เข้าสู่ระบบ“Ainda estou me agarrando a tudo que está morto e se foi
Não quero dizer adeus porque este significa para sempre
Agora você está nas estrelas e seis pés nunca pareceram tão longe
Aqui estou eu, sozinho entre os céus e as cinzas
Oh, dói tanto
Por um milhão de razões diferentes
Você levou o melhor do meu coração
E deixou o resto em pedaços"
In The Stars | Benson Boone
Declan Callahan
LONDRES
O fone de ouvido desliza quando a porta do estúdio se abre bruscamente. Antes que eu consiga ajustar o microfone, a cabine de gravação é invadida por vozes infantis e uma explosão de energia que transforma o silêncio profissional do ambiente em puro caos doméstico.
Claire entra na frente, equilibrando um bolo caseiro com velas cintilantes. Usa um macacão verde e um sorriso satisfeito demais para alguém que claramente planejou uma emboscada. Hoje não é um dia que eu aprecie celebrar. Nunca mais foi. Porque essa data também carrega o peso do pior telefonema da minha vida.
— Parece que temos uma invasão — comento, tirando os fones enquanto observo os dois pequenos furacões transformarem meu espaço de trabalho em um parque de diversões. O cheiro doce de baunilha do bolo se mistura ao aroma de madeira encerada e cabos aquecidos do estúdio.
Claire deposita cuidadosamente o bolo na mesa de mixagem, as madeixas loiras escorrendo pelos ombros.
— Pai, faz um pedido antes que o Matthew coma todas as velas! — ordena, apontando para meu afilhado, que já lambe os lábios com uma devoção preocupante.
Matthew, com seus seis anos de energia inextinguível, se acomoda entre mim e a mesa, deixando marcas pegajosas no painel de controle. Ele é filho de Maeve, madrinha de Claire e ex-melhor amiga de Evie, que entra logo atrás deles, gravando tudo com o celular e rindo como se soubesse exatamente o quanto eu precisava daquela interrupção. Luka vem por último, carregando pratos de papel e um pacote de guardanapos, embora todos saibamos que isso será insuficiente para conter qualquer desastre açucarado.
Eles sabem que parei de comemorar meu aniversário desde aquele dia.
Mas fazem isso por Claire.
E talvez, em algum canto covarde de mim, eu deixe.
— Melhor pausa criativa da história — declaro, soprando as velas num só fôlego.
O flash da câmera de Maeve congela o momento: meus olhos semicerrados, o sorriso que tento tornar espontâneo, a fumaça azulada das velas subindo como um pequeno fantasma. Claire b**e palmas. Matthew vibra como se tivéssemos acabado de ganhar uma final de campeonato. Luka cruza os braços, fingindo desaprovação, mas o canto da boca o entrega.
A batalha começa sem aviso.
Matthew ataca primeiro, seus dedinhos ágeis encontrando meu ponto fraco nas costelas. Claire, sempre mais estratégica, usa o glacê como arma, transformando meu nariz em uma escultura abstrata de açúcar. Maeve e Luka erguem uma barricada improvisada com almofadas do sofá de descanso.
— Isso é motim! — protesto entre risos, agarrando um travesseiro em forma de nota musical que ganhei de um artista que produzimos.
O estúdio, normalmente um santuário de perfeição técnica, vira um campo de guerra. O tapete acústico absorve nossas quedas. Os cabos no chão se tornam trincheiras. Até nosso precioso microfone Neumann U87 recebe um “chapéu” de glacê, a grade metálica adornada com gotas de chocolate. Luka vê aquilo e leva a mão ao peito como se tivesse presenciado um crime hediondo.
— Meu Deus, isso custa mais do que meu carro! — ele grita.
— Agora ele está mais bonito — Claire rebate, com a autoridade de quem nunca pagou uma conta na vida.
Quinze minutos depois, estamos todos esparramados no carpete, exaustos e rindo sem fôlego. Claire se aconchega sob meu braço, o cabelo macio cheirando a morango e infância. Matthew, finalmente derrotado pelo próprio metabolismo, dorme no meu ombro esquerdo, ainda com os dedos colando de doce.
— Melhor aniversário de trinta anos, hein, produtor? — Maeve provoca, limpando meu rosto com um lenço umedecido.
Meu olhar percorre o estúdio transformado. Na parede ao fundo, a foto de Evie — tirada no dia em que lancei meu primeiro álbum — parece sorrir mais intensamente. Seus olhos verdes brilham na imagem, capturando para sempre o orgulho que sentiu naquele momento. Eu conheço aquela expressão. Era a forma que ela tinha de dizer “eu sempre soube” sem precisar abrir a boca.
