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Capítulo 5

Author: Rúbia
Em um clube privado.

Assim que Dante entrou na sala reservada, foi recebido com uma provocação.

— Ué, não bancou o herói e salvou a donzela? A essa altura, se ela tiver um mínimo de gratidão, já devia ter se jogado nos seus braços. O que está fazendo aqui?

Quem falava era Lucas Oliveira, dono daquele exclusivo clube e único herdeiro da família Oliveira, uma das mais poderosas de Santa Bruma, com uma fortuna estimada na casa dos cem bilhões.

No outro sofá, Felipe Rodrigues girava lentamente uma taça de vinho tinto entre os dedos.

Magnata do setor imobiliário, tinha negócios espalhados pelo mundo inteiro. Ninguém sabia ao certo o tamanho de sua fortuna.

Ele comentou com tranquilidade:

— Você voltou ao país há poucos dias e já causou esse escândalo todo. Ainda por cima mexeu com o Gabriel. Não tem medo de arrumar problema para si mesmo?

Dante pegou um charuto sobre a mesa e o aproximou do nariz, apreciando o aroma.

— Como se eu já não tivesse problemas suficientes.

Lucas arregalou os olhos.

— Não me diga que dessa vez você está falando sério.

— É só uma mulher. Precisa de tudo isso?

— Pensando bem, uma mulher qualquer, não. Uma mulher capaz de fazer Dante Vasconcelos resolver tudo pessoalmente já é outra história.

A curiosidade de Lucas aumentou.

— Quem é ela, afinal? O que tem de tão especial para você se importar desse jeito?

Dante pegou o cortador e aparou a ponta do charuto. Depois começou a aquecê-lo sem pressa.

— Caiu no meu colo sozinha.

Felipe ergueu uma sobrancelha.

Ele e Lucas trocaram um olhar.

Mulheres se oferecendo a Dante por vontade própria nunca tinham sido novidade.

Mas ele jamais fizera tanto por nenhuma delas.

Lucas estreitou os olhos.

— Você fez esse espetáculo todo e praticamente anunciou para Santa Bruma inteira que existe alguma coisa entre vocês...

De repente, pareceu entender.

— Está pensando em mantê-la por perto para desviar a atenção da Paty?

Dante prendeu o charuto entre os lábios e o acendeu com calma, girando-o para que a ponta queimasse por igual.

Cada gesto era preciso, sem qualquer pressa.

Tragou uma vez, manteve a fumaça na boca por um instante e a soltou devagar.

Depois se recostou no sofá, o charuto entre os dedos.

Não respondeu.

Nem precisava.

Lucas caiu na risada.

— Eu sabia! A Paty continua sendo a única que ocupa esse lugar no coração dele. Como é que o Dante ia se apaixonar assim, do nada, por outra mulher?

Felipe lançou um olhar para Dante.

— Então essa garota está ferrada.

O rosto de Lavínia surgiu inesperadamente na mente dele.

Ferrada?

Ela tinha entrado naquela situação por conta própria.

Dante nunca a obrigara a nada.

Muito pelo contrário.

Tudo indicava que Lavínia queria exatamente que os outros acreditassem naquele relacionamento.

Lavínia estava deitada em uma estreita cama de ferro, encarando o teto.

Por mais que tentasse pensar em outra coisa, a cena de Dante entrando naquela sala para tirá-la das mãos de Gabriel continuava voltando à sua cabeça.

Ela se virou de lado, e a cama rangeu baixinho.

Era difícil não sentir nada quando, no pior momento possível, alguém aparecia para salvá-la.

Lavínia também tivera aquele breve instante de coração acelerado.

Mas não era ingênua.

Um homem como Dante era impossível de prender.

Nunca lhe faltariam mulheres.

E ela?

Era apenas uma presa que havia ido parar diante dele por vontade própria.

Lavínia fazia aquilo para sobreviver.

Dante, para se divertir.

Ela não tinha nada de especial.

No máximo, ele a achava interessante o bastante para alimentar certa curiosidade.

Ou talvez tivesse algum outro objetivo.

Lavínia não conseguia imaginar o que um homem como Dante poderia querer dela.

De qualquer forma, uma coisa estava clara.

Ela precisava mantê-lo interessado.

