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Capítulo 04

مؤلف: Ferrari
[POV de Zita]

A legenda de Carlotta tinha aquele tom meigo e afetuoso de sempre.

"Passei por um susto enorme, mas a pessoa mais importante da minha vida chegou correndo para ficar ao meu lado. Ainda trouxe minha massa favorita. De repente, sofrer um acidente de carro já não parece tão assustador."

Logo abaixo da publicação havia um comentário de Emilio.

"Come devagar. Ninguém vai roubar sua comida."

Bloqueei a tela do celular e procurei dentro da bolsa até encontrar minha carteira de motorista de New Arden.

Fiquei olhando para ela pela última vez.

Na foto, eu sorria radiante.

Naquele dia, Emilio me esperava do lado de fora do estúdio fotográfico.

— Capricha na foto. Você vai usar essa carteira por muito tempo.

Guardei a carteira dentro de uma revista que estava no bolso do assento à minha frente.

Depois, enfiei a mão no bolso da calça e encontrei uma velha moeda.

Emilio dizia que era sua moeda da sorte.

Ele a entregou para mim e disse:

— Zita, no dia do nosso casamento, você pode jogar essa moeda em uma fonte dos desejos. Assim nunca mais vamos nos separar.

No entanto, o mesmo homem que dizia que jamais nos separaríamos era quem me deixava para trás, repetidas vezes.

Enquanto lembrava dos últimos cinco anos, meus olhos foram se enchendo de lágrimas.

Fechei a mão em volta da moeda e permaneci assim por um longo tempo.

A janela do táxi estava entreaberta.

O vento entrava, trazendo consigo o primeiro frescor do início do outono.

Então afrouxei os dedos.

A moeda escapou da minha mão e desapareceu na escuridão do rio Halston. Nem sequer ouvi o som dela tocando a água. Sequei as lágrimas.

Pouco depois, o táxi parou em frente ao terminal do aeroporto. Coloquei a mochila nas costas, peguei as malas e entrei no saguão iluminado.

Entreguei meu passaporte no balcão de check-in.

— Qual é o seu destino, senhorita?

— Bellecourt.

— Passagem só de ida ou ida e volta?

— Só de ida.

A atendente pegou meu passaporte, conferiu as informações e tornou a olhar para mim.

— Um instante, por favor.

Fiquei parada diante do balcão.

Atrás de mim, a fila de passageiros aumentava a cada minuto.

À minha frente, havia um futuro que eu ainda não conseguia enxergar.

Meu celular vibrou pela última vez.

Era uma mensagem de Emilio.

"Zita, a Carlotta finalmente dormiu, mas continua chorando até enquanto sonha. Hoje não vou voltar para casa, então não me espere acordada. Amanhã eu levo você para escolher um anel. Desta vez eu estou falando sério."

Li a mensagem uma única vez.

Depois bloqueei a tela.

Não consegui evitar um sorriso irônico.

Emilio sempre fora assim.

Ele acreditava que, não importava o que fizesse, bastava me compensar depois.

Eu sempre esperaria por ele.

Sempre o perdoaria.

Afinal, na cabeça dele, eu não tinha mais ninguém além dele em quem pudesse confiar.

Fiquei imaginando qual seria sua reação quando descobrisse que eu tinha ido embora.

Pensando nisso, respondi:

"Estou indo embora. Nunca mais vou voltar."

Em seguida, retirei o chip do celular e o joguei em uma lixeira no meio do saguão de embarque.

O anúncio do meu voo ecoou pelos alto-falantes.

Peguei minha mochila e caminhei em direção ao portão de embarque.

Sem olhar para trás.

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