Luka, discreto como nunca consegue ser, aproveita a distração para acionar o sistema de som.
“Photograph”, de Ed Sheeran, versão demo.
A versão que Evie e eu gravamos juntos anos atrás.
A voz dela preenche o estúdio antes que eu consiga me preparar. Limpa, quente, bonita de um jeito que me desmonta. A melodia se espalha pelas caixas acústicas e me alcança com a precisão cruel das coisas que foram felizes demais para desaparecer por completo.
— Guardamos esse amor numa fotografia…
A voz de Evie se entrelaça com a de Ed na gravação, criando uma harmonia que sempre me arrepia. Por mais que ela tivesse uma das vozes mais belas que já ouvi, sua verdadeira paixão sempre foram as estrelas. Não como metáfora. Como destino. Como mapa. Como promessa. Ela passava horas apontando constelações para Claire, ainda pequena demais para entender, mas grande o suficiente para acreditar.
Claire aperta minha mão com força. Seu anel de birthstone — uma safira azul idêntica ao que Evie usava — pressiona minha pele.
— Pai? — ela cutuca minha bochecha. — Você prometeu pizza depois.
Maeve me estende a mão para me levantar. Os olhos castanhos dela comunicam mais do que qualquer frase ensaiada poderia: a vida continua, mesmo quando a gente não autoriza. Ela arrasta consigo a dor, sim, mas às vezes também a beleza.
Ainda assim, sinto o peso do anel de Evie no cordão sob a camisa, frio contra o meu peito, como uma segunda pele que nunca cicatrizou.
Seis anos.
Seis anos de “Pai, olha o que eu fiz!” e “Declan, ela teria orgulho de vocês”. Seis anos de acordar no meio da noite com cheiro de shampoo de jasmim no travesseiro — só para descobrir que é Claire, que insiste em usar o mesmo, como se isso pudesse costurar algum vínculo invisível com uma mãe de quem mal consegue lembrar.
Seis anos desde que Evie aterrissou em Boston naquele mesmo dia, querendo me surpreender no último show da turnê. Ela nunca teve a chance de chegar até mim.
Não tivemos despedida.
O vídeo que ela me enviou minutos antes de entrar no táxi ainda está salvo no meu celular. Nele, ela sorri para a câmera, com Claire — então com quatro anos — me mandando um beijo ao fundo. “Te vejo em breve, estrela”, ela sussurra. Nossa filha grita “Te amo, papai!” atrás dela, e eu lembro com perfeição da notificação aparecendo na tela enquanto ajustavam meu retorno no palco.
Eu nunca respondi.
Estava ocupado demais me preparando para o show.
Talvez seja por isso que eu não consiga seguir em frente.
Odeio isso. Odeio que meu coração ainda se contraia quando vejo uma mulher de cabelo castanho ondulado na rua. Odeio que eu tenha guardado o hidratante de rosto dela no fundo do armário até o ano passado, como se mantê-lo ali impedisse o mundo de admiti-la morta. Odeio que, às vezes, eu ainda pegue o telefone para ligar para ela, só para me lembrar, com o estômago afundando, que o número está desativado.
Odeio que Claire tenha o sorriso torto de Evie, aquele que sempre aparecia quando uma travessura estava a caminho.
Mas, acima de tudo, odeio que, mesmo após seis anos, eu ainda sinta que falhei com ela.
Porque eu deveria ter percebido. Deveria ter sentido no ar a ansiedade que antecedia sua surpresa. Deveria ter ligado, insistido, investigado. Ela sempre foi tão transparente — um livro aberto que eu jurava conhecer de cor —, mas naquele dia se fechou em um capítulo que nunca pude ler.
Deveria ter mandado alguém buscá-la. Um carro blindado, um motorista, um aviso, qualquer coisa que a mantivesse longe daquele cruzamento amaldiçoado.
Deveria ter dito “eu te amo” naquela última ligação.
Mas eu estava ocupado demais afinando acordes e ensaiando setlists, como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Como se o universo não arrancasse pessoas boas sem aviso. Como se o amor pudesse ser adiado para depois do show.
Agora, tudo o que me resta é o eco do não-dito. Um fantasma que me visita todas as noites para lembrar que o amor mais verdadeiro não é o que se canta em palcos lotados, mas o que se protege nos detalhes. E eu falhei nos detalhes.
Maeve diz que o luto é um oceano, não uma linha reta. Alguns dias são marés baixas: consigo ver a areia, caminhar, respirar. Outros são tsunamis que me derrubam no exato momento em que acho que estou ficando bom em fingir.