Enquanto Dante continuasse disposto a sustentar aquele jogo, o nome dele continuaria sendo sua melhor proteção.

Ao chegar a essa conclusão, Lavínia finalmente relaxou.

As emoções confusas que a incomodavam foram se dissipando.

Seu celular vibrou.

Ela o pegou e encontrou duas notificações.

Uma era do banco, informando um depósito.

A outra, um lembrete da aula que faria com seu personal trainer.

Rafael havia transferido vinte mil reais como compensação pelos dias em que ficaria afastada e insistira várias vezes para que ela descansasse por mais algum tempo.

Lavínia aceitou o dinheiro sem culpa.

Tinha sido agredida por um cliente enquanto trabalhava. O clube também tinha responsabilidade pelo que acontecera.

Mesmo sabendo que Rafael só estava sendo tão generoso por causa de Dante, a compensação continuava sendo justa.

Lavínia deixou o celular de lado e aproveitou a rara oportunidade para dormir cedo.

Na manhã seguinte, a marca do tapa já havia diminuído bastante.

Ela se arrumou de maneira simples e foi ao hospital.

No caixa, pagou trinta mil reais, quitando, ao menos por enquanto, os valores pendentes.

Não entrou no quarto.

Não estava com disposição para ouvir os suspiros da mãe, muito menos as constantes lembranças de quanto dinheiro ainda seria necessário gastar.

Sua mãe sempre fora uma mulher frágil e dependente.

Diante de qualquer dificuldade, rapidamente se entregava às lamentações.

O pai de Lavínia morrera quando ela tinha oito anos. Mais tarde, sua mãe se casara novamente com o homem que continuava sendo seu marido até hoje.

Foi o padrasto quem ajudou a criá-la.

A falta de laços de sangue sempre mantivera certa distância entre os dois, mas ele nunca a tratara mal. Pelo contrário, chegara a pagar seus estudos na universidade.

Depois que ele adoeceu, sua mãe passou a viver com medo de que Lavínia se recusasse a ajudar.

Por isso, fazia questão de lembrá-la o tempo todo de tudo o que o padrasto já havia feito por ela.

Lavínia nunca prometia nada.

Apenas continuava trabalhando.

E ganhando dinheiro.

Porque palavras bonitas jamais davam tanta segurança quanto dinheiro de verdade.

Durante muito tempo, acreditara que seu futuro talvez não fosse fácil, mas pelo menos seria claro.

Nunca imaginara acabar seguindo por um caminho tão sombrio.

Uma mãe incapaz de se sustentar sozinha.

Um padrasto gravemente doente.

E um irmão mais novo ainda no ensino fundamental.

Lavínia não culpava ninguém.

O que fosse responsabilidade dela, ela assumiria.

Naquela tarde, foi até o Residencial Bellavista.

Fez o cadastro na portaria, e um segurança a acompanhou até a casa.

Lavínia tocou a campainha.

Cerca de um minuto depois, a porta se abriu.

Quando viu Dante do outro lado, não conseguiu esconder a surpresa.

Ele também pareceu pego de surpresa, ainda que apenas por um instante.

Lavínia usava uma jaqueta branca e leve, com proteção solar, uma calça pantalona da mesma cor e tênis brancos.

Os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo alto, deixando completamente à mostra o rosto delicado e sem maquiagem.

Não usava nenhum acessório.

Limpa, simples e fresca, parecia outra pessoa comparada à mulher que Dante conhecera no Lume Bar.

— Você é a professora de ioga?

Lavínia confirmou com um aceno e, por educação, perguntou:

— E o que o senhor está fazendo aqui?

Antes que ele respondesse, uma voz feminina veio de dentro da casa:

— A professora chegou?

Dante continuou observando Lavínia.

Passada a surpresa inicial, ela já havia recuperado completamente a naturalidade.

— Cheguei.

Ele deu um passo para o lado.

— Obrigada.

Lavínia tirou os sapatos e entrou.

Ao pisar no tapete, manteve a expressão tranquila, embora por dentro ainda estivesse alerta.

A porta se fechou atrás dela.

Mesmo sem olhar para trás, conseguia sentir Dante acompanhando seus movimentos.

— Então você é a professora de ioga do Espaço Vitta?

