem quebra o silêncio:

— Eu venho sofrendo algumas quedas em casa, e quando Charles me levou ao hospital, os médicos descobriram um tumor.

O chão some debaixo dos meus pés.

— Onde?

— No cérebro.

Me seguro na bancada de sua cozinha.

— E o tratamento? Cirurgia?

Minha mãe observa a direção para onde seu marido e sua neta partiram, em seguida, volta o olhar para mim. Nos seus olhos, percebo a mensagem não verbal que ela transmite: não há garantias.

— É complicado, ela murmura.

Eu engulo seco, a cabeça latejando.

Por que isso tem que acontecer comigo novamente?”

— Você vai lutar — digo, mais um pedido do que uma afirmação. — E vamos superar isso juntos.

Ela sorri, triste, e aperta meu rosto entre as mãos.

— Sempre, meu filho. Mas prometa-me uma coisa.

— O que?

— Que você vai viver, não importa o que aconteça. Por você. Por ela.

Olho para Claire, que ri em outro cômodo com Charles, e sinto o nó na garganta se apertar.

— Eu prometo. Amanhã, acompanharei a senhora para conversar com o seu médico e, se necessário, visitaremos outros. — Ela sorri, um sorriso sutil, mas concorda com a cabeça.

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