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Capítulo 3: Está Cidade (Parte II)

Penulis: Ella D’Ravyn
last update Tanggal publikasi: 2026-05-15 06:53:58

Engraçado como as coisas nunca mudam nessa cidade 

[…]

E eu me lembro de tudo 

Desde quando éramos adolescentes brincando nesse parque de diversões

Queria estar com você lá agora 

Se o mundo inteiro estivesse assistindo, eu ainda dançaria com você 

Dirigiria por rodovias e cruzaria atalhos para estar com você 

O tempo todo, a única verdade 

É que tudo me lembra você

This Town | Niall Horan

O ar do hospital é pesado, impregnado de álcool e desinfetante, misturado com o cheiro amargo de café requentado vindo da máquina no corredor. Estou afundado nesta cadeira desconfortável da sala de espera enquanto minha mãe faz os exames. Charles ficou com Claire, e não consigo parar de pensar no que tudo isso vai significar para minha filha. Claire já perdeu sua mãe, quando era pequena demais para entender. Agora, a possibilidade de perder a avó, mais uma figura materna, parece uma crueldade do destino.

O Dr. Mendes se aproxima com passos calmos, seu rosto sério dizendo mais do que as palavras poderiam.

Engulo seco, sentindo um nó na garganta que parece da dimensão de uma bola de tênis. O mundo desacelera por um momento, e consigo ouvir o sangue pulsando em meus ouvidos. Assim que chegamos, solicitei que ele repetisse todos os exames, na esperança de que algo pudesse ter falhado na primeira vez.

— Já repetimos os exames mais críticos, Declan. O resultado é consistente.

— Quais são as nossas melhores opções de tratamento? — pergunto, forçando-me a manter a compostura. — A cirurgia é uma possibilidade real?

Ele suspira, esfregando o rosto cansado.

— A cirurgia é uma opção, mas não é simples. Pela localização e tamanho, os riscos são altíssimos.

Fecho os olhos por um instante. O silêncio entre nós pesa como chumbo. Consigo ouvir os sons abafados do hospital do lado de fora — uma maca passando, vozes distantes — mas aqui dentro, é como se o tempo tivesse parado.

— E se não operarmos? — pergunto, minha voz soando estranha e distante, como se fosse de outra pessoa.

— Teríamos que focar no tratamento paliativo.

A palavra “paliativo” ecoa na sala de consultório como um sino fúnebre. Sinto o chão ceder sob meus pés, mas me mantenho firme — preciso ser forte para ela. Para a minha mãe.

O Dr. Mendes ajusta os óculos, suas mãos firmes repousando sobre o prontuário da mamãe, antes de continuar:

— Manter sua qualidade de vida pelo tempo que restar.

— Pelo tempo que lhe resta? — as palavras saem como um soco. — O que o senhor quer dizer exatamente com isso?

Ele suspira, e, pela primeira vez, vejo a fachada profissional rachar.

— Declan — diz, meu nome saindo como um acalento —, o tumor da sua mãe está localizado em uma área profundamente crítica do cérebro. Mesmo com a cirurgia, as chances… — faz uma pausa, procurando as palavras certas — são extremamente baixas. E o risco de danos permanentes é alto demais.

Minhas mãos se apertam nos joelhos até doerem.

— E sem a cirurgia. E nenhum tratamento. O que… o que acontece?

O médico se inclina para frente, seus olhos sérios fixos nos meus

— O tumor continuará a crescer. Os sintomas que ela já apresenta — as dores de cabeça, a confusão mental, os esquecimentos — vão se intensificar. Pode haver perda progressiva de funções motoras, dificuldade para falar, convulsões…

Cada palavra é uma facada. Consigo visualizar tudo — minha mãe, aquela que sempre foi nossa fortaleza, que segurou nossa família unida depois que o pai partiu, definhando aos poucos. Lembro-me dela ensinando Evie a fazer seu primeiro ensopado irlandês, rindo com Claire no colo… e a imagem se desfaz em dor.

— E… quanto tempo? — a pergunta é um sussurro rouco.

— É impossível dar precisão — responde, honesto. — Meses, talvez um ano. O tratamento paliativo ajudaria a controlar a dor, a manter sua dignidade… pelo maior tempo possível.

A sala parece girar. Consigo ouvir o tique-taque do relógio na parede, cada segundo um lembrete cruel do tempo que nos está sendo roubado.

— E se… — minha voz falha — se tentássemos a cirurgia, mesmo com os riscos?

Dr. Mendes segura minha mão através da mesa, seu toque surpreendentemente caloroso. 

— Declan, eu operaria se achasse que havia uma chance real. Mas neste caso… — balança a cabeça lentamente — a probabilidade de ela não sobreviver à cirurgia é maior do que a de sobreviver com qualidade de vida.

Saio do consultório minutos depois, as palavras do médico ecoando em minha mente como uma sentença. No corredor, apoio a mão na parede fria por um momento, sentindo as pernas tremulas. Como vou contar isso ao Charles? A ela? E, Deus me ajude, como vou olhar nos olhos da minha mãe e mentir que tudo vai ficar bem?

Penso em Claire, em como ela se agarra à avó todas as noites antes de dormir, antes de nos mudarmos para Londres. Como explico para uma criança de dez anos que ela pode perder mais alguém?

— Eu vou contar a eles e nossa família — digo finalmente. — Não posso decidir sozinho, mas doutor, eu não vou desistir dela. Farei de tudo para que ela possa ter uma chance de cura, mesmo que mínima.

O médico assente, apertando meu ombro.

— É compreensível. Estarei aqui para o que precisarem.