Isabela já vestia roupas de treino e a recebeu com um sorriso simpático.

Lavínia observou a mulher à sua frente.

Era jovem, bonita e tinha traços muito parecidos com os de Dante.

— Oi, senhora Isabela. Eu sou a Lavínia. Posso usar o banheiro para trocar de roupa?

— Claro. Vem, eu te mostro.

— Obrigada.

No banheiro, Lavínia trocou apenas a calça.

Quando voltou, também havia tirado a jaqueta. Vestia uma camiseta cinza-clara de manga curta, ajustada ao corpo, e uma legging preta de ioga que terminava pouco abaixo dos joelhos.

O conjunto era simples, mas realçava discretamente sua silhueta.

Assim que entrou na sala, deu de cara com Dante olhando para ela.

Sem nenhum constrangimento.

Ele sequer tentou disfarçar.

— Sua tatuagem é bem diferente. — Comentou Isabela com naturalidade.

O coração de Lavínia apertou por um segundo.

Ela evitou olhar para Dante e respondeu com a mesma tranquilidade:

— Obrigada.

Um sorriso quase imperceptível apareceu nos lábios dele.

Isabela se virou para Dante.

— Você não disse que já ia embora?

— Faz tempo que não consigo ficar um pouco com você. Vou ficar mais um pouco.

A voz de Dante ganhou uma suavidade que Lavínia ainda não havia ouvido nele.

Isabela franziu delicadamente a testa.

— Eu não tenho tempo para ficar te dando atenção.

— Não precisa se preocupar comigo.

Ele falava com Isabela.

Mas olhava para Lavínia.

Ela fez questão de ignorá-lo.

Depois de recuperar a concentração, começou a orientar Isabela nos exercícios.

Sua voz era suave e clara. Misturada à melodia delicada da flauta que tocava ao fundo, criava uma atmosfera inesperadamente tranquila.

Dante permaneceu recostado no sofá, com as pernas cruzadas.

Observava Lavínia sem qualquer preocupação em esconder o interesse.

A cintura fina, as curvas bem definidas e os membros longos e flexíveis inevitavelmente trouxeram à sua memória aquela noite.

Então ele finalmente entendeu por que o corpo dela parecera tão maleável em seus braços.

Dante engoliu em seco.

No meio da aula, elas fizeram uma pequena pausa.

Foi justamente quando o celular de Isabela tocou.

Ela pegou o aparelho e subiu as escadas.

Na sala, restaram apenas Dante e Lavínia.

Lavínia ficou de costas para ele.

Enquanto não precisasse encará-lo, conseguia manter a calma.

Um copo d'água surgiu diante dela.

— Está precisando tanto assim de dinheiro?

Lavínia virou um pouco o corpo.

Dante a observava com um leve sorriso, quase amigável.

— Estou.

Admitiu sem rodeios.

Para gente comum, dinheiro nunca era algo que sobrava.

A franqueza dela pareceu despertar ainda mais a curiosidade dele.

Dante aproximou o copo novamente, oferecendo-o.

Lavínia balançou a cabeça.

— Obrigada. Não precisa. Eu trouxe água.

Ele recolheu o copo e tomou um gole. Depois, brincando distraidamente com o copo entre os dedos, perguntou:

— Com tantos recursos a seu favor, por que não sabe aproveitar melhor o que tem? Para que se matar de trabalhar desse jeito?

Lavínia entendeu imediatamente a insinuação.

Ela nunca tinha pensado em conseguir dinheiro sem esforço.

Mais de uma vez já ouvira que, com aquele rosto e aquele corpo, bastava engolir o orgulho para nunca mais precisar se preocupar com dinheiro.

Naquele instante, percebeu com ainda mais clareza como Dante provavelmente a enxergava.

Como uma mulher que tinha um preço.

Lavínia recuou um passo.

Dante percebeu.

A distância criada entre os dois foi pequena, mas deliberada.

Então ela tinha se ofendido?

Ele soltou uma risada discreta.

— Só agora resolveu manter distância de mim? Não acha que está um pouco tarde?

Seu olhar desceu até a tatuagem na clavícula dela.

Quando tornou a falar, a voz saiu baixa, lenta, quase sedutora.

— Foi você quem disse que era minha mulher.

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