Talvez o problema seja que eu ainda espere por um fecho. Um sinal. Uma carta. Um bilhete escondido entre as coisas dela dizendo: “Está tudo bem, Declan. Você pode ser feliz agora”.
Mas o segredo sujo que ninguém conta é este:
o amor não morre com a pessoa.
Ele fica.
E dói.
E às vezes essa dor é a única prova que me resta de que ela existiu.
Então não, Evie. Eu não consigo seguir em frente como quem vira uma página.
Mas hoje, pela primeira vez, acho que consigo aprender a viver com você, em vez de sem você.
"Eu sabia que você era problema quando entrouE agora a vergonha é minhaVocê me levou a lugares onde eu nunca tinha estadoAté que você me deixou cair."I Knew You Were Trouble | Taylor Swift----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Claire CallahanO primeiro raio de sol da manhã filtrou-se pelas persianas do meu quarto, iluminando a cena que se repete com frequência cada vez maior: Matt está dormindo no chão, enrolado em um edredom, a somente alguns me
"Eu sabia que você era uma certezaEu sabia desde o inícioVocê é a pessoa em quem posso sempre dependerMinha número um, minha única.From The Jump | James Arthur e Kelly Clarkson---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Evie Callahan-PrescottCinco anos desde que nosso amor desafiou todas as convenções e construímos algo mais forte do que qualquer estrutura tradicional. O tempo solidificou o que começou como um audacioso experimento em uma realidade tão natural quanto respirar. E hoje, ao acordar com a luz do sol pintando listras
“Querida, quando você está perto de mimVocê é como um sonho realizadoEu andaria pelo fogo por vocêApenas me deixe adorar vocêComo se fosse a única coisa que fareiComo se fosse a única coisa que fareiApenas me deixe adorar vocêNão tenho certeza se sou seu tipoMas você é tão hipnotizanteVocê me pegou com aqueles olhos."Adore You | H
“Eu quero te amar de todas as formas possíveisEu quero te amar, não há nada que eu não façaEu quero tocar você, eu quero provar você tambémEu quero te amar de todas as formas possíveis”Every Kind Of Way | H.E.R.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Evie CallahanHavia reclamado com a Maeve que talvez eles tivessem se esquecido do meu aniversário. Quando saí esta manhã, nenhum dos dois me deu os parabéns. Passei o dia inteiro na casa dela, ouvindo que teriam um dia “puxado” no trabal
“Quando as luzes se apagam,E não há mais ninguémPosso sentir você começar a respirarMinha pele ainda está ardendo com seu toqueOh, ainda estou ardendo com seu toqueSó mais uma vez, preciso ser aquele que você amaVenha aqui, não me deixe querendo maisPorque não posso esperar até estarmos sozinhos esta noite.”Skin | Rihanna------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Mas, conforme me aproximo, algo não está certo. Os cabelos não são loiros... são... castanhos.Meu coração para e depois dispara, tentando fugir do meu peito.— Harvey? — minha voz é um sopro incrédulo quando ele se vira e seu sorriso — aquele sorriso que eu temia ter esquecido — ilumina não só o campo, mas cada cantinho escuro da minha alma.Não penso. Me jogo em seus braços, e o mundo desaba e se reconstrói no mesmo instante. Seus braços me envolvem com uma força que sinto nos ossos, e seu rosto se enterra na curva do meu pescoço. É real. Ele está aqui.— Como eu senti falta do seu cheiro — ele sussurra
Engraçado como as coisas nunca mudam nessa cidade […]E eu me lembro de tudo Desde quando éramos adolescentes brincando nesse parque de diversõesQueria estar com você lá agora Se o mundo inteiro estivesse assistindo, eu ainda dançaria com você Dirigiria por rodovias e cruzaria atalhos para esta
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❥Capítulo 2: O Silêncio Entre as Notas"Eu arrumo a casa da maneira que você gostava Mas sua capa ainda está no sofá, do dia que você partiuVocê me ensinou a cantar uma cançãoE agora ela soa tão amargaAs palavras sempre doem, e eu perdi a melodiaEntão eu vou comprar flores no supermercadoE ar
Capítulo 1 (Parte II)O sino da porta da Tony’s Pizzeria tilinta quando entramos, carregando o cheiro de neve, glacê e chocolate seco grudado em nossas roupas. O calor do forno a lenha nos envolve de imediato, e por um segundo o mundo parece menor, mais simples, confinado entre mesas de madeira gas







