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Duas Vezes Você
Duas Vezes Você
Author: Ella D’Ravyn

Prólogo

last update Petsa ng paglalathala: 2026-05-12 00:08:25

 

"Há uma distância que nos separa

Um oceano entre você e mim

E cada noite e cada dia

Eu pergunto a mim mesmo…

Você é a razão

Pela qual ainda luto

Porque ainda abro os olhos de manhã

Você é a razão

Pela qual ainda respiro

Porque meus joelhos ainda dobram"

Eu me arrependo de cada noite que te deixei ir

Eu ainda me debato com essa dor

Oh, eu cruzaria o mundo inteiro

Só para te ter de volta aqui comigo

You Are The Reason | Calum Scott 

Evie Callahan

DUBLIN / BOSTON

Hoje é o aniversário dele.

Seguro o celular com as mãos trêmulas enquanto a minha pequena Claire, de quatro anos, balança os pés no banco da cozinha, tentando acompanhar a letra de “Parabéns Pra Você” que meus pais deixaram tocando no celular de papai. Ela erra metade das palavras, mas o sorriso dela — que ele jura ser parecido com o meu — é perfeito.

— Mamãe, o papai vai adolar a suplesa? — ela pergunta, e eu mordo o lábio para não rir.

— Vai pirar — respondo, arrumando a gravatinha cor-de-azul que coloquei nela. Declan sempre diz que eu exagero nas surpresas, mas ele merece. Merece mais que isso, depois de três meses longe, em turnê pela Europa. Merece saber que, mesmo com os shows, os fãs, a distância… ele ainda é o centro do nosso universo.

O vídeo que gravamos é curto: Claire mandando um beijo, eu sussurrando “Eu te amo…” e depois corto rápido, antes que ele perceba que estou tramando algo.

Porque eu estou indo buscá-lo.

Estou a caminho de roubar ele do palco e trazê-lo para casa.

O plano é bem simples: deixarei a Claire com meus pais, uma vez que eles comentaram que a viagem seria muito longa para uma menina de quatro anos que não consegue ficar parada. Em seguida, vou pegar um voo rápido e aparecer no show dele em Boston. Posso até imaginar a expressão dele quando eu subir durante a música “Campo de Flores” — a que ele compôs no nosso primeiro ano de casados.

O tempo voa quando você menos espera.

— Evie, olha a hora! — Minha mãe aparece na cozinha, apontando para o relógio de pulso com aquele olhar que só ela tem — metade preocupação, metade empolgação.

Dou uma olhada rápida no relógio e meu estômago embrulha.

Merda. Já são quase dez, e meu voo sai em duas horas.

— Já está tudo pronto, princesa? — Meu pai surge na porta da cozinha, carregando minhas malas.

— Tá tudo! Só falta a parte mais importante… — Eu pego a minha pequena no colo que me agarra como um filhote de canguru. Seu cheiro de shampoo infantil e biscoito de aveia me invade, e por um segundo, eu hesito. Será que devia mesmo deixá-la?

Mas seis, sete horas de voo com uma criança agitada e enjoada não seria justo — nem com ela, nem com os outros passageiros.

— Vamos, estrelinha. O táxi já está a caminho.

Saímos de casa, o sol da manhã batendo suave em nossos rostos.

Claire fica quietinha no meu colo, mas seus dedinhos se apertam no meu ombro como se ela soubesse que algo está para mudar. Meu pai carrega as malas enquanto eu a coloco no chão, e o táxi para exatamente na frente da gente, como se o destino estivesse alinhando todas as peças.

— Você vai se comportar para a vovó? — Pergunto, ajeitando seus cachos loiros.

Ela balança a cabeça, séria, mas seus olhos azuis — os olhos dele — estão brilhando de uma maneira que me faz querer cancelar tudo.

Minha mala já está no porta-malas do táxi quando sinto dois bracinhos finos me envolvendo apertado. Claire se agarra a mim com ainda mais força.

— Filha, você precisa ir se quiser chegar a tempo do show dele ainda — minha mãe diz, mas sua voz parece vir de longe. Meus dedos automaticamente se enroscam nos cachos macios de Claire, tão parecidos com os do pai.

É estranho. Normalmente sou eu quem precisa arrancá-la das pernas de Declan quando ele parte para as turnês. Ela fica pendurada nele como uma conchinha, soluçando “não vai, papai” enquanto ele a acaricia com aquela paciência infinita que só reserva para ela. Eu? Recebo no máximo um beijo rápido antes que saia correndo para seus brinquedos.

Mas hoje é diferente. Hoje suas unhas pequenas cavam minha pele através do jeans.

— Mamãe não vai — ela murmura, e pela primeira vez percebo como sua voz soa exatamente como a minha quando era criança — aquele timbre levemente anasalado que minha mãe sempre dizia ser “voz de quem quer chorar”.

Minha mãe se agacha, tentando desenroscar Claire de mim.

— Vovó tem sorvete de chocolate — ela canta, usando o truque que sempre funciona. Mas hoje não. Claire aperta mais forte, seu corpo quente tremendo contra o meu.

Eu me ajoelho, nivelando nossos rostos. Seus olhos estão inchados e vermelhos.

— São só três dias, estrelinha. Você nem vai sentir minha falta. Vou trazer o papai de volta.

Seus soluços aumentam quando minha mãe finalmente a levanta. Claire se debate, esticando os braços para mim como se estivéssemos separadas por um abismo, não por meio metro de distância.

Quelo ir com mamãe! Quelo ver o papai também!

Meu coração se parte em dois.

Minha mãe me olha por cima da cabeça de Claire, seus olhos dizendo tudo:

— Vá. Ela vai ficar bem.

Pego minha bolsa, meus dedos tremendo na alça. O táxi buzina.

Claire grita meu nome de um jeito que nunca ouvi antes — um grito de pânico, não de birra.

— Te amo até a lua e volta — digo, roubando a frase que Declan inventou para ela. É minha última visão antes de fechar a porta do carro: minha filha, com os braços estendidos, e minha mãe tentando conter seu choro convulsivo.

O motorista pergunta se está tudo bem. Assinto, limpando rapidamente as lágrimas que insistem em cair.

O motorista acelera, e eu olho pela janela traseira, onde minha mãe ainda segura Claire no colo. Minha filha está com os braços esticados para mim, a boca aberta em um choro que não consigo mais ouvir. Meu coração aperta, mas me convenço de que é só por três dias.

Três dias, e estarei de volta com Declan e a história do show, com um vídeo da reação dele ao me ver aparecer nos bastidores.

O táxi vira a esquina, e Claire some de vista.

Engulo seco e puxo o celular do bolso, verificando as mensagens. 

Nada do Declan ainda. Ele deve estar ensaiando ou dormindo depois do voo noturno. Sorrio ao imaginar sua surpresa. "Campo de Flores" é a última música do setlist hoje — escolhi a hora certa.

O aeroporto aparece no horizonte, seu teto de vidro brilhando sob o sol. Pago o motorista, pego minhas malas e respiro fundo. Está realmente acontecendo.

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