Levo meia hora para digerir todas as informações que o médico dela forneceu sobre seu estado, antes de ir até ela. Entro no quarto dos exames e a vejo sentada na cama, mais frágil do que jamais a vi, mas ainda com aqueles olhos determinados que sempre a definiram. Seu sorriso ao me ver é pequeno, mas verdadeiro.

— Mãe — começo, sentando ao seu lado.

Ela agarra minha mão antes que eu continue.

— Eu sei, filho.

Respiro fundo.

— Vamos buscar outras opções. Quantos médicos forem necessários.

Ela dá uma risada baixa, cansada mas afetuosa.

— Você sempre foi teimoso.

— Aprendi com a melhor — respondo, e ela aperta minha mão com uma força que me surpreende. Por um momento, não precisamos de palavras.

Deixo minha mãe em casa. Aproveito para levar Claire para visitar seus avós maternos. Desde que me mudei, raramente venho aqui, e seus avós sempre me cobram por isso, ansiosos para ver a neta. A única parte da filha deles que lhes restou.

O céu está nublado quando chegamos à casa dos McCarthy. Tenho evitado este lugar desde que ela se foi — cada fotografia, cada móvel e cada aroma é um soco no estômago, relembrando-me da vida que compartilhávamos.

Claire aperta minha mão com força quando paramos na porta. Ela está quieta, mas sinto a ansiedade pulsando nela.

A porta se abre antes mesmo de batermos.

— Declan? Claire?! — A voz de Eileen, minha ex-sogra, treme de emoção.

Claire é engolida por um abraço antes mesmo de pisar dentro de casa. Fico parado, observando, até que Cian, meu ex-sogro, aparece atrás dela. Seus olhos se arregalam.

— Meu Deus — ele diz, puxando-me para um abraço que quase me tira o ar. — Há quanto tempo!

Algo dentro de mim se desfaz. “Eu não deveria manter Claire tão longe deles”, penso, retribuindo o abraço com força.

Entro e cada detalhe da casa grita Evie. As fotos nas paredes, o sofá onde ela adormecia lendo, até o cheiro do seu perfume que insiste em permanecer. Claire já foi levada para dentro pelos avós, enquanto eu fico parado na sala, encarando nossa foto de casamento na parede deles — a mesma que costumava estar em nossa sala. Depois que me mudei para Londres, eles me perguntaram se poderiam ficar com ela e eu concordei.

Ela está radiante, seu vestido branco fluindo como água, seu sorriso iluminando a foto inteira. Eu, ao seu lado, pareço tão jovem, tão ingênuo, tão certo de que teríamos uma vida inteira juntos.

Fecho os olhos e, por um instante, o tempo desfaz-se. Estou lá novamente, naquela manhã dourada, onde cada detalhe era um verso de um poema que só nós dois compreendíamos. O sol mal havia nascido, mas meu coração já batia em ritmo acelerado, como se tentasse acompanhar a dança das borboletas em meu estômago.

Olho-me no espelho, as mãos trêmulas tentando domar o nó da gravata. “Você consegue, Declan. Hoje é o dia mais feliz da sua vida.” Mas minto para mim mesmo. Porque, na verdade, o dia mais feliz da minha vida será todos os dias ao lado dela.

O campo de flores respira magia. Flores desabrocham em tons de branco e rosa, como se a própria natureza se curvasse diante da beleza que está prestes a caminhar em minha direção. A música começa, e todos se levantam. Meu coração para, preso na garganta. E então, a vejo.

Evie.

Meu mundo não para; ele se reconfigura, encontra seu verdadeiro eixo. Ela não caminha, flutua. Seu vestido é feito de sonhos, esvoaçando suavemente, como se dançasse com a brisa. Mas não é apenas o vestido que a torna tão radiante. É a serena e gloriosa curva de sua barriga, um leve e perfeito arredondamento sob o tecido de renda, onde nossa futura filha, a pequena Claire, já repousa. É o símbolo físico de todo o nosso amor. Seus olhos brilham mais que todas as estrelas, e seu sorriso… Ah, seu sorriso. É o sol que aquece minha alma.

Cada passo dela em minha direção é uma promessa.

Você está linda, Evie — sussurro, minhas palavras tão frágeis diante da imensidão do que sinto.

Ela aperta minha mão, seus dedos entrelaçando-se aos meus, e eu percebo: este é o meu lugar. Aqui, ao seu lado, é onde pertenço.

E você está tremendo — ela ri, e o som da sua risada é a melodia mais doce que já ouvi.

É porque estou diante dos amores da minha vida. Como não tremer? — Minhas mãos pousam suavemente sobre sua barriga, abençoando nossa pequena família.

O padre fala, mas eu só escuto ela. Sua voz, suave e firme, recita os votos que ecoarão em mim para sempre.

Eu prometo amar você, respeitar você, nos momentos de alegria e nos desafios, todos os dias da minha vida.

E eu acreditei. Acreditei que teríamos uma vida inteira pela frente.

Agora, anos depois, quando fecho os olhos, ainda a vejo. Seu sorriso, seu toque, sua voz. A saudade é uma faca que nunca se retira completamente, mas eu a carrego com orgulho. Porque o amor que tivemos foi maior que a dor da perda.

Minhas mãos tremem ao tocar nossa foto na parede, um portal para um passado que desejo preservar. E então, no silêncio da casa dos seus pais, onde trocamos nossos votos, sussurro:

— Não importa quanto tempo passe... eu ainda sinto você ao meu lado. Eu sempre te amarei.

E em algum lugar, entre as estrelas e o vento, eu sei que ela me ouve.

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